sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda. Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.
Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.

Jerusia Arruda" <jerusia@gmail.com>

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.

Quilombolas de Brejos dos Crioulos continuam ameaçados por milícias armadas


Luís Carlos Gusmão



"Quilombo, Quilombo não vive cansado!
É melhor morrer lutando do que ser escravizado!"
O grito de desabafo foi puxado por um remanescente quilombola na tarde da última quarta-feira, 26, na Câmara Municipal de Montes Claros, durante audiência pública realizada pela Relatoria Nacional para os Direitos Humanos à Alimentação Adequada e Terra Rural.
Despejos ilegais e esvaziamento de acampamentos por milícias armadas, lentidão do Incra e ação truculenta da Política Militar do Estado de Minas Gerais foram alguns dos problemas relatados pelos quilombolas. Além disso, existem dificuldades para trabalhar na pequena área "deixada" pelos latifundiários para os descendentes de escravos, burocracia estatal que parece não ter fim e ameaças de morte feitas por jagunços contratados.No Brejo dos Crioulos, situado nos municípios norte-mineiros de São João da Ponte, Verdelândia e Varzelândia, ocorrem freqüentemente disparos pequenos de armas de fogo contra essas populações tradicionais, mas também há disparos de quase 100 tiros de fazendas da região em direção a essas pessoas.
Veja AQUI a matéria completa da Arquidiocese de Montes Claros.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares




Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares,considerado o herói da resistência anti-escravagista.Tem se como data aproximada de seu nascimento o ano de,1655 no quilombo,sendo descendentes de guerreiros angolanos.C/pouca idade foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso entregue ao Padre Antonio Melo que o batizou com o nome de Francisco.Zumbi foge aos 15 anos,volta ao quilombo e muda o seu nome para Zumbi.Foi morto em 1695,por traição de um dos seus principais comandado Antônio Soares.ZUMBI Lutou durante mais de quinze anos pelos direitos de seus irmãos quilombolas.Os quilombos significam na língua banto "povoação" e funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de residência, pois abrigavam escravos fugidos das fazendas.No Brasil,o mais famoso foi o quilombo dos Palmares.Foi criado no final de 1590,na Serra da Barriga, em Alagoas e chegou a reunir quase 20 mil pessoas.Transformou-se em um estado autônomo,resistiu ao ataque dos holandeses,luso-brasileiros e bandeirantes paulistas e foi totalmente destruído em 1716.Zumbi vive!valeu Zumbi!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Seminário Estadual do CONNEB/RS


Seminário Estadual do CONNEB/RS

Dia: 13 de dezembro de 2008.
Local: SINDISERF/RS – Rua Bento Martins, 24 – 9 andar – Centro – Porto Alegre/RS.

Das 09 às 12 horas – Avaliação da II Marcha Zumbi dos Palmares. Reparações Já! 120 Anos da Abolição o que Mudou?

Das 14 às 18 horas – Seminário sobre os Temários da Assembléia Estadual do RS em janeiro de 2009, que elegera os Delegados(as) do RS para a III Assembléia Nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil-CONNEB, que acontecerá em janeiro de 2009, em Belém do Pará. Taxa de Inscrição R$ 5,00 (Cinco Reais). Com Certificado de Presença.

Informações: José Antonio: 51.91792404/53.99491618 – Luiz Mendes: 51.92053287

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

COTAS PARA NEGROS NAS EMPRESAS PRIVADAS



A Câmara analisa o Projeto de Lei 2697/07, do deputado Evandro Milhomen (PCdoB-AP), que institui cotas para trabalhadores afrodescendentes em empresas privadas. Pela proposta, as empresas com quadro superior a 20 empregados serão obrigadas a reservar 20% das vagas a pessoas que se autodeclaram negras e pardas, segundo os critérios raciais estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O objetivo do projeto é ampliar o acesso dos negros ao mercado de trabalho. O texto estabelece ainda que a demissão de empregados afrodescendentes será permitida apenas se houver contratação de substituto em condições semelhantes.
Avanços e dificuldades
Segundo o deputado, apesar dos avanços no combate à discriminação racial no Brasil, os negros ainda enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e sofrem com salários inferiores em relação aos brancos. "Embora constituam quase a metade dos trabalhadores brasileiros, os negros têm as maiores taxas de desemprego. Além disso, na maioria das capitais, a duração do desemprego é bem maior do que o tempo que os brancos ficam desempregados", afirma o parlamentar.
De acordo com o "mapa da população negra no mercado de trabalho no Brasil", um estudo publicado pelo Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR), a população negra constitui em média 41,7% da população economicamente ativa. O estudo foi realizado em seis regiões metropolitanas do País (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Recife e Distrito Federal). Evandro Milhomen afirma que, apesar de já existir uma conscientização das empresas em favor da diversidade racial, poucas organizações têm políticas claras de promoção de diversidade étnica.
Punições
Segundo o projeto, as empresas infratoras estarão sujeitas a multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador por vaga não preenchida, elevada em 50% em caso de reincidência. As empresas que não seguirem as cotas também poderão ser proibidas de obter empréstimo ou financiamento em bancos públicos.
O projeto atribui ao Ministério do Trabalho a competência para fiscalização, avaliação e controle das empresas em relação ao cumprimento da lei.
Tramitação
A proposta será analisada pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte - Câmara Federal

quarta-feira, 19 de novembro de 2008






















20 de novembro dia da Consciência Negra .

Você sabia que 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.


Você sabia que 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.
De acordo com Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), este ano 350 cidades do país devem aderir à comemoração.
A data lembra a morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, que foi assassinado em 1695.
Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 10.639 que incoporava a comemoração ao calendário escolar brasileiro, mas a decisão sobre ser feriado ou não é municipal.
O Rio de Janeiro foi o primeiro município do país a decretar o Dia da Consciência Negra como feriado, em 1999. No ano de 2002, a data passou a ser feriado estadual. Na cidade de São Paulo, o feriado existe desde 2004,em Montes Claros esse é o primeiro ano(2008).

Conheça a lista dos municípios que comemoram com feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro


Conheça a lista dos municípios que comemoram com feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro
13/11/2008 - 13:19
AL União dos Palmares AL Alagoas AL Maceio AM Manaus BA Itaparica CE Ceará GO Flores de Goiás GO Santo Antonio do Descoberto GO Goiânia MG Alem Paraiba MG Itapecerica MG Parauba MG Juiz de Fora MG Montes Claros MS Mato Grosso do Sul MT Mato Grosso MT Acorizal MT Água Boa MT Alta Floresta MT Alto araguaia MT Alto da Boa Vista MT Alto Garças MT Alto Paraguai MT Alto Taquari MT Apiacas MT Araguaiana MT Araguainha MT Araputanga MT Arenápolis MT Aripuana MT Barão de Melgaco MT Barra do Bugres MT Barra dos Garças MT Bom Jesus do Araguaia MT Brasnorte MT Cáceres MT Campinápolis MT Campo Novo do Parecis MT Campo Verde MT Campos de Júlio MT Cana Brava do Norte MT Canarana MT Carlinda MT Castanheira MT Chapada dos Guimarães MT Claudia MT Cocalinho MT Colider MT Colniza MT Comodoro MT Confresa MT Conquista D'Oeste MT Cotriguaçu MT Cuiabá MT Curvelândia MT Denise MT Diamantino MT Dom Aquino MT Feliz Natal MT Figueirópolis d´Oeste MT Gaúcha do Norte MT General Carneiro MT Glória D'Oeste MT Guarantã do Norte MT Guirantã MT Guiratinga MT Indiavaí MT Ipiranga do Norte MT Itanhangá MT Itaúba MT ItiquiraMT Jaciara MT Jangada MT Jauru MT Juara MT Juína MT Juruena MT Juscimeira MT Lambari d´Oeste MT Lucas do Rio Verde MT Luciara MT Marcelândia MT Matupá MT Mirassol d´Oeste MT Nobres MT Nortelândia MT Nossa Senhora do Livramento MT Nova Bandeirantes MT Nova Brasilândia MT Nova Canaã do Norte MT Nova Guarita MT Nova Lacerda MT Nova Marilândia MT Nova Maringá MT Nova Monte Verde MT Nova Mutum MT Nova Nazaré MT Nova Olímpia MT Nova Ubiratã MT Nova Xavantina MT Novo Horizonte do Norte MT Novo Mundo MT Novo Santo Antônio MT Novo São Joaquim MT Paranaitá MT Paranatinga MT Pedra Preta MT Peixoto de Azevedo MT Planalto da Serra MT Poconé MT Pontal do Araguaia MT Ponte Branca MT Pontes e Lacerda MT Porto Alegre do Norte MT Porto dos Gaúchos MT Porto Esperidião MT Porto Estrela MT Poxoréo MT Primavera do Leste MT Querência MT Reserva do Cabacal MT Ribeirão Cascalheira MT Ribeirãozinho MT Rio Branco MT Rondolândia MT Rondonópolis MT Rosário Oeste MT Salto do Céu MT Santa Carmem MT Santa Cruz do Xingu MT Santa Rita do Trivelato MT Santa Terezinha MT Santo Afonso MT Santo Antônio do Leste MT Santo Antônio do Leverger MT São Félix do Araguaia MT São José do Povo MT São José do Rio Claro MT São José do Xingu MT São José dos Quatro Marcos MT São Pedro da Cipa MT Sapezal MT Serra Nova Dourada MT Sinop MT Sorriso MT Tabaporã MT Tangará da Serra MT Tapurah MT Terra Nova do Norte MT Tesouro MT Torixoreu MT União do Sul MT Vale de São Domingos MT Várzea Grande MT Vera MT Vila Bela da Santíssima Trindade MT Vila Rica PA Marabá PA Nova Ipixuna PA São Félix do Xingu PB João Pessoa PB Dona Inês PE Macaparaná RJ Rio de Janeiro RJ Angra dos Reis RJ Aperibe RJ Araruama RJ Areal RJ Armação dos Búzios RJ Arraial do Cabo RJ Barra do Piraí RJ Barra Mansa RJ Belford Roxo RJ Bom Jardim RJ Bom Jesus do Itabapoana RJ Cabo Frio RJ Cachoeiras de MacacuRJ Cachoeiras de Macau RJ Cambuci RJ Campos dos Goytacazes RJ Cantagalo RJ Carapebus RJ Cardoso Moreira RJ Carmo RJ Casimiro de Abreu RJ Comendados Levy Gasparian RJ Conceição de Macabu RJ Cordeiro RJ Duas Barras RJ Duque de Caxias RJ Engenheiro Paulo de Frontin RJ Guapimirim RJ Iguaba Grande RJ Itaboraí RJ Itaguaí RJ Italva RJ Itaocara RJ Itaperuna RJ Itatiaia RJ Japeri RJ Laje do Muriaé RJ Macaé RJ Macuco RJ Magé RJ Mangaratiba RJ Maricá RJ Mendes RJ Mesquita RJ Miguel Pereira RJ Miracema RJ Natividade RJ Nilópolis RJ Niterói RJ Nova Friburgo RJ Nova Iguaçu RJ Paracambi RJ Paraíba do Sul RJ Parati RJ Paty dos Alferes RJ Petrópolis RJ Pinheiral RJ Piraí RJ Porciuncula RJ Porto Real RJ Quatis RJ Queimados RJ Quissama RJ Resende RJ Rio Bonito RJ Rio Claro RJ Rio das Flores RJ Rio das Ostras RJ Rio de Janeiro RJ Santa Maria Madalena RJ Santo Antônio de Pádua RJ São Fidélis RJ São Francisco de Itabapoana RJ São Gonçalo RJ São João da Barra RJ São João de Meriti RJ São José de Ubá RJ São José do Vale do Rio Preto RJ São Pedro da Aldeia RJ São Sebastião do Alto RJ Sapucaia RJ Saquarema RJ Seropédica RJ Silva Jardim RJ Sumidouro RJ Tanguá RJ Teresópolis RJ Trajano de Morais RJ Três Rios RJ Valença RJ Varre-Sai RJ Vassouras RO Vilhena RS Porto Alegre RS Pelotas SC Florianópolis SE Pacatuba SE Jáparatuba SP Altinópolis SP Americo Brasiliense SP Amparo SP Araçatuba SP Araraquara SP Assis SP Aruja SP Auriflama SP Barrinha SP Barueri SP Bento de Abreu SP Borborema SP Brauna SP BuriSP Cabreúva SP Cachoeira Paulista SP Campinas SP Candido Mota SP Campos do Jordão SP Caraguatetuba SP Colômbia SP Cordeiropois SP Diadema SP Embu SP Embu das Artes SP Embu-Guaçu SP Florida Paulista SP Franca SP Francisco Morato SP Franco da Rocha SP Guaira SP Guapiara SP Guarani D'Oeste SP Guariba SP Guarulhos SP Hortolândia SP Iaras SP Icem SP Ilhabela SP Ipeuna SP Itapacerica da Serra SP Itapeva SP Itapevi SP Itirapina SP Itararé SP Itu SP Jandira SP Jaguariúna SP JudiaíSP Juquitiba SP Lajes SP Leme SP Limeira SP Maririnque SP Mauá SP Mococa SP Nipoa SP Nova Guaraporanga SP Palmital SP Paraiso SP Pedregulho SP Pedreira SP Porto Feliz SP Pirapora do Bom Jesus SP Pradopólis SP Queiroz SP Restinga SP Riberião Branco SP Piracicaba SP Ribeirão Pires SP Ribeirão Preto SP Rincão SP Rio Claro SP Rio das Pedras SP Rio Grande da Serra SP Riolândia SP Riversul SP Roseira SP Santa Rosa de Viterbo SP Santa Barbara d' Oeste SP Santo André SP Santopolis do Aguapei SP Santos SP São Joao da Boa Vista SP São Lourenço da Serra SP São Jose da Bela Vista SP São Caetano do Sul SP São Paulo SP São Roque SP São Simão SP São Vicente SP Serra Negra SP Sorocaba SP Sud Menucci SP Sumaré SP Tapirai SP 
ValinhosTO Miracema do Tocatins

No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.

No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades. Conheça a programação de algumas capitais que aderiram ao feriado:
Rio de JaneiroOs eventos acontecem na Praça XV, no centro, e começam às 14h com shows de Noca da Portela, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara e Neguinho da Beija-Flor.
Às 16h haverá o lançamento do Projeto Memória da Fundação Banco do Brasil - "João Cândido, a luta pelos direitos humanos".
Às 17h será inaugurada a Estátua de João Cândido, líder das Revolta da Chibata de 1910, criada pelo artista plástico Walter Brito.
O encarramento da festa fica por conta dos shows de João Bosco e Martinho da Vila, às 19h30.
São PauloO Fórum Estadual de Entidades Negras promove a Marcha da Consciência Negra, com ponto de partida no MASP, na Avenida Paulista.
Na Praça da Sé, os eventos começam a partir das 9h com um missa afro e encontro de Congadas. Alémd isso, haverá um palcocom shows dos artistas: Rita Ribeiro, Jussara Silveira, Teresa Cristina, Fabiana Cozza, Banda Black Rio, Seu Jorge, Paula Lima e DJs nacionais e internacionais.
SalvadorNa capital acontece a XXIX Marcha Zumbi dos Palmares, produzida pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN). A caminhada tem saída às 15h da Praça do Campo Grande em direção à Praça Municipal.
FlorianópolisA cidade organiza uma série de atividades no Largo da Alfândega, no Centro, até sábado (22).
Belo HorizonteA programação cultura, promovida pela Fundação Municipal de Cultura, terá exibições de vídeos, exposições e palestras, além de debates e contação de histórias.
A programação, que vai até dia 26, será em diversos espaços culturais da cidade.


FERIADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Sindicato pelego apóia desobediência patronal


FERIADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Sindicato pelego apóia desobediência patronal
É inaceitável o conluio feito entre os sindicatos de empregados e patrões do comércio varejista de Montes Claros.
Ao invés de agir na prática como representante dos trabalhadores, o Sindicato dos Empregados no Comércio faz eco aos interesses dos empresários e se coloca contra o feriado do dia 20 de novembro (quinta-feira), instituído como o Dia Municipal da Consciência Negra.
Ao apoiar a desobediência e o desrespeito à lei por parte dos comerciantes, que decidiram abrir as lojas no dia, o sindicato joga contra àqueles que deveria defender.
Cabe a pergunta: qual será a posição da entidade caso os patrões resolvam punir os empregados que não comparecerem para trabalhar?
Sim, porque como a data é um feriado oficial, o empregado não é obrigado a trabalhar.
Causa mais estranheza ainda o fato de o representante dos comerciários, Osanan Santos, ser um afro-descendente.
Não custa lembrar que a instituição da data é uma forma de fazer com que as pessoas reflitam sobre a importância de se garantir a igualdade racial. E, ao contrário do que dizem empresários e seus porta-vozes da imprensa, que só pensam no próprio umbigo, não causaria nenhum efeito colocar o Dia Municipal da Consciência Negra num domingo.
A medida apenas preservaria os interesses, muitas vezes escusos, de uma gente que pensa exclusivamente no lucro, não estando nem um pouco interessada na promoção da cidadania.
Essa classe, egoísta e representante do mais selvagem capitalismo, ganha, agora, o apoio de dirigentes sindicais pelegos. Lamentável!
Acesse o blog http://www.luiscarlosgusmao.blogspot.com/ e mande comentários.



terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os profissionais não-negros ganham quase o dobro em relação ao rendimento dos negros

Os profissionais não-negros ganham quase o dobro em relação ao rendimento dos negros na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com o boletim "Os negros no mercado de trabalho", realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Fundação Seade, em 2007, o rendimento médio por hora entre negros correspondia a R$ 4,36, enquanto o de não-negros era de R$ 7,98. Isso representa uma diferença de 83%.


Além disso, do total de desempregados da capital no período analisado, 42,9% eram negros, sendo que a população economicamente ativa negra era de 3,678 milhões de pessoas em 2007, o que representa 36,1% da força de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo no período. A coordenadora do estudo, Patrícia Lino Costa, destaca que a inserção dos negros no mercado de trabalho é desfavorável. Segundo ela, a distribuição da massa de rendimentos sintetiza esse quadro: os negros apropriam-se de 23,1% do total da massa e os não-negros, de 76,9%, analisada.
A presença dos negros é predominante nos segmentos produtivos que oferecem postos de trabalho com menores exigências de qualificação profissional, menores remunerações e, com freqüência, condições de trabalho mais desfavoráveis. Em 2007, a construção civil, setor tipicamente masculino, absorvia 13,6% dos homens negros ocupados e 6,5% dos não-negros. Já o de serviços domésticos, tipicamente feminino, empregava 26,4% das ocupadas negras e 11,9% das não-negras.
Os negros estão mais presentes nas tarefas de execução semiqualificadas e, principalmente, não qualificadas. Do total de não-negros ocupados, 18,2% fazem parte dos cargos de direção, gerência e planejamento, enquanto apenas 4,8% dos negros estão empregados nesse setor.
No que diz respeito à jornada de trabalho, em 2007, os negros cumpriam carga horária maior. Os assalariados negros trabalhavam, em média, 44 horas semanais, duas a mais do que os não-negros. As assalariadas negras exerciam jornada semanal de 41 horas, uma a mais do que as não-negras.
Escolaridade
Na avaliação de Patrícia, o nível de escolaridade alcançado por negros e não-negros explica a diferença dos índices de ocupação e rendimento. Nas faixas que incluem as pessoas não-alfabetizadas até as que possuem o ensino médio incompleto estavam classificados 58,5% dos ocupados negros e 37,6% dos não-negros. Já nas que consideram do ensino médio completo até o superior completo, estavam 41,5% dos ocupados negros e 62,4% dos não-negros. Ela também destaca que os negros entram no mercado de trabalho mais cedo.

Menos Preconceito!





Muito já se escreveu sobre a vitória de Obama nas eleições americanas e mais ainda vai se escrever... Mesmo assim, não posso ficar calada, pois minha emoção me leva a querer dizer, bem alto, como estou feliz com tudo isto! Na verdade, embora torcesse para que fosse assim, tinha minhas dúvidas de que acabasse sendo.
Morei nos Estados Unidos nos anos 60, como bolsista do AFS, durante um ano, quando freqüentei o último ano de High-School. Foi uma experiência marcante em minha vida, pois me instigou a pensar por mim mesma, me concedeu uma distância necessária de minha família protecionista, de meu país, para que pudesse sentir que podia contar comigo mesma, que valia a minha força interior. Enfim, tenho uma ENORME dívida de gratidão com este povo que tão carinhosamente me acolheu, que me permitiu vislumbrar um mundo bem mais amplo, novas idéias, uma forma mais liberal do jovem viver, um desenvolvimento tecnológico muito maior, na época, um país de pessoas com um sentido mais avançado de cooperação, de cidadania. Mas, embora fosse muito bem tratada por cada um, nunca me senti parte daquele grupo – representava para eles uma brasileira sempre e não fazia parte do mundo deles, completamente. Isto era muito incômodo, mas não tão claro para mim, como ficou quando fui amadurecendo.Vim a compreender que eu era querida, mas era sempre uma latina... Alguém diferente, exótico, que não poderia caber naquele grupo sem causar algum mal estar.
Muitos anos já se passaram, continuo os amando da mesma forma, porque os compreendi, mas sempre quis que tudo fosse diferente, pois discriminação dói e eu sabia ser uma bobagem, desde quando no fundo sempre fomos muito afins. Tínhamos idéias e sonhos semelhantes, como até hoje, quando minha irmã americana me revelou, que embora seja a família Republicana, votara num Democarata e tinha ido a Chicago para estar entre os que ouviam o primeiro discurso de Obama, depois que foi declarado Presidente eleito. A família está empolgada, cheia de esperança de que mudanças importantes aconteçam.
Assistir à eleição de um negro, com esposa negra, filhas negras, Presidente deste mesmo povo, parecia-me um sonho quase impossível... a não ser, me dizia, se isto fosse a vontade de Deus, pois pra Ele, nada é impossível e não existem obstáculos que não possam ser vencidos. E não deu outra! Que bom, que virada, que bela porta se abre, agora, na consciência de tantos, que lindo degrau se subiu, que símbolo forte surgiu, para todo o mundo, comprovando que Somos Todos Um! Que alívio estou sentindo, quanto já chorei de alegria, quanto já vibrei!
Mas tenho a consciência de que todos nós, que trabalhamos pela Luz, precisamos orar muito, pedindo o fortalecimento de Obama, proteção, sabedoria, para que ele possa aproveitar a oportunidade que está tendo de trazer mudanças substanciais para todo o mundo. Muita cautela com o orgulho, com a vaidade, para que não se perca, para que continue trilhando um caminho amparado por Deus.
Pai, já era tempo de algum sinal marcante de Sua presença acontecer e, por favor, eu lhe rogo, não deixe este momento se perder!
COMPANHEIR@S,A Comunidade Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango está fazendo campanha para que no 20 de Novembro, cruzemos os braços em protesto. Abaixo segue texto recebido pelo CENARAB.Parabéns pela iniciativa e vamos engrossar a fileira desta iniciativa.Abraços,Makota Celinha Coordenadora do CENARABPARALIZAÇÂO DOS ESTUDANTES NO 20 DE NOVEMBRO
A comunidade Tradicional de Terreiro de Candomblé Manzo Ngunzu Kaiango tomou uma iniciativa que precisa ser comentada.
A comunidade abriga com recursos próprios do terreiro um projeto chamado Kizomba, que recebe + ou - 70 crianças,e jovens do bairro Stª Efigenia.
Este ano tomoram a seguinte inciativa referente ao 20 de Novembro:
Como as escolas não estão cumprindo seu papel em relação a lei 10.639/03 e a cidade de Belo Horizonte também não tem feriado no dia 20 de novembro,as crianças e jovens da comunidade não vão a escola no dia 20 de novembro.
PARALIZAÇÃO DOS ESTUDANTES em PROTESTO ao não Cumprimento da LEI 10.639/03 e o Não respeito ao 20 de novembro.(Relato da Makota Kidoiale)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Barack Obama





Barack Obama
Aqui, a vitória negra não acabou em festa

Roquildes Ramos Silveira *


Barack Hussein Obama, 44º Presidente eleito para governar os Estados Unidos. Quem de nós ainda duvida de sua origem negra ? Pois é, ele é o primeiro negro na história dessa nação a ocupar o cargo mais importante para o mundo . A Presidência dos Estados Unidos.
O mundo está festejando, e nós o que estamos fazendo? Vários países , principalmente , do continente da África, estão em festa comemorando esse fato histórico , pois , no campo da simbologia reacende possibilidades propositivas para a humanidade , contrário , portanto ao autoritarismo político , econômico e militar , marcas impositivas de governabilidade entre os Estados Unidos e o restante do mundo .
E para nós brasileiros (negros e negras) que importância tem para a nossa nação a eleição de Barack Hussein Obama, em que aspecto será para nós positiva? Esta resposta, analisando todos os ângulos e dimensão, não deverá ser manifestada de forma apressada, logo, inconseqüente, haja vista que no Brasil, apesar do seu recente fortalecimento econômico, ainda, é um país considerado emergente em desenvolvimento e dependente das políticas econômicas Estadunidenses. Contudo, não há como negar que o fato em si representa um acontecimento extraordinário, acalentando a esperança do respeito aos Direitos Humanos, ente outros Direitos e Garantias Fundamentais, e a Soberania das demais nações.
Aqui entre nós, que durante muito tempo vivemos numa condição legitimada de escravidão, que ainda hoje assiste a perpetuação dos efeitos dessa escravidão é um choque acreditar que um dia isso fosse possível, pois, ao contrário desse acontecimento histórico, o Brasil está longe de ser uma possibilidade real de acessão no mundo da política, da economia, quanto mais um negro vir a chegar à Presidência da República.
Na verdade, as condições para a população negra em geral são péssimas (com ressalva as conquistas pessoais). Sendo assim, os negros e negras brasileiras raramente ocupam e ocuparão um espaço na classe privilegiada do Poder, seja na administração pública ou privada. Em pleno século XXI, no Brasil a condição da população negra se restringe ao patrimônio maldito herdado da escravidão. Vivemos na extrema pobreza, no "mercado informal" (a mendicância, a prostituição, a exploração infantil, o emprego desqualificado etc), além disso, nos é imposto pelo neoliberalismo (com fachada de esquerda) uma estrutura educacional degenerada com o objetivo maior (não declarado) de perpetuar o analfabetismo e, conseqüentemente, a marginalização da raça. Este sistema nos impõe como políticas públicas habitacionais as cadeias e penitenciárias (para os jovens e adultos), os asilos (para os velhos), os orfanatos (para as crianças), os manicômios (para os desajustados) tem sido os nossos lugar; construções da modernidade para o controle demográfico do excedente de cor. Conclui-se que apesar de todo avanço alcançado, digo, a "democracia", os descendentes privilegiados da colonização brasileira ainda vêem os desdentes da escravidão como espúrias necessárias para a acumulação de riquezas.
Diante dessa realidade , precisamos refletir amiúde acerca do futuro do Brasil porque é o segundo maior país em população negra do mundo e vivemos, com algumas mudanças aparentes , no que concerne a nossa estética e cultura , como no dia seguinte da " Abolição ", sem Poder . As favelas a cada dia se multiplicam, os números de negros e negras sobrevivendo da criminalidade e da prostituição tem aumentado geograficamente. Tal situação não é diferente no governo da "Bahia de Todos Nós ". A cada momento vê-se essa consolidação do modelo opressor e degenerativo de grande parte de nossa população sem que nada de concreto seja implementado, a não ser o discurso em nome da "governabilidade", leia-se, deixar tudo como está para não contrariar os interesses econômicos das elites .
O atual Governo não se diferencia dos outros governantes de outrora, pois, como se tem visto não existe proposta séria para a educação pública, nem para a saúde (apesar dos avanços tímidos), tampouco para a economia e o combate ao desemprego que, segundo dados estatísticos, afetam diretamente a condição humana da população negra.
Nota-se então que os negros e negras sempre tiveram um lugar que lhe é reservado (por isso, no modelo atual capitalista nunca estivemos excluídos, ao revés), qual seja, rir, segurar a bandeira da esquerda e aplaudir os governantes, entre tantas outras funções que temos executado para ganhamos o pão de cada dia. Fora isso, quantos dos que "comeram poeira" junto com o atual Governador foram chamados para ocupar postos de destaques e de confiança?
Sendo assim , em que medida podemos afirmar que a vitória do negro Barack é nossa vitória ? Infelizmente , muito pouco . A repercussão parece ter sido tímida . A prova disso, que por não estarmos organizados política e economicamente não saímos para comemorar . As nossas ruas não foram ocupadas pelos blocos , nem pelo frevo , muito menos , o sambódromo anunciou a festa que o nosso Planeta preparou para o nosso Povo , nem mesmo os Terreiros de culto Afro rufaram seus tambores dando as boas novas . Enquanto isso , Barack Hussein Obama triunfantemente "fez" com que povos diversos saíssem às ruas celebrando, se abraçando e chorando de felicidade .
A forte influência das teorias marxistas, entre outras, que ajudaram a fundar as bases ideológicas dos movimentos sociais, na América Latina na formação de algumas lideranças do movimento negro, talvez, seja uma das explicações para a nossa tímida reação. Historicamente aprendemos que para sermos conscientes devemos negar tudo que seja produzido pela "América", portanto, tendemos a fazer uma analise de que os negros dos Estados Unidos são tão-somente capitalistas e, não são diferentes de tantos outros.
Então se entende porque não estamos em festa , porque sem poder político e econômico , o que nos resta como possibilidade é ser atores coadjuvantes , figurantes no " teatro " do "Brasil de Todos " e na "Bahia de Todos Nós ". Importante lembrar que recentemente saímos de uma eleição e poucos , entre nós , votamos num candidato para vereador ou vereadora por serem negros (e ainda assim , nos orgulhamos da nossa pele , do nosso cabelo e da nossa consciência ).
Para que um dia seja possível viver a possibilidade real e concreta de construímos um projeto revolucionário e libertário para o povo negro e para a nossa sociedade, é preciso que nós negros e negras nos unamos e tomemos em nossas mãos a responsabilidade de materializar este projeto, pois, para que o sonho de Martin Luther King se tornasse possível foi necessário muito mais que cotas (indispensáveis ainda entre nós). Fora a determinação de um povo, revestida de muita disciplina que fez do sonho dele, entre tantos outros, como Malcolm X, que incansavelmente lutaram dando a própria vida para que um dia os direitos políticos e econômicos tivessem ao alcance de todos.

Precisamos refletir que herança estamos semeando, pensar nas futuras gerações. É preciso mudar. Deixar de colher e acolher as "migalhas" do banquete dos poderosos.

Roquildes Ramos Silveira

Estudante de Direito – Para a Disciplina de Direito Econômico . Prof. Deraldo Dias . Coordenador Geral do Sindicato dos 
Servidores Penitenciários da Bahia e do Núcleo Makota Veldina de Estudantes Negros da UCsal.

ogumder@hotmail.com.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Lei nº 3.897, de 27 de dezembro de 2007



Município de Montes Claros Procuradoria Jurídica Lei nº 3.897, de 27 de dezembro de 2007.Institui como feriado Municipal o dia 20 de novembro “Dia da Consciência Negra”, e da outras providências.O povo do município de Montes Claros- MG, por seus representantes na Câmara Municipal, aprovou e o prefeito municipal, em seu nome, sanciona a seguinte lei:
Art. 1- Fica instituído o dia 20 de novembro, “Dia da Consciência Negra”, como feriado Municipal neste Município de Montes Claros –MG 
.Art. 2- A prefeitura Municipal de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, promoverá, na rede Municipal de ensino, atividades referente ao tema, fazendo- as constar da programação oficial anual da Semana da “Consciência Negra”, consoantes o estabelecido pela lei municipal 2.597 de 15 de junho de 1998.
Art. 3- Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições contrárias.Município de Montes Claros, 27 de Dezembro de 2007.


Athos Avelino Pereira Prefeito de Montes Claros - MG

domingo, 2 de novembro de 2008

Implementando a Lei 10.639/03 – desafios e possibilidades




Por Silvany Euclênio


A Folha de S. Paulo publicou no dia 27/10/2008, matéria sobre a Lei 10.639/03, na qual o MEC admite ter fracassado na garantia da sua implementação, apesar do investimento de “mais de R$10 milhões gastos na capacitação de professores”. Sobre isso, temos algo a dizer.
Com certeza, estamos muito longe da concretização das determinações da Lei 10.639/03, e mais longe ainda de uma educação para a igualdade étnico-racial no Brasil. A própria lei 10.639/03 tem suas limitações. Uma delas é o fato de não estabelecer a obrigatoriedade da sua aplicação em todos os níveis educacionais. A educação das relações étnico-raciais, necessariamente, precisa começar na Educação Infantil, pois é nesse nível de ensino os valores são formados e a interlocução com os familiares acontece mais assiduamente. Do outro lado, se o Ensino Superior não foi incluído, as faculdades públicas e privadas de licenciatura, vão continuar despejando milhares de profissionais da educação no mercado, totalmente despreparados para uma prática educacional que promova o pluralismo.
O maior problema é, sem sombra de dúvida, o veto ao artigo que previa a participação do Movimento Social Negro na implementação da Lei. Ora vejamos, a Academia ignorou os conhecimentos relacionados à história e cultura dos afro-brasileiros, quando não reforçou os estereótipos, até bem pouco tempo. Esses conhecimentos foram preservados e reproduzidos em todo o país pelas comunidades negras tradicionais e por ativistas do MN, pessoas abnegadas e autodidatas, que por décadas “mendigaram” espaço nas escolas para contar aos brasileirinhos e às brasileirinhas em formação, de todas as origens raciais, uma parte essencial da sua história e cultura, negada pelo sistema educacional do país. Nessa luta, recuperamos importantes heróis negros e construímos a data nacional mais lembrada e celebrada atualmente no Brasil, o Dia Nacional da Consciência Negra.
A exclusão do Movimento Social Negro organizado não somente amputou grande parte da possibilidade de eficácia da Lei, mas também abriu espaço para oportunistas e “novos negreiros”, que se apresentam para capacitar professores, quando eles próprios possuem um conhecimento superficial e distante da realidade histórica, social e cultural da população negra. Talvez isso explique em parte o fato de, dez milhões de reais depois, o MEC analisar o próprio fracasso em garantir a aplicação da Lei.
Em Ribeirão Preto, podemos afirmar, sem receio de errar, que nos últimos dois anos, nas Unidades Escolares da Rede Municipal, a implementação da Lei 10.639/03 deixou de ser meramente fruto de iniciativas individuais de professores de “boa vontade”.
Estamos nos referindo ao Projeto Baobá, fruto de intensa negociação política entre o Centro Cultural Orunmilá, organização do Movimento Negro, com a atual administração municipal, cuja eficácia já pode ser atestada, apesar estar funcionamento há menos de dois anos. Os resultados alcançados são frutos de alguns elementos muito concretos:
Primeiro, o Projeto Baobá foi constituído como uma um política da Secretaria Municipal da Educação, na atual administração.
Segundo, ele foi concebido e é executado em permanente diálogo com o Movimento Negro, inclusive com a contratação de uma profissional da educação, cuja história sempre esteve ligada às lutas do povo negro, escolhida e indicada pelo Centro Cultural Orunmilá para compor a equipe técnica da Secretaria e coordenar as ações voltadas para a questão étnico-racial.
Terceiro, inclui todos os níveis educacionais da Rede Municipal e todas as unidades curriculares.
Quarto, a formação é considerada como um processo permanente, e tem sido voltada para todos/as profissionais que atuam na rede municipal (gestores/as, docentes, servidores administrativos, inspetores/as de alunos/as, servidores da cozinha, do refeitório e de serviços gerais), considerando também que os processos educacionais no ambiente escolar devem se dar em todas as relações e não apenas na sala de aula. Nos parece temerário e corajoso por parte do MEC afirmar que capacitou “40 mil professores”. Não cremos que seja possível reverter 500 anos de ignorância e equívocos, com uma dezena, ou uma centena, de horas de formação à distância ou mesmo presencial.
Quinto, todas as unidades escolares têm sido instrumentalizadas com materiais bibliográficos e audiovisuais que tratam da temática étnico-racial, criteriosamente analisados para garantir que realmente contribuam para a desconstrução dos estereótipos e afirmação do pluralismo. Foram entregues mais de 8 mil exemplares entre 2007 e 2008, incluindo materiais de pesquisa, didáticos e títulos literários, tanto para municiar o corpo docente, como para diversificar o acervo disponível para a leitura dos alunos e das alunas. O material disponibilizado pelo MEC é em quantidade tão limitada que, muitos deles, mal dariam um exemplar para município brasileiro.
Sexto, a promoção da igualdade étnico-racial está progressivamente passando a ser um dos eixos de muitos dos documentos que regulam e regulamentam a educação no município.
Temos consciência de que a continuidade desse trabalho, nas próximas administrações dependerá de novas negociações e muita pressão, considerando que a construção de uma educação, que promova a igualdade étnico-racial, ocorre num processo de constante disputa política e ideológica contra o eurocêntrismo que sempre regeu o poder a educação no país.
Não podemos deixar de citar também o Município de Santa Rosa de Viterbo, que, em 2008, estabeleceu um plano de formação dos professores e das professoras, que inclui praticamente a metade do seu corpo docente e tem desenvolvido diversas ações no sentido de implementar a Lei.
Nos anima a notícia de que o MEC pretende lançar o Plano Nacional de Implementação da Lei 10.639/03 ainda em 2008. E esperamos contribuir para isso com esse breve relato do trabalho que desenvolvemos.

*Professora, historiadora, ativista do MN e coordenadora do Projeto Baobá.


II Reunião Preparatória para a Conferência de Avaliação do Plano de Ação de Durban
Sociedade civil deixa Genebra temendo retrocesso nas conquistas de 2001
Ana Flávia Magalhães Pinto*
Dez dias de reuniões não foram suficientes para os representantes dos governos reunidos no Palais des Nations chegarem a um consenso sobre o documento que orientará os trabalhos da Conferência de Avaliação da Implementação da Declaração e do Plano de Ação de Durban, prevista para os dias 20 a 24 de abril de 2009, em Genebra, Suíça. Somente 40% do conteúdo do texto-base foi debatido. Realizada entre 6 e 17 de outubro, também em Genebra, esta segunda edição da Reunião Preparatória (PrepCom) seguiu ordem e ritmo muito semelhantes aos da primeira edição, ocorrida entre 21 de abril e 3 de março, no mesmo local. Os atrasos de horário parecem constar no rol dos costumes, mas não explicam todo o problema. A baixa produtividade no cumprimento da agenda foi, novamente, gerada pelos extensos debates sobre os pedidos de credenciamento de ONGs não participantes da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas; pedidos de explicação sobre pontos anteriormente acordados nos documentos da III Conferência; reiterações sobre os procedimentos burocráticos básicos a serem seguidos antes e durante a Conferência; bem como pelos desacordos e embates sobre pontos relativos a orientação sexual, direitos sexuais, reparações, questões religiosas e de migração. No dia 8, por exemplo, o governo egípcio considerou necessário pedir recapitulação do conceito de racismo a ser empregado na Conferência de 2009, haja vista que haveria apenas uma ocorrência do termo na atual versão do documento.Dirigida, sobretudo, para afinar o diálogo entre os representantes dos 192 Estados membros da ONU, a segunda reunião contou ainda com a participação de ONGs de vários países. O governo brasileiro foi representado pela conselheira Márcia Adorno, chefe da Divisão de Direitos Humanos do Itamaraty; Márcia Canário, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir); e Bruna Vieira de Paula, do Ministério das Relações Exteriores. Por sua vez, a sociedade civil brasileira se fez presente, a princípio, por meio dos integrantes de três ONGs: Lúcia Xavier e Jurema Werneck (Criola), Nilza Iraci e Rodnei Jericó (Geledés) e Iradj Eghrari (Bahá´í/Ágere).Seja como for, é preciso atentar para um detalhe importante: ter a presença da sociedade civil não é o mesmo que garantir idêntico espaço de intervenção dos representantes governamentais. De acordo com as regras, sendo a ONU um parlamento de Estados, a sociedade civil tem participação limitada e controlada. Porém, a não-abertura para que as ONGs se pronunciassem nos momentos e pelo tempo já liberados, de 50 minutos após cada sessão de debates e conteúdos, foi motivo de polêmica. Após isso, as ONGs puderam fazer seus comentários na seqüência da leitura dos capítulos do documento-base. Diante dessa restrição, uma saída foi tentar o convencimento dos membros dos governos: “O que temos feito é falar diretamente com as representantes do governo, na tentativa de garantir que não haverá retrocessos” – comentou Jurema Werneck.Várias outras ativistas se mostraram bastante preocupadas com essa pequena margem de ação da sociedade civil no contexto da Conferência de Avaliação e das Nações Unidas, na medida em que vêm de processos de resistência e/ou lentidão de seus respectivos Estados diante dos compromissos assumidos na Conferência de Durban. Como observou Sergia Galvan, do Coletivo Mulher e Saúde da República Dominicana e da Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Caribenhas: “A falta de compromisso político dos Estados frente ao processo de revisão de Durban pode ser percebida de diferentes âmbitos. Apesar das recomendações para que fossem empreendidos processos nacionais, regionais e internacionais, apenas África e América Latina e Caribe realizaram conferências de avaliação. Ainda não existe um documento único que sirva de base para as negociações”. Ao mesmo tempo, alguns governos têm demonstrado a tendência de não financiar adequadamente o processo, recusando-se até mesmo a patrocinar a participação da sociedade civil.Na avaliação apresentada pela Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Caribenhas, da qual fazem parte as ONGs brasileiras Criola e Geledés, alguns países se destacaram com “participações bastante progressistas”, como: África do Sul, Chile, Reino Unido, França, Argentina, México, Argélia, Brasil, Suíça, ratificando os consensos alcançados nas conferências regionais da América Latina e Caribe e da África. Outros como Egito, Síria e Irã “adotaram posições mais conservadoras”.Os últimos momentos do II PrepCom foram marcados por esforços das ONGs para manter na versão preliminar do texto-base conquistas já garantidas nos documentos de Durban, sobretudo, a permanência da orientação sexual e da migração como fatores de discriminação agravada. Uma vez que o documento não foi finalizado, decidiu-se pela realização da terceira Reunião Preparatória em janeiro de 2009. No âmbito da sociedade civil, persiste o intuito de algumas organizações para realizar o Fórum de ONGs, antes da Conferência de abril. As organizações, no entanto, vivem um impasse, pois, de um lado, não há consenso sobre a realização do evento e, de outro, ainda não foi criado um comitê que tenha legitimidade e seja responsável pela organização do Fórum. As organizações do Brasil e da América Latina estão em entendimentos para definir sua participação na possível iniciativa.
Credenciamento de ABGLT – Durante o II PrepCom, a delegação brasileira solicitou o registro da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), rede que reúne 203 organizações em todo o país. Porém, um grupo de países islâmicos, liderado por Irã, Egito, Líbia e Argélia, com o apoio dos EUA e do Vaticano, defendeu a negação do credenciamento, sob os argumentos de o homossexualismo ser considerado crime em mais de 86 países e se tratar de uma prática que deve ser punida segundo o Alcorão. Após uma rodada de negociação entre o Itamaraty e os representantes de países islâmicos, a solução encontrada foi acatar o registro da organização na PrepCom desde que esta não toque no assunto da discriminação contra homossexuais durante a próxima reunião e a Conferência de Avaliação. Jurema Werneck avalia que: “Esta condicionalidade absurda indica o quanto devemos ainda lutar, não apenas as organizações LGBTT, para que o direito à expressão de suas idéias seja um direito de todas e todos, independentemente da orientação sexual, raça, identidade de gênero ou o que seja. Acredito que devemos buscar garantir, de diferentes formas, a presença na Suíça de um grupo de representantes LGBTT, e não apenas a ABGLT, para que possamos expressar, de formar contundente, nosso repúdio a toda forma de discriminação. É preciso, portanto, que mais organizações deste movimento social se mobilizem para atuar neste processo”.
Panorama – Em 2001, apesar da estreita relação com o evento, o atentado do 11 de setembro nos Estados Unidos acabou roubando as atenções internacionais das discussões e dos embates que acabavam de ocorrer na III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, em Durban, África do Sul. No momento em que o tráfico transatlântico e a escravidão de africanos e seus descendentes eram reconhecidos como crime de lesa humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU), os aproveitamentos da intensa cobertura midiática sobre o atentado por pouco não foram suficientes para varrer para debaixo do tapete uma das questões centrais para a superação das desigualdades não apenas nos continentes africano, americano e europeu, mas no restante do globo. Tal como defendido em Durban, o sistema escravista nas Américas tanto fortaleceu o desenvolvimento do racismo e da discriminação racial quanto está entre as grandes causas geradoras das iniqüidades que comprometem o pelo exercício da cidadania de milhões de pessoas.Passados cinco anos desde a Conferência de Durban, a ONU convocou seus Estados membros para a Conferência de Avaliação da Implementação da Declaração e do Plano de Ação, a ser precedida por conferências nacionais e regionais. Em junho deste ano, realizou-se em Brasília a Conferência Regional das Américas e Caribe, com participação de 25 países e 120 ONGs. A Conferência Regional Africana ocorreu em Abuja, Nigéria, em agosto. Os documentos resultantes destas duas Conferências formaram a base do documento debatido em Genebra. Na opinião dos representantes da sociedade civil brasileira, a realização dessas conferências foi uma sinalização de que as duas regiões, América Latina e África, mantêm seu compromisso com os acordos de Durban.As ações desenvolvidas estão orientadas para o cumprimento dos quatro objetivos definidos pelo Comitê Preparatório para a Conferência de Avaliação, apresentados em agosto de 2007:
Analisar os progressos e avaliar a implementação da Declaração e do Programa de Ação de Durban por todas as partes interessadas em níveis nacional, regional e internacional, incluindo a avaliação de manifestações contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias correlatas, por meio de um inclusivo, transparente e colaborativo processo, e identificar medidas e iniciativas concretas para combater e eliminar todas as manifestações de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata, a fim de incentivar a implementação da Declaração de Durban e do Programa de Ação;
Avaliar a eficácia dos mecanismos de acompanhamentos estabelecidos em Durban e de outros mecanismos relevantes das Nações Unidas que abordam a questão do racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância conexa, a fim de melhorá-los;
Promover a ratificação universal e a aplicação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e avaliação adequada das recomendações do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial;
Identificar e compartilhar boas práticas desenvolvidas na luta contra o racismo, a discriminação racial, xenofobia e intolerâncias correlatas.
*Jornalista do Ìrohìn, mestre em História (UnB)


NOTÍCIA
31/10/2008 - 09:42:35
Taxista simula assalto e passageiros são agredidos por policiais
Sucessão de equívocos ocorreu após show no Pelourinho
Um taxista, motivado pelo racismo, simula uma tentativa de assalto, acusando os passageiros - três jovens negros - e despertando a atenção de uma viatura da Polícia Civil de onde saem três policiais armados que, antes de qualquer esclarecimento, xingam e agridem os jovens, deixando, inclusive, um deles nu em via pública. Na delegacia para onde foram levados, mais uma sucessão de humilhações e desrespeitos.
O que era para ser um fim de festa tranqüilo para os amigos, Ítala Correia, Saturnino Silva e Henrique dos Santos, virou um pesadelo que tem custado a sair da lembrança dos jovens. Na madrugada de sábado para domingo, 26, após assistirem ao show da Banda Lampirônicos, no Centro Histórico de Salvador, os jovens, todos moradores do bairro da Boca do Rio, resolveram pegar um táxi, para garantir mais conforto e segurança na volta para casa. Ledo engano. Entraram no Corsa JRA 1505, do taxista César Augusto da Silva Purificação Santos, de 49 anos (Alvará A-1753), no Terreiro de Jesus. Próximo dali, após passar pelo Campo da Pólvora, o motorista iniciou uma crise de pânico, gritando e demonstrando medo. A princípio, os jovens tentaram acalmar o taxista, pois pensaram se tratar de algum repentino problema de saúde. No início da Ladeira da Fonte Nova, o motorista, ao avistar uma viatura - um Eco Sport da Delegacia do Adolescente Infrator / DAI, parou o taxi e saiu gritando que estava sendo assaltado.
"Até então, ainda não entendíamos o que estava ocorrendo. Primeiro pensamos que ele passava mal, estava tendo uma crise de epilepsia. Depois pensamos que o carro estava sendo assaltado por alguém que estava do lado de fora. Foi uma tensão terrível", explica com tristeza a produtora cultural Ítala Correia, de 21 anos. Quando os jovens conseguiram sair do carro, uma que o motorista havia travado todas as portas, já encontraram três policiais com armas em punho apontadas para eles. "A partir daí foi muito xingamento, humilhação. Revistaram minha amiga de forma abusiva, levantando a roupa dela e xingando-a de puta, vagabunda e outros palavrões. Tive que ficar nu em plena rua", relembra o garçom, Saturnino Silva, de 30 anos.
Na confusão para sair do carro, Ítala caiu e bateu o queixo no chão. Mesmo sangrando, a jovem continuou a ser agredida verbalmente pelos policiais, atendendo ao desespero do taxista que continuava afirmando que os jovens o assaltariam. A jovem foi atendida no 5º Centro de Saúde, no Vale dos Barris, e levou cinco pontos no queixo, além de apresentar manchas roxas pelo corpo.
"Como eu já ía sair do carro correndo, pois achava que nós é que seríamos assaltados, os policias apontaram a arma para mim e chegaram a engatilhar. Tive que me jogar no chão. Por pouco não fui morto", conta o jogador de basquete Henrique dos Santos, de 28 anos, que havia participado, na manhã de sábado, do campeonato de Basquete de Rua, promovido pela Central Única das Favelas - CUFA. Policiais da 1º Delegacia, no Complexo dos Barris, alegaram que a roupa do esportista (camisa e bermuda largas), foram as razões para despertar o medo no taxista. "Também, olhem como vocês estão vestidos, olhem para o cabelo de vocês, era o que dizia um dos policiais que nos atenderam na Delegacia, justificando a ação do taxista", conta Henrique.
Os jovens acreditam que a ação policial, ainda na Ladeira da Fonte Nova, só não foi pior porque o tio de Ítala, o comerciante do Pelourinho, Wilson Santos, também morador da Boca do Rio, conduzia seu automóvel, junto com a esposa, e acompanhava o táxi que levava os jovens. Ao ver a movimentação policial, Wilson saltou do carro e se colocou na frente dos agentes, entre as armas e os jovens, tentando convencer os policiais do equívoco que ocorria.
No Boletim de Ocorrência, assinado pelo agente Júlio César dos Santos Batista, está descrita a calúnia e simulação de assalto, com a alegação do taxista de que "os jovens fizeram movimentos bruscos dentro do carro". Os amigos explicam que o próprio motorista perguntou se havia alguma porta aberta e todos foram verificar, respondendo negativamente. Depois disso, o condutor travou todas as portas e iniciou o desespero repentino.
Os três jovens já deram queixas em todas as instâncias a que tiveram acesso: como o Disk Racismo, a Gerência de Táxi da Prefeitura de Salvador - GETAXI e o Procon, ainda restando ir à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público. Eles esperam que a ação preconceituosa do taxista e a abordagem abusiva dos policiais não fiquem impunes. "Somos jovens de bem, trabalhamos, não usávamos drogas, nem estávamos cometendo nenhum delito. Toda a suspeita e agressão foram motivadas pela nossa cor, nossos cabelos. É um absurdo que ainda tenhamos que conviver com atitudes como essa", revolta-se Ítala. "Poderíamos estar todos mortos. Aí seria alegado que estávamos envolvidos com o tráfico de drogas. Já imagino as manchetes: 'Tentativa de assalto termina com morte de três assaltantes' ", assusta-se Saturnino, referindo-se às práticas constantes no noticiário baiano, quando se trata do assassinato de jovens negros da periferia.
André Luís Santana - jornalista (DRT BA 2226)
71. 9106-1512

Construção da identidade étnica através de contos e mitos de matriz africana


Maria Luísa Passos*Maria Luísa Passos
No decorrer da humanidade, as obras da literatura universal veiculadas e narradas por Andersen, Charles Perrault, Irmãos Grimm, La Fontaine, entre outros, apenas nos trouxe referências identitárias a partir de um segmento étnico, os europeus. Diante desse fato não estou querendo preconizar a desvalorização ou desmerecimento dessas obras ou da cultura desses povos. O que se pretende ao utilizar os contos e mito de matriz africana é promover uma reparação no que diz respeito aos marcos civilizatórios africanos e seus bens materiais e imateriais que foram e são tão importantes quanto a dos demais povos que contribuíram para a formação da nação brasileira.É fato inconteste que a população negra é maioria no Brasil. “De acordo com a pesquisa, feita com base nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil terá a maioria de sua população negra, ou seja, mais da metade dos brasileiros, em 2010. A pesquisa considera negros os brasileiros que se declaram pretos (termo utilizado pelo IBGE) e pardos”. (LORENA RODRIGUES). (Disponível em:
Apesar deste fato, a maioria das obras literárias sobre literatura infantil e infanto - juvenil veiculada nos sistemas de ensino contemplam apenas valores eurocêntricos (valores referenciados a partir da cultura ocidental). Sendo assim, a criança afro-brasileira não tem acesso a uma literatura que exponha os valores e a história dos seus ancestrais. Por isso concordo com Francisca Sousa quando em seu artigo “Linguagens Escolares e Reprodução do Preconceito”, faz o seguinte relato: “observamos, ainda, que quando os textos, livros ou histórias se referem à pobreza, violência e outras mazelas sociais, geralmente, os negros aparecem nos personagens, nas ilustrações e no conteúdo do texto, não raro como protagonistas. Isto vale também para os programas de TV, jornais e revistas. Já nos livros de contos de fada, com príncipes, princesas e heróis, a presença negra é praticamente inexistente, predominando aí os personagens brancos, não raros loiros”.(SOUSA, 2005, p.110). Essas referências acabam não contribuindo para a auto-estima das crianças negras. Contudo, para que de fato a reparação com relação às mazelas que a escravidão ocasionou aos povos africanos e seus descendentes possam também ser intensificada no âmbito da literatura, recomenda-se a utilização de um estilo literário que promova com muita eficiência as relações entre o eu e o outro.De acordo com a pesquisadora Marly Amarilha (2004 p.19).Essa estrutura, portanto, atinge o receptor do ponto de vista emotivo e cognitivo. Nesse processo, o receptor da história envolve-se em eventos diferentes daqueles que está vivendo na vida real e, através desse envolvimento intelectual, emocional e imaginativo, experimenta fatos, sentimentos, realizações de prazer, frustrações podendo assim, lembrar, antecipar e conhecer algumas das inúmeras possibilidades do destino humano. Pelo processo de viver temporariamente os conflitos, angústias e alegrias dos personagens da história, o receptor multiplica as suas próprias alternativas de experiências do mundo, sem que com isso corra algum risco.Dessa forma a utilização de contos e mitos africanos é de grande importância tendo em vista que os leitores poderão identificar-se com as narrativas que trarão aspectos que condizem com a sua realidade e com personagens que vivem problemáticas semelhantes as suas, podendo assim reelaborar e refletir sobre o seu papel social a partir de uma identidade étnico-racial. A utilização desse modelo textual também irá romper com os estereótipos da literatura dominante que impunham um discurso discriminatório onde as crianças negras eram maciçamente obrigadas a se reconhecerem como: "feia, preta, fedorenta, cabelo duro", iniciando o processo de desvalorização de seus fenótipos individuais, que interferem na construção da sua identidade de criança.Nesse sentido a educadora e pesquisadora baiana Ana Célia da Silva, (2004, p.57) afirma que:Ao veicular estereótipos que expandem uma representação negativa do negro e uma representação positiva do branco, o livro didático está expandindo a ideologia do branqueamento, que se alimenta das ideologias, das teorias e estereótipos de inferioridade/superioridade raciais, que se conjugam com a não legitimação do Estado, dos processos civilizatórios indígena e africano, entre outros, constituintes da identidade cultural da nação.Atentando à observação apresentada acima, diríamos também que a utilização de contos e mitos de matriz africana é um material didático que possibilitará aos educandos negros uma interação com conteúdos que vão despertá-los para uma revisão com relação aos conceitos e preconceitos a cerca do continente africano, compreendendo a importância do mesmo para a humanidade. Esse aprendizado, certamente elevará a sua auto-estima, pois a partir dos conteúdos históricos dos contos os aprendizes vão saber que são oriundos de uma civilização que contribuiu muito para os estudos relacionados à medicina, astronomia, arquitetura, matemática, literatura, entre outros.Os contos por serem uma obra literária de caráter simbólico e significativo possibilitam uma comunicação dinâmica com as simbologias imaginárias, atuando como desbravadores da conquista de uma auto-estima pautada pela visibilização positiva com relação à cultura dos povos de matriz africana, tendo em vista que, na maioria das vezes, as obras infanto - juvenis literárias veiculadas eram carregadas de textos discriminatórios onde os personagens negros exerciam papéis de subserviência, escravizados, ocupando cargos e funções de menos prestígio no contexto social. As imagens ilustrativas caricaturadas, associando a figura dos povos africanos a animais reforçavam os estereótipos de que em África existe apenas uma referência civilizatória habitada apenas por animais selvagens. E o que fazer acerca dos prejuízos causados historicamente pela negação das heranças culturais afro-brasileiras?Diante dessas reflexões segue umas das obras literárias analisadas A mesma poderá ser encontarda no livro Ilê Ifé O Sonho do Iaô Afonjá (Mitos Afro-brasileiros) de Carlos Petrovich e Vanda Machado, publicado pela EDUFBA, no ano de 2000.CONTO - IOXUM NA ORGANIZAÇÃO DO MUNDO.Era uma vez, no princípio do mundo, Olodumaré mandou todos os orixás para organizarem a terra. Os homens faziam reuniões e mais reuniões. Somente os homens, as mulheres não foram convidadas. Aliás, as mulheres foram proibidas de participar da organização do mundo. Deste modo nos dias e horas marcadas, os homens deixavam em casa as suas mulheres e saiam para tomar as providências indicadas por Olodumaré. As mulheres não gostaram de ficar de lado. Contrariadas foram conversar com Oxum. Oxum era conhecida como a “Iyalodê”. “Iyalodê” é um título que se dava à pessoa mais importante entre as mulheres do lugar. Na verdade parece que os homens tinham esquecido do poder de Oxum para a água doce. E sem a água doce, com certeza, a vida na terra seria impossível.Oxum estava aborrecida com a desconsideração dos homens. Afinal ela não poderia de forma alguma ficar longe das deliberações para o crescimento das coisas da terra. Ela sabia de tudo que estava acontecendo. Era preciso compreender que todos são importantes para construção do mundo.Procurada por suas companheiras, conversaram durante muito tempo e por fim a “Iyalodê” comunicou: _De hoje em diante, vamos mostrar os nossos protestos para os homens. Vamos chamar atenção porque somos todos responsáveis pela construção do mundo. Enquanto não formos consideradas, vamos parar o mundo!- Parar o mundo? O que significa isto? Perguntaram as mulheres curiosas.- De hoje em diante, falou Oxum, até que os homens venham conversar conosco, estamos todas impedidas de parir. Também as árvores não vão mais dar frutos e as plantas não vão mais florescer, nem crescer. Isto foi dito e isto aconteceu.Aquela foi uma reunião muito forte. A decisão foi acatada por todas as mulheres. E os resultados foram imediatos. Os planos que os homens faziam começaram a se perder sem nenhum efeito.Desesperados, os homens se dirigiam a Olodumaré e explicaram como as coisas iam mal sobre a terra. As decisões tomadas nas assembléias não davam certo de forma nenhuma.Olodumaré ficou surpreso com as más notícias.Depois de meditar por alguns instantes perguntou:- Vocês estão fazendo tudo como eu mandei?Oxum está participando destas reuniões? Os homens responderam: _Veja senhor, estamos fazendo tudo “direitinho” como o senhor mandou. Agora, este negócio de mulher participando das nossas reuniões… isto aí, a gente não fez assim não. Coisa de homem tem que ser separado de coisa de mulher.Olodumaré falou forte:- Não é possível. Oxum é a orixá da fecundidade. É quem faz desenvolver tudo que é criado. Sem Oxum o que é criado não tem como progredir. Por exemplo, vocês já viram alguma coisa plantada crescer sem água doce? Os homens voltaram correndo para a terra e cuidaram logo de corrigir aquela grande falha. Quando chegaram à casa de Oxum, ela já esperava na porta, fazendo jeito de quem não sabia o que estava acontecendo. Aí os homens foram chegando e dizendo:- Agô Nilê! (com licença).- Omo Nilé ni ka agô (filho da casa não pede licença).Desse jeito ela os convidou a entrar em sua casa. Conversaram muito para convencer a Oxum. Eles pediram que ela participasse imediatamente dos seus trabalhos de organização da terra. Depois que ela se fez bem de rogada, aceitou o convite.Não tardou e tudo mudou como por encanto.Oxum derramou-se em água pelo mundo. A terra molhada reviveu. As mulheres voltaram a parir. Tudo floresceu e os planos dos homens conseguiram felizes resultados. Daí por diante, cada vez que terminavam uma assembléia, homens e mulheres cantavam e dançavam com muita alegria, comemorando o reencontro e suas possíveis realizações:“ Araketo ê Faraimará”O conto Oxum na organização do mundo mostra outra perspectiva com relação ao lugar que a mulher ocupa na sociedade, ele desmonta a ideologia da mulher submissa às deliberações masculinas e traz à tona uma reflexão que nos remete à ancestralidade tendo em vista que as mulheres negras sempre foram guerreiras a exemplo de Rainha Nzinga de Angola, embaixatriz em Luanda, durante o reinado do seu irmão e travou luta sem quartel durante trinta anos contra os portugueses, pela independência/sobrevivência do seu povo. ; Dandara uma das guerreiras do quilombo de Palmares, primeira república democrática do Brasil,mantendo a resistência de um quilombo que sobreviveu por mais de 100 anos; Luiza Mahin mãe do poeta abolicionista Luiz Gama e possivelmente uma das articuladoras da Revolta dos Malês, movimento de 1835 que é assim conhecido,por serem chamados de Malê os negros muçulmanos que a organizaram. A expressão malê vem de imalê, que na língua iorubá significa muçulmano. Portanto os malês eram especificamente os africanos que professavam o islamismo, a religião de Maomé. (Cf ILÊ AIYÊ, 2002, p.12.).Ao olhar o entorno das comunidades onde as crianças negras residem e estudam, geralmente são comunidades populares, localizadas em bairros periféricos. É possível observar que na maioria das vezes as mulheres são as chefas de família. São elas que sempre vão às reuniões da escola, acompanham os filhos nas festinhas da escola e dos amigos e ao mesmo tempo criam estratégias de sobrevivência, quando não compõem o mercado de trabalho formal, atuando como quituteiras, lavadeiras, comerciantes, empresárias, assim como, Dinha do Acarajé (in Memória), Alaíde do Feijão entre outras. Contudo, dentre as estratégias de luta pela sobrevivência de combate ao sistema escravista e as desigualdades, a literatura também vem sendo um veículo propagador da resistência como explica a pesquisadora Florentina Souza em seu ensaio publicado na revista Palmares:Os afro-brasileiros já vinham de há muito instalando um desconforto na produção textual brasileira através da produção de textos jornalísticos e literários que debruçavam-se sobre suas histórias e a cultura, dialogando com uma tradição político-reivindicatória(...)Assim os escritores e escritoras de origem afro-brasileira vão falando de si, de suas famílias, da história de seu grupo e rasuram a pretensa universalidade/ocidentalidade da arte literária.(2005, p.72)Essa arte literária citada pela pesquisadora acima sempre esteve presente nas cantigas de rodas, nos cânticos dos orixás, na musicalidade, nas festas populares, nos versos, prosas e prosas de escritores/as como Luiz Gama, Cruz e Souza, Carolina de Jesus, Solano Trindade e atualmente na firmeza e dignidade dos poetas dos Cadernos Negros do grupo Quilombhoje.


* Educadora do Ceafro e graduada em Pedagogia (BA).