sexta-feira, 20 de março de 2009

Dos nossos estudos temos que a palavra capoeira não é africana


A CAPOEIRA

Dos nossos estudos temos que a palavra capoeira não é africana. Ela vem do tupi kapu’era e possui dois significados. Designa tanto mato ralo ou roçado, como a gaiola onde eram transportados pequenos animais.
Vale lembrar que a capoeira era praticada como luta por negros escravos em busca da liberdade e não se pode deixar de observar que o jogo da capoeira não existe e nem é praticada em terras africanas. É comum dividir a história em três períodos: escravidão, marginalidade e ensino nas academias.
Escravidão: a capoeira, uma forma de luta teria se disfarçado em dança para iludir e contornar a proibição de sua prática por parte de brancos feitores e senhores de engenho.
Marginalidade: após a abolição da escravatura, em 1888, ex-escravos capoeiristas não teriam encontrado lugar na sociedade e caíram na marginalidade, levando consigo a capoeira que acabou proibida por lei.
Ensino nas academias: na década de trinta foi revogada a lei que proibia a prática e abriram-se as primeiras academias em Salvador: a capoeira saiu das ruas - e da marginalidade - e começou a ser ensinada e praticada em recintos fechados.
A capoeira é uma luta atlética, de destreza, baseada em esquivas (aos lutadores é vedado segurar ou bloquear qualquer golpe), cuja finalidade é derrubar o adversário pelo desequilíbrio. Surgiu no Brasil presumivelmente no século XVI, entre os descendentes de escravos bantos procedentes de Angola. O acompanhamento musical, usado ainda hoje na capoeira, teria servido para mascarar as verdadeiras intenções dos escravos: exercitar-se para enfrentar, em época oportuna, o braço armado do branco.
Alvo de constantes perseguições policiais por todo o país até as primeiras décadas do século XX, a capoeira sobreviveu a todas as restrições e passou a despertar progressivo interesse de instituições esportivas e de aficionados de todas as classes sociais. 
Em 1973 institucionalizou-se como prática desportiva regulamentada.
As competições de capoeira se realizam em quatro modalidades: individual, duplas, conjunto e equipes. Os golpes desferidos pelos lutadores, também ditos jogadores ou atletas, se classificam em três grupos: os livremente permitidos, os permitidos sob controle e os proibidos. A luta tem início quando a bateria, como são chamados aqueles que tocam os instrumentos, assim o sinaliza. O som de instrumentos de percussão, entre os quais predomina o berimbau, e das palmas ritmadas dos circunstantes pontua ritmicamente toda a luta. Para o bom desenvolvimento do atleta e a correta prática do esporte é essencial: a técnica, a defesa, a eficiência, a objetividade, a resistência, a aplicação de golpes, a vestimenta, o ritual, o ritmo, os toques e cânticos. Suas variáveis são: a angola e a regional.

CAPOEIRA ANGOLA

A capoeira de angola nasceu na senzala, nasceu do desejo de liberdade e da consciência de que manter o corpo forte ajudaria a manter a mente sã. Nasceu mesclada ao candomblé e como ele, desde cedo, foi cercada de segredo. O segredo não existe para, depois da revelação, se reduzir a um conteúdo de informação. O segredo é a dinâmica de comunicação, de redistribuição de axé, de existência e vigor das regras do jogo. A luta não é a violência ou a força que entram em jogo, mas as artimanhas, a astúcia, a coragem e o poder de realização (axé) implicados. Na capoeira angola o ritual do batismo é muito importante, pois marca o momento em que o aluno passa a ser “integrante do grupo”. Adquire assim, o dever de proteger o grupo e direito de ser protegidos por ele. Na angola, todos são irmãos e não se admite sentimentos de inveja ou de depreciação. O atleta mais fraco fica feliz de saber que terá a seu lado alguém mais forte e capaz, pois significa proteção. Por outro, o mais forte é imbuído de sentimentos protecionistas para com os outros e considera sua responsabilidade ensinar e auxiliar os demais membros da comunidade. As brigas e rusgas entre jogadores são rápidas e superficiais e invariavelmente terminam em risadas e gozações.
O batismo é dividido em duas partes: secreta e pública. A secreta acontece, normalmente dentro da academia, sem a presença de público. Participam somente aqueles que serão batizados. A parte pública acontece com a presença do público em geral. Nela o aluno joga com um mestre convidado que será seu padrinho. Ele tem o objetivo de derrubar o atleta no chão. Assim que isto acontece, o padrinho o puxa o afilhado pela mão colocando-o rapidamente em pé (em uma alusão de que a partir daquele momento o grupo sempre o levantará), coloca em sua cintura o cordel e diz a todos o seu “apelido” (alcunha pela qual passará a ser reconhecido a partir daquele momento). Este apelido é escolhido anteriormente e leva em consideração características pessoais do atleta. Na angola, os capoeiras se vestem de branco (o abada), resquício da época onde o capoeira para provar ser bom, entrava e saía da roda com a roupa impecavelmente limpa. O jogo é rasteiro, lento mas não menos preciso ou mortal. Os atletas ficam agachados, quietos, esperando sua vez de jogar. “O segredo da capoeira morre comigo e com muitos outros mestres” - dizia Mestre Pastinha, que foi o maior nome da capoeira angola, somente igualado por Mestre Besouro, figura mito da capoeira de angola, morto aos vinte e sete anos de idade e cantado até hoje em rodas de todo o Brasil. “Nossos movimentos não tem pressa de chegar, mas quando chegam é de forma harmoniosa. É um diálogo de corpos. Eu venço quando meu parceiro não tem mais respostas para minhas perguntas” - Mestre Pastinha. O maior nome da capoeira angola é Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, que nasceu no dia 05/04/1899 em Salvador e faleceu no Pelourinho em 1981.

MESTRE JOÃO GRANDE E MESTRE JOÃO PEQUENO, GUARDIÕES OFICIAIS DA CAPOEIRA ANGOLA


CAPOEIRA REGIONAL

A capoeira regional é uma roda alegre onde os capoeiras aguardam sua vez de jogar batendo palmas ao ritmo da música. Os regionais mantêm o corpo mais ereto e desferem golpes mais velozes e com maior quantidade de saltos. Sua origem é diversa da de angola. A história da capoeira regional é a história de como o crime se tornou esporte. De 1890 a 1937, a capoeira foi considerada crime previsto pelo Código Penal da República. Simples exercícios na rua davam até 6 meses de prisão. Diziam que um dos castigos que davam a capoeiristas que fossem pegos brigando era amarrar um dos punhos num rabo de cavalo e outro em outro cavalo. Os dois eram soltos e postos para correm em disparada até o quartel, sendo que isso já havia causado algumas mortes. A situação de perseguição dura até a década de trinta, quando começa a ser ensinada em academias. Foi para reverter esse quadro que o baiano Manoel dos Reis Machado, um angoleiro forte e valente conhecido como Mestre Bimba, inventou uma nova capoeira. Teve o cuidado de tirar a palavra do nome da academia que fundou em 1932 em Salvador, o “Centro de Cultura Física e Luta Regional”. Filho de um campeão de batuque, uma espécie de luta-livre comum na Bahia do século XIX, juntou técnicas de boxe e do jiu-jitsu e criou um método de ensino. Para fugir de qualquer pista que lembrasse a origem marginalizada da capoeira, mudou alguns movimentos, eliminou a malícia da postura do capoeirista, colocando-o de pé. Criou um código de ética rígido que exigia até higiene. Estabeleceu uniforme branco e se meteu até na vida privada de seus alunos. “Para treinar com meu pai era preciso provar que estava trabalhando ou mostrar o boletim do colégio” - conta Demerval dos Santos Machado, conhecido como “Formiga” nas rodas de capoeira e organizador da “Fundação Mestre Bimba” ao lado do irmão, Mestre Neneu. Até hoje, angoleiros e regionais se criticam mutuamente, embora se respeitem. O maior mérito de Mestre Bimba foi o de transformar a capoeira, antes instrumento de ataque e defesa marginalizado, em esporte que granjeou muitos adeptos com a inclusão de novos golpes e mulheres - até então excluídas das rodas. O que caracteriza a capoeira regional é sua “seqüência de ensino”, uma série de exercícios físicos completos e organizados em um número de lições práticas e eficientes, a fim de que o atleta obtivesse, dentro do menor espaço de tempo possível, o valor da luta como um sistema de ataque e defesa. Este método proporciona um rápido aprendizado de golpes, esquivas e quedas. O atleta torna-se, rapidamente, eficaz na arte da luta mas torna-se carente no preceito e na tradição, na concepção da honra, lealdade, humildade e companheirismo. O batizado na regional tem por objetivo testar os conhecimentos de quem está sendo batizado e a iniciação do aluno. O ritual foi inventado por Mestre Bimba, que na época e entregava um lenço de seda ao discípulo, baseado no costume dos antigos valentões de Salvador de protegerem o pescoço com um pedaço de seda para que a navalha do inimigo escorregasse. Este costume, influenciado pelas faixas coloridas das artes marciais orientais, inspirou os cordões da capoeira. “O capoeira nunca joga um contra o outro, mas com o outro. Assim, ele se prepara para enfrentara vida lá fora” - Mestre Bimba. O maior nome da capoeira regional Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, que nasceu dia 23/11/1900 em Salvador e faleceu no dia 05/02/1974 em Goiânia.


MÚSICA

A musicalidade é fator marcante na capoeira. Utilizada como disfarce no início dos tempos, a música envolve e dita o ritmo aos atletas. O berimbau assume o papel de maestro, que comanda a orquestra, conhecida como "bateria". As músicas, conhecidas como "ladainhas" contam histórias e lamentos e no decorrer dos anos, mantêm a história viva. A luta pela liberdade de um povo, que luta atualmente pela liberdade de preconceitos e por novas oportunidades de vida. A seguir, descrição dos instrumentos:

PANDEIRO

O pandeiro é um instrumento de percussão, próprio para marcar ritmos. Compõe-se de armação circular de madeira, com aberturas espaçadas em que se colocam uma ou mais rodelas de metal chamadas “soalhas” enfiadas de arames. Uma das bases é recoberta por uma pele esticada. Quando se vira o instrumento, ou nele se bate com a palma da mão, as soalhas chocam-se entre si, produzindo som característico.
Trata-se de um instrumento muito antigo, já conhecido dos romanos e árabes, cujos pandeiros não tinham pele. No Brasil, trazido pelos portugueses, o pandeiro fazia parte da primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, em 13 de junho de 1549. Depois de ter sido esquecido após a metade do século XIX, voltou a ter uso intensivo em rodas de capoeiras, escolas de samba e nos conjuntos rítmicos, espalhando-se de novo por todo o país.

ATABAQUE

O atabaque foi muito difundido na África, mas, foi trazido para o Brasil por "mãos portuguesas". Num primeiro momento, o atabaque era usado em festas religiosas. Por algum tempo, foi abolido das rodas de Capoeira. Para Bimba, era uma forma das pessoas não acharem que a Capoeira tinha elementos do candomblé. É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortada em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico-cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado.

RECO-RECO
O reco-reco é um instrumento utilizado, tradicionalmente, na Capoeira Angola. Reco-reco antigamente não é como os de hoje, era feito com o fruto da cabaceira (mesmo da cabaça do berimbau), das que fossem cumpridas, então era serrado, na superfície, fazendo-se vários cortes, não muito profundos, um do lado do outro, onde era esfregado a baqueta, como nos reco-reco dos dias de hoje. Hoje são feitos de gomos de bambu ou de madeira.

AGOGÔ
Instrumento de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um "cone" metálico em cada uma das pontas, estes "cones" são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos "cones". O agogô é um instrumento, tradicionalmente, utilizado na Capoeira Angola.

BERIMBAU

O berimbau é um arco de madeira específica, de mais ou menos um metro e meio, cujas extremidades são ligadas. De um lado fica a cabaça, que é presa por um cordão. Utiliza-se uma moeda ou dobrão e uma vareta (baqueta) que ao tocar o fio produz sons diferentes. Sua origem é desconhecida, mas sua utilização está ligada aos primeiros registros de capoeiristas. Conta Mestre Pastinha que o berimbau também era usado como arma. Os capoeiras colocavam uma faca na ponta do instrumento e atacavam os policiais que os perseguiam. Nesses momentos, o berimbau transformava-se em foice de mão. Os berimbaus são de três tipos: "viola" (agudo), "médio" (solo) e "berra-boi" (grave), determinados pelo tamanho da cabaça.
No jogo da Capoeira Angola, são utilizados três berimbaus. Os toques característicos desse estilo são os seguintes: São Bento Pequeno, Angola e São Bento Grande. Na Capoeira Regional de Mestre Bimba, utiliza-se apenas um berimbau. O toque de São Bento Grande (diferente do toque de São Bento Grande de Angola) é o mais característico da Capoeira Regional. Os toques é que ditam o estilo do jogo, o ritmo em que deve ser jogado. Ditam também quem deve jogar. O toque de iúna, por exemplo, é só para mestres (Bimba, em geral, não formava mestres e sim alunos e só estes últimos é que podiam jogar na iúna) e, segundo relatos, foi criado para homenagear mestres que já morreram. No entanto, no Rio de Janeiro só jogam os mestres quando iúna é tocado. Ditam também como deve ser jogada a Capoeira, por exemplo, o toque Santa Maria que deve ser jogado sem colocar as mãos no chão.

PARTES DO BERIMBAU

BAQUETA: a baqueta ou vaqueta é uma vara de madeira com cerca de 40 centímetros de comprimento, sendo fina ou grossa. Alguns capoeiristas passam verniz na baqueta.
CABAÇA: é a caixa de ressonância. Feita com o fruto da cabaceira, árvore comum no Norte e no Nordeste, pode ser oval (coité) ou pode ser formada por duas partes, quase que arredondadas, interligadas. Depois de seca e cortada, tiram-se as sementes antes de ser lixada.
CAXIXI: é uma pequena cesta de palha, com fundo de couro, usada como chocalho. Tem de 10 a 15 centímetros de altura, cerca de 6 centímetros de diâmetro na base (essas medidas variam) e um recheio de sementes, pedrinhas ou pequenos búzios.
CORDA: já foi um cipó, um fio de latão, um arame de cerca e mais recentemente, fios de aço retirados de pneus. O mais comum, hoje, é usar o aço vendido em carretéis.
DOBRÃO: nome tomado da moeda de 40 réis, é uma peça de cobre com aproximadamente 5 centímetros de diâmetro. No entanto, utiliza-se também pedra-sabão ao invés do dobrão .

Capoeiristas históricos
Grandes nomes do universo da capoeiragem
Mestre Bimba
Mestre Pastinha
Bentinho
Mestre João Pequeno
Mestre Eziquiel
Besouro Mangangá
Manduca da Praia
Madame Satã
Mestre Suassuna
Mestre Camisa
Camafeu de Oxossi
Mestre Celso Carvalho Nascimento
Mestre Burguês
Toques de capoeira

Berimbaus. Da Esquerda para direita: Viola, Médio e Gunga ou Berra-Boi
Os diferentes ritmos utilizados na capoeira, como tocados no berimbau, são conhecidos como toques; estes são alguns dos toques mais comumente utilizados:
Angola
São Bento Grande de Bimba
São Bento Grande de Angola
São Bento Grande
São Bento Pequeno
Iúna
Cavalaria
Samango
Santa Maria
Benguela
Amazonas
Idalina
Regional de Bimba


O que é a Capoeira? É dança? É jogo? É luta? É tudo isso ao mesmo tempo? Parece que sim, e é isso que a torna tão complexa, tão rica, tão surpreendente. É luta, "das mais violentas e traiçoeiras", dissimulada, disfarçada em "brinquedo", jogo de habilidade física, astúcia, beleza... e muita malícia!


O jogo da Capoeira numa das antigas rodas da Bahia.

A Capoeira é uma manifestação da cultura popular brasileira que reúne características muito peculiares:
1. É um misto de luta–jogo–dança;
2. O ritmo e as características do jogo são regidos pelo toque do berimbau, instrumento preponderante na orquestra de capoeira (que inclui também o pandeiro, o atabaque, além do agogô, o reco-reco, o adufe etc.)
3. Os cânticos (às vezes acompanhados de palmas) também têm função importante na determinação do tipo de jogo.
4. É um excepcional sistema de auto-defesa e treinamento físico, destacando-se entre as modalidades desportivas por ser a única originariamente brasileira e fundamentada em nossas tradições culturais.
O espaço em que se pratica a capoeira é a roda, um círculo em torno do qual se sentam (ou apenas se agacham) os praticantes. Junto à entrada da roda ficam os instrumentos, com o(s) berimbau(s) ao centro, comandando a roda. Todos os participantes devem saber tocar os instrumentos, de modo que possam revezar-se na função, permitindo assim que todos tenham sua vez de jogar. As palmas são responsabilidade daqueles que estão sentados assistindo, esperando sua vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo ditado pelo berimbau. Todos devem responder em coro aos versos cantados. Uma boa roda de capoeira acontece quando todos os envolvidos, ainda que poucos, estiverem participando com vontade, dando corpo ao acompanhamento musical e aumentando assim a motivação daqueles que jogam.
A Capoeira é um complexo cultural riquíssimo; quando nós, brasileiros, tivermos realmente deixado de ser os “suicidas culturais” que por vezes ainda somos, e tivermos então aprendido a dar o devido valor às mais genuínas criações de nossa própria cultura, certamente a capoeira será considerada como um diamante dos mais cotados entre os produtos culturais do povo brasileiro. Segundo Francisco Pereira da Silva, estudioso sério de nosso folclore, "nenhum fato relacionado com a cultura popular brasileira terá suscitado tanto e tão prolongado debate quanto a Capoeira. Sua procedência, a origem do nome, as implicações na ordem social, determinaram discussões que até tempos recentes incitaram os espíritos. Etimologistas, antropólogos, folcloristas, historiadores, têm participado na pugna literária com os seus pareceres, testemunhos ou palpites. Enquanto isso, ia a polícia 'contribuindo' com o argumento velho do chanfalho e pata de cavalaria..."
A Capoeira já foi motivo de grande controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento – supostamente no século XVII, quando ocorreram os primeiros movimentos escravos de fuga e rebeldia – e o século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis, com descrições detalhadas sobre sua prática. A primeira grande questão que se colocava aos estudiosos era: a Capoeira surgiu na África ou no Brasil? Atualmente, considera-se esta questão como já resolvida. Tem-se hoje a convicção de que a capoeira é, de fato, uma manifestação cultural genuinamente brasileira. Tudo leva a crer que ela seja uma invenção dos africanos no Brasil, desenvolvida por seus descendentes afro-brasileiros. É brasileira, mas de raiz cultural africana. Tem ela uma história acidentada, pontilhada de episódios vexatórios e truculentos. Perseguida desde o começo, no caldeirão que misturou as várias etnias que formam o nosso povo, ganhou fama de má prática, coisa de malandros, larápios, “vadios”. A perseguição durou até a década de 1930, quando, graças principalmente ao trabalho de Mestre Bimba – “o Lutero da Capoeira” – e seus discípulos, inaugurou-se a fase de efetiva sistematização do ensino da capoeira e de seu reconhecimento social, assim como o de todas as outras manifestações culturais de matriz africana. O nome de Mestre Pastinha também se destacou nesta fase, permanecendo ambos – Mestre Bimba e Mestre Pastinha – como os dois maiores heróis lendários da capoeira.
Dizem, hoje, os mestres mais sábios que é o equilíbrio entre as duas melhores características de um e outro – a explosão do puro guerreiro, por um lado, e a poesia do movimento, por outro – aquilo que todo capoeirista deveria procurar atingir, sempre!
AS ORIGENS
O dr. Ângelo Augusto Decânio Filho (Mestre Decânio), o mais idoso "Filho de Bimba" ainda vivo, decano da Capoeira Regional, médico e filósofo, pesquisador da capoeira, contribuiu recentemente com interessantes observações sobre a questão da origem da capoeira. Estudando os ritmos do candomblé, percebeu que o ritmo básico de Logunedê ("...no disco de Luiz da Muriçoca...") corresponde às batidas do pandeiro na capoeira; trocando informações com o pesquisador Pierre Verger (Fatumbi Verger), ouviu deste: "uma tarde... ouvindo mestre Waldemar ao berimbau... enquanto o auto-falante da praça irradiava um toque Ijexá... percebi nitidamente a identidade dos ritmos." Podemos concluir, com eles, que," o candomblé é a fonte mística, donde brota a magia da capoeira, observaram ainda similitudes entre os movimentos da capoeira e os movimentos das danças rituais do candomblé, e outras semelhanças: no candomblé, o ritmo dos atabaques é o nexo entre "os Orixás e o Vodunce", assim como na capoeira, o estilo do jogo acompanha a musicalidade do toque, é a musicalidade do toque, que impõe o tom do jogo.
Prosseguindo em suas investigações, constataram a presença do berimbau no antigo Congo Belga (atualmente o Zaire), território dos bantos. Este fenômeno – a união de um ritmo Ijexá a um instrumento musical banto –, ponderaram eles, só pode ter sido gerado em presença amistosa dos elementos primários, o que não foi possível na África, considerando o distanciamento geográfico e cultural das duas nações;
"... na Bahia houve o encontro dos dois povos... uma aproximação mais íntima, pacífica, ao calor dum inimigo comum e duma escravidão compartilhada!"
Assim, conclui mestre Decânio, "...o Recôncavo Salvadorenho foi o cadinho onde se fundiu a 'liturgia musical' que há de unir os homens na alegria da capoeira."
“A capoeira é o processo complexo constituído pela fusão ou caldeamento de fatores de várias origens: 1. dos africanos herdamos os movimentos rituais fundamentais do candomblé: dos iorubás recebemos o ritmo ijexá e a rima tonal a cada três estrofes, enquanto os bantos nos ofereceram o berimbau, o instrumento fundamental; 2. os portugueses nos doaram, através da dança popular da chula, o uso do improviso (chula), do pandeiro e da viola; 3. os brasileiros forneceram a nomenclatura dos movimentos, os temas dos cantos (fundo cultural literofilosófico popular), o ritual, os métodos de ensino, as modificações fonéticas dos termos usados nos cantos.
"No Brasil, a fusão de elementos africanos aos fatores locais (portugueses e indígenas) originou, a partir do ritmo ijexá, uma família de manifestações culturais, cuja raiz comum lhes empresta uma similitude rítmica e coreográfica (...)"
Parece-nos evidente que a capoeira reúne todos estes componentes originais, o que lhe outorga uma excepcional riqueza artística, melódica e dinâmica; um enorme potencial evolutivo e, finalmente, uma gama intensa de aplicações esportivas, coreográficas, terapêuticas, pedagógicas, etc., que abrange desde o simples jogo às franjas das artes marciais e da defesa pessoal.”
Contudo, apesar da fonte mística do candomblé, é absolutamente leiga a arte da capoeira, jogo de destreza corporal destinado a treinar física e mentalmente os escravos para os embates da sua luta de libertação.
A Capoeira nasceu e cresceu aqui, sob as condições da escravidão. Atesta-o o princípio que funda a luta, o da dissimulação, que faz evitar o confronto direto e a torna muito mais perigosa, muito mais traiçoeira.

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O TERMO CAPOEIRA:
Sobre o nome Capoeira, é Francisco Pereira da Silva quem nos informa:
"Sempre se teve em consideração que este jogo de destreza corporal se constituía na arma com que os escravos fugidos se defendiam contra os seus naturais perseguidores, os escravocratas, representados na figura famigerada do capitão-do-mato. A luta geralmente se travava no mato, onde os pretos se homiziavam. Que tipo de mato era esse? A capoeira." (vernaculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi) "Assim, tem-se por melhor definição aquela (...) que vem no Dialeto Caipira de Amadeu Amaral: 'Capuêra, s. f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado.'
Desta sorte, capoeira (forma culta de capuêra, mato), arena das primeiras escaramuças dos escravos rebeldes, teria sido o termo adotado para denominar a luta física nacional: a capoeira."
"Acontece, porém, que se trata de uma palavra de acepções numerosas, e por uma delas se designa um tipo de cesto ou gaiola de uso na guarda e transporte de galináceos. Dizem que os escravos conduziam capoeiras de galinhas ao mercado, e enquanto não se abriam as portas aos mercantes ficavam os crioulos a se distraírem no pátio exercitando o corpo no "brinquedo" terrível que havia de se tornar tão famoso. Isto acontecia no Rio de Janeiro, e o filólogo Antenor Nascentes é de opinião que, por efeito metonímico, o nome do tal balaio passou a designar também o jogo atlético e o indivíduo que o pratica. Temos, assim: capoeira = capoeirista, o lutador; e capoeira = a luta, o jogo de agilidade corporal. Por capoeiragem devemos entender: o ato de jogar a capoeira. Poderá assim o leitor optar por uma ou outra destas duas versões. São as mais plausíveis."
Instrumentos
O acompanhamento musical da capoeira, desde os primórdios até nossos dias, já foi feito pelo berimbau, pandeiro, adufe, atabaque, ganzá ou reco-reco, caxixi e agogô. No presente, é comum vê-la acompanhada por berimbau, pandeiro, atabaque (nem sempre), caxixi e agogô (nem sempre).
Têm esses instrumentos procedências as mais diversas.

BERIMBAU

Atualmente, é o principal instrumento musical da capoeira. É o único que, numa roda de capoeira, pode figurar sozinho, sem os demais instrumentos. Os afro-brasileiros o usavam em suas festas, e sobretudo no samba de roda, como até hoje ainda se vê. Henry Koster, pesquisador inglês, quando viajou pelo nordeste do Brasil, observou e descreveu essas festas, que incluem o berimbau entre os instrumentos utilizados, como se pode ver no seguinte trecho: – “Os negros livres também dançavam, mas se limitavam a pedir licença e sua festa decorria diante de uma das suas choupanas. As danças lembravam as dos negros africanos. O círculo se fechava e o tocador de viola sentava-se num dos cantos, e começava uma simples toada, acompanhada por algumas canções favoritas, repetindo o refrão, e freqüentemente um dos versos era improvisado e continha alusões obcenas. Um homem ia para o centro da roda e dançava minutos, tomando atitudes lascivas, até que escolhia uma mulher, que avançava, repetindo os meneios não menos indecentes, e esse divertimento durava, às vezes, até o amanhecer. Os escravos igualmente pediam permissão para suas danças. Os instrumentos musicais eram extremamente rudes. Um deles é uma espécie de tambor, formado de uma pele de carneiro, estendida sobre um tronco oco de árvore. O outro é um grande arco, com uma corda tendo uma meia quenga de côco no meio, ou uma pequena cabaça amarrada. Colocam-na contra o abdômen e tocam a corda com o dedo ou com um pedacinho de pau. Quando dois dias santos se sucediam ininterruptamente, os escravos continuavam a algazarra até a madrugada.” 
O berimbau que hoje se conhece e se toca em todo o mundo é um arco feito de madeira específica (nem toda madeira serve; a mais usada é a biriba), tendo as pontas ligadas por meio de um fio de aço (geralmente, retirado das bordas de um pneu). Numa das extremidades, amarra-se uma cabaça (Cucurbita lagenaria, Linneu), e esta, quanto mais seca estiver, melhor. Faz-se na cabaça uma abertura na parte que se liga com o caule e, na parte inferior, dois furinhos por onde passará o cordão que vai ligá-la ao arco de madeira e ao fio de aço. Para tocá-lo, toma-se um dobrão (moeda antiga) ou um seixo arredondado e chato, uma baqueta (ou vaqueta, pequena vareta de madeira ou de bambu) e um caxixi. Nos primeiros tempos da colonização, havia no Brasil outro tipo de berimbau, bem menor, tocado com a boca, conhecido na América Latina como berimbau de Paris.
Entre os etimólogos, há verdadeiro desencontro a respeito da origem do nome berimbau. A Real Academia Española registrou o verbete na 12a. edição de seu dicionário, em 1884, que até hoje ainda sugere proposição onomatopaica para a sua origem: “voz imitativa del sonido de este instrumento”. Há proposições para origem africana, de Leite de Vasconcelos, em artigo publicado na Revue Hispanique, onde apresenta o mandinga bilimbano. Renato Mendonça propõe o quimbundo mbirimbau, com a simplificação do grupo consonantal mb. 
Desconhece-se precisamente a verdadeira origem do próprio instrumento e por que vias chegou ao Brasil. Registra-se sua existência em várias partes do mundo, inclusive na África, nos territórios de Iaca e Benguela. Possui muitas denominações e vem sendo motivo de estudo, até mesmo em cadeiras de departamentos universitários a ele dedicadas. É considerado o mais completo instrumento de percussão. No Brasil, é conhecido por: berimbau, urucungo, orucungo, oricungo, uricungo, rucungo, berimbau de barriga, gobo, marimbau, bucumbumba, gunga, macungo, matungo, rucumbo. Em Cuba, país da América Latina onde ele é tão conhecido como no Brasil, é chamado de sambi, pandiguro, gorokikamo e também burumbumba, que deve ser uma variação de bucumbumba no Brasil. Há indicações de seu uso nas práticas religiosas afro-cubanas, coisa de que não se tem notícia de se fazer no Brasil. Burumbumba (buro = falar, conversar; mbumba = habitáculo do morto ou espírito “familiar”) é o instrumento que “fala com os mortos”.

PANDEIRO:
A origem do termo ainda é controvertida. No século passado, Adolfo Coelho relacionava o vocábulo, com alguma dúvida, ao latim pandura. Em nossos dias, J. Carominas o faz derivar de pandorius, variante de pandura, tomado do grego pandoura. O mais sensato, porém, no caso da língua portuguesa, é acompanhar Antenor Nascentes e Pedro Machado, e admitir o espanhol pandero como gerador do nosso pandeiro.
Luciano Gallet inclui erradamente o pandeiro entre os instrumentos africanos vindos para o Brasil, enquanto José Subirá, em sua História de la Musica (Salvat Editora, 1958), relaciona o pandeiro como um dos antiqüíssimos instrumentos musicais da Índia. Os hebreus o utilizavam bastante, mormente em cerimônias religiosas. Na Idade Média, impôs sua presença e instalou-se definitivamente na península ibérica com a invasão árabe. Os ibéricos o utilizavam com freqüência em bodas, casamentos e cerimônias religiosas, especialmente na Procissão de Corpus Christi em Portugal, e, no século XVI, na Espanha. Teve ainda o pandeiro grande destaque entre os jograis, que o levavam de corte em corte.
O pandeiro entrou no Brasil por via portuguesa, e se fez presente já na primeira procissão que aqui se realizou, a de Corpus Christi, na Bahia, a 13 de junho de 1549. Depois, foi aculturado e aproveitado pelos negros em seus folguedos, o que se verificou também entre os negros da América Latina, especialmente os cubanos: em Cuba, o pandeiro é um dos instrumentos da liturgia nagô, havendo até pandeiros específicos para orixás.
ADUFE:
O adufe é um pequeno pandeiro de formato quadrado. Sua procedência é mourisca. O termo é de origem árabe, ligado a duff, tímpano. Foi instrumento familiar dos hebreus e, segundo José Subirá, o tympanum, que aparece no Gênesis, 31.27 é o adufe. Na Arábia, teve muito prestígio entre os monarcas; quando invadiram a península ibérica, os árabes levaram consigo o adufe, que lá teve muito mais prestígio que o pandeiro.
Assim como o pandeiro, o adufe entrou no Brasil por via portuguesa, e também foi incluído erradamente por Luciano Gallet entre os instrumentos africanos vindos para cá. O adufe foi também aculturado e aproveitado pelos negros no Brasil. Foi muito utilizado, porém hoje não se tem mais notícia de sua existência.

ATABAQUE:
O termo é de origem árabe; os etimólogos arabistas aceitam com unanimidade a forma tabl, que Diez nomeia como maurische Panke (tímpano mouro). Espalhou-se o vocábulo na área românica. E além do português antigo atabal e tabal, deu no espanhol atabal, asturiano tabal, santanderino tabal, catalão tabal, italiano ataballo, taballo, provençal tabalh e moderno francês attabal. Assim como o pandeiro e o adufe, o atabaque se encontra presente na poética medieval, principalmente por obra dos Reis Católicos de Espanha, Isabel e Fernando de Aragão, que muito o prestigiavam, por meio dos jograis, bodas e outras festas.
É um instrumento oriental muito antigo entre os persas e os árabes, muito divulgado na África. Embora os africanos já conhecessem o atabaque, acredita-se que ao chegarem ao Brasil já o encontraram aqui, trazido pelos portugueses para ser usado em festas e procissões religiosas, como o pandeiro e o adufe. Desconhece-se a história de como passou a ser utilizado na capoeira.
(aguarde alguns dias para ver aumentada esta relação dos instrumentos musicais utilizados na prática da capoeira.)
História da Capoeira
Origem da palavra capoeira, cultura afro-brasileira, luta, funções sociais, como começou
a capoeira, proibição, transformação em esporte nacional, os estilos

Escravos jogando capoeira no Brasil Colônia
A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas.

Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.

Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.

A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.

Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.

Capoeira na Escola
A capoeira foi evoluindo dentro dos princípios básicos tradicionais até que, em janeiro de 1973, foi oficializada como uma luta eminentemente brasileira, sob a Regulamentação Nacional da Capoeira. O ensino de capoeira representa uma oportunidade para a integração entre diferentes componentes curriculares como história, educação física, geografia, física, artes plásticas, música e outros, além de mobilizar os setores do desporto, turismo, meio ambiente, saúde, segurança, para citar alguns. Ciente de vivermos em uma fusão de culturas e conhecimentos, procuramos apresentar ensaio do entendimento de uma metodologia didático-pedagógica, fundamentada principalmente na prática com as escolas e relacionamentos com Organizações Não Governamentais - ONG's. Desenvolvemos atividades diárias no Centro de Ensino Médio Setor Leste, onde introduzimos alongamentos de Yoga, através de parceria com o professor Peter Faluhelyi. Participamos da Federação de Capoeira do DF, cujo presidente é o mestre Bené, e da Associação de Capoeira do DF, cujo presidente é Milton Freire de Carvalho, mestre Onça Tigre. Por meio de reuniões no Centro Educacional Asa Norte (CEAN), Centro Educacional Setor Leste (CESL), Centro Integrado de Ensino Especial (CIEE), Centro Interescolar de Brasília (CASEB), Chácara Pau D'óleo, Escola da Ação Social do Planalto (EASP) e Núcleo Rural Olhos D'água, o grupo Meia Lua amadurece a seguinte noção: jogo de arte e mandinga, utilizando a tradição como instrumento de interação do corpo com a comunidade e o meio ambiente, através de toques do berimbau, das músicas, da ginga, dos golpes e da participação do grupo.
HISTÓRIA DA CAPOEIRA NA ESCOLA

Inicialmente, analisaríamos a característica interdisciplinar no ensino da capoeira de mestre Bimba, que a lecionava para alunos de diferentes cursos universitários, embora não o fizesse exatamente nas universidades. Daí caracterizações como formatura, diploma, medalhas, paraninfo, sugerindo forte influência de seus alunos. As seqüências, o primeiro método para ensinar a capoeira, a introdução desses ensinamentos no CPOR e outras instituições oficiais (incluindo trabalhos para presidiários).
Mestre Anzol, professor baiano, aluno de mestre Bimba, seria o primeiro a ensinar a capoeira em uma universidade, isso ocorrendo na UFRJ, como projeto de extensão - atividade extra-curricular.
Um ano depois, com o apoio da Secretaria de Educação Estadual, começaria o trabalho na UFBA, sendo seguido pela UFES, através de mestre Xaréu. Finalmente surgiriam projetos de capoeira que atenderiam aos CIEP's do Rio de Janeiro, depois denominados CAIC's, hoje CIAC's. Também o Estado do Paraná viria a desenvolver algumas iniciativas de inserção desta disciplina em seu currículo.
NO DISTRITO FEDERAL

Em Brasília, as primeiras providências para a incorporação da capoeira como disciplina na rede pública de ensino, contaram com a nossa participação, logo após o período em que ministramos aulas no antigo DCE da UnB, de 1981 a 1984. Recentemente introduzimos atividades de capoeira no Centro Integrado de Ensino Especial - CIEE, observando que houve grande e ampla aceitação das mesmas por parte de alunos, professores, direção, funcionários, pais e instituições sociais. Em seguida elaboramos e gravamos um disco com a participação de sete mestres e três pró-mestres de capoeira, além de professores e alunos, dentre os quais alguns do CIEE. Participamos também da introdução de temas educacionais, no Oitavo Encontro Nacional de Capoeira, realizado em junho de 1998, em Brasília. Convidamos palestrantes para temas como: "a participação do movimento estudantil no projeto capoeira na escola", "capoeira, lazer e turismo", "Projeto de Lei Capoeira na Escola", "a capoeira e a educação", "aptidão física na escola", "curso de pós-graduação - especialização em capoeira na escola", "capoeira e cidadania", "capoeira na escola", "a capoeira e a paz", "aspectos socioculturais da capoeira na escola", "a capoeira e a arte", "a capoeira para o ensino especial", "as políticas públicas da capoeira no Distrito Federal", "falsidade ideológica e graduação na capoeira", "a história da capoeira", "a formação do mestre de capoeira", "a capoeira na rede oficial de ensino do Distrito Federal", "a cultura e a cidadania da capoeira", "raízes da capoeira", "contribuição da Associação Alunos, Pais e Mestres para os projetos na escola", e "a escola na academia". Participamos da comissão que elaborou uma moção encaminhada ao Senado Federal, solicitando atenção para o projeto de lei que reconhece a profissão de mestre em capoeira, e que tramita naquela Casa desde 1995. Também elaboramos uma proposta de projeto de lei em nível distrital, para salvaguardar os professores de capoeira nas escolas. Procurando, enquanto grupo de trabalho, manter contatos com outras regiões, criamos as duas primeiras páginas na Internet da extinta Fundação Educacional do Distrito Federal, através dos projetos Capoeira na Escola e Margem, tentando ao mesmo tempo acompanhar as atividades desenvolvidas por outros educadores, e mantê-los informados das nossas ações. Ciente de vivermos em uma fusão de culturas e conhecimentos, procuramos apresentar ensaio do entendimento de uma metodologia didático-pedagógica, fundamentada principalmente na prática com as escolas e relacionamentos com Organizações Não Governamentais - ONG's. Desenvolvemos atividades diárias no Centro de Ensino Médio Setor Leste, onde introduzimos alongamentos de Yoga, através de parceria com o professor Peter Faluhelyi. Participamos da Federação de Capoeira do DF, cujo presidente é o mestre Bené, e da Associação de Capoeira do DF, cujo presidente é Milton Freire de Carvalho, mestre Onça Tigre. Por meio de reuniões no Centro Educacional Asa Norte (CEAN), Centro Educacional Setor Leste (CESL), Centro Integrado de Ensino Especial (CIEE), Centro Interescolar de Brasília (CASEB), Chácara Pau D'óleo, Escola da Ação Social do Planalto (EASP) e Núcleo Rural Olhos D'água, o grupo Meia Lua amadurece a seguinte noção: jogo de arte e mandinga, utilizando a tradição como instrumento de interação do corpo com a comunidade e o meio ambiente, através de toques do berimbau, das músicas, da ginga, dos golpes e da participação do grupo.
1. O educador de capoeira deverá levar em consideração as experiências que a criança já possui e respeitar a sua vivência. Será "mediador" no processo de ensino sabendo entender o gesto das crianças e a sua etapa de desenvolvimento.Utilizará a psicomotricidade no desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas e sociais.  Em relação as etapas do desenvolvimento, cabe levantar qual a situação atual da criança para executar o processo de ensino da capoeira infantil.Diferentes faixas etárias, apresentam situações neuro-motoras,afetivas e intelectuais distintas.Isto deve ser levado em consideração no planejamento das aulas.Sabe-se que a etapa de 0 à 6 anos será que suma importância para a construção do repertório motor e das habilidades cognitivas. Neste processo de mielinização (formação dos neurônios e terminações nervosas)o educador deverá estimular vivências corporais e desafios adequados á idade em questão.Respeitando sempre a etapa de maturação biológica da criança.
Em relação ao planejamento das aulas,este deverá respeitar uma ordem de atividades propostas relacionando objetivos,conteúdos,metodologias e procedimentos.O planejamento das aulas de capoeira infantil confirma o bom compromisso do educador em relação aos seus alunos e deverá se encaixar ao perfil da istituição, abrindo a possibilidade de diálogo entre educador e unidade de educação infantil.Cabe ao educador físico a utilização das abordagens adequadas não se atendo exclusivamente a uma delas, mas tomando como base o construtivismo e a emancipação/superação do conhecimento.

 Este link estará aberto para sugestões,dúvidas e informações dos educadores em educação infantil.Basta entrar no livro de visitas e deixar o sua mensagem.Seja ela uma dúvida,um relato ou até mesmo uma sugestão. Viva a capoeira com seus alunos de corpo e alma. Só assim eles jogaram sorrindo. Axé!

PROJETO BEIJA-FLOR CAPOEIRA INFANTIL

Prática do ensino da capoeira para crianças. A Capoeira é utilizada amplamente no setor da educação infantil como desporto e fator de socialização entre as crianças. Não se restrigindo somente à estes dois aspectos, a capoeira é sobretudo uma arte e uma luta, uma dança e um ritual. Sua herança remonta dos quilombolas e sua prática conquista adultos e fascina as crianças. A capoeira é hoje o esporte da "meninada".As crianças desenvolvem na roda todo o seu potencial expressivo e os seus sentimentos são colocados em cada movimento; em cada ginga.Axé!

As comunidades gurutubanas, no norte de Minas Gerais, sofrem com o descaso das políticas públicas


A realidade das comunidades gurutubanas de Jaíba
As comunidades gurutubanas, no norte de Minas Gerais, sofrem com o descaso das políticas públicas
As comunidade gurutubana hoje totalizam 27 núcleos populacionais no norte de Minas Gerais.

Destes seis estão em jaíba, entre estes tem-se a Vila João Gracia e Canudo que encontram-se meio a vegetação de Caatinga sob a predominância de Latossolos Amarelos e sequentimente de argissolos, anteriormente denominados podizólicos.


Segundo o relato da liderança Geronilda Cardoso de Jesus do núcleo populacional de Vila João Gracia, os gurutubanos jaibenses vivem sob o completo descaso do poder público.

Fato associado a falta de investimentos as comunidade. A precariedade evidenciada no local contribui no aumento do índice de mortalidade da região.

A comunidade Vila João Gracia e constituída de aproximadamente 50 residências que encontram-se dispersas. Tem como núcleo populacional mais próximo a comunidade Lagoa de Barro.


O transporte público na Vila João Gracia e Canudo inexistente sendo os deslocamento emergências a área urbana de Jaíba evidenciados sob a forma de pagamentos vão além de suas posses.

Muitos não tem condição de arcar com os custos de transporte e assim passam a conviver com a dor e morte de familiares.

Diante da dificuldade de transporte e atendimento a maioria das pessoas não fazem acompanhamento médico, nem mesmo as mulheres gurutubanas realizam tratamento preventivo quando grávidas, culturalmente ganham seus filhos na própria comunidade por intermédio de parteiras. Ambas comunidades apresentam alto índice de gravidez na adolescência.

A energia elétrica e vista pontualmente em algumas casas dos gurutubas da Vila João Gracia em detrimento dos canudos que não apresentam energia em nenhuma das residências.

Existem casas com água encanada e rede de esgoto, todavia, a maioria não tem sequer fossas.
Na Vila há um telefone público quebrado. As famílias que não tem acesso a água encanada tem como alternativa o poço que situa-se distante. Na comunidade não há correios. O comércio do local restringe-se a um bar. A maioria mora em casa precárias de adobe ou pau-a-pique, cubículos sem divisão de cômodos. Nestas é comum residirem três a quatro famílias. Na maioria inexistem móveis e colchões.
As estradas de acesso as comunidades estão em péssimas condições não favorecendo a circulação de automóveis.

Na Vila e o agrupamento dos Canudos vinculam-se a Associação Quilombola dos Gurutubas, que representa todos os 27 núcleos, estando esta fora do Município de Jaíba.

Na Vila João Gracia, parte das pessoas tem aceso aos meios de comunicação como televisão e rádio, todavia este percentual não se aproxima nem mesmo de um terço.
Na comunidade dos Gurutubas e Canudos, o trabalho existente é escasso, temporário e mal remunerado,sendo estes necessários a sobrevivência das famílias.

As comunidades locais estão resgatando a sua história através do programa de remanescentes de quilombos, valorizando a sua cultura como o batuque e a comida típica e é nessa identidade que os liga.
A associação quilombola tem a participação de 600 famílias entre 27 comunidades.
A luta maior é pela terra hoje reduzidas, mediante a apropriação ilegal do fazendeiros, através de grilagem.

As comunidades Vila João Gracia e Canudos quilombolas do município de Jaíba, bem como as demais gorutubanas, tiveram a maioria seu território histórico grilado pelos fazendeiros ao longo dos anos, sendo esta prática ativa nos dias atuais.
A perda destas terras foram associadas a diversas disputas que resultaram em mortes dos remanescentes de quilombos. A redução da terra junto a ausência de condições básicas a vida digna tem ocasionado o caos social, barbárie caracterizada pelas doenças, alto índice de analfabetismo, natalidade, mortalidade e despreparo profissional.

Mediante as dificuldades que vivênciam várias pessoas da comunidade emigraram de seu território tradicional em busca da melhoria de qualidade de vida para suas famílias.

Com a emigração tem-se a perda gradativa da identidade cultural quilombola.

A coordenadora geral da Associação dos Quilombolas Gurutubanos, Faustina Soares Santana, afirmou que é necessário o resgate cultural de toda a comunidade dos Gurutubanos e também um resgate material, ou seja, terem suas terras por direito devolvidas, terras estas roubadas pelos fazendeiros.
Afirmou que anteriormente não era preciso a solicitação de documentos para comprovar a posse das terras e que o fazendeiros traziam documentos para os quilombolas assinarem com o pretexto de fazerem um registro das terras, mas na realidade o que estava escrito neste documento era a entrega das terras através de míseros valores de venda. Fato facilitado visto que muitos eram analfabetos.

Faustina também afirmou que houveram bastantes mortes dos quilombolas devido a luta pela posse das terras e que 3 membros de sua famílias foram mortos nestas disputas.


Na comunidade há ocorrência de mulheres solteiras e outras abandonadas pelos maridos. Como as mesmas não tem nenhum preparo ficam sem renda e o desemprego se agrava, conseqüentemente a fome perpetua a situação miserável da comunidade.

Na comunidade Vila João Gracia são comuns problemas ambientais e dificuldades no plantio de subsistência, tal como retrata Gilberto, uma das lideranças locais: “Tenho noventa anos, nasci em engenho e possuo atualmente poucas terras para a agricultura para ao plantio de milho, feijão, mandioca. Hoje não consigo mais plantar pois o rio não tem mais água.

Hoje a água em muitos lugares viraram poça e os peixes não existem. Como o rio não tem água como antes e essa se encontra poluída, tenho dificuldade no plantio, necessário a alimentação da minha família”

As doenças mais comuns na região são anemia, verme, desnutrição, febre, gripe forte, chagas, calazar, epilepsia, diarréia, tuberculose, gastrite, coração, depressão, dor de cabeça e parasitose.
As visitas médicas só acontecem em casos graves “caso é bem grave”, não há médico nem enfermeiro na comunidade que seja residente, somente um médico que vai a comunidade de 8 em 8 dias, e um agente de saúde que vai a casa, todavia a maioria das pessoas relatam nunca recebeu este em sua casa.

O uso de medicamentos não é constante, e quando necessário utilizam chás caseiros e benzedeiras e curandeiros da comunidade.
O índice de alcoolismo é alto, tanto nos adultos quanto os adolescentes.Na comunidade é comum a ocorrência de doenças de pele, manchas e feridas, principalmente nas pernas, além de graves infecções de ouvido.

As casas, mediante a falta de infra-estrutura apresentam-se sujas, contribuindo para a proliferação de vários insetos prejudiciais a saúde, como baratas, aranhas e vespas encontrados dentro da roupa de cama de várias famílias.

Não há atendimento médico adequado para os gurutubanos agravando a saúde da comunidade. Mediante ao fato, reivindicam o saneamento básico, a instalação de postos de saúde, ambulâncias e médicos permanentes para atendimentos emergenciais e para aqueles típicos do dia a dia.

De acordo com informações de gestores da prefeitura o índice de mortalidade infantil é comparada a países da África chegando a ordem de 100 mortes para cada 1000 nascidos vivos. As mulheres não fazem pré-natal. Em ambas as comunidades é evidenciada a atuação das parteiras, atualmente são duas conhecidas na região, anteriormente eram três, a mais antiga chamada Rosária todavia faleceu recentemente.


Outra questão associada a falta da atuação do setor saúde são os altos índices de catarata que atingem os idosos gurutubanos, doença esta que ocasiona a cegueira gradativa.

Esta poderia ser evitada com o tratamento e/ou cirurgia. A falta de água é marcante, todos coletam a água dos cursos d’água mais próximos que estão poluídos e barrentos. O uso da mesma pela comunidade destina-se ao banho (eventuais), cozimento de alimentos, para beber elevando o estado de saúde. Uma solução viável e identificada pelos quilombolas são os poços artesianos.
Na comunidade quilombolas gorutubanas são evidenciadas crianças com alto grau de desnutrição. Com intuito de sanar estes problemas no município esta sendo montada uma equipe de PSF que atue de forma abrangente. As comunidades Vila João Gracia e Canudo não tem conhecimento relacionado as drogas e sexualidade.

A taxa de analfabetismo da comunidade dos gurutubanos que atinge cerca de 60% dos quilombolas e, por vezes, somente os adolescentes e crianças sabem escrever contudo, parte destes tem dificuldade na leitura.

Muitos abandonam a escola para trabalharem tendo com o intuito ajudar suas famílias na roça. Situações como esta causam o despreparo profissional e social dos gurutubanos deixando-os a margem do processo de inserção social e exercício da cidadania. Uma das reivindicações feitas pela comunidade associam-se a capacitação dos educadores para que os mesmos adaptem a teoria a realidade local para facilitar o processo de aprendizagem e assim a inserção social dos moradores.

A melhor das escolas das comunidade gurutubana Vila João Gracia finda o ensino na oitava série apresenta-se em Localidade rural e é dotada de quatro salas, possuem vídeo, antena parabólica, caixa d’água e Rede elétrica.
Quadra de esportes. Construção de alvenaria e telha de amianto. Poucas cadeiras e carteiras (algumas quebradas).

Todavia segundo os relatos da comunidade as demais escolas apresentam-se precárias.

Na Em Canudos existe uma única escola com apenas o primário. Para que as crianças e adolescentes continuem seus estudos precisam andar 30 km.

Algumas mães não levam as crianças para a escola por falta de documentação o que é a causa da evasão escolar fato agravado pelo trabalho precoce com o intuito de auxiliarem no sustento da família.

A cultura existente nas comunidades é marcada por manifestações culturais composta por novenas a São João que acontecem em junho e tem duração de 9 dias.
O batuque e sapateado (lundum) acontece em junho e dezembro.
As comunidades tem como padroeiros São Pedro e Bom Jesus.


Com intuito de sanar estes problemas que a violam o direito de uma vida digna dos quilombolas é necessária a criação de políticas públicas em todas as instancias de governo sejam elas municipais, estaduais e federais considerando a vivência e os interesses dos integrantes das comunidades tradicionais.

sexta-feira, 6 de março de 2009

PUC – MG e UNENEGRO

Alexandre Braga.


No último dia 28 de fevereiro foi publicada a nova edição da Revista África e Africanidades (www.africaeafricanidades.com)Segue abaixo a relação de ttodos os textos publicados. Cabe lembrar que todo o conteúdo pode ser acessado gratuitamente. Entre os dias 28 de fevereiro e 01 de abril de 2009 estaremos recebendo trabalhos para avaliação e publicação em nossa edição especial (maio) em comemoração ao primeiro ano da Revista África e Africanidades. Cordialmente,Nágila Oliveira dos Santos DiretoraArtigosA invenção da África no Brasil: os africanos diante dos imaginários e discursos brasileiros dos séculos XIX e XX.Anderson Ribeiro Oliva (UnB – Brasil)Arquitecturas do abandono: espaço-tempo, ruína e memória em O outro pé da sereia de Mia CoutoTiago Aires (FLUL – Portugal)Educação Afro-indígena: caminhos para a construção de uma sociedade igualitária.
Alexandre Francisco Braga (PUC – MG e UNENEGRO – Brasil)

Morre o trompetista Barrosinho,fundador da Banda Black Rio


Morre o trompetista Barrosinho,fundador da Banda Black Rio
José Carlos Barroso, o Barrosinho, lendário trompetista que abrasileirou o jazz e o soul, criador do inconfundível 'Maracatamba' e um dos fundadores da antológica Banda Black Rio, morreu nesta madrugada, aos 65 anos vítima de falência múltipla dos órgãos. O músico estava internado no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel , havia 20 dias. O corpo está sendo velado na capela do São João Batista e o sepultamento será hoje mesmo, às 17 horas no mesmo local.Barrosinho nasceu em Campos e, aos 6 anos, já estudava música por incentivo do pai, o saxofonista Benedito Gomes Barroso. Aos 8 descobriu o trompete. Veio para o Rio de Janeiro no fervilhante início dos anos 60 e tocou nas orquestras de baile e gafieira com Severino Araújo, Maestro Cipó e Paulo Moura. Em seguida, direcionou a boca do seu instrumento para bandas menores e foi ao lado de nomes como Raul de Souza, Sivuca, Robertinho Silva, Oberdan Magalhães e Hermeto Pascoal que ele abriu espaço para o improviso e desenvolveu as artimanhas de solista.Nos anos 70, convidado por Oberdan, integrou o Grupo Abolição, que era liderado por Dom Salvador. Com a mudança de Salvador para Nova York, Barrosinho criou com o próprio Oberdan e outros instrumentistas talentosos a famosa Banda Black Rio - até hoje uma referência musical porque foi a primeira a abrasileirar o som americano, quando todo mundo fazia o contrário.Barrosinho tocou e gravou com Maysa, Tim Maia, Gilberto Gil, Raul Seixas, Sandra de Sá, João Bosco e muitos outros. Em 1988, lançou seu primeiro álbum solo – 'Maracatamba' - no Festival de Montreaux, na Suiça, só com maracatambas. Nesta década, lançou três discos pela Kalimba, do empresário e amigo Roberto Moura: 'O sopro do espírito' (2001), 'Barrosinho live em Montreaux – 1988 ' (2002) e 'Praça dos Músicos' (2008).

IV FECAN MAIO 2009


APRESENTAÇÃO
O continente africano antes de 1885 se encontrava distantes dos países Europeus, apesar do contato que algumas etnias mantinham com os europeus. No sul do continente habitavam os Maculos, no norte destacam os Hauças-Fulani os quais formaram o sultanato de Sokato, que, ainda no século 19, deu lugar ao império Fulani. Hoje esse grupo muçulmano representa cerca de 30% da população da Nigéria (país que conta com mais de 250 etnias), no oeste destaca os Tucolores e os Chocués, esse último, manteve durante muito tempo contato com os Europeus com e venda do marfim. Expandiram muito seu domínio, mas após a conferência de Berlim, ficaram em território que hoje pertence a Angola, Namíbia e Zâmbia. No centro do continente temos os Tulsis e Hutus.

Essas etnias, muitas delas rivais uma da outra, foram totalmente dominadas pelo branco europeu, vindo do norte em busca de madeira, ouro, diamante entre outros. Em 1885, realiza-se a Conferência de Berlim, da qual, ao encerrar-se, destaca-se o papel do opressor, Otto Von Bismarck, chanceler alemão que dá início a uma corrida sangrenta rumo à África. Três décadas após essa corrida, 90 % do continente já havia sido repartido entre Ingleses, Espanhóis, Frances
es, Alemães, Belgas, Italianos, e Portugueses. Um continente três vezes o tamanho do Brasil.

Quando analisamos as literaturas que se propõem a discutir e ensinar sobre história africana, temos os chamados mitos, significantes preconceituosos sobre os povos negros da África. O primeiro mito é a existência da escravidão entre os povos africanos, sendo que na realidade isso acontecia. Assim como na cultura indígena, quando uma tribo vencida em batalhas era obrigada a prestar serviços à outra vencedora. O segundo mito que procurou justificar a escravidão foi que o índio não adaptava ao trabalho forçado, sendo assim a igreja passa a defender o índio e justificar a escravidão do negro. Para a igreja, o indígena possuía alma, já o negro era despossuído da mesma. O terceiro mito vem de uma ideologia perversa de que era preciso levar civilização e salvação aos povos negros bárbaros. O quarto e último mito está escrito na bíblia, diz que o negro seria condenado à escravidão pela sua descendência de Camita, um dos filhos de Noé não obediente aos ensinamentos divino. O continente foi partido em várias partes, de acordo com cada interesse europeu; o dominador separou povos e juntou etnias rivais entre si, impôs uma nova cultura, nova religião e nova língua. Segundo o historiador Henri Brunschwig, os colonizadores “recorriam a nações arbitrárias como latitude, longitude, linha de divisão das águas e curso presumível de um rio que mal se conhecia”. As fronteiras territoriais foram delineadas sem respeitar os costumes dos povos locais. Para o geógrafo francês Michel Foucher cerca de 90% das atuais fronteiras na África são herdadas do período colonial. Hoje, em pleno século XXI, o continente abriga a maioria dos países mais pobres do planeta. Os colonizadores têm uma tradição de administração vertical, de cima para baixo que inclui identidade e nacionalismo. Na economia, o colonialismo produziu países dependentes, monocultura não integrada que atendeu somente aos interesses das economias externas. O maior problema no continente é que, em poucas décadas, a sociedade tradicional africana foi colocada numa situação totalmente desconhecida. Durante quatro séculos o continente sofreu pela saída de sua população rumo às colônias na América. Cerca de 3 a 5 milhões de africanos chegaram ao Brasil, vindos de Serra Leoa, Senegal, Guine, Guine Bissau, Gâmbia, Gongo, Gabão, Angola; Gana, Guiné Equatorial e Camarões, numa viagem sem volta a uma terra desconhecida. Familiares foram separados de suas famílias, como bichos, animais irracionais. Os negros eram transportados em pequenos espaços dos porões dos navios, lugar abafado sem luminosidade, onde as necessidades fisiológicas eram misturadas com seres 

humanos movidos por paixões, desejos, subjugados como animais e mercadorias cuja função era trabalhar para enriquecer aos senhores, as baronesas, as sinhás. Muitos desses seres humanos, chamados de escravos, não suportavam a viagem e morriam antes de chegar aos seus compradores.

O método usado pelos colonizadores provoca tensões ate hoje no continente africano. Brigas entre tribos pelas terras que antes pertencia a seus antepassados só que agora estão sob o poder de etnias rivais; o real proprietário ainda está para ser descoberto. Terras se tornaram motivo de disputas. O método do colonizador era baseado em dividir e ocupar. Os invasores aproveitaram-se das rivalidades entre as etnias, das brigas entre as tribos, para dividir as terras entre as potencias mundiais. Um grande exemplo é o rei da Bélgica, Leopoldo II, que fingiu ter boas intenções para se tornar tirano no Gongo. Hoje deparamos com os resultados dessa colonização, a qual visava apenas explorar. O resultado: alto índice de pobreza, doenças endêmicas, e uma economia estagnada. Num salto na história chegamos aos anos 1980. Nesta década começa a ocorrer importantes transformações no regime de segregação racial na África do Sul. Essa prática ficou instalada por mais de quatro décadas, os negros daquela região viviam em precárias condições de vida, em contrapartida, os brancos gozavam de privilégios. Essa exploração do ser humano sobre o ser humano despossuído, teve um grande custo social e econômico; no social, como foi dito antes, se estabeleceu uma assustadora desigualdade social entre os cidadãos ricos contra pobres negros. Alem de sofrer com o racismo, e o preconceito dos brancos, os negros enfrentavam o problema da pobreza em alto nível na escala social. Como podemos nos referir aos negros trazidos da África: será que eles foram somente agentes históricos que simplesmente passaram pela história do Brasil? Podemos qualificá-los como sendo uma mera e insignificante força de trabalho? Qual será a importância do negro em nossa cultura? Onde podemos perceber sua influência? Desde sua chegada a essa terra a comunidade negra vem tentando buscar seu espaço, só que as desigualdades sociais entre brancos e negros no país acabam tornando esse crescimento impossibilitado de êxito. Essas desigualdades são consideradas como uma conseqüência da libertação dos negros da escravidão, como se esses não tivessem tido competência suficiente para se adequar às ofertas de serviços. Ao contrário, não se pensou no futuro dos negros libertos, não bastou apenas libertá-los, era necessário que se pensasse em como desenvolver potencialidades, das quais tanto se beneficiaram os donos das terras do país. O país tem uma dívida impagável com a comunidade negra, comunidade que junto dos brancos pobres, plantou e colheu a riqueza da nação, ajudou e muito a enriquecer barões em todo o Brasil. Mas vendo que a escravidão não tinha mais como ser sustentada, a magnífica princesa, com um gesto de lucidez e “caridade”, decide libertar os negros da escravidão, com a Lei Áurea, passada a vigorar no período pré-republicano. Mas será de fato que ela realmente livrou os negros da escravidão? Numa análise crítica da situação, poderíamos dizer que a princesa tirou os negros das senzalas e os mandou para as ruas, e mais futuramente, para favelas. Os negros foram trocados pelos italianos, estes foram mais respeitados que os negros tiveram casas para suas famílias, trabalho remunerado através de contratos firmados em papel. Os negros foram libertos, mas nada foi feito pela sua integração ao sistema produtivo brasileiro. Pelo contrário, trabalhadores rurais tiveram escassas nos campos as suas chances de trabalho. Foram libertos, mas pareceu, às vezes, que também foram expulsos das fazendas. Tiveram que se dirigir em massa para as cidades e se entregar aos serviços subalternos, morar nos subúrbios e viver na marginalidade5. Mas nem tudo são espinhos e desgraça: a verdade é que os negros e as comunidades quilombolas contribuíram e muito para a resistência popular, para os m

ovimentos sociais, e para a formação do Brasil.

O negro ocupa uma parte de direito em nossa historia, suas danças, sua culinária e sua medicina caseira foi incorporada na cultura européia trazida pelos portugueses, e até hoje tem mostrado que suas raízes africanas continuam enraizadas, hoje nos povos quilombolas, os quais fazem questão de preservar suas danças, suas comidas tradicionais e seus cuidados com a saúde de forma caseira.
A população negra se encontra vulnerável aos problemas sociais e econômicos. Um problema que nos últimos tempos vem influenciando uma série de outros problemas nocivos à comunidade negra em todo mundo é o preconceito e a discriminação sofridos por essa população. Segundo o PNUD, a proporção de negros abaixo da linha de pobreza no total da população negra no Brasil é de 50%, enquanto, no conjunto da população branca brasileira, esse índice é de 25%, desde 1995. Abaixo, temos a fala de uma das pessoas que mais tem se preocupado com as minorias em todo mundo.
Em todo o mundo, minorias étnicas continuam a ser desproporcionalmente mais pobres desproporcionalmente mais afetadas pelo desemprego, desproporcionalmente menos escolarizadas do que os grupos dominantes. Estão sub-representadas nas estruturas políticas e super-representadas nas prisões. Tem menos acesso a serviços de saúde e qualidade e, consequentemente, menos expectativa de vida.
Kofi Annam, secretário da Organização das Nações Unidas (ONU)
O Brasil não é um país de uma única cor, é um país multicolorido, há uma mistura entre negro, branco e o indígena, os quase 5 milhões de negros vindos do continente africano. Hoje há, no país, uma grande miscigenação entre os 186 milhões de brasileiros, muitos ainda se encontram vivendo como escravos, escravos dos fazendeiros que se acham no direito de explorar o trabalho de seres humanos, escravos das plantações de cafés de cana-de-açúcar, escravos de um sistema que pouco tem se importado com os problemas de uma minoria de grandes proporções numéricas. Suas cartas de alforria ainda não foram assinadas, hoje, pelo Estado que se diz legitimar-se num estado de bem-estar social. Esses escravos contemporâneos têm os piores trabalhos e residem em complexos de favelas, marginalizados pelo poder público, violentados, discriminados pelas elites conservadoras que ainda se encontram penduradas no poder.
No ano de 2000, o projeto de Lei nº. 3198/006  institui o Estatuto da Igualdade Racial, para combater a discriminação racial e as muitas desigualdades raciais, sofrido pelos afro-brasileiros. O Estatuto vem em defesa dos que sofrem preconceitos ou discriminação em função de sua etnia, raça e/ou cor. O Estatuto procura considerar o que é: discriminação racial, desigualdade racial, afro-brasileiros, políticas públicas e ações afirmativas. Vem considerando como discriminação racial “toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica”, todos têm direitos iguais, independente das diferenças, direto a liberdade no campo político, econômico, social e cultural.
As ações afirmativas são os programas e medidas especiais adotados pelo Estado, que podem estar incluídas dentro das políticas públicas em função da luta dos afro-descendentes. A Declaração Universal dos Diretos Humanos deixa bem claro que todos têm igual direito de viver com dignidade, e adiante temos um trecho da declaração, um artigo bem centrado frente aos direitos humanos, o qual facilita e muito nossa compreensão dos direitos da população como um todo: “Toda pessoa tem direito a um nível de vida adequado que lhe assegure, assim como à sua família, saúde e bem-estar, especialmente, vestuário habitação, assistência médica e os serviços sociais necessários.”  É dever do Estado, não é que ele pode, ele deve garantir a igualdade de oportunidades, e é dever do Estado implantar os programas de ações afirmativas para reparar as distorções e desigualdades raciais derivadas da escravidão e demais práticas exploratórias. A população afro-brasileira tem direito à saúde de qualidade, educação, cultura, esporte, ao lazer, a liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos. Fazendo uma análise sobre a problemática da diferença entre negros e brancos no Brasil, o Atlas Racial Brasileiro de 2004 mostra a existência e a manutenção de diferenciais entre a população negra e branca pobre. Quando analisamos dados expressivos e alarmantes, chegamos à conclusão que nossos governantes nada têm feito para a população negra nos últimos tempos, é preciso refletir sobre os problemas enfrentados pelas comunidades negras, é preciso que as políticas governamentais sejam universais, que passe a beneficiar a todos os que sofreram danos históricos dentro das dimensões do país. Segundo Alba Zaluar (1995), “Para que isso ocorra, é preciso evitar que a assistência governamental se torne privilégio de poucos e acabe criando espaços para o clientelismo, o que impediria a efetivação da cidadania”.

Para as comunidades remanescentes quilombolas, é assegurado pelo art. 68 das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, o direito de posse de suas terras. O p
roblema é que não basta somente a posse da terra, é preciso uma política séria e consistente para com os remanescentes, na área da agricultura, financiamento, assistência técnica de qualidade e uma política de comercialização dos seus produtos. A adoção de uma política séria e comprometida em desenvolver esses povos é aguardada com muito entusiasmo pelos remanescentes. A adoção dessas políticas possibilitaria que desenvolvimento econômico, social e cultural se torne uma realidade entre os moradores que compõem as comunidades.


OBJETIVO GERAL

Apresentar várias nuances da cultura negra como forma de uma reflexão social sobre a atual condição do povo negro, devido a sua herança histórico-cultural e liberdade tão abruptamente violada e que deixou seqüelas marcantes que permanecem até hoje; passados 121 anos de “libertação” dos negros e negras escravos pela Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888.

OBJETVOS ESPECÍFICOS

· Fazer uma reflexão sobre “A Libertação dos Escravos” com a Lei Áurea de 1888;
· Vê o 13 de maio como dia nacional de luta contra o racismo;
· Resgatar e divulgar a cultura dos afro-brasileiros e algumas de suas formas de arte e criatividade;

· Dar visibilidade a organização do movimento social negro do norte de minas em especial (Mont
es Claros)


META PRINCIPAL

Conscientizar a sociedade norte mineira da importância dos elementos da cultura do povo negro na formação cultural, política, econômica e social do povo brasileiro, para que possamos fazer uma reflexão sobre “A Libertação dos Escravos”.
Isso porque ninguém lhes dava emprego, muitos foram obrigados a entrar para o roubo e a prostituição, e a outros não restaram senão mendigar um prato de comida para sobreviver.

Destinada a apreciar e proferir parecer ao Projeto de Lei nº 3198, de 2000, que “institui o Estatuto da Igualdade Racial, em defesa dos que sofrem preconceito ou discriminação em função de sua etnia, raça e/ou cor, e dá outras providências.”
Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

JUSTIFICATIVA
Durante cerca de 350 anos, o racismo foi escancarado no Brasil, apesar da miscigenação. Os negros estavam escravizados e mesmo os que conseguiram sua alforria eram oficialmente considerados inferiores, com a bênção da igreja católica, que afirmava que eles não tinham alma.
O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão. A Lei Áurea , de 13 de maio de 1888, assinada pela Princesa Isabel, tirou 800 mil pessoas do cativeiro, num total de 14 milhões de habitantes, e foi muito comemorada na época. O racismo ainda é uma realidade no Brasil segunda nação com mais negros no mundo, atrás apenas da Nigéria. Passados 119 anos da abolição da escravatura, os afro-descendentes constituídos por negros (as) e pelos chamados pardos (as).
Representam pelo menos de 40 a 46% da população brasileira segundo o IBGE. Esse percentual é maior quando calculada com outras metodologias. Ao completar 121 anos de “Abolição da Escravatura”, torna-se essencial a atenção para os múltiplos significados do 13 de Maio. Essa data significa para o povo negro um dia de reflexão e denúncia.
Em tempos de globalização, nada mais oportuno do que uma discussão democrática com relação a arte da comunidade dos afro-descendentes numa economia em transição, utilizando-se a expressão cultural para esse fim. Justifica-se, portanto, a realização do Festival de Cultura e Arte Negra, o 4º FECAN, para dar continuidade ao sucesso do qual foram as edições anteriores.

4º FECAN – FESTIVAL DE CULTURA E ARTE NEGRA



4º FECAN – FESTIVAL DE CULTURA E ARTE NEGRA
Montes Claros 10 a 17de Maio 2009

“Cada vez mais, as empresas aderem às ações socialmente responsáveis. Assistimos hoje, no Brasil a uma verdadeira revolução social, com suas ações postadas em todos os cantos do país. São homens, mulheres, profissionais, dirigentes envolvidos numa relação maior com a comunidade, mexendo com a alma da empresa e fazendo disso uma grande motivação para as organizações se distinguirem a serem reconhecidas pelas sociedades”.

Livio Giora
Coord. Geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Social.


REALIZAÇÃO

1. CENTRO CULTURAL CAPOEIRANDO,
2. CERCAN-CENTRO DE REFERÊNCIA DOS CULTOS AFRO-BRASILEIRO DO NORTE DE MINAS,
3. GRUPO DE CONSCIÊNCIA NEGRA TAMBORES DOS MONTES,
4. UNEGRO- NÚCLEO MONTES CLAROS-MG.
5. IADS – INSTITUTO ALVORADA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.


EQUIPE DE COORDENAÇÃO:
Francisco Venâncio, Giliarde Brito, Gilvania Trindade, Hilário Bispo, Luciana de Fátima (Luciana Axé), Maria Clarete (kaia), Robson Andrade, Sidney Alves e Elis Medrado.

COORDENADOR GERAL: Hilário Bispo
E-mail: tamboresdosmontes@yahoo.com.br
 www.tamboresdosmontes.blogspot.com.br

Fone: (38) 9104 4369/ 97409883

PROPOSTA DE PATROCÍNIO
A SOCIEDADE VAI AGRADECER!

sábado, 28 de fevereiro de 2009



OGUNHÊ!



Que a espada de Ogum afaste de nós os perigos e as preocupações.
A preocupação olha em volta, a Tristeza olha para trás, a Fé olha para cima.
Este Orixá foi mandado para você.
Envie para 8 pessoas, inclusive para mim.
Em 8 minutos você receberá algo que espera há muito tempo



O Ano de 2009 será "regido" por São Jorge e Santa Barbara - Ogum e Iansã. Cores Verde e vermelho





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Bienal Afro-Brasileira do Livro lançada em Salvador

Bienal Afro-Brasileira do Livro lançada em Salvador

Aconteceu no dia 07 de fevereiro de 2009 (sábado), às 10h, na Câmara Municipal de Salvador – Pça. Tomé de Souza, o lançamento da Bienal Afro-Brasileira do Livro - Educar para a Diversidade. O evento traz à tona, com grande ênfase, a cultura afro-brasileira situando, além do foco nas produções literárias independentes, produções literárias do mercado editorial com prioridade no corte racial e outras manifestações culturais resultantes da trajetória de resistência dos afro-descendentes.

Durante a Bienal, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia – SEC, fez o lançamento do edital para seleção publica de material didático em Historia e Cultura Africana e Afro-brasileira e Educação das Relações Étnico Raciais para professores e alunos da rede estadual de educação. A programação do evento contou com: Colóquio Intelectual, mesas temáticas, exposição de artes plásticas e livros temáticos.

CONCEITO - Foi compreendendo que era necessário valorizar, sem disfarces, a luta e a história do povo negro na formação da identidade e cultura da sociedade brasileira que a Bienal Afro chegou à conclusão que contribuiu para ajudar a minimizar a desigualdade racial não é apenas resolver seus aspectos puramente econômicos, plasmar leis, mas é também educar a família, a comunidade, o professor e, nessa educação, reconstruiu a educação nos parâmetros edificados pelos seus principais protagonistas.

Para que a pessoa, indistintamente, não foce só um ente social, mas que foce também capaz de viver, difundir e contribuir para o desenvolvimento da cidadania plena, esse caminho é, portanto, a preparação das novas gerações para a vida em sociedade plenamente democrática, justa e conhecedora da sua formação histórica, e, consequentemente transformadora, para que, de fato, focemos gigantes pela própria natureza humana, rica em sabedoria.

A Bienal Afro-Brasileira foi de encontro às políticas públicas que visaram o combate à discriminação racial, à igualdade de oportunidades e às reparações.

“A história, um processo, prossegue, e todos nós, conscientes ou inconscientemente, por atos ou omissões, participemos dela”.

OBJETIVOS

- Dar visibilidade às produções independentes, cujos conteúdos editoriais valorizazem a História da África e a Cultura Afro-Brasileira, aproximando-os do mercado editorial e/ou auxiliando-os na criação de Cooperativa Editorial para concretizar as produções literárias.
- Oferece as produções aos Educadores de todos os níveis, cada um ao seu turno, para suprir a ausência de material didático para ser difundido nas salas de aula.

- Auxiliar as instituições de ensino na construção da identidade étnica dos alunos, pais, funcionários e comunidade.

- Fazer a discussão e tornar visível a temática racial para o conjunto da sociedade, através das manifestações culturais resultantes da trajetória de resistência: capoeira, samba, tambor de criola, ciranda, música, congada, reisado, boi-bumbá, etc.; além dos instrumentos musicais: atabaque, agogô, caxixi, cabaça, chocalho, etc.; exibição de vídeos e filmes; culinária de origem africana de todas as regiões do Brasil; moda; beleza; exposições artísticas; exposições fotográficas; artesanato; religiosidade de matriz africana e outras intervenções culturais relacionadas ao tema do evento.

- Introduzir a comparação do sistema brasileiro de inclusão racial e social, no contexto de uma economia transacional , com outros países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos, demonstrando o impacto de diferentes ambientes culturais, político-econômicos e normativos sobre a natureza da diversidade.

Serviço

O quê? Lançamento da Bienal Afro-Brasileira do Livro - Educar para a Diversidade
Quando? 07 de fevereiro de 20009 (sábado), a parti das 10h.
Onde? Câmara Municipal de Salvador – Pça. Tomé de Souza - Salvador/Ba.
Quanto? GRATUITO

PROGRAMAÇÃO:

Manhã:

-10h, Abertura

Mesas Temáticas
- Invisibilidade do Negro na Literatura Afro-brasileira
- Impacto da lei 10.639 no combate as desigualdades
- Lançamento do edital para seleção publica de material didático em Historia e Cultura Africana e Afro-brasileira e Educação das Relações Étnico Raciais para professores e alunos da rede estadual de educação

Almoço

Tarde:
- Apresentação do Conselho Consultivo da Bienal Afro-BrasileirA do Livro
-Visitação Publica ao pôr-do-sol no Forte São Marcelo
-Show intimista com artistas locais

Noite:
- Noite da Beleza Negra no Ilê Aiyê

Mais informações: Samuel Azevedo

Hamilton Oliveira (Dj Branco) – Assessor de Comunicação

Nos EUA, Obama. Em MG, "crioulo macaco"

Enquanto comemora-se a posse de um presidente negro nos EUA, elite governamental mineira pratica impunemente o racismo
Divulgação Segurança Antonio Carlos de Lima Na última sexta feira (16), enquanto o mundo inteiro preparava-se para a posse do primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, comemorando o avanço e amadurecimento de uma sociedade que já foi considerada uma das mais racistas do mundo, em Belo Horizonte, capital mineira, uma funcionária do primeiro escalão do governo praticava impunemente o racismo.O segurança Antonio Carlos de Lima, funcionário de uma loja na região da Savassi, área nobre da capital, ao cumprir seu dever solicitando à secretária do vice-governador de Minas Marcela Amorim Brant, filha do ex-deputado federal Roberto Brant, para que não estacionasse seu veículo em local proibido, de uso exclusivo da loja, recebeu como resposta diversas ofensas, em clara prática de preconceito racial. "Seu crioulo, seu macaco, ja dei queixa de você lá dentro da loja".Chamada, a Polícia Militar compareceu ao local colhendo depoimentos e o testemunho de quem presenciara o fato, encaminhando a secretária do vice-governador e o segurança para a delegacia.O que ocorreria a seguir vem comprovar que em Minas Gerais, a lei não alcança aos que estão no governo. O que até então era conduzido dentro da lei, tomou outro caminho. Os policiais que faziam a ocorrência passaram a ser pressionados por capitães e coronéis da Polícia Militar. Abertamente pretendiam interferir no trabalho dos policiais, na tentativa de impedir o andamento do boletim de ocorrência.Antonio Carlos Lima, o vigia ofendido, fez questão de relatar à reportagem do Novojornal: "Agradeço aos tenentes e aos cabos da cia. 22 que, apesar da pressão sofrida, através de constantes telefonemas do alto escalão, fizeram seus trabalhos, garantindo a mim a integridade moral e emocional."Embora o crime de racismo seja inafiançável, depois de quase 6 horas na delegacia, onde compareceu uma equipe de reportagem de TV, que gravou ao vivo, e outras equipes de reportagem já não mais tiveram acesso.A tentativa de mudança de delegacia e o encaminhamento imediato da acusada para o fórum acabaram não dando em nada.Até hoje, quase uma semana depois, nem mesmo uma nota sobre o assunto as entidades ligadas ao movimento negro e direitos humanos em Minas Gerais emitiu.A situação dos direitos civis em Minas Gerais beira o absurdo, quando chegamos a ponto de membros do comando da Polícia Militar tentarem interferir para que seus subordinados não cumpram a lei, favorecendo a elite governamental e a demonstração cabal de que em Minas não existe lei para quem está no governo.Cópia do boletim de ocorrência

Central Única dos Trabalhadores de Minas GeraisEdifício Atlântico - Rua Curitiba, 786 - 2 andar - CentroBelo Horizonte - Minas GeraisCep: 30.170-120Telefone: 31... - Fax: 31-2102-1902 Site: www.cutmg.org.brE-mail: cutmg@terra.com.br*

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desafios são muitos e serão enfrentados, diz Obama

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, abordou em seu primeiro discurso os desafios que os americanos enfrentam na economia e na política. Obama falou sobre a crise econômica, terrorismo e os desafios que os EUA enfrentarão. "Hoje eu digo a vocês que os desafios que enfrentamos são reais", disse Obama. "Eles são sérios e são muitos. Eles não serão enfrentados de maneira fácil ou em curto tempo. Mas saibam disso, América - eles serão enfrentados", disse Obama.Obama disse que a crise econômica pede "ação, ousadia e rapidez". À multidão que acompanhava seu discurso, Obama afirmou: "Neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e a discórdia", afirmou."A situação da economia pede ação, rápida e firme, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos, mas para firmar as bases de uma nova fundação para o crescimento".Rebatendo críticas contra o maciço pacote de estímulo econômico que tramita no Congresso, Obama disse que a questão não é se o governo é "muito grande ou pequeno, mas se o governo funciona". Leia mais.

Obama toma posse e se torna 44º presidente dos EUA


Obama toma posse e se torna 44º presidente dos EUA
Ter, 20 Jan, 03h27
Washington, 20 jan (EFE).- Barack Hussein Obama se tornou hoje o 44º presidente dos Estados Unidos, após jurar sobre a Bíblia e diante de mais de dois milhões de pessoas reunidas em frente ao Capitólio de Washington "desempenhar com fidelidade o cargo e defender a Constituição dos EUA".

No discurso de posse, Obama, pediu aos americanos o início de "uma nova era de responsabilidade" em suas vidas e um novo papel para o país no mundo, baseado na cooperação e no diálogo.
O novo presidente fez um apelo pelos valores fundamentais dos EUA para começar um novo capítulo na história americana.
Obama também anunciou "o fim da era das queixas mesquinhas" e "das falsas promessas" na política americana.
Em seu discurso de posse, afirmou ainda que o povo americano optou "pela esperança em lugar do medo, pela unidade frente ao conflito e a discórdia".
"Neste dia, proclamo o fim das queixas mesquinhas e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que durante tanto tempo estrangularam nossa política", disse diante de mais de dois milhões de pessoas que se reuniram para assistir à sua posse e ouvir seu discurso.
Ao fazer o juramento, o democrata, emocionado, teve problemas para repetir as frases. Logo após terminar, a multidão reunida no Mall, o parque situado em frente ao Capitólio em Washington, explodiu em aplausos e gritos de "Obama, Obama".
O juramento de Obama aconteceu minutos após o previsto - 12h (15h de Brasília) -, pois a cerimônia sofreu um pesqueno atraso. Por isso, tecnicamente, ele se transformou em presidente dos Estados Unidos pouco antes de tomar posse, pois a Constituição afirma que a transferência de poderes ocorre ao meio-dia de 20 de janeiro.
Com um sol radiante, mas um frio intenso, Obama jurou sobre a mesma Bíblia usada por Abraham Lincoln em 1861. A seu lado, a esposa Michelle observava o momento emocionada, assim como suas filhas Sasha e Malia.
Ao tomar posse, Obama pronunciou a seguinte frase: "Juro solenemente desempenhar com toda fidelidade o cargo de presidente dos Estados Unidos e, até o limite da minha capacidade, preservar e proteger a Constituição dos Estados Unidos".
O juramento foi feito diante do presidente da Corte Suprema dos EUA, John Roberts.
Momentos antes tinha sido a vez de o vice-presidente Joseph Biden fazer seu juramento, perante o juiz do Tribunal Supremo John Paul Stevens.
Na tribuna presidencial do Capitólio estavam os ex-presidentes dos EUA vivos: George W. Bush, Bill Clinton, George H. W. Bush - pai do ex-líder - e Jimmy Carter. Todos eles estiveram acompanhados por suas esposas.
Antes de Obama, entraram na tribuna presidencial Michelle, usando um vestido e casaco amarelos, Malia, com um casal azul, e Sasha, de rosa.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Morre idealizador do Dia da Consciência NegraMorreu no dia 1º de janeiro, em Porto Alegre(RS)


Morre ide
alizador do Dia da Consciência Negra. Morreu no dia 1º de janeiro, em Porto Alegre (RS), o professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira, conhecido nacionalmente por ser o idealizador do Dia da Consciência Negra, que acontece no dia 20 de novembro. A data - cujas comemorações se iniciaram em 1971 pelo Grupo Palmares, na capital gaúcha - é referência para os afrobrasileiros em contraponto ao 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura.O pesquisador, que morreu aos 67 anos em decorrência de câncer, estava internado havia 15 dias no Hospital Ernesto Dornelles. Natural de Rosário do Sul (RS), era formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização na língua francesa, e professor aposentado da rede pública de ensino.
.Integrante de maior projeção do extinto Grupo Palmares, Oliveira Silveira foi porta-voz da data política de 20 de novembro para o Brasil, que adotava Zumbi dos Palmares como herói nacional. Estava em jogo a desconstrução do mito da liberdade concedida, substituído pela combatividade negra durante todo o período de escravização e pela denúncia da ação do racismo, do preconceito e da discriminação racial no Brasil.


nota de memória lélia gonzalez:Conforme manifestação anterior, reafirmamos a grande perda que fica marcada, para sempre, no seio da luta negra do Brasil, com a partida do eminente amigo, intelectual, poeta, guerreiro incansável Oliveira Silveira.A marca política do 20 de novembro, em contraponto ao dia 13 de maio, foi levantada por Oliveira Silveira e assumida por todas as entidades e militantes do Movimento Negro em nível nacional.Com o desenrolar da reflexão, num certo dia de novembro, tendo encontrado no quadro de giz em uma sala do IPCN - Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (Rio de Janeiro), a lembrança aos sócios, deixada por Orlando, sobre o dia “20 de novembro – Dia de Zumbi”, Paulo Roberto dos Santos (conhecido no Movimento Negro como “Paulo Boca”), escreveu ao lado: “Dia Nacional da Consciência Negra”.A continuação na luta é conhecida de todos/as. A nós não nos basta o reconhecimento, como no parágrafo anterior. Precisamos que o dia 20 de novembro seja outorgado FERIADO NACIONAL!

O Grupo Palmares, fundado em 20 de julho de 1971, realizou uma série de atividades públicas durante o regime militar para evocação de ícones negros como Luiz Gama e José do Patrocínio. A reverência a Zumbi dos Palmares, ato de maior relevância daquele ano, ocorrera no Clube Náutico Marcílio Dias, em Porto Alegre , freqüentado por negros. Em 1978, o 20 de Novembro foi elevado a Dia da Consciência Negra a partir da fundação do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial.Racismo - Oliveira Silveira teve constante atuação no movimento negro por meio da militância política e da produção literária negra. Fundou o grupo Semba, a Associação Negra de Cultura e integrou o corpo editorial da revista Tição (publicação do Movimento Negro gaúcho no final dos anos 1970). Com presença marcante, participou da produção cultural gaúcha, compôs rodas de intelectuais e formadores de opinião. Foi homenageado em diversos eventos, entre eles a Feira do Livro de Porto Alegre. O pesquisador também escreveu uma dezena de livros e inúmeros poemas acerca da vida dos negros no Rio Grande do Sul e sobre a questão negra de forma geral.Foi conselheiro de notório saber em relações étnico-raciais do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), no período de 2004 a 2008. Atualmente, colaborava com a Secretaria por meio de consultoria acerca da preservação dos clubes negros como patrimônio material e imaterial afro-brasileiro.



Fonte: Informes PT 05/jan/09/Ano XV n 4148

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

CCJ aprova Feriado Nacional de Zumbi

CCJ aprova Feriado Nacional de Zumbi

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei nº 4437/ 2007, de autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que estabelece no calendário oficial o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado anualmente com feriado em todo o território brasileiro. O projeto recebeu um substitutivo da Comissão de Educação da Câmara e, por ter sido alterado, volta ao Senado Federal para votação final. Leia, a seguir, a íntegra do substitutivo:SUSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI N.º 4.437, DE 2004Institui o "Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra" e altera o Artigo 1º daLei no 662, de 6 de abril de 1949, com redação dada pela Lei 10.607 de 19 de dezembro de 2002, para declarar feriado nacional o dia 20 de novembro.O Congresso Nacional decreta:Art. 1º Fica instituído o "Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra", a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares.Art. 2º O art. 1º da Lei nº 662, de 6 de abril de 1949, que "Declara Feriados Nacionais os Dias 1º de Janeiro, 1º de Maio, 7 de Setembro, 15 de Novembro e 25 de Dezembro", com redação dada pela Lei 10.607 de 19 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação:"Art. 1º São feriados nacionais os dias 1o de janeiro, 21 de abril, 1o de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro, 20 de novembro e 25de dezembro." (NR)Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Os Movimentos Negro e Quilombola Estão de Luto


Os Movimentos Negro e Quilombola Estão de Luto
No dia quatro de dezembro, por volta das 13hs 30min a Comunidade Remanescente de Quilombo dos Alpes foi, mais uma vez, brutalmente atacada. Desta vez o preconceito e a intolerância ceifaram a vida de dois líderes do movimento quilombola gaúcho: Joelma da Silva Ellias (Jô, 36 anos) Diretora de Eventos e membro do conselho fiscal da Associação do Quilombo dos Alpes e Valmir da Silva Ellias (Guinho, 31 anos) – vice-presidente da Associação do Quilombo dos Alpes, foram brutalmente assassinadas, além de deixar ferida Rosangela da Silva Ellias (Janja) – Presidente da Associação dos Moradores do Quilombo e tentar contra a vida de mais um dos membros desta comunidade.
O ataque ocorreu dentro da comunidade, sendo que Valmir e Joelma foram alvejados pelas costas. Segundo a comunidade o assassino Pedro Paulo Back, conhecido por alemão, morava na área do quilombo e já algum tempo vinha ameaçando as lideranças. No domingo dia 30/11 ele disparou diversos tiros contra comunidade afirmando que: "o que esta negrada esta pensando, vou matar esta negrada". 
Diante desta ameaça, a presidenta da Associação denunciou o fato ao INCRA que, por sua vez pediu que a comunidade procurasse o Ministério Público Federal. 
Cabe salientar que a comunidade tomou todos os procedimentos legais, não havendo por parte do estado nenhuma ação em defesa e proteção do quilombo.
A Comunidade Remanescente de Quilombo dos Alpes a partir de Janeiro de 2005 foi auto reconhecida e Certificada pela União através da Fundação Cultural Palmares desde então, passa a ter sob a sua posse uma vasta área de terra, segundo indicação da comunidade, aproximadamente 142 hectares. Se antes a especulação imobiliária confinara a comunidade em uma área restrita de terra, hoje ela já pode desfrutar de boa parte das terras ocupadas pelos seus ancestrais. A finalidade da terra para esta Comunidade Remanescente de Quilombos é inconciliável com a destinação dada pelas empresas de especulação imobiliária, que buscam lotear a área ao passo que os quilombolas há mais de cem anos ali estabelecidos desenvolveram uma relação de preservação com o meio ambiente, especialmente da mata de onde advém parte do seu sustento e dos veios de água. Desta forma impedindo que o local seja utilizado como depósito de lixo e evitando incêndios criminosos. As oitenta famílias quilombolas vivem em situação de completo descaso por parte do Estado através da omissão e morosidade no processo de regularização dos territórios quilombolas.
Os conflitos no quilombo dos Alpes vem ocorrendo sistematicamente desde que a comunidade se auto declarou quilombola. A partir deste momento tem inicio um processo de disputa pelo território por parte de moradores não quilombola(posseiro s) e dos especuladores imobiliariarios com a conivência de órgãos da segurança pública. O acirramento desde processo redundou nesta chacina
A demora do processo de regulamentação do território quilombola vem acirrando os conflitos inerentes à disputa pela terra.Diante destes fatos a comunidade negra do RGS exige providencias dos governos federal, estadual e municipal, no sentido de fazer cumprir o artigo 68 ADCT da Constituição Federal.
De imediato requerem: proteção da policia federal e o respectivo acompanhamento do inquérito policial. Imediata titulação do território quilombola. Subscrevemo- nos
Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo dos Alpes – Dona Edwiges
Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo Família Silva
Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo Luiz Guaranha
Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo Família Fidelis
Rede Quilombos do Sul
FACQRS - Federação das Associações das Comunidades Quilombolas do RS.
Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnias.
IACOREQ – Instituto de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombos
MNU – Movimento Negro Unificado
FORMA - Fórum Estadual de Religiosidade de Matriz Africana
UNEGRO – União de Negros Pela Igualdade Racial.