sábado, 29 de novembro de 2008

UM ESPÁRTACO NEGRO NO NORDESTE BRASILEIRO...QUANDO TUDO ACONTECEU..

Fernando Correia da Silva
Libertador de escravos: 1655 - 1695


UM ESPÁRTACO NEGRO NO NORDESTE BRASILEIRO...QUANDO TUDO ACONTECEU...c.1600: Negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de açúcar de Pernambuco, fundam na serra da Barriga o quilombo de Palmares; a população não pára de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para os escravos, Palmares é a Terra da Promissão. - 1630: Os holandeses invadem o Nordeste brasileiro. - 1644: Tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares. - 1654: Os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro. - 1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares - 1662 (?): Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados e dado ao padre António Melo; será baptizado com o nome de Francisco, irá ajudar à missa e estudar português e latim. - 1670: Zumbi foge, regressa a Palmares. - 1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. - 1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares; ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os  quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. - 1680: Zumbi impera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas. - 1694: Apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir. - 1695, 20 de Novembro: Denunciado por um antigo companheiro, Zumbi é localizado, preso e degolado.CANDOMBLÉD e Lisboa para o Rio de Janeiro antes que a PIDE me deitasse a mão... Ali faço boa amizade com o Ricardo, homem bem mais velho do que eu, mulato não muito escuro. Economista, tem um bom emprego no Banco do Brasil. Mas nunca é promovido. Os seus colegas brancos, que tinham entrado ao mesmo tempo do que ele, já ganham o dobro do seu salário. Diz-me:- Portuga: sou branco de menos para chefiar e branco de mais para fazer limpeza. Até entendo a Administração do Banco: preto, se não caga na entrada, com certeza caga na saída...Ele a dizer-me isto e eu a pensar na Casa Grande e Senzala do Gilberto Freire. Sociologia? Talvez melaço, isso sim! A disposição do português para fornicar todas as mulheres, qual seja a cor que tiverem, isso não é democracia racial, é fúria genital. E parem lá de me salpicar com o luso-tropicalismo para adoçar a pastilha. Palmadinhas nas costas mas fica aí no teu lugar, escraviza muito mais do que murros, palmatórias, chicotes, ou grilhetas. Em 1884 ocorre a Conferência de Berlim para a partilha da África pela potências europeias, fronteiras a régua e esquadro a cortar povos ao meio. Para os diplomatas, "tribos" é igual a "coisas". Ingleses, franceses, belgas e alemães usam realmente os pretos como "coisas". E com "coisas" não há trato, arrumam-se aqui, consomem-se ali, deitam-se fora quando se estragam. Já os portugueses tratam os pretos como homens, porém inferiores, eu aqui em cima, tu aí em baixo, estás a perceber ó escarumba? Palmadinhas nas costas, vai à vida e não te queixes, quem não trabuca não manduca... "Assimilados, portugueses de segunda", é justamente como Salazar chama aos pretos. É mútua a simpatia entre Gilberto e Salazar. Está-se a ver porquê. Venho de um país em que a Igreja é o grande sustentáculo do fascismo. O que me seduz em Ricardo é o escárnio permanente que ele faz da Bíblia:- Para o asno forragem, chicote e carga; para o servo pão, castigo e trabalho, diz a Bíblia, ou dizem os seus pregadores. Portuga: a Bíblia tem feição de senhor de escravos.
Ó se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e à sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!, prega um pregador famoso. Portuga: a Bíblia tem palavras de feitor... Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, é Jesus Cristo, dizem outros; exorcizam os orixás como espíritos do Inferno e tratam de excomungar os seus fiéis e seguidores. Portuga: a Bíblia tem maneiras de inquisidor... Antigamente só padres brancos é que podiam explicar a Bíblia ao povo negro e bem sabemos o que foi essa explicação. Portuga, é como te digo: a Bíblia tem focinho de homem branco...Corrijo:- Focinho de opressor, isso sim!- Portuga: para nós, opressor e branco são sinónimos.- Crioulo: para nós, em Portugal, opressor é quem oprime, seja branco, seja preto.Então conto-lhe dos meus amigos em Lisboa. Entre eles, dois negros. Um, o Agostinho Neto, é a sisudez aguerrida; virá a ser o primeiro presidente de Angola. O outro, o Amílcar Cabral, é a alegria militante; não verá a independência da sua Guiné-Bissau, será assassinado antes. O mais subversivo, o mais perigoso, o que mais assusta os opressores é a alegria contestatária, cuidam sempre de visá-la e abatê-la; perguntem ao Samora Machel se estou errado...Bem sei que estou a atafulhar conhecimentos adquiridos em épocas sucessivas. Explica-se: estava, ou estou, ou estarei a ser laçado por um nó do tempo, ali tudo a acontecer no agora, o que foi, o que é, e o que será.Ricardo aponta-me um contínuo do Banco do Brasil: é o Zé Pelintra, negro talhado em mogno, fraca figura, apagado, tímido, modesto. No terreiro do candomblé, quando nele baixa Ogum, o seu orixá, transforma-se num tipo dominador e combativo. Interrompo:- Ogum é São Jorge, não é?Ricardo irrita-se:- Nesse jacutá, Ogum é Ogum, não é São Jorge; Iansã é Iansã, não é Santa Bárbara; Xangô é Xangô, não é São Jerónimo; Oxalá é Oxalá, não é Jesus Cristo. Ali não há mixórdia, é tudo autêntico, sem carnaval para turista ver. Não é seita, é religião de oprimido. Entendes, ó Portuga?Entendo, mas quero ver. Ele hesita. Naquele jacutá só vai preto. E o pessoal ficaria renitente, ou mesmo desconfiado, com a presença de um branco. Não perco a oportunidade para malhar:- Como é, Ricardo? Vocês agora andam a trabalhar com negativos do racismo?Decide-se, leva-me. É a noite de 19 de Novembro, disso me lembro. Realmente sou olhado com desconfiança. Alguns até bufam, rosnam, hostilidade. Rufar ritmado de atabaques. Babalorixás e Ialorixás, sacerdotes e sacerdotisas entoam cânticos, alaluê, alaluá, não sei que mais numa língua ou dialecto africano. Zé Pelintra cai em transe, espuma, treme, cai no chão, esperneia. Logo se levanta e realmente mudou de personalidade, os seus olhos até chispam, saravá! baixou Ogum. Sempre a comandar, aconselha e ampara os seus fiéis, alguns dos quais também caiem em transe ao contacto das suas mãos. De repente olha para mim, aponta:- Ocê num tá creditando, num é?Abano a cabeça. Insiste:- Vê prá crê, cumo São Tomé, num é? Vosmecê num qué tomá uma cerveja?- Vinho, se houver. De preferência tinto.- Essa é bebida de Xangô, que é seu orixá, tou vendo. Vamo chamá...Aproxima-se de mim. Impõe as suas mãos sobre a minha testa. Apago-me.Quando torno a mim, já é dia 20. Fremem os atabaque e o povo canta:- Zumbi, Zumbi, oia Zumbi! Oia Zumbi mochicongo. Oia Zumbi! CANAVIAISMadrugada no terreiro, flores já murchas pelo chão. Ogum retirou-se. Sobrou o Zé Pelintra, fraca figura, outra vez a timidez subiu à tona. Ricardo diz-me que, apesar de branco, Axé, a força viva de Deus, manifestara-se em mim. Xangô, o orixá da Justiça, começara por baixar em mim. Depois, por mim tinham falado a princesa Aqualtune, a seguir os seus filhos Ganga Zumba e Gana Zona e, finalmente, o seu neto Zumbi dos Palmares. Hoje é o dia 20 de Novembro, data em que Zumbi foi executado. Talvez por isso...Se um orixá me usou para se manifestar no lado de cá, em compensação usei-o eu para ver o lado de lá. Ricardo diz-me que isso não pode acontecer, não é possível, nunca! Abano a cabeça: nunca? Mas tudo, vejo tudo, e como vejo...Vejo os canaviais de cana doce a ondular em todo o litoral do Nordeste brasileiro. Vejo os navios negreiros a aportar a Recife, zarparam da costa ocidental de África. Branca é sempre a cor do opressor? E os sobas e régulos africanos que venderam outros negros, seus prisioneiros, aos escravocratas brancos? Transportados como gado no porão, vejo que em Pernambuco desembarcam yorubás, angolas, benguelas, congos, cabindas, monjolos, quiloas, minas, rebolos e uns tantos mais, homens, mulheres, até crianças.Vejo a princesa Aqualtune a ser vendida num leilão de escravos. Vejo que a levam para a casa grande de um senhor de engenho. Dão-lhe um banho e roupa nova, vai aprender a servir à mesa.Vejo os seus irmãos e o seu povo amontoados na senzala. Vejo que, a chicote, são acordados antes do nascer do sol. Vejo que são empurrados para os canaviais e começam a cortar cana. Há negros promovidos a feitores, também eles usam chicote. Branca é sempre a cor do opressor? Vejo os cativos que juntam e amarram molhes de cana. Vejo que, às costas, os transportam para o engenho. Vejo a moenda, a casa de purgar, as fornalhas, a casa dos cobres, galpões e depósitos, vejo negros que não param de labutar. Trabalho muito, comida pouca, no máximo viverão mais seis ou sete anos.- Que morram! (diz um senhor). Em África, pretos é o que não falta. O que é preciso é produzir!Vejo o açúcar disputado pelos mercados da Europa. Vejo um cativo exausto a abrandar o ritmo de trabalho. Um feitor (negro, negro...) trata-lhe as costas a chicote. Um outro dá-lhe palmatoadas nas nádegas. Esfregam com sal as feridas, carne viva. Esse é o castigo para a preguiça, a dor ficará para sempre na memória.Vejo, a cavalo, um capitão-do-mato (negro, negro...), de carabina a tiracolo, a caçar um escravo fugitivo. Consegue laçá-lo. Se não conseguisse, apontava, fuzilava. Arrasta-o para a senzala. Impõe-lhe uma canga no pescoço e nela as mãos ficam presas. Dá-lhe então o tratamento de chicote e sal. Uma semana depois um capataz, mas branco, retira-lhe a canga, leva-o para o suplício do tronco, no qual os tornozelos ficam presos e, por isso, sentado ou deitado queda-se o preto, e logo leva o segundo tratamento de chicote e sal.Vejo que, apesar do risco, há escravos que não desistem de fugir. Vejo que, do porto de Recife, rumo a Lisboa, todos os meses largam navios e mais navios com o açúcar produzido por 66 grandes engenhos. A Europa muito aprecia esta doçura luso-tropical.PALMARESEm Pernambuco, os escravos fogem. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.Não desistem, apesar do risco... E fogem, como fogem, não param de fugir... Antes a morte do que vida tal. Vejo um grupo de escravos fugitivos a estabelecer-se na serra da Barriga, hoje está no mapa de Alagoas. Isso ocorre, parece-me, por volta de 1600. Vejo que, uns dez anos mais tarde, também a Princesa Aqualtune consegue fugir para a Serra da Barriga. Nó do tempo, remoinhos, remoinhos, e logo vejo que em 1630 a população é já de 3 mil. É quando os holandeses invadem o Nordeste brasileiro. Vejo que a invasão desorganiza a produção açucareira. Vejo que o estado de guerra entre portugueses e holandeses facilita a fuga de um número cada vez maior de escravos. E que em 1670 eles já são 30 mil, república de negros que, por conta própria, correram em busca da liberdade. Ao quilombo dão o nome de Palmares, realmente palmeiras é o que ali não falta. Vejo que o território, a 30 léguas do litoral, é uma faixa com 200 quilómetros de largura, paralela à costa, e que vai desde a margem esquerda do curso inferior do São Francisco até à altura do Cabo de Santo Agostinho. Vejo que abrange o planalto de Garanhuns e, para além da Serra da Barriga, as Serras do Cafuchi, Juçara, Pesqueira e Comonati. Vejo que é banhado por nove rios. Vejo que a floresta e o terreno acidentado tornam difícil a incursão dos soldados brancos. Vejo que a república tem vários mocambos. O principal, o que foi fundado pelo primeiro grupo de escravos foragidos, fica na Serra da Barriga e leva o nome de Cerca do Macaco. Duas ruas espaçosas com umas 1500 choupanas e uns 8 mil habitantes. E Amaro, outro mocambo, tem 5 mil. E há outros, como Sucupira, Tabocas, Zumbi, Osenga, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche. Uma rede de 11 mocambos no quilombo de Palmares.Vejo que a floresta dá quase tudo quanto o povo precisa: frutas, folhas de palma com que fazem as coberturas das choupanas, também as fibras para a confecção de esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques. E ainda a noz de palma de que fazem óleo. Vejo que fazem vestimenta das cascas de algumas árvores. E que produzem manteiga de coco. E que plantam milho, mandioca, legumes, feijão e cana. E que fazem comércio dos seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços, mas onde não impera a monocultura da cana. Portanto, de escravos não precisam eles. Afinal sempre é possível o relacionamento pacífico entre brancos e pretos, e agora estou a lembrar-me do Amílcar Cabral, e do Agostinho Neto, e do Samora Machel. Não me chateiem, já disse que é um nó do tempo, remoinhos, remoinhos...Vejo que, em Palmares, as exigências de produção para alimentar milhares de bocas, e a urgência de promover o convívio de tanta gente, leva os palmarinos a organizar o quilombo como se fosse um pequeno Estado. Há leis que passam a regulamentar a vida dos habitantes e algumas são bastantes duras. Roubo, deserção e homicídio são punidos com a morte. Vejo que as decisões mais importantes são tomadas em assembleias nas quais participam todos os adultos. Reparo que a língua franca, naquela babel de tantas línguas e dialectos, é o português ou um crioulo de português. Sei que o mesmo acontecerá no outro lado do Atlântico e até no Índico. Observo que a autoridade é sempre aceite. Não sofrida, nem contestada, pois resulta da vontade colectiva.Eis-me agora em Olinda, remoinhos. Sei que haver além, naquelas serras, uma Terra da Promissão para os pretos, é o alvoroço permanente dos cativos em Pernambuco, tão perto fica a liberdade... "Há que arrasar Palmares, há que recuperar, vender ou matar os pretos fujões!" - ouço que dizem os senhores de engenho, diz também a tropa portuguesa. E tentam, vejo que tentam, muitas e muitas vezes tentam destruir o quilombo, mas repelidos acabam sempre. Só a Cerca do Macaco é defendida por uma tríplice paliçada, cada qual sob a guarda aturada de 200 homens. A defesa da liberdade é, sem dúvida, a grande organizadora do povo de Palmares.Primeiro são repelidos os portugueses e depois os holandeses em 1644. Vejo que estes até acabam por desistir de assolar o quilombo. Têm outras guerras mais prementes...Em 1654 os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro. Ao fim de 24 anos de guerras e guerrilhas, ficam normalizadas a vida da capitania e a produção açucareira. "Agora o que é preciso é arrasar Palmares!" - ouço os senhores de engenho a reclamar e vejo o Governador a concordar com a exigência.Mas também vejo que, no ano seguinte, uma das filhas da Princesa Aqualtune pare um menino ao qual é dado o nome de Zumbi, que significa Eis o Espírito! Como sei disto, eu cá não sei...ZUMBIZumbi retorna a Palmares. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.Vejo que o menino Zumbi corre livremente pelas terras cultivadas do seu mocambo natal, a Cerca do Macaco. Vejo que, aos sete anos, soldados portugueses o apanham desprevenido e o arrastam, com outros negros, para Porto Calvo. Vejo o garoto ser oferecido ao padre António Melo. Vejo que o padre o baptiza com o nome de Francisco. Vejo que lhe ensina português e latim. Aprende rapidamente e começa a ajudar à missa. É considerado rapaz esperto, cativo mui fiel, vigilância abrandada e ele a preparar a retirada. Vejo que, aos quinze anos, finalmente foge da paróquia para Palmares, retorna aos seus.Vejo que nesse mesmo ano de 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune, tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo. Vejo que, em 1675, a tropa comandada pelo Sargento-mor Manuel Lopes, depois de batalha sangrenta, ocupa um mocambo com mais de mil choupanas. Vejo que os negros se retiram. Vejo que, cinco meses depois, os negros contra-atacam, combate feroz e Manuel Lopes é obrigado a retirar para Recife.Condutor dos guerreiros quilombolas é Zumbi, condutor já venerado e tem apenas 20 anos. Do meu caminho arredo almas, procuro-o, digo-lhe:- És tu o Espártaco negro?Olha para mim, desconfiado. Nele parece-me reconhecer a sisudez do Agostinho Neto.- Quem é esse?- Foi o chefe dos escravos sublevados, na Roma antiga.- O que lhe aconteceu?- Lutou até ao fim, foi preso e executado, morreu pregado na cruz.- Antes esse do que o outro que o padre Melo me queria impingir...Não me conformo:- Por que dizes isso? Logo tu, que até aprendestes latim e ajudaste à missa...Rasga um sorriso que reconheço ser o de Amílcar Cabral. É quanto basta para eu ser apanhado por outro nó do tempo e dou comigo na igreja matriz de Olinda. O pregador famoso do Ricardo, afinal é o próprio padre António Vieira. A dourar a mansidão, sermão ao povo negro:- Oh se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e à sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!António Vieira fala depois no Coré, que quer dizer Calvário. Explica:- Declara David no título do último salmo quem sejam os operários destas trabalhosas oficinas, e diz que são os filhos de Coré: Pro torcularibus filiis Core. Não há trabalho, nem género de vida no mundo mais parecido à cruz e paixão de Cristo, que o vosso em um destes engenhos.Remata:- Bem-aventurados vós se soubéreis conhecer a fortuna do vosso estado, que é um grande milagre da providência e misericórdia divina.Ouço e vejo tudo, desfaz-se o nó, retorno a Palmares. Quero continuar a conversa mas, sorrindo sempre como o Amílcar, Zumbi acena um adeus, vai-se embora. Tem mais que fazer, os seus guerreiros esperam por ele.GANGA ZUMBA .Vejo que em 1676 Fernão Carrilho comanda as tropas das vilas apostadas na extinção de Palmares. Ataca o quilombo: insucesso! Regressa a Recife. Mas não desiste. No ano seguinte ataca a Cerca do Macaco. A princesa Aqualtune, o seu filho Ganga Zumba e a maioria dos negros conseguem fugir. Carrilho dirige-se depois para o mocambo de Gana Zona, outro filho de Aqualtune, mas encontra-o em cinzas, incêndio previamente ateado pelos habitantes, terra queimada. Entre as ruínas descubro uma capela com santos da Igreja Católica.- Mas o que é isto? - pergunto-me.Zumbi ressurge, sorrindo sempre:- De África para o Brasil, orixás ou santos, cada qual escolhe os seus, é a única liberdade que os negros têm...Desaparece.Carrilho assenta arraiais em Sucupira, pede reforços. Engenha operações-relâmpago, mata muitos pretos, aprisiona outros, entre estes Gana Zona e dois filhos de Ganga Zumba. Pensa já ter destruído Palmares, regressa a Recife, festejos. Porém, passados poucos meses, o quilombo já está reconstruído.O Governador Pedro de Almeida sabe que é muito difícil a extinção do quilombo. Mais lhe interessa a submissão do que a destruição. Se conseguir fazer a paz, concedendo perdão e alforria aos quilombolas, Palmares poderá vir a ser um novo reduto português, uma nova vila colonial. Manda emissários fazer a proposta a Ganga Zumba, que medita, remói e decide aceitá-la. Muitos chefes negros louvam a prudência e a sabedoria da decisão. Em 1678 Ganga Zumba manda ao Recife três dos seus filhos e mais doze chefes para firmarem a paz. Ganga Zumba é promovido a mestre-de-campo. Para comemorar o acontecimento, vejo que há missa de acção de graças na igreja matriz de Olinda.Vejo que irrompe Zumbi em desacordo, revoltado contra o tio:- Enquanto houver um negro cativo, nenhum negro será livre!Vejo Ganga Zumba a expulsá-lo da Cerca do Macaco.A JOVEM GUARDAZumbi congrega a Jovem Guarda de Palmares. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.Acompanho Zumbi de mocambo em mocambo. Ouço que diz a cada jovem:- És tu um negro livre? E o teu pai, e os teus irmãos, que sofrem o tratamento de chicote e sal, que sofrem os suplícios da canga e do tronco? E a tua mãe, as tuas irmãs, que são forçadas a abrir as pernas para o senhor de engenho e para os filhos do senhor de engenho? Diz-me: tu és realmente um negro livre?Em poucos meses está arregimentada a Jovem Guarda do quilombo, guerras e guerrilhas, incêndio de canaviais até às portas de Recife e Porto Calvo. Armas de fogo e munições, só aquelas que os guerreiros negros vão tomando ao inimigo.Vejo que Pedro de Almeida liberta Ganga Zona e manda-o a parlamentar com Zumbi. O tio não consegue dobrar o sobrinho.Vejo que, na Cerca do Macaco, um jovem põe veneno na comida e assim morre Ganga Zumba. Agora, o incontestado imperador de Palmares, é Zumbi.Batalhas terríveis. Vejo que o Conselho Ultramarino Português se refere a Zumbi, "tão célebre pelas hostilidades que faz em toda aquela Capitania de Pernambuco, sendo o maior açoite para os povos dela." E ouço que dele diz um dignatário: "Negro de singular valor, grande ânimo e constância rara."Vejo que, em 1680, Aires de Sousa e Castro é o novo Governador de Pernambuco. Manda apregoar perdão e honrarias ao Capitão Zumbi. O Senhor Governador até já lhe chama capitão... Não morde o isco, segundo Ganga Zumba não é ele, não, não deponho as armas, enquanto houver um negro cativo, nenhum é livre!DOMINGOS JORGE VELHO. Vejo que em 1686 há um novo Governador em Pernambuco, o seu nome é Souto Maior, e a guerra contra o Zumbi dos Palmares continua sempre sangrenta.Vejo que Souto Maior manda 

chamar Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista que, com a sua tropa, gente feroz, andava a prear e a matar os índios do Piauí. Vejo que, a troco de um quinto do valor dos negros recuperados, terras e perdão para os possíveis crimes dos seus homens, o convida para a guerra contra Palmares. O governo entrará com as armas, munições e víveres. Vejo que o acordo entre ambos é assinado em 1691. Vejo mil homens a atacar Palmares e vejo Zumbi e a Jovem Guarda a resistirem na Cerca do Macaco. Vejo Domingos Jorge Velho retirar para Porto Calvo.Mas também vejo que o Governador manda o Capitão-mor Vieira de Mello ajudar o bandeirante. De 23 a 29 de Janeiro de 1694, duas vezes a tropa tenta romper a Cerca, duas vezes são repelidas. Até mulheres, lá do alto, lançam água a ferver sobre os soldados portugueses. Mas a 6 de Fevereiro, de Recife chegam bombardas. Assestam, disparam, a tiro grosso conseguem rasgar brechas na tripla cerca do mocambo. É por elas que os soldados invadem a cidadela, corpo-a-corpo, massacre, charcos de sangue. Vejo que Zumbi leva dois tiros mas consegue escapar. - Zumbi não morre, oia Zumbi! não pode morrer, oia Zumbi! tem o corpo fechado, oia Zumbi! - rezam os negros.Vejo que em 1695, no caminho de Penedo a Recife, é preso um velho quilombola. Prometem-lhe a vida se apontar o esconderijo de Zumbi. E ele aponta. O bandeirante André Furtado de Mendonça é quem comanda o cerco, vence, prende e degola Zumbi dos Palmares. É o dia 20 de Novembro de 1695. O bandeirante leva a cabeça para Recife, repicam os sinos, dia feriado, acção de graças.- Zumbi, Zumbi, oia Zumbi! Oia Zumbi mochicongo. Oia Zumbi!Vejo que os negros aprisionados são todos vendidos para capitanias distantes, assim se corta pela raiz a esperança de regeneração do quilombo. As terras de Palmares são divididas em lotes e doadas em sesmarias aos capitães vencedores. De 1600 a 1695... Durante quase cem anos um espinho cravado na garganta dos escravocratas de Pernambuco... Os tais da casa grande e senzala, os do melaço luso-tropical...FEITIÇO ...Quando torno a mim já é dia 20. Fremem os atabaques e o povo canta:- Zumbi, Zumbi, oia Zumbi! Oia Zumbi mochicongo. Oia Zumbi!Cativos do racismo, não me espanta que os filhos de escravos negros invoquem o espírito do Espártaco negro. Atordoado, saio do terreiro.O Ricardo quer levar-me a casa, de automóvel. Agradeço mas recuso, prefiro ir a pé, estou abafado, talvez a brisa da madrugada me refresque. Alcanço o Largo do Machado e começo a subida. Moro em Santa Teresa, é bairro que me seduz. Lá do alto, gosto muito de ver a cidade a contornar os morros e a esparramar-se pelas praias.Ouço passos, volto-me, mais abaixo há dois vultos que me seguem. Certamente dois do jacutá, escamados com a presença de um branco. Não me apresso, que venham, logo se vê...Zumbi traído, Amílcar traído, a traição nunca desarma. E os Ganga Zumba que há na vida? Cuidar da nossa pele, da nossa pança, os outros que se danem, quem não chegou, chegasse... E os que lutaram pela liberdade e, de oprimidos passaram a opressores? Como aquele negro que lutou na Guiné, lado a lado com o Amílcar? Terá de ser sempre assim, não damos outra volta às nossa vidas?Chego a casa, não olho para o lado, meto a chave, entro, puxo os lençóis, caio na cama, a ver se durmo...Na manhã seguinte, à minha porta, está uma galinha preta degolada. Dou-lhe um pontapé, o bicho levanta voo rasante, cai na valeta. Estou de bem comigo, tenho o corpo fechado, feitiço em mim não ferra o dente.


CRÍTICA AO «ZUMBI» DE VIDAS LUSÓFONASEm Dezembro de 2000 Francisco Gomes de Amorim ( ffga@zaz.com.br ), português que viveu 21 anos em Angola/Moçambique e vive há 25 no Brasil, enviou-nos duas mensagens criticando o Zumbi apresentado por Fernando Correia da Silva. Este concorda com algumas das considerações, rejeita outras. Mas como VIDAS LUSÓFONAS não é página concebida para a edição de polémicas, Fernando Correia da Silva limita-se a garantir a liberdade de expressão a quem o contesta. Eis as duas mensagens de Francisco G. de Amorim:1.ªEsta mensagem, que contém uma análise-resposta a um artigo divulgado através da Internet, sobre "ZUMBI DOS PALMARES" tem como finalidade levantar uma questão que, por comodismo ou falta de informação as pessoas nem sequer discutem.É bom discutir a história, e não aceitá-la como alguém, um dia, se lembrou de a contar. Bem ou mal.A nossa história, como a de todos, deve ser estudada, discutida. Procurar a verdade.* * *O artigo, ou estudo, ou trabalho, com o título acima, apresentado no site http://www.vidaslusofonas.pt , em prosa muito bem redigida, contém no entanto alguns detalhes, importantes demais para que se lhes chame somente detalhes, que levam a fazer as observações que se seguem.Em primeiro lugar, mostrando-se bem documentado, estará possivelmente demasiado bem informado, porquanto, de acordo com pesquisadores e historiadores, ninguém sabe:- quando terá nascido o homem que ficou na história como o famoso Zumbi dos Palmares;- também ninguém sabe, porque não há qualquer registro disso, que Zumbi fosse sobrinho de Ganga Zumba;- muito menos que Ganga Zumba fosse filho de uma Princesa chamada Aqualtune;- do mesmo modo como não há qualquer confirmação sobre a hipótese de Zumbi ter sido o menino que o padre Antônio Melo recolheu e educou. Sabe-se unicamente que este padre educou um garoto que um dia fugiu e se terá tornado um dos chefes ou capitães de Palmares;Seguindo os historiadores, que se baseiam em documentos da época,- no final da Guerra dos Palmares, um membro do exército luso-brasileiro escreveu que viu Zumbi jogar-se do alto de um penhasco para não ser aprisionado;- outro afirma que o feriu e matou durante um dos combates;- um terceiro garante que depois de morto cortou a sua cabeça e a levou para Recife;- ninguém afirmou que Zumbi tenha levado dois tiros mas conseguido escapar;o que nos leva a concluir que haveria vários Zumbi em Palmares, ou que o termo Zumbi designasse por exemplo um capitão ou chefe de um quilombo.Ainda as mesmas fontes afirmam que para acabar com a resistência - heróica, sem dúvida - dos palmarinos, foi pedido ao Governo que mandasse canhões, mas quando estes finalmente chegaram, tinha já acabado a guerra e nem um só tiro de canhão foi disparado.A serem fidedignas as fontes apresentadas pelos estudiosos, que não vão citadas para não tornar esta análise fastidiosa, constata-se que a introdução ao artigo sobre Zumbi dos Palmares, parte de premissas erradas, para não dizer demagógicas.A seguir, o texto malha, forte e feio, em Gilberto Freyre. É moda. Agora é moda bater em Gilberto Freyre. É demagógico. A chamada vertente política esquerdista descobriu mais alguém em quem descarregar a sua amarga verve. O Senhor (com letra maiúscula) já morreu, e não tem como se defender. Nem sequer da afirmação sobre a mútua simpatia entre Gilberto e Salazar!Que tremenda inverdade! Basta consultar a "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira" e tentar encontrar o grande mestre sociólogo. Nem em Freyre, nem Freire. Não aparece. E a enciclopédia, letra F, é de 1946, quando "Casa Grande e Senzala" tinha já 14 anos e 5 edições. Não aparece simplesmente porque o seu amigo Salazar não gostava de Gilberto Freyre, nunca teve a menor necessidade da compreensão ou amizade de Salazar.O seu curriculum é demasiado extenso, mas só para avivar um pouco a memória, basta dizer que em 1954 foi feito Sir pela Rainha Mãe na Universidade de Columbia, onde recebeu o título Honoris Causa, bem como em Oxford, Cambridge, Harvard, Salamanca, Sorbonne, Heidelberg, etc., etc., além dos muitos prêmios e honrarias que o seu país, o Brasil, lhe havia já atribuído.Muitos Salazares amigos haveria nessa época, ou... ?Só em 1962 é que Salazar compreendeu a importância das teses de Gilberto Freyre para a continuação da sua política colonial, e então solicitou à Universidade de Coimbra que, para compensar todos os anos que Portugal tinha perdido em reconhecer o grande Mestre, lhe conferisse o título de Doutor Máximo. Aliás justíssimo.Depois, em 1967, ainda no tempo de Salazar foi-lhe conferida uma alta condecoração - Grã Cruz da Ordem de Cristo - e bem mais tarde ainda, o tal Salazar bem morto e enterrado, em 1984, sendo Primeiro Ministro o socialista (e muito perseguido pela famigerada PIDE) Mário Soares, novamente Portugal se sentiu honrado ao conferir-lhe outra condecoração, a Grã Cruz da Ordem de Santiago.Sou um admirador de Gilberto Freyre? Sem dúvida.Prosseguindo na análise sobre o trabalho em questão, só mais umas linhas sobre o lusotropicalismo:- nos democráticos Estados Unidos da América, só em 1958 é que os negros tiveram assegurado o direito de andar de ônibus (autocarro), para o que foi necessária uma sentença da Corte;- na África do Sul, um prolongamento das democráticas Holanda e Inglaterra ...Naquele tempo, no Brasil como em todo o resto do mundo, a escravatura era uma situação considerada normal. De facto. Hoje reconhecemos que era uma aberração. Uma monstruosidade como foi a divisão de África, patrocinada pela Inglaterra, França e o rei dos belgas, em que acabou entrando a Alemanha e Itália para não perderem a possibilidade de comer uma parte do bolo. Portugal, a muito custo ficou também com a sua parte. Já por lá circulava há muito tempo.Muito antes disso, desde vários séculos antes, já havia padres não brancos, como o primeiro Bispo do Congo, e não só, a explicar a Bíblia ao povo negro.Mais adiante o texto diz que, lá nos quilombos, de escravos não precisam eles. Outra inverdade ou falta de informação, quando se sabe que muitos dos próprios 


quilombolas tinham seus escravos, como também, por incrível ou caricato que pareça, até escravos havia que tinham escravos de sua propriedade!Daí a dizer que em Palmares todos eram iguais, como terá sido a utopia do comunismo ou do socialismo científico, tão em voga na primeira metade deste século XX, que está a terminar, vai uma distância imensa. Aliás não vai sequer qualquer distância porque no fundo os homens, sejam eles pretos, brancos, amarelos, vermelhos, azuis, socialistas, democratas, comunistas, animistas, cristãos, candomblistas, islamitas, judeus... são todos iguais. Sempre houve, e haverá, os mais fortes que viverão da exploração dos mais fracos.Só houve Um que não pensava assim. Acabou pregado num madeiro.Tem mais o texto.A raiva contra a PIDE leva a afirmar que as tropas que combatiam os quilombolas eram tropas portuguesas.Sempre a mesma história: quando as atitudes, hoje em dia, são julgadas negativamente, a culpa é dos portugueses! Quando tudo corria bem, a obra meritória era de brasileiros!O sargento-mor Manuel Lopes e Domingos Jorge Velho eram portugueses, brasileiros ou luso-brasileiros?Finalmente chegamos ao traidor Ganga Zumba.Como é fácil estigmatizar um homem depois de caído.Vencido em inúmeros recontros ou batalhas com tropas atacantes (os tais luso-brasileiros), seus quilombos destruídos, seu povo destroçado e cansado de fugir de um lugar para outro, sem mais pouso nem sossego, Ganga Zumba ouvidos muitos chefes que o rodeavam e louvam a prudência e a sabedoria da decisão, aceita as condições propostas pelos governantes para acabar com a guerra.Não consta que o Imperador Hiroito tivesse traído o seu povo quando capitulou perante as forças aliadas em 1945, nem mesmo Napoleão, ainda hoje um dos maiores heróis da França que, por duas vezes, teve que se render frente às vitoriosas forças inimigas. E Ngungunhane, não capitulou também? Não foi para o exílio com alguns dos seus conselheiros?Mas Ganga Zumba foi marcado com o ferro da traição. Porquê?Por ter perdido a batalha, depois de 80 anos de luta contínua, contra um inimigo mais forte? Depois de ter conseguido carta de cidadania para todos os nascidos em Palmares - três ou quatro gerações! - além de terras para cultivarem e alvará para comercializarem livremente?Quem alguma vez conseguiu isso, ou perto disso, para um grupo social desfavorecido, neste país? O MST, por exemplo? Não.Ganga Zumba foi um grande chefe, um grande guerreiro e finalmente um grande diplomata, um grande negociador.Acabou, ele sim, traído, porque não o deixaram cumprir o acordo que, como chefe, ou rei, assinou, depois de ouvido o seu conselho que louvou a prudência e sabedoria da única decisão possível.Não satisfeitos com isso ainda o assassinaram.O que ganharam aqueles que prevaleceram na luta? A morte e escravização, o ruir da esperança de alforria e terra para muitos, muitos milhares, e um deles, que ninguém sabe exatamente quem ou qual foi, o título de herói perpétuo do Brasil.Vamos agora, para finalizar, imaginar um pequeno detalhe.Suponhamos que os quilombolas tivessem vencido todas as lutas contra o governo escravocrata (que não era exceção no Brasil, mas normal em todo o mundo), ou que o mesmo governo por inépcia, ou cansaço, ou falta de meios, ou qualquer outro motivo, tivesse abandonado a luta e deixado os quilombolas prosseguirem na sua independência.Como o Brasil encararia hoje, ano 2000, ter um país africano, encravado em seu território? Como seriam as relações entre os dois países?Algo assim aconteceu na Guiana Holandesa, hoje Suriname, e desse modo quilombolas de lá mantiveram-se afastados, selva adentro, até que finalmente o Suriname se tornou independente em 1975, para logo a seguir entrar em guerras civis, quando os descendentes desses quilombos tiveram que enfrentar o ódio e a fúria dos governos e foram mortos aos milhares.É fácil fazer demagogia, contando aquilo que as pessoas gostam ou querem ouvir. Ouvem-se aplausos, a turba grita VIVA! ou MORRA! de acordo com a vontade do orador.Até o ex-Ministro da Justiça do Brasil no tempo de João Goulart, Tancredo Neves, que mandou fechar o jornal, hoje "O Estado de São Paulo" porque publicava artigos criticando o governo, foi pouco tempo depois considerado um grande democrata!Dizem que o povo tem a memória curta. Talvez. Pior quando tem a memória enganada.Encarar os fatos com frieza e isenção é mais difícil do que procurar aplausos.A pergunta final: Ganga Zumba foi um traidor ou um injustiçado?Francisco G. de Amorim2.ªPrezado Correia da SilvaOntem fui surpreendido duplamente:- primeiro a velocidade da sua resposta;- depois a maneira como me respondeu.Para que compreenda melhor o "ataque" ao seu trabalho sobre o Zumbi, vou explicar-lhe as razões porque o fiz.O dia 20 de Novembro passou a ser, no Município do Rio de Janeiro, onde vivo, feriado da "Consciência Negra". Só no Rio. Porquê? Politiquice. Não tarda que seja elevado a feriado nacional. Não vai demorar, porque o voto dos negros é importante e os políticos que apoiarem a causa...Na segunda metade do século passado, com a evolução das idéias Abolicionistas, houve que criar uma mística sobre a luta dos escravos pela liberdade, e criou-se o mito de um Zumbi! O Zumbi transformou-se numa bandeira da luta contra a escravatura, com o que eu concordo inteiramente. Não há luta sem bandeira.Só que para enaltecer o Zumbi houve que denegrir a figura do Ganga Zumba, porque, quando não, seria o Zumbi o traidor! Ele que, pela continuação da luta, não permitiu que milhares de escravos tivessem recebido a sua carta de cidadania!A solução foi transformar um em traidor para que o outro não fosse sequer questionado.Pintaram-se quadros com o "retrato" do Zumbi, 200 anos depois de alguém ter visto "uma cabeça" cortada, e sobretudo, onde entra o segundo aspeto importante (para mim) do problema, o Brasil começava com isso a tentar justificar-se de ter ignorado ser um país escravista.Quando se tornou independente, o novo Império exótico, tropical, terra de papagaios, araras, índios com belíssimos cocares de penas, davam ao Imperador uma aura toda nova no meio das monarquias tradicionais.Os "brasileiros" muito nacionalistas trocaram os seus nomes, como Pereira, Costa, Marques, Silva, etc. por nomes indígenas: Tamandaré, Itararé, Paraguaçu, etc. para se "abrasileirarem" mais "profundamente".Nestas condições... e o preto? O preto continuou a ser coisa, res, e nem se podia conceber, Europa fora, que houvesse um Imperador... de escravos. Foi-se disfarçando, até que, quando não deu mais (o Brasil foi o último país a abolir a escravatura!) procurou-se alguma coisa que enaltecesse a sua figura.A seguir, primeira metade deste século que finda, as idéias comunistas apoiaram-se igualmente na republica dos Palmares, continuando a distorcer a história.O Brasil continua a ser um país com racismo. E muito! Vive mais respeitado um negro em Inglaterra do que no Brasil! É verdade.Daí a "Consciência Negra" continuar a sua luta, que eu apoio inteiramente. Continuo é a não encontrar razão para deixarem o Ganga Zumba como traidor, e por isso comecei a "minar" alguns setores radicais para, no princípio do ano, fazermos um "Julgamento do Ganga Zumba", que está pensado fazer-se numa sala de aulas do complexo social da Mangueira, reduto máximo dos dirigentes da Consciência Negra que, como a quase totalidade das pessoas que alguma vez ouviram falar do Ganga Zumba, simples e comodamente o aceitam como traidor!Bem diz um amigo meu, professor de Comunicação: o que está escrito é verdade, mesmo que seja uma grande mentira!O seu artigo veio mesmo a calhar para que eu "soltasse" na Internet o problema e começar a agitar algumas mentes!Quero com isto dizer que o seu artigo, que volto a repetir, está muito bem redigido, independente de eu concordar ou não com o que lá expressa, veio mesmo "a talho de foice" servir-me para dar o pontapé de saída ao problema.Aqui no Brasil, se isto seguir para diante, como espero, vai dar muito que falar, e quer o tribunal conclua que Ganga Zumba tenha sido ou não o que a história lhe chama, vai mexer, mais uma vez com os problemas da tal "Consciência Negra".O Brasil tem só dois heróis nacionais, reconhecidos, com direito a feriado, ambos com vidas de que se conhece muito pouco ou quase nada. Zumbi, com todas as controvérsias que expus, e Tiradentes.Tiradentes era um pobre diabo, alferes de 2ª linha, pobre, barbeiro-arrancador de dentes, que pouco teve a ver com a Inconfidência.Muito bem. Todos os outros, homens influentes sofreram penas menores, claro. Exílio, para Angola, dentro do próprio Brasil e pouco mais. José Joaquim da Silva Xavier, o miserável Tiradentes, serviu de bode-expiatório! Esquartejaram-no, expuseram as partes do seu corpo, etc. e virou herói nacional, símbolo da luta pela independência. Até aqui, tudo bem.Agora daí a representá-lo como um valoroso oficial do exército, lindão, todo bem fardado, quase cirurgião odontólogo, buco-maxilo-facial, um homem que sempre lutou contra o colonialismo... há uma distância intransponível.Como no Brasil o ódio, sim, o ódio contra os portugueses ainda faz parte do DNA da população, e parece não vir a ser desenraizado tão depressa (veja as "festas" das Comemorações dos 500 Anos!) o enaltecer das "virtudes" anti-colonialistas do Tiradentes continua a fazer parte dos programas escolares, provocando nas crianças este anti-portuguesismo que não se desenraíza com facilidade, e que parece estar incorporado já nos seus genes!O curioso é que o Brasil no meio de todas estas psicoses acabou criando dois heróis nacionais: um, Tiradentes. Acho bem, porque mais ou menos lutou pela formação e independência de um país. É, sim, nacional.Mas, e Zumbi? Não é um herói nacional. É sim o símbolo da luta pela liberdade, e nesse aspeto eu também estou inteiramente de acordo, porque o Brasil (teoricamente!) é um país livre. Ele não é como um George Washington, ou Thomaz Jeferson. Resumindo: o Brasil tem um herói branco - invasor - Tiradentes. Outro, preto - invasor também, mesmo que forçado - Zumbi.E como fica o índio? A terra era deles. Enaltecidos os seus cocares e artesanato no tempo do Império, acabaram esquecidos, miseráveis, etc. e não têm um único herói!

Não têm uma "bandeira" de luta. Não têm um dia nacional da "Consciência Indígena". Não têm coisa alguma. Nem futuro.Há qualquer coisa no meio de tudo isto que parece errado, fruto de oportunismos e falta de visão efetivamente nacional.Esta é a "briga" que eu vou "comprar" como por aqui dizem.Vou começar com o caso Ganga Zumba. Veremos como corre.Sem a Internet não teria a mínima condição para isso, mas agora é fácil em poucas horas fazer chegar a idéia a milhares e milhares de pessoas que se vão questionar sobre as "verdades da história"!

EDITAL DE CONVOCAÇÃO CONSELHO ESTADUAL DE PARTICIPAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA COMUNIDADE NEGRA

CONSELHO ESTADUAL DA COMUNIDADE NEGRA DE MINAS GERAIS DISCUTE PROCESSO DE RENOVAÇÃO DE SEUS MEMBRO PARA PERIODO DE 2009/2013
EDITAL DE CONVOCAÇÃO CONSELHO ESTADUAL DE PARTICIPAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA COMUNIDADE NEGRA
Reunião da Comissão Executiva - Mesa do Conselho de Participação e Integração da Comunidade Negra CCN/MG
Nos termos do caput do 7o e 4o do Decreto 28.071, convoco os Conselheiros Ronaldo Moreira de Araujo, Adolfo José do Nascimento, Sebastião José Soares, Dilce Ferreira de Oliveira, Marco Antônio Cabral, Horácio Costa Leite, membros da supracitada Comissão, para a reunião a ser realizada em 09 de dezembro de 2008, das 08h30min as 12h00minh, na Sala de Reuniões do Conselho em Belo Horizonte, com a finalidade de discutir, em reunião, proposta de projeto de Lei contendo artigo que cria o Fundo Estadual de Promoção da Igualdade Racial (conforme sugerido pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia ao votar o PL 2177/2008) para pôr em execução as políticas públicas que tenham como objetivo promover a igualdade de oportunidades e a inclusão social da população negra e dos demais segmentos étnicos minoritários de Minas Gerais, submetida ao Governador do Estado à deliberação e encaminhamento à Assembléia Legislativa do Estado de Minas, processo de renovação do CCN/MG para o período imediatamente subseqüente (2009/2013), indicando os nomes ao Governador do Estado à designação, e de discutir e votar proposições da Comissão.Sala de Reuniões do Conselho, 20 de novembro de 2008.
Williman estefany da Silva, Presidente.

Mapa da População Negra

Mapa da População Negra
Estudos Sociodemográficos e análises espaciais referentes aos municípios com a existência de comunidades remanescentes de Quilombos. Confira também o mapa da distribuição espacial da população segundo cor ou raça - Pretos e Pardos - 2000
Leia mais » - Veja a íntegra

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Obama: espelho para o Brasil



A vitória de Barack Obama me deixou em alegre êxtase, como as milhões de pessoas em todo o mundo. Pela primeira vez na vida senti vontade de ter nascido nos Estados Unidos - provavelmente, neste momento de quase-congraçamento universal, quase todos nós sejamos norte-americanos. Esta é a brilhante resposta do povo aos algozes de Martin Luther King e de gerações e mais gerações de afro-americanos. Porém, a felicidade não é cega: em pleno mês da consciência negra estou orgulhoso dos norte-americanos e envergonhado do Brasil. Ganhamos com Obama, entretanto, mais uma vez perdemos o bonde da História. Seguem alguns escassos exemplos.Um país com o Brasil, segunda maior nação negra do mundo, com metade da população sendo afrodescendente, mal tem representantes negros nos três Poderes, menos de 10% de deputados federais negros, e os Estados Unidos, com pouco mais de 12% de afro-americanos, agora elege um presidente. Nos EUA , Martin Luther King é lembrado em um feriado (nem mesmo o dia de eleição é feriado lá!). Aqui, o Dia da Consciência Negra, em memória ao martírio centenário de Zumbi dos Palmares, sequer é feriado nacional, e João Cândido, líder da Revolta da Chibata, ainda não teve seu nome inscrito no livro dos heróis nacionais. Quantos generais negros nós temos? Os Estados Unidos da América são um espelho sobre o racismo para o qual o Brasil não quer olhar.Tenho notado os diversos comentários de formadores de opinião brasileiros acerca da extraordinária vitória de Obama, os quais, em geral tangenciando a temática racial, tendem a evitar o fato de que a elite político-ideológica brasileira, com sua falaciosa tese da democracia racial, com sua lerda política de combate ao racismo, com seu programa incipiente de inclusão da população negra, muito pouco contribuiu para que metade de sua população se sentisse de fato cidadã, de fato brasileira.Como o Brasil dará certo, por mais que cresça economicamente, se as escolas ignoram a História e a participação crucial dos negros na formação desta nação? Há ideólogos que abusam do argumento da inexistência de raças, para tentar defender a não-aplicação de políticas afirmativas. Esse comportamento que alguns chamariam de hipócrita pode ser entendido como “cegueira colorida”, que é o comportamento de não querer enxergar diferenças socialmente construídas entre as pessoas, crendo-se que assim se estará evitando o racismo, o que não resolve o problema - preserva-o com força dissimulada.Não podemos aceitar inertes que, com a carapuça de opositores de um pretenso conflito racial decorrente da oficialização no Brasil da política de cotas para negros, alguns intelectuais tenham a mesma opinião tendenciosa do diretor da Ku Klux Klan, Thomas Robb, para quem Obama não seria negro, mas “mulato, metade branco”, como se uma das identidades excluísse a outra. Essa é uma mesma premissa para conclusões diferentes, porém ambas erradas: para o diretor da hedionda entidade racista, de que os EUA perderam com a política de cotas; e para os ideólogos brasileiros, de que o Brasil perderá com a política de cotas porque fixaria identidades raciais artificialmente.O Brasil foi o último país americano a abolir a escravidão, após séculos de lutas da população negra e seus aliados. Hoje estamos batalhando pela aprovação de políticas governamentais para a promoção da igualdade racial, estamos muito atrasados. Desde a independência da Índia as ações afirmativas são constitucionais; já nos anos 40 se discutiu a necessidade, no Brasil, de mecanismos para inclusão de negras e negros nas universidades e em determinados espaços laborais; na década de 60 os EUA enfrentaram a discussão e começaram o processo das cotas que, agora, no século XXI, criou o ambiente para que um presidente pudesse ser eleito sem que fosse julgado em função da cor da sua pele. 
O importante não foi o efeito individual das políticas afirmativas, mas o seu impacto na coletividade, que aumentou a presença de negros em espaços de poder, diversificou positivamente sua visibilidade junto à elite nacional.Quem elegeu Obama foi um Estados Unidos de várias matizes, de gente cujo olhar amadureceu após as cotas para negros, e não, como defendem alguns intelectuais brasileiros, um Estados Unidos que supostamente teria cansado dessas políticas. Se Obama foi reconhecido como um representante digno da diversidade estadunidense é porque se fez algo para que os cidadãos vissem diferentes pessoas em diferentes espaços, e não como ocorre no Brasil, de apenas reconhecerem negros de destaque nos esportes e nas artes — bom lembrar que há muito pouco tempo tivemos nossos primeiros ministros negros no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça.O racismo não acabou nos EUA, porém, não se enganem. Com esta eleição, os EUA perderam muito do status de bode expiatório para os patéticos discursos que relacionam a miscigenação racial brasileira à inadequação deste país à oficialização de políticas afirmativas voltadas às populações sócio-historicamente discriminadas. É um imperativo moral dos parlamentares aprovarem o Estatuto da Igualdade Racial e o projeto de lei para criação de cotas no ensino superior. A uniformização dessas políticas, hoje pulverizadas junto a dezenas de instituições, não resolverá tudo, no entanto é imprescindível para que o Brasil idealize menos e realize mais igualdade racial na prática.Um parêntesis final, de aplauso, para a vitória do piloto Lewis Hamilton no automobilismo, outro sinal vermelho para o Brasil, que também falha nos esportes de elite quando se trata da população negra, não por acaso a maioria da população pobre, da favelada, da carcerária. A nossa esperança não está mais no discurso laudatório ou na busca de heróis fora daqui, são outras nossas necessidades, e a responsabilidade é coletiva.

www.zedirceu.com.br

Jesus Jaques é psicólogo, mestre em Psicologia Social e do Trabalho. Foi assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas e coordenador do Centro de Convivência Negra da Universidade de Brasília.

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda. Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.
Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.

Jerusia Arruda" <jerusia@gmail.com>

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids amplia debate sobre prevenção

Com o slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, o Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira, 25/11, em Brasília, a campanha para o Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano. O foco da campanha são homens heterossexuais acima de 50 anos.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids é 1º de dezembro e em todos os municípios do país estão programadas ações que irão ampliar o debate sobre assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Gerência Regional de Saúde de Montes Claros, disponibilizou aos municípios do Norte de Minas preservativos e material informativo sobre a prevenção, que serão utilizados na campanha.
Para atender ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (GRAPPA), ao Movimento Gay das Gerais, com sede em Montes Claros, e para os profissionais do sexo da microrregional de Bocaiúva foram disponibilizadas 280 caixas de preservativos.
Os municípios da jurisdição da GRS-MOC estão preparando eventos como palestras, panfletagem e stands em locais públicos para distribuição de preservativos.

A Campanha
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do público-alvo da campanha desse ano se deu, principalmente, porque a incidência de aids praticamente dobrou nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 96 para 15,7% em 2006). Ao contrário do que muitos pensam as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, diferentemente da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação.
Segundo o MS, esse público nunca foi alvo de campanhas e os números mostram o quanto é importante conscientizar essa faixa etária sobre o uso da camisinha.
No carnaval, a campanha terá as mulheres acima de 50 anos como público-alvo.

Dia Mundial
O dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, passou a ser adotado, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.
O laço vermelho, símbolo da campanha, foi criado em 1991 pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da aids. O adereço foi escolhido pela sua associação ao sangue e à idéia de paixão e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.
O laço se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de prêmios e virou moda.

Quilombolas de Brejos dos Crioulos continuam ameaçados por milícias armadas


Luís Carlos Gusmão



"Quilombo, Quilombo não vive cansado!
É melhor morrer lutando do que ser escravizado!"
O grito de desabafo foi puxado por um remanescente quilombola na tarde da última quarta-feira, 26, na Câmara Municipal de Montes Claros, durante audiência pública realizada pela Relatoria Nacional para os Direitos Humanos à Alimentação Adequada e Terra Rural.
Despejos ilegais e esvaziamento de acampamentos por milícias armadas, lentidão do Incra e ação truculenta da Política Militar do Estado de Minas Gerais foram alguns dos problemas relatados pelos quilombolas. Além disso, existem dificuldades para trabalhar na pequena área "deixada" pelos latifundiários para os descendentes de escravos, burocracia estatal que parece não ter fim e ameaças de morte feitas por jagunços contratados.No Brejo dos Crioulos, situado nos municípios norte-mineiros de São João da Ponte, Verdelândia e Varzelândia, ocorrem freqüentemente disparos pequenos de armas de fogo contra essas populações tradicionais, mas também há disparos de quase 100 tiros de fazendas da região em direção a essas pessoas.
Veja AQUI a matéria completa da Arquidiocese de Montes Claros.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares




Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares,considerado o herói da resistência anti-escravagista.Tem se como data aproximada de seu nascimento o ano de,1655 no quilombo,sendo descendentes de guerreiros angolanos.C/pouca idade foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso entregue ao Padre Antonio Melo que o batizou com o nome de Francisco.Zumbi foge aos 15 anos,volta ao quilombo e muda o seu nome para Zumbi.Foi morto em 1695,por traição de um dos seus principais comandado Antônio Soares.ZUMBI Lutou durante mais de quinze anos pelos direitos de seus irmãos quilombolas.Os quilombos significam na língua banto "povoação" e funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de residência, pois abrigavam escravos fugidos das fazendas.No Brasil,o mais famoso foi o quilombo dos Palmares.Foi criado no final de 1590,na Serra da Barriga, em Alagoas e chegou a reunir quase 20 mil pessoas.Transformou-se em um estado autônomo,resistiu ao ataque dos holandeses,luso-brasileiros e bandeirantes paulistas e foi totalmente destruído em 1716.Zumbi vive!valeu Zumbi!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Seminário Estadual do CONNEB/RS


Seminário Estadual do CONNEB/RS

Dia: 13 de dezembro de 2008.
Local: SINDISERF/RS – Rua Bento Martins, 24 – 9 andar – Centro – Porto Alegre/RS.

Das 09 às 12 horas – Avaliação da II Marcha Zumbi dos Palmares. Reparações Já! 120 Anos da Abolição o que Mudou?

Das 14 às 18 horas – Seminário sobre os Temários da Assembléia Estadual do RS em janeiro de 2009, que elegera os Delegados(as) do RS para a III Assembléia Nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil-CONNEB, que acontecerá em janeiro de 2009, em Belém do Pará. Taxa de Inscrição R$ 5,00 (Cinco Reais). Com Certificado de Presença.

Informações: José Antonio: 51.91792404/53.99491618 – Luiz Mendes: 51.92053287

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

COTAS PARA NEGROS NAS EMPRESAS PRIVADAS



A Câmara analisa o Projeto de Lei 2697/07, do deputado Evandro Milhomen (PCdoB-AP), que institui cotas para trabalhadores afrodescendentes em empresas privadas. Pela proposta, as empresas com quadro superior a 20 empregados serão obrigadas a reservar 20% das vagas a pessoas que se autodeclaram negras e pardas, segundo os critérios raciais estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O objetivo do projeto é ampliar o acesso dos negros ao mercado de trabalho. O texto estabelece ainda que a demissão de empregados afrodescendentes será permitida apenas se houver contratação de substituto em condições semelhantes.
Avanços e dificuldades
Segundo o deputado, apesar dos avanços no combate à discriminação racial no Brasil, os negros ainda enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e sofrem com salários inferiores em relação aos brancos. "Embora constituam quase a metade dos trabalhadores brasileiros, os negros têm as maiores taxas de desemprego. Além disso, na maioria das capitais, a duração do desemprego é bem maior do que o tempo que os brancos ficam desempregados", afirma o parlamentar.
De acordo com o "mapa da população negra no mercado de trabalho no Brasil", um estudo publicado pelo Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR), a população negra constitui em média 41,7% da população economicamente ativa. O estudo foi realizado em seis regiões metropolitanas do País (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Recife e Distrito Federal). Evandro Milhomen afirma que, apesar de já existir uma conscientização das empresas em favor da diversidade racial, poucas organizações têm políticas claras de promoção de diversidade étnica.
Punições
Segundo o projeto, as empresas infratoras estarão sujeitas a multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador por vaga não preenchida, elevada em 50% em caso de reincidência. As empresas que não seguirem as cotas também poderão ser proibidas de obter empréstimo ou financiamento em bancos públicos.
O projeto atribui ao Ministério do Trabalho a competência para fiscalização, avaliação e controle das empresas em relação ao cumprimento da lei.
Tramitação
A proposta será analisada pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte - Câmara Federal

quarta-feira, 19 de novembro de 2008






















20 de novembro dia da Consciência Negra .

Você sabia que 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.


Você sabia que 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.
De acordo com Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), este ano 350 cidades do país devem aderir à comemoração.
A data lembra a morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, que foi assassinado em 1695.
Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 10.639 que incoporava a comemoração ao calendário escolar brasileiro, mas a decisão sobre ser feriado ou não é municipal.
O Rio de Janeiro foi o primeiro município do país a decretar o Dia da Consciência Negra como feriado, em 1999. No ano de 2002, a data passou a ser feriado estadual. Na cidade de São Paulo, o feriado existe desde 2004,em Montes Claros esse é o primeiro ano(2008).

Conheça a lista dos municípios que comemoram com feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro


Conheça a lista dos municípios que comemoram com feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro
13/11/2008 - 13:19
AL União dos Palmares AL Alagoas AL Maceio AM Manaus BA Itaparica CE Ceará GO Flores de Goiás GO Santo Antonio do Descoberto GO Goiânia MG Alem Paraiba MG Itapecerica MG Parauba MG Juiz de Fora MG Montes Claros MS Mato Grosso do Sul MT Mato Grosso MT Acorizal MT Água Boa MT Alta Floresta MT Alto araguaia MT Alto da Boa Vista MT Alto Garças MT Alto Paraguai MT Alto Taquari MT Apiacas MT Araguaiana MT Araguainha MT Araputanga MT Arenápolis MT Aripuana MT Barão de Melgaco MT Barra do Bugres MT Barra dos Garças MT Bom Jesus do Araguaia MT Brasnorte MT Cáceres MT Campinápolis MT Campo Novo do Parecis MT Campo Verde MT Campos de Júlio MT Cana Brava do Norte MT Canarana MT Carlinda MT Castanheira MT Chapada dos Guimarães MT Claudia MT Cocalinho MT Colider MT Colniza MT Comodoro MT Confresa MT Conquista D'Oeste MT Cotriguaçu MT Cuiabá MT Curvelândia MT Denise MT Diamantino MT Dom Aquino MT Feliz Natal MT Figueirópolis d´Oeste MT Gaúcha do Norte MT General Carneiro MT Glória D'Oeste MT Guarantã do Norte MT Guirantã MT Guiratinga MT Indiavaí MT Ipiranga do Norte MT Itanhangá MT Itaúba MT ItiquiraMT Jaciara MT Jangada MT Jauru MT Juara MT Juína MT Juruena MT Juscimeira MT Lambari d´Oeste MT Lucas do Rio Verde MT Luciara MT Marcelândia MT Matupá MT Mirassol d´Oeste MT Nobres MT Nortelândia MT Nossa Senhora do Livramento MT Nova Bandeirantes MT Nova Brasilândia MT Nova Canaã do Norte MT Nova Guarita MT Nova Lacerda MT Nova Marilândia MT Nova Maringá MT Nova Monte Verde MT Nova Mutum MT Nova Nazaré MT Nova Olímpia MT Nova Ubiratã MT Nova Xavantina MT Novo Horizonte do Norte MT Novo Mundo MT Novo Santo Antônio MT Novo São Joaquim MT Paranaitá MT Paranatinga MT Pedra Preta MT Peixoto de Azevedo MT Planalto da Serra MT Poconé MT Pontal do Araguaia MT Ponte Branca MT Pontes e Lacerda MT Porto Alegre do Norte MT Porto dos Gaúchos MT Porto Esperidião MT Porto Estrela MT Poxoréo MT Primavera do Leste MT Querência MT Reserva do Cabacal MT Ribeirão Cascalheira MT Ribeirãozinho MT Rio Branco MT Rondolândia MT Rondonópolis MT Rosário Oeste MT Salto do Céu MT Santa Carmem MT Santa Cruz do Xingu MT Santa Rita do Trivelato MT Santa Terezinha MT Santo Afonso MT Santo Antônio do Leste MT Santo Antônio do Leverger MT São Félix do Araguaia MT São José do Povo MT São José do Rio Claro MT São José do Xingu MT São José dos Quatro Marcos MT São Pedro da Cipa MT Sapezal MT Serra Nova Dourada MT Sinop MT Sorriso MT Tabaporã MT Tangará da Serra MT Tapurah MT Terra Nova do Norte MT Tesouro MT Torixoreu MT União do Sul MT Vale de São Domingos MT Várzea Grande MT Vera MT Vila Bela da Santíssima Trindade MT Vila Rica PA Marabá PA Nova Ipixuna PA São Félix do Xingu PB João Pessoa PB Dona Inês PE Macaparaná RJ Rio de Janeiro RJ Angra dos Reis RJ Aperibe RJ Araruama RJ Areal RJ Armação dos Búzios RJ Arraial do Cabo RJ Barra do Piraí RJ Barra Mansa RJ Belford Roxo RJ Bom Jardim RJ Bom Jesus do Itabapoana RJ Cabo Frio RJ Cachoeiras de MacacuRJ Cachoeiras de Macau RJ Cambuci RJ Campos dos Goytacazes RJ Cantagalo RJ Carapebus RJ Cardoso Moreira RJ Carmo RJ Casimiro de Abreu RJ Comendados Levy Gasparian RJ Conceição de Macabu RJ Cordeiro RJ Duas Barras RJ Duque de Caxias RJ Engenheiro Paulo de Frontin RJ Guapimirim RJ Iguaba Grande RJ Itaboraí RJ Itaguaí RJ Italva RJ Itaocara RJ Itaperuna RJ Itatiaia RJ Japeri RJ Laje do Muriaé RJ Macaé RJ Macuco RJ Magé RJ Mangaratiba RJ Maricá RJ Mendes RJ Mesquita RJ Miguel Pereira RJ Miracema RJ Natividade RJ Nilópolis RJ Niterói RJ Nova Friburgo RJ Nova Iguaçu RJ Paracambi RJ Paraíba do Sul RJ Parati RJ Paty dos Alferes RJ Petrópolis RJ Pinheiral RJ Piraí RJ Porciuncula RJ Porto Real RJ Quatis RJ Queimados RJ Quissama RJ Resende RJ Rio Bonito RJ Rio Claro RJ Rio das Flores RJ Rio das Ostras RJ Rio de Janeiro RJ Santa Maria Madalena RJ Santo Antônio de Pádua RJ São Fidélis RJ São Francisco de Itabapoana RJ São Gonçalo RJ São João da Barra RJ São João de Meriti RJ São José de Ubá RJ São José do Vale do Rio Preto RJ São Pedro da Aldeia RJ São Sebastião do Alto RJ Sapucaia RJ Saquarema RJ Seropédica RJ Silva Jardim RJ Sumidouro RJ Tanguá RJ Teresópolis RJ Trajano de Morais RJ Três Rios RJ Valença RJ Varre-Sai RJ Vassouras RO Vilhena RS Porto Alegre RS Pelotas SC Florianópolis SE Pacatuba SE Jáparatuba SP Altinópolis SP Americo Brasiliense SP Amparo SP Araçatuba SP Araraquara SP Assis SP Aruja SP Auriflama SP Barrinha SP Barueri SP Bento de Abreu SP Borborema SP Brauna SP BuriSP Cabreúva SP Cachoeira Paulista SP Campinas SP Candido Mota SP Campos do Jordão SP Caraguatetuba SP Colômbia SP Cordeiropois SP Diadema SP Embu SP Embu das Artes SP Embu-Guaçu SP Florida Paulista SP Franca SP Francisco Morato SP Franco da Rocha SP Guaira SP Guapiara SP Guarani D'Oeste SP Guariba SP Guarulhos SP Hortolândia SP Iaras SP Icem SP Ilhabela SP Ipeuna SP Itapacerica da Serra SP Itapeva SP Itapevi SP Itirapina SP Itararé SP Itu SP Jandira SP Jaguariúna SP JudiaíSP Juquitiba SP Lajes SP Leme SP Limeira SP Maririnque SP Mauá SP Mococa SP Nipoa SP Nova Guaraporanga SP Palmital SP Paraiso SP Pedregulho SP Pedreira SP Porto Feliz SP Pirapora do Bom Jesus SP Pradopólis SP Queiroz SP Restinga SP Riberião Branco SP Piracicaba SP Ribeirão Pires SP Ribeirão Preto SP Rincão SP Rio Claro SP Rio das Pedras SP Rio Grande da Serra SP Riolândia SP Riversul SP Roseira SP Santa Rosa de Viterbo SP Santa Barbara d' Oeste SP Santo André SP Santopolis do Aguapei SP Santos SP São Joao da Boa Vista SP São Lourenço da Serra SP São Jose da Bela Vista SP São Caetano do Sul SP São Paulo SP São Roque SP São Simão SP São Vicente SP Serra Negra SP Sorocaba SP Sud Menucci SP Sumaré SP Tapirai SP 
ValinhosTO Miracema do Tocatins

No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades.

No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra e a data é feriado em algumas cidades. Conheça a programação de algumas capitais que aderiram ao feriado:
Rio de JaneiroOs eventos acontecem na Praça XV, no centro, e começam às 14h com shows de Noca da Portela, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara e Neguinho da Beija-Flor.
Às 16h haverá o lançamento do Projeto Memória da Fundação Banco do Brasil - "João Cândido, a luta pelos direitos humanos".
Às 17h será inaugurada a Estátua de João Cândido, líder das Revolta da Chibata de 1910, criada pelo artista plástico Walter Brito.
O encarramento da festa fica por conta dos shows de João Bosco e Martinho da Vila, às 19h30.
São PauloO Fórum Estadual de Entidades Negras promove a Marcha da Consciência Negra, com ponto de partida no MASP, na Avenida Paulista.
Na Praça da Sé, os eventos começam a partir das 9h com um missa afro e encontro de Congadas. Alémd isso, haverá um palcocom shows dos artistas: Rita Ribeiro, Jussara Silveira, Teresa Cristina, Fabiana Cozza, Banda Black Rio, Seu Jorge, Paula Lima e DJs nacionais e internacionais.
SalvadorNa capital acontece a XXIX Marcha Zumbi dos Palmares, produzida pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN). A caminhada tem saída às 15h da Praça do Campo Grande em direção à Praça Municipal.
FlorianópolisA cidade organiza uma série de atividades no Largo da Alfândega, no Centro, até sábado (22).
Belo HorizonteA programação cultura, promovida pela Fundação Municipal de Cultura, terá exibições de vídeos, exposições e palestras, além de debates e contação de histórias.
A programação, que vai até dia 26, será em diversos espaços culturais da cidade.


FERIADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Sindicato pelego apóia desobediência patronal


FERIADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA - Sindicato pelego apóia desobediência patronal
É inaceitável o conluio feito entre os sindicatos de empregados e patrões do comércio varejista de Montes Claros.
Ao invés de agir na prática como representante dos trabalhadores, o Sindicato dos Empregados no Comércio faz eco aos interesses dos empresários e se coloca contra o feriado do dia 20 de novembro (quinta-feira), instituído como o Dia Municipal da Consciência Negra.
Ao apoiar a desobediência e o desrespeito à lei por parte dos comerciantes, que decidiram abrir as lojas no dia, o sindicato joga contra àqueles que deveria defender.
Cabe a pergunta: qual será a posição da entidade caso os patrões resolvam punir os empregados que não comparecerem para trabalhar?
Sim, porque como a data é um feriado oficial, o empregado não é obrigado a trabalhar.
Causa mais estranheza ainda o fato de o representante dos comerciários, Osanan Santos, ser um afro-descendente.
Não custa lembrar que a instituição da data é uma forma de fazer com que as pessoas reflitam sobre a importância de se garantir a igualdade racial. E, ao contrário do que dizem empresários e seus porta-vozes da imprensa, que só pensam no próprio umbigo, não causaria nenhum efeito colocar o Dia Municipal da Consciência Negra num domingo.
A medida apenas preservaria os interesses, muitas vezes escusos, de uma gente que pensa exclusivamente no lucro, não estando nem um pouco interessada na promoção da cidadania.
Essa classe, egoísta e representante do mais selvagem capitalismo, ganha, agora, o apoio de dirigentes sindicais pelegos. Lamentável!
Acesse o blog http://www.luiscarlosgusmao.blogspot.com/ e mande comentários.



terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os profissionais não-negros ganham quase o dobro em relação ao rendimento dos negros

Os profissionais não-negros ganham quase o dobro em relação ao rendimento dos negros na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com o boletim "Os negros no mercado de trabalho", realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Fundação Seade, em 2007, o rendimento médio por hora entre negros correspondia a R$ 4,36, enquanto o de não-negros era de R$ 7,98. Isso representa uma diferença de 83%.


Além disso, do total de desempregados da capital no período analisado, 42,9% eram negros, sendo que a população economicamente ativa negra era de 3,678 milhões de pessoas em 2007, o que representa 36,1% da força de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo no período. A coordenadora do estudo, Patrícia Lino Costa, destaca que a inserção dos negros no mercado de trabalho é desfavorável. Segundo ela, a distribuição da massa de rendimentos sintetiza esse quadro: os negros apropriam-se de 23,1% do total da massa e os não-negros, de 76,9%, analisada.
A presença dos negros é predominante nos segmentos produtivos que oferecem postos de trabalho com menores exigências de qualificação profissional, menores remunerações e, com freqüência, condições de trabalho mais desfavoráveis. Em 2007, a construção civil, setor tipicamente masculino, absorvia 13,6% dos homens negros ocupados e 6,5% dos não-negros. Já o de serviços domésticos, tipicamente feminino, empregava 26,4% das ocupadas negras e 11,9% das não-negras.
Os negros estão mais presentes nas tarefas de execução semiqualificadas e, principalmente, não qualificadas. Do total de não-negros ocupados, 18,2% fazem parte dos cargos de direção, gerência e planejamento, enquanto apenas 4,8% dos negros estão empregados nesse setor.
No que diz respeito à jornada de trabalho, em 2007, os negros cumpriam carga horária maior. Os assalariados negros trabalhavam, em média, 44 horas semanais, duas a mais do que os não-negros. As assalariadas negras exerciam jornada semanal de 41 horas, uma a mais do que as não-negras.
Escolaridade
Na avaliação de Patrícia, o nível de escolaridade alcançado por negros e não-negros explica a diferença dos índices de ocupação e rendimento. Nas faixas que incluem as pessoas não-alfabetizadas até as que possuem o ensino médio incompleto estavam classificados 58,5% dos ocupados negros e 37,6% dos não-negros. Já nas que consideram do ensino médio completo até o superior completo, estavam 41,5% dos ocupados negros e 62,4% dos não-negros. Ela também destaca que os negros entram no mercado de trabalho mais cedo.

Menos Preconceito!





Muito já se escreveu sobre a vitória de Obama nas eleições americanas e mais ainda vai se escrever... Mesmo assim, não posso ficar calada, pois minha emoção me leva a querer dizer, bem alto, como estou feliz com tudo isto! Na verdade, embora torcesse para que fosse assim, tinha minhas dúvidas de que acabasse sendo.
Morei nos Estados Unidos nos anos 60, como bolsista do AFS, durante um ano, quando freqüentei o último ano de High-School. Foi uma experiência marcante em minha vida, pois me instigou a pensar por mim mesma, me concedeu uma distância necessária de minha família protecionista, de meu país, para que pudesse sentir que podia contar comigo mesma, que valia a minha força interior. Enfim, tenho uma ENORME dívida de gratidão com este povo que tão carinhosamente me acolheu, que me permitiu vislumbrar um mundo bem mais amplo, novas idéias, uma forma mais liberal do jovem viver, um desenvolvimento tecnológico muito maior, na época, um país de pessoas com um sentido mais avançado de cooperação, de cidadania. Mas, embora fosse muito bem tratada por cada um, nunca me senti parte daquele grupo – representava para eles uma brasileira sempre e não fazia parte do mundo deles, completamente. Isto era muito incômodo, mas não tão claro para mim, como ficou quando fui amadurecendo.Vim a compreender que eu era querida, mas era sempre uma latina... Alguém diferente, exótico, que não poderia caber naquele grupo sem causar algum mal estar.
Muitos anos já se passaram, continuo os amando da mesma forma, porque os compreendi, mas sempre quis que tudo fosse diferente, pois discriminação dói e eu sabia ser uma bobagem, desde quando no fundo sempre fomos muito afins. Tínhamos idéias e sonhos semelhantes, como até hoje, quando minha irmã americana me revelou, que embora seja a família Republicana, votara num Democarata e tinha ido a Chicago para estar entre os que ouviam o primeiro discurso de Obama, depois que foi declarado Presidente eleito. A família está empolgada, cheia de esperança de que mudanças importantes aconteçam.
Assistir à eleição de um negro, com esposa negra, filhas negras, Presidente deste mesmo povo, parecia-me um sonho quase impossível... a não ser, me dizia, se isto fosse a vontade de Deus, pois pra Ele, nada é impossível e não existem obstáculos que não possam ser vencidos. E não deu outra! Que bom, que virada, que bela porta se abre, agora, na consciência de tantos, que lindo degrau se subiu, que símbolo forte surgiu, para todo o mundo, comprovando que Somos Todos Um! Que alívio estou sentindo, quanto já chorei de alegria, quanto já vibrei!
Mas tenho a consciência de que todos nós, que trabalhamos pela Luz, precisamos orar muito, pedindo o fortalecimento de Obama, proteção, sabedoria, para que ele possa aproveitar a oportunidade que está tendo de trazer mudanças substanciais para todo o mundo. Muita cautela com o orgulho, com a vaidade, para que não se perca, para que continue trilhando um caminho amparado por Deus.
Pai, já era tempo de algum sinal marcante de Sua presença acontecer e, por favor, eu lhe rogo, não deixe este momento se perder!
COMPANHEIR@S,A Comunidade Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango está fazendo campanha para que no 20 de Novembro, cruzemos os braços em protesto. Abaixo segue texto recebido pelo CENARAB.Parabéns pela iniciativa e vamos engrossar a fileira desta iniciativa.Abraços,Makota Celinha Coordenadora do CENARABPARALIZAÇÂO DOS ESTUDANTES NO 20 DE NOVEMBRO
A comunidade Tradicional de Terreiro de Candomblé Manzo Ngunzu Kaiango tomou uma iniciativa que precisa ser comentada.
A comunidade abriga com recursos próprios do terreiro um projeto chamado Kizomba, que recebe + ou - 70 crianças,e jovens do bairro Stª Efigenia.
Este ano tomoram a seguinte inciativa referente ao 20 de Novembro:
Como as escolas não estão cumprindo seu papel em relação a lei 10.639/03 e a cidade de Belo Horizonte também não tem feriado no dia 20 de novembro,as crianças e jovens da comunidade não vão a escola no dia 20 de novembro.
PARALIZAÇÃO DOS ESTUDANTES em PROTESTO ao não Cumprimento da LEI 10.639/03 e o Não respeito ao 20 de novembro.(Relato da Makota Kidoiale)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Barack Obama





Barack Obama
Aqui, a vitória negra não acabou em festa

Roquildes Ramos Silveira *


Barack Hussein Obama, 44º Presidente eleito para governar os Estados Unidos. Quem de nós ainda duvida de sua origem negra ? Pois é, ele é o primeiro negro na história dessa nação a ocupar o cargo mais importante para o mundo . A Presidência dos Estados Unidos.
O mundo está festejando, e nós o que estamos fazendo? Vários países , principalmente , do continente da África, estão em festa comemorando esse fato histórico , pois , no campo da simbologia reacende possibilidades propositivas para a humanidade , contrário , portanto ao autoritarismo político , econômico e militar , marcas impositivas de governabilidade entre os Estados Unidos e o restante do mundo .
E para nós brasileiros (negros e negras) que importância tem para a nossa nação a eleição de Barack Hussein Obama, em que aspecto será para nós positiva? Esta resposta, analisando todos os ângulos e dimensão, não deverá ser manifestada de forma apressada, logo, inconseqüente, haja vista que no Brasil, apesar do seu recente fortalecimento econômico, ainda, é um país considerado emergente em desenvolvimento e dependente das políticas econômicas Estadunidenses. Contudo, não há como negar que o fato em si representa um acontecimento extraordinário, acalentando a esperança do respeito aos Direitos Humanos, ente outros Direitos e Garantias Fundamentais, e a Soberania das demais nações.
Aqui entre nós, que durante muito tempo vivemos numa condição legitimada de escravidão, que ainda hoje assiste a perpetuação dos efeitos dessa escravidão é um choque acreditar que um dia isso fosse possível, pois, ao contrário desse acontecimento histórico, o Brasil está longe de ser uma possibilidade real de acessão no mundo da política, da economia, quanto mais um negro vir a chegar à Presidência da República.
Na verdade, as condições para a população negra em geral são péssimas (com ressalva as conquistas pessoais). Sendo assim, os negros e negras brasileiras raramente ocupam e ocuparão um espaço na classe privilegiada do Poder, seja na administração pública ou privada. Em pleno século XXI, no Brasil a condição da população negra se restringe ao patrimônio maldito herdado da escravidão. Vivemos na extrema pobreza, no "mercado informal" (a mendicância, a prostituição, a exploração infantil, o emprego desqualificado etc), além disso, nos é imposto pelo neoliberalismo (com fachada de esquerda) uma estrutura educacional degenerada com o objetivo maior (não declarado) de perpetuar o analfabetismo e, conseqüentemente, a marginalização da raça. Este sistema nos impõe como políticas públicas habitacionais as cadeias e penitenciárias (para os jovens e adultos), os asilos (para os velhos), os orfanatos (para as crianças), os manicômios (para os desajustados) tem sido os nossos lugar; construções da modernidade para o controle demográfico do excedente de cor. Conclui-se que apesar de todo avanço alcançado, digo, a "democracia", os descendentes privilegiados da colonização brasileira ainda vêem os desdentes da escravidão como espúrias necessárias para a acumulação de riquezas.
Diante dessa realidade , precisamos refletir amiúde acerca do futuro do Brasil porque é o segundo maior país em população negra do mundo e vivemos, com algumas mudanças aparentes , no que concerne a nossa estética e cultura , como no dia seguinte da " Abolição ", sem Poder . As favelas a cada dia se multiplicam, os números de negros e negras sobrevivendo da criminalidade e da prostituição tem aumentado geograficamente. Tal situação não é diferente no governo da "Bahia de Todos Nós ". A cada momento vê-se essa consolidação do modelo opressor e degenerativo de grande parte de nossa população sem que nada de concreto seja implementado, a não ser o discurso em nome da "governabilidade", leia-se, deixar tudo como está para não contrariar os interesses econômicos das elites .
O atual Governo não se diferencia dos outros governantes de outrora, pois, como se tem visto não existe proposta séria para a educação pública, nem para a saúde (apesar dos avanços tímidos), tampouco para a economia e o combate ao desemprego que, segundo dados estatísticos, afetam diretamente a condição humana da população negra.
Nota-se então que os negros e negras sempre tiveram um lugar que lhe é reservado (por isso, no modelo atual capitalista nunca estivemos excluídos, ao revés), qual seja, rir, segurar a bandeira da esquerda e aplaudir os governantes, entre tantas outras funções que temos executado para ganhamos o pão de cada dia. Fora isso, quantos dos que "comeram poeira" junto com o atual Governador foram chamados para ocupar postos de destaques e de confiança?
Sendo assim , em que medida podemos afirmar que a vitória do negro Barack é nossa vitória ? Infelizmente , muito pouco . A repercussão parece ter sido tímida . A prova disso, que por não estarmos organizados política e economicamente não saímos para comemorar . As nossas ruas não foram ocupadas pelos blocos , nem pelo frevo , muito menos , o sambódromo anunciou a festa que o nosso Planeta preparou para o nosso Povo , nem mesmo os Terreiros de culto Afro rufaram seus tambores dando as boas novas . Enquanto isso , Barack Hussein Obama triunfantemente "fez" com que povos diversos saíssem às ruas celebrando, se abraçando e chorando de felicidade .
A forte influência das teorias marxistas, entre outras, que ajudaram a fundar as bases ideológicas dos movimentos sociais, na América Latina na formação de algumas lideranças do movimento negro, talvez, seja uma das explicações para a nossa tímida reação. Historicamente aprendemos que para sermos conscientes devemos negar tudo que seja produzido pela "América", portanto, tendemos a fazer uma analise de que os negros dos Estados Unidos são tão-somente capitalistas e, não são diferentes de tantos outros.
Então se entende porque não estamos em festa , porque sem poder político e econômico , o que nos resta como possibilidade é ser atores coadjuvantes , figurantes no " teatro " do "Brasil de Todos " e na "Bahia de Todos Nós ". Importante lembrar que recentemente saímos de uma eleição e poucos , entre nós , votamos num candidato para vereador ou vereadora por serem negros (e ainda assim , nos orgulhamos da nossa pele , do nosso cabelo e da nossa consciência ).
Para que um dia seja possível viver a possibilidade real e concreta de construímos um projeto revolucionário e libertário para o povo negro e para a nossa sociedade, é preciso que nós negros e negras nos unamos e tomemos em nossas mãos a responsabilidade de materializar este projeto, pois, para que o sonho de Martin Luther King se tornasse possível foi necessário muito mais que cotas (indispensáveis ainda entre nós). Fora a determinação de um povo, revestida de muita disciplina que fez do sonho dele, entre tantos outros, como Malcolm X, que incansavelmente lutaram dando a própria vida para que um dia os direitos políticos e econômicos tivessem ao alcance de todos.

Precisamos refletir que herança estamos semeando, pensar nas futuras gerações. É preciso mudar. Deixar de colher e acolher as "migalhas" do banquete dos poderosos.

Roquildes Ramos Silveira

Estudante de Direito – Para a Disciplina de Direito Econômico . Prof. Deraldo Dias . Coordenador Geral do Sindicato dos 
Servidores Penitenciários da Bahia e do Núcleo Makota Veldina de Estudantes Negros da UCsal.

ogumder@hotmail.com.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Lei nº 3.897, de 27 de dezembro de 2007



Município de Montes Claros Procuradoria Jurídica Lei nº 3.897, de 27 de dezembro de 2007.Institui como feriado Municipal o dia 20 de novembro “Dia da Consciência Negra”, e da outras providências.O povo do município de Montes Claros- MG, por seus representantes na Câmara Municipal, aprovou e o prefeito municipal, em seu nome, sanciona a seguinte lei:
Art. 1- Fica instituído o dia 20 de novembro, “Dia da Consciência Negra”, como feriado Municipal neste Município de Montes Claros –MG 
.Art. 2- A prefeitura Municipal de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, promoverá, na rede Municipal de ensino, atividades referente ao tema, fazendo- as constar da programação oficial anual da Semana da “Consciência Negra”, consoantes o estabelecido pela lei municipal 2.597 de 15 de junho de 1998.
Art. 3- Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições contrárias.Município de Montes Claros, 27 de Dezembro de 2007.


Athos Avelino Pereira Prefeito de Montes Claros - MG