terça-feira, 15 de março de 2011

Os brasileiros precisam conhecer a história dos negros

Fonte
REVISTA RAÇA BRASIL
Petronilha Beatriz"Os brasileiros precisam conhecer a história dos negros"textos e fotos Maurício Pestana


Responsável pelo parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu, há alguns anos, a obrigatoridade do ensino da história da África e de seus descendentes nas escolas brasileiras, a gaúcha Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva é titular de Ensino-aprendizagem-Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da mesma universidade. Com vasto currículo acadêmico, a professora possui, ainda, graduação em Português e Francês (1964), mestrado em Educação (1979) e doutorado em Ciências Humanas-Educação (1987), pela Universidade Federal do Rio grande do Sul. No exterior, cursou especialização em Planejamento e Administração no Instituto Internacional de Planejamento da UNESCO, em Paris (1977), e fez estágio de Pós-Doutorado em Teoria da Educação, na University of South Africa, em Pretória, África do Sul (1996). Com toda essa bagagem, tornou-se uma das maiores especialistas em Educação Étnico Racial no Brasil e a primeira negra a pertencer ao Conselho Nacional de Educação. Com exclusividade à RAÇA BRASIL, Petronilha fala sobre os rumos da educação e da Lei 10.639, além do polêmico caso do livro Caçadas de Pedrinho, do escritor Monteiro Lobato. "Ele é um grande literato, mas era racista", afirma
Como nasceu a ideia de criar uma lei para ensinar nas escolas a história da Àfrica e seus descendentes?Em 2002, fui conduzida ao Conselho Nacional de Educação por indicação do Movimento Negro. Aí, começaram a chegar algumas denúncias, como a acorrida num desfile de 7 de setembro, no Tocantins. Não me lembro o nome da cidade, mas não foi na capital. No evento desfilaram crianças de colégio. Um grupo desfilou andando no asfalto com os pés descalços como escravizados e uma menina branca, loura, carregada numa cadeirinha por dois meninos negros. Diziam que estavam contando a história dos transportes. Essa situação toda foi fotografada e fizeram uma exposição na prefeitura da cidade. O movimento negro local pediu para que fosse retirada. Como não o fizeram, o caso foi parar no Conselho.
Assim como a denúncia do livro de Monteiro Lobato?Sim, mas chegavam casos dos mais variados. Lembro- me, por exemplo, do pai de um menino negro. A criança não queria ir à escola e o pai, querendo saber o motivo, descobriu que era por causa de um livro com uma representação negativa em imagens. Talvez as pessoas tivessem uma intenção, digamos, boa, só para dar um exemplo. Esse segundo caso chegou por meio do MEC.O primeiro caso, do Tocantins, encaminhamos para a Secretaria do MEC de Educação Fundamental que, por sua vez, tomou providência. Isso para lhe dar um exemplo do tipo de demanda que chegava ao Conselho. Ao mesmo tempo, a gente sabia que havia uma expectativa, claro, do Movimento Negro. Eu propus que houvesse alguma manifestação do Conselho. Convidei militantes que estavam em Brasília para, quando estivéssemos em reunião do Conselho, participássemos paralelamente da reunião. Assim, vários militantes passaram a companhar as reuniões do Conselho. Surgia o embrião que resultaria na Lei 10.639.
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Mas antes disso já havia professores e ativistas negros que trabalhavam a questão racial dentro das escolas em todo o Brasil.Sim, havia um entendimento no Movimento Negro e professores que já trabalhavam com história e cultura afro-brasileira e africana, mas tinha que haver uma mudança nas relações entre negros e não negros, e isso exigiria a elaboração de diretrizes. Então, reunimos um grupo por, praticamente, dois anos.Nessa comissão é que nos organizamos, de uma maneira informal, sem a oficialização do Conselho, e fizemos também uma programação, porque haveria mudança de governo. No mês de dezembro, apresentamos para a comissão que cuidava da transição uma proposta do que seria importante nos diferentes níveis de ensino, relativamente à população negra para um governo bom. Voltando às diretrizes, fizemos uma consulta, um questionário, que foi distribuído via internet para pessoas do movimento negro, professores, secretarias de educação, estudantes... Muitas discussões foram feitas.
Ou seja: o tema foi amplamente discutido com a sociedade. Houve resistência?E muita. Houve quem ponderasse, na época, que isso poderia acirrar o racismo, e até hoje há quem ainda diga isso. Quando a lei foi aprovada, houve manifestação de diferentes intelectuais contrários a ela.
"DIGO QUE ALGUMAS IDEIAS E SENTIMENTOS PRÉ-CONCEBIDOS CONTRA A POPULAÇÃO NEGRA INFLUI, SIM, NO FATO DE AS PESSOAS, POR EXEMPLO, ACHAREM QUE É DESNECESSÁRIO ENSINAR E EDUCAR AS RELAÇÕES RACIAIS NA ESCOLA, PORQUE ACHAM QUE ESTÁ TUDO BEM"
Entre os professores, também existe resistência em acatar a lei?Não tenha dúvida, pois as leis de diretrizes exigem uma mudança de mentalidade do professor, uma mudança de mentalidade da relação do professor, inclusive com pessoas negras e da imagem que o professor tem das pessoas negras. Eu pergunto em cursos e palestras e peço para as pessoas pensarem: O que eu penso das pessoas negras? De onde vem o que eu penso sobre elas? Aprendi onde? Aprendi quando criança, brincando, ou aprendi estudando? De onde é que vem, qual é a raiz, a origem? Pergunto para as pessoas se darem conta de que elas, às vezes, se comportam sem ter muita clareza de onde vêm a origem e a raiz do seu comportamento.
A senhora diria que a resistência de alguns professores em não querer aplicar a lei se deve também a certo racismo?Digo que algumas ideias e sentimentos pré-concebidos contra a população negra influi, sim, no fato de as pessoas, por exemplo, acharem que é desnecessário ensinar e educar as relações raciais na escola, porque acham que está tudo bem. De um lado é a necessidade de troca de mentalidade, de outro, um fato das normas legais que são adotadas. Os professores não têm ainda o hábito de lerem e interpretarem as leis de diretrizes, então, fica a cargo de uma coordenadora, de uma supervisora, que diz o que tem que ser feito. Fica nas mãos de um e de outro que pode até, por preconceito, fazer vistas grossas na aplicação da lei.
Em relação à lei, a maior crítica que se faz é quanto ao despreparo do professor para ensinar a matéria na sala de aula.Os brasileiros precisam conhecer a história dos negros. O que acontece é que a lei de diretrizes de bases é, até certo ponto, explícita, mas tem muitos detalhes, trata de muitos níveis de ensino, e um artigo não dá toda a explicitação. Qual é o papel do Conselho Institucional de Educação diante disso? Interpretar as determinações legais, criar e oferecer elementos para que sejam implantadas. Quero dizer o seguinte: o termo, o artigo da lei é lacônico, mas as diretrizes curriculares que regulamentam para que se possa implantar são detalhadas. Uma das coisas que ela diz é que é preciso criar condições para que os professores implantem entre eles, recebendo informações, fazendo cursos, criando materiais. Mas isso cabe a quem? Cabe à Secretaria de Educação e aos próprios estabelecimentos de ensino, cabe às mantenedoras.
Existe alguma punição para a escola, professor ou secretaria que não esteja cumprindo a lei?Por iniciativa do próprio Ministério Público, no Rio de Janeiro tem um grupo de advogados que estimulou essa cobrança. A minha universidade, por exemplo, já recebeu. O Ministério Público foi perguntando: Existe uma lei. O que vocês fizeram? Como universidade, tem cumprido o que está determinado? Recentemente, o Ministério Público da região de São Carlos chamou as secretarias municipais de educação e perguntou: O que vocês têm feito? Vocês têm um setor da secretaria ou uma seção para cuidar disso? Se não tem, tem que ter! Chamou a nossa universidade também para dizer: Eles precisam criar condições e vocês têm que ajudar a criar essas condições. O Ministério Público é que tem se encarregado e faz esse controle.
E qual tem sido a resposta?Para você ter uma ideia, no Rio Grande do Sul, o Ministério Público fez uma cartilha para que não chegassem com a grande e maior desculpa que é: Não temos material!Logo que foi promulgada a lei e que saíram as diretrizes curriculares, a gente até poderia dizer que os materiais eram muito escassos. Não é que eles fossem de fato inexistentes, mas acontecia que grande parte deles era produzida pelo movimento negro, por pessoas, individualmente. O número das publicações para divulgação era muito restrito, era apenas para aquele universo. Existia tanto que as professoras ligadas ao Movimento Negro ou, sabendo da existência dele, e que se deram ao trabalho de ler as diretrizes que indicavam que o Movimento Negro deveria ser consultado, fizeram isso e tinham material.Mas, hoje, não dá para dizer que não há material. A Secretaria de Educação e o MEC publicaram muito coisa e compraram também.

Então, quem não aplica a lei atualmente, é mais por falta de vontade?Eu acho que sim. Diria que é má vontade, na medida em que o projeto de sociedade inclui uma sociedade elitista, onde há discriminação. As pessoas vão ter que revisar as suas posições em relação às outras. Esse é o grande Brasil. Não é só saber algumas coisas. Então, o que acontece, as escolas estão fazendo ainda atividades pontuais.
O que a senhora achou da polêmica com o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato?O que está em questão no parecer do Conselho, com muita clareza, não é a qualidade literária da obra, que não está dizendo que ele é um mau autor.Está dizendo que ele escreveu, em uma época, coisas que desqualificam a população negra, ele teve atitudes racistas e que isso vai reforçar essas atitudes nas crianças que lerem e vão fazer com que as crianças negras se sintam discriminadas, sofram e tenham vergonha de serem negras. É isso que está dizendo o parecer. É importante que o próprio livro chame a atenção do professor para este fato e que se faça um encaminhamento para saber como os professores lidam com isso. Há muito tempo não leio Monteiro Lobato e me dei conta do por quê chamam tanto as crianças negras de macacas. "Ah! O Monteiro Lobato está chamando!"A Emília é uma boneca, é o personagem preferido do ... Seja uma boneca, uma árvore, um rato, não importa, esse personagem traz essa mensagem. Nas escolas chamam as crianças negras de macacas, mas o Monteiro Lobato está ensinando.
"A CRIANÇA NEGRA TEM QUE LER SABENDO QUE ESSA PESSOA ERA UMA PESSOA RACISTA, QUE NÃO GOSTAVA DE NEGROS. SE GOSTASSE, NÃO ESCREVERIA NEM SE REFERIRIA A ELES DESSA FORMA"
Qual a sua opinião sobre Monteiro Lobato?Ele é um grande literato, mas era racista, tinha uma posição dentro de sua época e isso tem que ser pontuado. Eu vou fazer a crítica de uma obra literária? Vou sim, se essa obra faz mal para alguém. A criança negra tem que ler sabendo que essa pessoa era uma pessoa racista, que não gostava de negros. Se gostasse, não escreveria nem se referiria a eles dessa forma. E as crianças têm de ser reforçadas para não sofrerem. Elas têm que conhecer Monteiro Lobato e as crianças brancas têm que saber que ele era racista e que isso faz sofrer, desqualifica as pessoas e a gente quer uma sociedade democrática.
Como uma família deve agir se perceber que a escola de seu filho não obedece à lei?Se o pai e a mãe perceberem que na escola de seus filhos estão contempladas somente imagens e histórias de crianças brancas, devem pegar o parecer e ir até lá dizer: "Olha, está escrito, foi o Conselho Nacional de Educação, quero ver quando vão obedecer a essa lei". Tenho certeza que o dia em que os pais entrarem na escola com os pareceres, cobrando da escola, as coisas vão mudar

Calendário internacional da cultura negra

Fonte Fundação Palmares
Calendário internacional da cultura negra
Fale conosco
Dia 02- Fundada a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. São Paulo/SP (1711).

Morre Mônica Veyrac, a primeira diplomata negra da história do Itamaraty. Costa Rica (1985).
Dia 06- Lançado o jornal O Clarim da Alvorada, um dos poucos a refletirem a inquietação da população negra no Brasil. Matão/SP (1924).
Dia 09- Promulgada a Lei Federal Nº 10.639, que rege a obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira na rede oficial de ensino (2003).
Dia 13- Nasce André Rebouças, engenheiro, professor universitário e grande abolicionista. Cachoeira/BA (1838).
Dia 15- Nasce Marthin Luther King, pastor norte-americano que lutou pela igualdade racial. Atlanta/Georgia (1929).- Acontece a Revolta dos Malês, rebelião contra o escravismo e a imposição da religião católica. Salvador/BA (1835).
Dia 29- Morre José do Patrocínio, jornalista e ativista da causa abolicionista. Rio de Janeiro/RJ (1905).
Dia 31- Tombamento da Serra da Barriga, berço da resistência negra, onde nasceu o Quilombo dos Palmares e viveu seu maior líder, Zumbi dos Palmares. União dos Palmares/AL (1986).
Dia 01- Nasce Lélia González, antropóloga, filósofa, intelectual e militante da causa negra. Bebedouro/MG (1935).
Dia 02- Plenário da Constituinte aprova a emenda de autoria do deputado federal Carlos Alberto Caó Oliveira, estabelecendo o racismo como crime inafiançável e imprescritível (1988).
Dia 07- Nasce Clementina Jesus da Silva, sambista e ícone da luta contra a discriminação racial. Valença/RJ (1902).
Dia 10 - Nasce a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância religiosa. Salvador/BA (1984).
Dia 12- Nasce Arlindo Veigas dos Santos, acadêmico e primeiro presidente da Frente Negra Brasileira (FNB). Itu/SP (1902).
Dia 18- Fundado o Afoxé Filhos de Gandhi, agremiação carnavalesca de maioria negra. Salvador/BA (1974).
Dia 19 - Realizado o primeiro Congresso Pan-Africano. Paris/França (1919).
Dia 21- Morre Malcom X, um dos grandes defensores dos direitos afro-americanos. Nova Iorque (1965).
Dia 19- Acontece a Revolta do Queimado, principal movimento de luta contra a escravidão do estado do Espírito Santo/ES (1849).
Dia 21- Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. O dia foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória das vítimas do massacre de Shapevile, África do Sul.
Dia 01- Acontece o Primeiro Festival Mundial das Artes Negras. Dakar/Senegal (1966).- Criação do Partido dos Panteras Negras. EUA (1967).
Dia 04- Morre Marthin Luther King, ativista e Prêmio Nobel da Paz, assassinado minutos antes de uma marcha em favor dos direitos dos negros. Memphis/EUA (1968).
Dia 05- Nasce Vicente Ferreira Pastinha, o “Mestre Pastinha”, capoeirista e ícone da cultura afro-brasileira. Salvador/BA (1988).

Dia 25- Criado o bloco afro Olodum. Salvador/BA (1979).
Dia 26- Nasce Benedita Silva, primeira mulher negra a ocupar um cargo de governadora. Praia do Pinto/RJ (1942).
Dia 02- Nasce Ataulfo Alves, grande cantor e compositor negro. Miraí/MG (1909).
Dia 03- Nasce Milton Santos, grande geógrafo negro. Macaúba/BA (1933).
Dia 13- Abolição da escravatura no Brasil (1888).
Dia 13- Nasce Lima Barreto, escritor, jornalista e militante da causa negra. Rio de Janeiro/RJ (1881).
Dia 14- Líderes da Revolta dos Malês são fuzilados. Campo da Pólvora, Salvador/BA (1835).
Dia 18- Criado o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Rio de Janeiro/RJ (1950).
Dia 19- Nasce Malcom X, um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos. Omaha/Nebrasca (1925).
Dia 06- Morre o jamaicano Marcus Garvey, mentor do Pan-africanismo. Londres (1940).
Dia 21- Nasce Luiz Gonzaga Pinto da Gama, escritor, jornalista e um dos ícones da luta pela afirmação da identidade negra. Salvador/BA (1830).
Dia 24- Nasce João Candido, líder da Revolta da Chibata, conhecido como Almirante Negro. Rio Pardo/RS (1880).
Dia 01- Fundado o Clube Negro de Cultura Social. São Paulo/SP (1932).
Dia 03- É aprovada a Lei Afonso Arinos (nº 1390), estabelecendo a discriminação racial como contravenção penal (1951).
Dia 07- Fundado o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR). São Paulo/SP (1978).
Dia 11- Nasce Antonieta de Barros, primeira deputada negra brasileira. Florianópolis/RS (1902).
Dia 15- Acontece a Primeira Conferência sobre a Mulher Negra nas Américas. Equador (1984).
Dia 18- Nasce Nelson Mandela, líder negro que lutou conta o regime do Apartheid na África do Sul (1918).
Dia 24- Nasce Francisco Solano Trindade, poeta. Recife/PE (1908).
Dia 08- Registrado o primeiro ato de escravidão por Portugal em Lagos. Nigéria (1444).
Dia 12- Acontece a Revolta dos Alfaiates. Manifesto dos conjurados baianos protesta contra os impostos e a escravidão e exige independência e liberdade. Bahia/BA (1798).
Dia 14- Morre a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância religiosa. Salvador/BA (1986).
Dia 22- Criada, por meio da Lei nº 7.668, a Fundação Cultural Palmares, instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem como principal atribuição promover a valorização da cultura negra (1988).
Dia 23- Nasce José Correia Leite, ativista da imprensa negra e fundador do jornal O Clarim da Alvorada. São Paulo/SP (1900).
Dia 24- Acontece o Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas. Colômbia (1977).
Dia 24- Morre o abolicionista Luís Gama. São Paulo/SP (1882).
Dia 28- Acontece a Primeira Marcha de Negros sobre Washington, em favor dos direitos civis. Estados Unidos da América (1963).
Dia 31- Realizada a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância. Durban/África do Sul (2001).
Dia 04- Promulgada a lei Euzébio de Queiroz, extinguindo o tráfico de escravos no Brasil (1850).
Dia 12- Morre o líder sul-africano, Steve Biko, idealizador do movimento pela consciência negra. Cidade do Cabo/África do Sul (1977).
Dia 14- Fundado o jornal O Homem de Cor, o primeiro periódico dedicado à causa negra da imprensa brasileira (1833).
Dia 16- Fundada a Frente Negra Brasileira, primeira agremiação política composta por afro-descendentes. São Paulo/SP (1931).
Dia 28- Aprovada a Lei do Ventre Livre, que declarava livre os filhos das escravas que nascessem após essa data (1871).
Dia 28- Assinada a Lei do Sexagenário, garantindo a liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade (1885).
Dia 01- Fundado o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAFRO). São Paulo/SP (1980).
Dia 07- Dia de Nossa Senhora do Rosário, patrona dos negros.
Dia 10- Morre Francisco Lucrécio, Secretário da Frente Negra Brasileira, em São Paulo (2001).
Dia 11- Nasce Agenor de Oliveira, o Cartola. Cantor e compositor negro, figura entre os maiores representantes da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro/RJ (1908).
Dia 12- Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, considerada protetora dos negros. São Paulo/SP (1717).- Fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN). Rio de Janeiro/RJ (1944).
Dia 15- Nasce Grande Otelo, ator de cinema e TV e um dos ícones da cultura negra. Rio de Janeiro/RJ (1915).
Dia 24- Morre Rosa Parks, líder do Movimento dos Direitos Humanos. América do Norte/EUA (2005).
Dia 01- Criado o bloco afro Ilê Aiyê, uma das primeiras agremiações carnavalescas a agregar negros no Brasil. Salvador/BA (1974).
Dia 10- Retrocesso: Governo Médici proíbe a imprensa de publicar notícias sobre índios, Esquadrão da Morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial (1969).
Dia 19- Nasce Paulo Lauro, que viria a ser o primeiro prefeito negro de São Paulo/SP (1907).- Retrocesso: Rui Barbosa manda queimar todos os papéis, livros de matrícula e registros fiscais relativos à escravidão existentes no Ministério da Fazenda (1890).- Lançado o primeiro volume de Cadernos Negros. São Paulo/SP (1978).
Dia 20- Dia Nacional da Consciência Negra.
Dia 20- Morre Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão e líder do Quilombo dos Palmares. Alagoas/AL (1695).
Dia 22- Revolta da Chibata. Rebelião liderada por João Candido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos sofridos na Marinha Mercante. Rio de Janeiro/RJ (1910).
Dia 24- A Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco) reconhece o Samba do Recôncavo Baiano como Patrimônio da Humanidade. (2005).
Dia 01- O ofício da Baiana do Acarajé é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional (2004).
Dia 02- Dia Nacional do Samba, uma das principais vertentes artísticas da cultura negra.
Dia 05- Retrocesso: Constituição proíbe negros e leprosos de freqüentar escolas públicas no Brasil (1824).
Dia 10- Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).
Dia 20- Lei nº 7437/85 Estabelece como contravenção penal o tratamento discriminatório no mercado de trabalho, por motivo de raça/cor (1985).

quarta-feira, 2 de março de 2011

FECAN acontecerá em Montes Claros de 02 a 25 de Maio 2011

FECAN – Festival de Cultura e Arte Negra


Apresentação

A 6ª Edição do FECAN que acontecerá em Montes Claros de 02 a 25 de Maio 2011 promete encantar todo o norte de Minas em especial Montes Claros
Com palestras, debates, shows,concursos e oficinas, a 6ª Edição do FECAN Festival de Cultura e Arte Negra – (FECAN) agitará a sociedade norte mineira em especial Montes Claros

Histórico

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão. A Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, assinada pela Princesa Isabel, tirou 800 mil pessoas do cativeiro, num total de 14 milhões de habitantes, e foi muito comemorada na época. O Brasil segunda nação com mais negros no mundo, atrás apenas da Nigéria,representam de 40 a 46% da população brasileira segundo o IBGE. Esse percentual é maior quando calculada com outras metodologias

Período de Realização


passo reunir com movimento social negro de montes claros, falando do FECAN, mostrando a viabilidade na realização do mesmo, Segundo passo montar a equipe de organização do festival, terceiro passo montar o escritório operacional, segue assim a proposta: de 10 de Fevereiro a 10 de Março, organização do escritório operacional do projeto, reuniões semanais com a equipe do escritório,período de 30 dias.

De 11 de Março a 11 de Abril período de recebimento das inscrições e seleção das músicas que irão participar do festival, período de 30 dias

De 12 de Abril a 1º de Maio divulgação do FECAN,na mídia,em porta de escolas,através da interne te, e montagem do segundo salão de Artes Negras do FECAN. 19 dias

De 1 a 25 de Maio realização do evento com oficinas, encontros, shows, debates, concursos. (FECAN)25 dias
Objetivo


•Oportunizar ao artista a manifestar a sua arte seja ela: dança, musica cênica, gastronômica ou através das telas feitas pelos artistas que trabalha com a temática da cultura negra.

•Discutir as diversas abordagens sobre o fazer cultural do afro brasileiro

•Compreender os processos de organização da cultural afro brasileiro na atualidade.

•Dar visibilidade a produção Cultural dos Afro-descendentes nos diversos seguimentos da Cultura Norte Mineira em especial Montes Claros.

Justificativa
Em tempos de globalização, nada mais oportuno do que uma discussão democrática com relação a cultura e arte dos afro-descendentes numa economia em transição, utilizando-se a expressão cultural para esse fim.Justifica-se, portanto, a realização de um festival que tem como meta resgatar o fazer cultural e artístico do afro descendente nas diversas modalidades como: dança, música, artes plásticas, gastronomia, moda e artes cênicas,o FECAN dará visibilidade a Cultura e Arte dos Afro Brasileiros do Nortemineiro no mundo.



Contrapartidas Oferecidas



O proponente do projeto, FECAN – Festival de Cultura e Arte Negra, Hilário Bispo da Fonseca, assume em honrar a contrapartida mínima exigida .

Segue:

1-Inclusão das logomarcas institucionais do patrocinador, além de outros produtos/ serviços associados, a critério exclusivo, em todos os produtos gerados e peças de divulgação;

2- Inclusão das logomarcas institucionais do patrocinador, além de outros produtos/ serviços associados, a critério exclusivo, em espaços onde serão realizados os eventos;

3-Citação verbal do patrocinador em todas as entrevistas concedidas à imprensa sobre o projeto;

4-Doação de 20% de qualquer produto gerado pelo projeto para uso a critério do patrocinador, no caso de patrocino exclusivo;

5- Disponibilidade para participar de eventos, sobre o projeto contemplado,quando convidado, neste caso o patrocinador será responsável pelas despesas.



Currículo do Proponente


Hilário Bispo da Fonseca, professor de Dança Afro na Secretária Municipal de Cultura de Montes Claros -MG , estudante do curso de Letras Inglês da Universidade Estadual de Montes Claros e História no ISEIB, coordenador e idealizador do FECAN, coordenou a 1ª e 2ª Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Município de Montes Claros , militante do Movimento Negro há mais de 20 (vinte) anos, Agente e produtor cultural; já realizou vários eventos com atemática Étnico Racial



Material de Divulgação



Folders,Cartaz,Faixa,Banners e outros como:

Mídia eletrônica e-mails e Blogger www.tamboresdosmontes.blogspot.com ,imprensa espontânea: Jornal escrito e televisivo, inserções em rádio, mala direta correios.


Publico

Temos como meta atingir um público em porcentagem em torno de 30 mil espectadores durante a realização do evento, entre: crianças, jovens, adultos e idosos, estudantes, professores, pesquisadores, militantes do movimento social negro, profissionais do meio como capoeirista, coreógrafo, dançarinos, artistas plásticos, músicos entre outros.


Atividades todas gratuitas

O segundo salão Artes Visuais cultura africana do FECAN

O primeiro Festival de musical estilo livre com a temática a cultura afro brasileira

O 4º Encontro de Negras é Negros do Norte




Oficinas: Culinária Africana, Mascaras Africana, Percussão, Graffite,Dança de Rua,Penteado Africano,Samba e Dança Afro





Concursos: Musica,Artes visuais, Beleza Negra e Dança de Rua

02 de Março dia da mulher Angolana

02 de dia da Mulher Angolana

A mulher desempenhou sempre um papel de destaque no processo de libertação do país



Luanda - O dois de Março é dia consagrado à mulher angolana, em reconhecimento ao seu papel desempenhado na luta de resistência do povo angolano contra a ocupação colonial portuguesa.



A efeméride, de particular importância, não só para as mulheres, mas também para os restantes membros da sociedade, deve-se ainda ao reconhecimento por si prestado e que, com coragem, determinação e com o preço das suas vidas, contribuíram para que Angola fosse hoje um país livre e independente.


A mulher angolana desempenhou sempre um papel de destaque no processo de libertação do país, com exemplos representativos dos feitos heróicos da rainha NJinga Mbandi, num passado longínquo, e de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, Lucrécia Paím e outras anónimas.


Este ano, as mulheres angolanas são exortadas a transformarem as comemorações da data numa jornada de reflexão, que permita um debate sadio e construtivo, tendo em vista a busca de soluções consensuais para os seus problemas.


Assim, considera-se imprescindível que o Estado continua a apoiar à luta pela erradicação de atitudes que contrastem com a importância do papel social da mulher ou que violem os seus direitos individuais e colectivos, criando condições para a sua protecção.


No caso vertente da República de Angola, e não obstante as conquistas alcançadas, há a consciência de que a mulher angolana continua ainda a enfrentar inúmeros problemas para a sua plena emancipação.


O alto grau de analfabetismo que grassa no seio das mulheres, a desigualdade nas oportunidades de emprego e de ascensão socio-profissional, a persistência da violência no lar, que atinge essencialmente as mulheres e os filhos, são alguns dos muitos problemas para os quais a sociedade civil deverá prestar uma atenção especial.


A data, de relevante importância para o povo angolano, comemora-se num momento em que se consolida a paz, a reconstrução nacional, se começa a dar os primeiros frutos e a sociedade caminha, de forma irreversível, para um maior equilíbrio do género em todos os níveis da estrutura social e do Estado.


A Organização da Mulher Angolana (OMA), criada em 1962 como ala feminina do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), teve uma influência crucial no apoio às forças guerrilheiras dentro e fora de Angola.



Fonte: Agencia Angola press

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

No Diário Oficial desta 5ª feira, dia 24 de fevereiro de 2011 Rio de Janeiro

Diário Oficial desta 5ª feira, dia 24 de fevereiro de 2011, foi publicada a decisão do Conselho Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, eliminando completamente a possibilidade de ser implantado ensino religioso nas escolas municipais do Rio de Janeiro

Decisão CME: não ao "ensino religioso"DIÁRIO OFICIAL de 24 de fevereiro de 2011

DIÁRIO OFICIAL de 24 de fevereiro de 2011

CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
ATO DO CONSELHO
CÂMARA DE POLÍTICAS SOCIAIS
INTEGRADAS À EDUCAÇÃO
PARECER N.º04/2011

Opina sobre a aplicabilidade do disposto no art.33 da Lei nº 9.394, de 20/12/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) tratando do Ensino Religioso.

HISTÓRICO

Em 14 de dezembro de 2010, o Conselho Nacional de Educação publicou a Resolução n° 7, que fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos.

A leitura atenta da referida Resolução esteve em pauta neste Conselho, em sessões realizadas nos meses de janeiro e fevereiro do corrente ano, propiciando um substantivo debate. Mereceram destaque o Artigo 15 e seu 6° parágrafo, que tratam do Ensino Religioso na organização dos Componentes Curriculares Obrigatórios do Ensino Fundamental, resultando neste parecer cujo objetivo é apresentar o posicionamento do Conselho Municipal do Rio de Janeiro face ao tema em tela.

Considerando a diversidade que constituiu a sociedade brasileira e a garantia constitucional do direito dos cidadãos em exercer livre e democraticamente seus pensamentos e crenças, todo processo que envolve o campo religioso é de grande complexidade e requer cuidado em sua abordagem, sobretudo quando se refere à normatização do Ensino Religioso pelos Sistemas de Ensino.

Vários fatores se colocam em conflito e contribuem para essa complexidade: a relação entre Estado e Religião; a relação hierárquica entre instituições religiosas hegemônicas e outras de menor visibilidade; o respeito à diversidade e às diferenças religiosas, bem como o direito ao ateísmo ou agnosticismo; o papel da escola e da família na formação das crianças e jovens; o sentido da escola pública. A construção e constante reformulação de documentos legais para este campo são exemplares da complexidade e do reduzido consenso que a temática alcança. Vejamos:

Na Constituição Brasileira, datada de 1988, encontramos:

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Em 20 de dezembro de 1996, em conformidade com a Constituição promulgada em
1988, foi editada a Lei 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sendo o ensino religioso assim tratado :

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis, em caráter:

I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou

II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa.

Esse artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sete meses depois de sua publicação, sofreu alteração através da Lei 9.475, de 22 de julho de 1997, passando a vigorar com a seguinte redação:

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.

§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.

§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso."
Seguindo essa redação, o artigo 15 da Resolução n° 7 do Conselho Nacional de Educação, que “fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos”, apresenta o ensino religioso entre os componentes curriculares obrigatórios do Ensino Fundamental.

Art. 15 “Os componentes curriculares obrigatórios do Ensino Fundamental serão assim organizados em relação às áreas de conhecimento:

I – Linguagens:

a) Língua Portuguesa;
b) Língua Materna, para populações indígenas;
c) Língua Estrangeira moderna;
d) Arte; e
e) Educação Física;

II – Matemática;

III – Ciências da Natureza;

IV – Ciências Humanas:
a) História;
b) Geografia;

V – Ensino Religioso.”

§ 6º O Ensino Religioso, de matrícula facultativa ao aluno, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui componente curricular dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil e vedadas quaisquer formas de proselitismo, conforme o art. 33 da Lei nº 9.394/96.

Entendendo como controversa a matéria em questão, a Procuradoria Geral da República, no dia 2 de agosto de 2010, propôs ao Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4439), solicitando interpretação constitucional do artigo 33 da Lei de Diretrizes de Bases, no sentido de tornar clara a incompatibilidade entre a laicidade da escola pública e o ensino de caráter confessional. A matéria aguarda decisão final do Superior Tribunal de Justiça, estando em tramitação no referido órgão.


VOTO DA RELATORA

O amplo debate que cerca a normatização do ensino religioso afeta este Conselho sob duas perspectivas. Uma, de natureza político-filosófica, que diz respeito a tornar pública para a sociedade a compreensão que este Conselho tem do tema em tela. Outra, de natureza pragmática, refere-se às deliberações necessárias para que as redes de ensino organizem seus currículos e seus quadros docentes.

Muitos pontos polêmicos e conflituosos ainda se fazem presentes, sem que tenham sido tocados pelas alterações dos textos oficiais. Alguns já foram tratados por este Conselho no Parecer 23, de 31 de julho de 2001. Outros permanecem em aberto, reafirmando o caráter polêmico da temática.

Se, como prescreve a lei, o ensino religioso é de matrícula facultativa ao aluno, como pode fazer parte dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental? Farão parte das 800 horas de carga horária mínima estipulada? Como computar a carga horária dos alunos que optarem por não frequentá-lo?

Estas questões associam-se a outras: Como pensar o estabelecimento de conteúdos que respeitem a diversidade cultural e religiosa, ouvindo entidades civis constituídas pelas diferentes denominações religiosas, sem que isso represente qualquer forma de proselitismo? A consulta a essas instituições religiosas poderia ser interpretada como uma forma de ingerência em matéria que cabe ao Estado? Quais critérios seguir para o oferecimento de aulas/turmas que levem em consideração a diversidade de credos (ou ausência deles) dos alunos?

Como equacionar a representatividade de credos religiosos e os critérios oficiais de organização de turmas pautados na relação adulto-criança/jovem? Quantos e com que formação deveriam ser os professores credenciados para esse cargo?
Quais as implicações jurídicas, administrativas, financeiras e estruturais seriam decorrentes dessa medida?

Considerando os muitos questionamentos que permanecem em aberto e as consequências administrativas de uma adequação precipitada numa rede de tamanha extensão, é recomendável que nenhuma decisão seja tomada até que a ação de inconstitucionalidade apresentada pela Procuradoria Geral da República seja votada.

O Conselho Municipal do Rio de Janeiro, reafirmando o caráter laico da escola pública, compreende que o ensino religioso não se constitui em uma área de conhecimento específica que deva ser tratada nos moldes disciplinares.
O Conselho compreende que ele integra o que as Diretrizes Curriculares Nacionais nomeiam como Princípios (éticos, estéticos e políticos), devendo, portanto, ser tratado, na condição de Princípio, como um balizador dos Projetos Políticos Pedagógicos, sem hierarquização face a outros valores que circulam na cultura.


DECISÃO DA CÂMARA

Rita Marisa Ribes Pereira
Iza Locatelli
Sérgio Sodré Peçanha
Marcelo Pereira
Maria de Nazareth M. de B. Vasconcellos
Luiz Otávio Neves Mattos

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2011.

DECISÃO DO PLENÁRIO

O presente Parecer foi aprovado por unanimidade.

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

VIII Seminário Nacional de Religiões Afros – Brasileira e Saúde

"A covardia coloca a questão: 'É seguro?'
O comodismo coloca a questão: 'É popular?'
A etiqueta coloca a questão: 'É elegante?'
Mas a consciência coloca a questão: 'É correto?'
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta" Martin Luther King)




Makota Kizandembu Kiamaza/T.C.
Mestra em Indumentária Africana
Estilista-Afro/Artesã -Educadora Social
Tarologa/Numerologa-(31)96865777
Coordenação Executiva-Monabantu/MG
www.vibeflog.com/tcrisarte
www.monabantumg.com.br


VIII Seminário Nacional de Religiões Afros – Brasileira e Saúde

Piauí sediará o VIII Seminário Nacional de Religiões Afro-brasileiro e SaúdeA Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras Saúde foi criada em março de 2003 durante o II Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (São Luis – MA) sendo uma instância de articulação da sociedade civil que envolve adeptos/as da tradição religiosa afro-brasileira, gestores/profissionais de saúde, integrantes de organizações não-governamentais, pesquisadores e lideranças do movimento negro. Atualmente a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde conta com mais de 36 núcleos espalhados pelo país e representações em 21 estados A Rede tem como objetivos: valorizar e potencializar o saber dos terreiros em relação a saúde; estimular práticas de promoção da saúde;monitorar e intervir nas políticas públicas de saúde exercendo o controle social; legitimar as lideranças dos terreiros enquanto detentores de saberes e poderes para exigir das autoridades locais um atendimento de qualidade, onde a cultura do terreiro seja reconhecida e respeitada; reforçar a importância de interligar as práticas de saúde realizadas nos terreiros com as práticas de saúde no SUS; contribuir para uma reflexão sobre diferentes aspectos da saúde da população dos terreiros; estabelecer um canal de comunicação entre os adeptos da tradição religiosa afro-brasileira, os gestores/profissionais de saúde e os conselheiros de saúde.

No VII Seminário Nacional de Religiões Afros- Brasileira e Saúde no Rio de Janeiro de 2009 foi eleito o Estado do Piauí para sediar o VIII Seminário Nacional de Religiões Afros – Brasileira e Saúde nos dias 29 de Abril á 01 Maio de 2011 em Teresina- PI.
Assessoria de Comunicação da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde

DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu

Fonte Folha de São Paulo,18 de Fevereiro 2011
Porque é assim que o racismo sempre vai existir.
Ressuscitando debates, ideologias e valores aparentemente superados.
DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu

Estudo diz que cerca de 70% da herança genética nacional vem da Europa

Variação de região para região do país é baixa; cor da pele tem elo com poucos genes e, por isso, é parâmetro enganoso

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA

No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são "africanos". Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz "preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA.
O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme.
"A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava", disse Pena àFolha.
De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.

QUASE MIL
Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul).
Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.
Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de "inserção e deleção"). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA.
Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população -alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.
Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do branqueamento -defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com forte conteúdo racista- acabou dando certo, diz Pena.
Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da pessoa.
Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito visível. O trabalho está na revista "PLoS One".



"Amor não é prêmio; por isso, não envaidece."

(Clarice Lispector
)




Ísis Conceição

To tell the truth
is to become beautiful, to begin to love yourself, value yourself. And
that's political, in its most profound way." - June Jordan

VINTE JOVENS QUILOMBOLAS SÃO APROVADOS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS!

Entre estes vinte jovens temos a primeira quilombola APROVADA no curso de MEDICINA, no campus I da Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Marina Barbosa da Silva, 19 anos, participou de dois pré-vestibulares comunitários (GRIOT e Quilombola) e estava já no seu 06º vestibular para Medicina! “Meu grande sonho é me formar e voltar para a minha comunidade. Até porque lá nunca foi um médico e eu quero poder ajudar o meu povo”.

Atendendo jovens de comunidades quilombolas reconhecidas e identificadas de diversos municípios da região sudoeste da Bahia, o pré-vestibular quilombola aprovou vinte alunos do cursinho pré-vestibular quilombola de Vitória da Conquista em vestibulares 2011.1 da UESB, UFBA e UEFS. Com a aprovação das políticas de ações afirmativas, também conhecidas como cotas, em todas as universidades públicas da Bahia, algumas instituições adotaram cotas adicionais específicas para segmentos sociais mais atingidos pela desigualdade de oportunidades: quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. O Pré-Vestibular Quilombola surgiu do forte incentivo da Educafro Nacional, através do Prof. Flávio que saiu de São Paulo e foi trabalhar naquela região. Foi um verdadeiro missionário da inclusão! A realidade de exclusão destacou a necessidade de uma preparação que viesse a suprir as lacunas acumuladas durante as trajetórias escolares dos jovens quilombolas desde a educação básica, com todas as dificuldades impostas pelos péssimos serviços públicos. Os outros obstáculos são: às grandes distâncias, escolas fora das comunidades, preconceito, pobreza e falta de recursos básicos, como transporte escolar e energia elétrica nas casas. “O povo organizado superou e venceu! Está é a nossa proposta para todos os pobres do Brasil: vamos nos organizar e vencer! Tudo isto só foi possível por causa da conquista das cotas que eliminou a concorrência injusta com os alunos ricos que tem dinheiro para pagar as melhores escolas, não trabalham e são tratados a bifinho e danoninho”, afirmou o Frei David. O que o povo negro e pobre de São Paulo deve fazer para tomar as vagas na MEDICINA, na ODONTO, no DIREITO, etc. da USP que continua sendo só ocupada pela classe dominante e, cada vez mais ampliando a exclusão do povo negro?
Qual é sua opinião?


Frei David Santos OFM
(11) 3107 5024 SP
(21) 2509 3141 RJ
(11) Cel. 6173 3341 SP

www.educafro.org.br

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Aumenta a participação dos Negros na Política


Alexandre Braga: Aumenta a participação dos Negros na Política

Apesar do modesto crescimento de 3% da bancada negra ou afrodescendente – que pulou de 5% para 8,5% em 2011 –, com 43 deputados eleitos, a Frente Parlamentar da Igualdade Racial pode chegar a 220 deputados, número que mostra uma relativa força política do Movimento Negro para votar matérias de interesse da comunidade negra.
Por Alexandre Braga*
O primeiro parlamentar federal negro eleito foi Eduardo Gonçalves Ribeiro, maranhense e filho de escrava. Anteriormente, já havia sido o primeiro afrodescendente a assumir um governo de província, a do Amazonas, de 1892 até 1896. Logo em seguida, é eleito senador, mas não toma posse. Em 1897, foi eleito deputado federal, exercendo o mandato até sua morte em 1900. De lá para cá, o voto étnico negro produziu interessantes situações de sucesso eleitoral, como Alceu Collares, no Rio Grande do Sul, Albuíno Azeredo, em Vitória, em 1991, ambos do PDT, Benedita da Silva, do PT, em 1989, Celso Pitta, do extinto PPB, em 1996, e o caso clássico de Leonel Brizola com seu "Socialismo Moreno", mas que não conseguiu tirar a massa negra do processo de alijamento eleitoral, haja vista a pouca representatividade própria dos negros que se sagraram vitoriosos nas eleições de 2006 e 2008. No entanto, cresceu em 3% a participação dos negros na política brasileira, que era de apenas 5% na última eleição de 2008. Em 2010, o Congresso Nacional elegeu 43 deputados e deputadas negros, chegando ao índice de 8,5% de negros no Parlamento brasileiro. O PT continua sendo o partido que mais elege negros no país: nas eleições de 2010, elegeu quase a metade dos 14 parlamentares autodeclarados afros. Em seguida vem o PMDB e PRB, partido do ex-vice-presidente José Alencar, com seis eleitos. Já o PCdoB, quatro; e PR, PSC, DEM, PSB e PTB elegeram apenas um deputado cada. Merece destaque no apontamento (Balanço eleitoral do voto étnico negro) feito pela Unegro – União de Negros Pela Igualdade – o fato de no PRB estar despontando uma geração de lideranças políticas negras oriundas de importantes grupos evangélicos, muitas delas, inclusive, ocupantes de cargos da alta cúpula das principais igrejas, como Igreja Universal do Reino de Deus e Evangelho Quadrangular.Quanto ao mapa geopolítico, a Bahia, além de ter a maior população negra, também tem a dianteira no quesito de representação parlamentar, elegendo a maioria dos negros aos cargos de deputado federal, num total de sete, mesma quantidade de Maranhão e Rio de Janeiro. Na segunda colocação ficou Minas Gerais, com cinco membros para a 54ª Legislatura da Câmara dos Deputados. Para as Assembleias Estaduais, foram eleitos 39 deputados estaduais ou distritais, a maioria filiada ao PT, 14; PTB, quatro; PSB e PRB, com três deputados cada, quase todos com domicílio eleitoral na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que mais elegem deputados estaduais negros do Brasil.Apesar do modesto crescimento de 3% da bancada negra ou afrodescendente – que pulou de 5% para 8,5% em 2011 –, com 43 deputados eleitos, a Frente Parlamentar da Igualdade Racial pode chegar a 220 deputados, número que mostra uma relativa força política do Movimento Negro para votar matérias de interesse da comunidade negra. De acordo com os pesquisadores Amaury de Souza e Nelson do Valle, os negros têm comportamento eleitoral diferente dos brancos. Por exemplo, em 1960 os negros votaram mais em Jango, o que comprova a vocação em votar em candidatos do campo trabalhista e populista. Outros exemplos são as eleições de Brizola e de Benedita da Silva para o governo do Rio de Janeiro. Essa guinada deu-se acentuadamente a partir da Constituição de 1988 ao permitir o voto dos analfabetos, com o qual milhões de cidadãos negros foram alçados ao eleitorado. Contudo, o sociólogo Antonio Sergio Guimarães, autor do livro Classes, Raças e Democracia, ressalta que o voto étnico não é uma exclusividade da comunidade negra, pois já é utilizado pelos italianos, sírio-libaneses e portugueses. Porém, os 43 deputados federais de origem afrodescendente empossados em 1º de fevereiro comprovam que ainda é forte a segregação racial quanto à representação política brasileira, pois de todo o Congresso Nacional apenas 8,5% são compostos por negros, e há somente dois senadores da República de etnia negra. Já a Frente Negra do Congresso Nacional, criada em maio de 2007, tem uma composição bem melhor e até certo ponto expressiva, 220 deputados e quatro senadores, sendo o PT o partido que mais possui membros, com 70 deputados, seguido pelo PMDB, com 44, o DEM com 12 e o PSB com 11. Os senadores dessa frente são oriundos do Bloco PT/PCdoB. No entanto, somente nove partidos políticos, dos 27 legalmente constituídos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), têm secretarias dedicadas aos negros ou de setorial afro. São eles: PHS, PT, PMDB, PDT, PTB, PRB, PSTU, PCO e PSDB, com o seu Tucanafro.*Alexandre Braga é articulista, coordenador de Comunicação da Unegro (União de Negros Pela Igualdade) e tesoureiro do Fomene (Fórum Mineiro de Entidades Negras).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Grupo de Percussão Experimental Prego de Linha

Oficinas de Percussão e Construção de Instrumentos Percussivos
Grupo de Percussão Experimental Prego de Linha


Coordenadores:
Luciano de Jesus,Augusto Gonzaga e Hilário Bispo
E-mail: Luciano.dejesus@yahoo.com.br
grupopregodelinha@gmail.com
hilariobispo@yahoo.com.br
Fone:(38) 9979 0305,(38) 9946 4731,(38) 9961 7994



APRESENTAÇÃO


O Grupo Prego de Linha tem por objetivo resgatar a música regional fazendo uma leitura da música experimental, com sede em Montes Claros-MG.Iniciou suas atividades em Agosto de 2000 e, desde então, mantém uma série regular de concertos mensais em sua sede provisória no Núcleo de Dança Luciano de Jesus,localizado Av. Santos Dumont 218 centro.Além disso, já realizou uma série de eventos em parceria com outras instituições e espaços, além de atividades voltadas à formação, reflexão e desenvolvimento de conhecimentos relacionados a formação do cidadão.

OBJETIVO GERAL

Promover e determinar a inserção de crianças e adolescentes da comunidade de montes claros na iniciação musical de percussão e expressão corporal( dança de rua,dança afro brasileira e teatro).
Trabalhar as possibilidades de reaproveitamento de materiais recicláveis como: lata, tubos de PVC, ferro velho, e sucata em geral;
Ensinar a prática rítmica passando pela história dos nossos ritmos regionais de congado chegando até o samba;
Socialização através da música.


JUSTIFICATIVA

Todos nós somos gerados ao som de um tambor. Durante nove meses ouvimos uma fantástica peça rítmica, o coração da mãe. Diante dessa realidade é necessário se propor a busca do acompanhamento técnico despertando crianças e adolescentes no mundo dos ritmos da caixa de folia,pandeiros, caxixis, berimbau e outros instrumentos percussivos.
Desenvolvimento Realização do projeto Grupo Prego de Linha
Treinamento técnicos de crianças, adolescentes, jovens e adultos em iniciação a percussão,expressão corporal( dança de rua,dança afro brasileira e teatro).
A iniciação percussiva é trabalhada em etapas que vão da teoria musical à construção de instrumentos musicais, em que os alunos terão contato com elementos com sucata sementes e tubos de PVC, passando por experimentação prática com os instrumentos de percussão e ritmo no final da oficina com abordagem histórica e teórica.
Cronograma
Execução:
1-Cadastro dos participantes
2-Iniciação percussiva
a) Aquecimento,dinâmica de grupo
3-Relato da história da musica
4-Apresentação cultural como culminância do projeto.
Estratégia de ação
Implementação da oficina de percussão e expressão corporal( dança de rua,dança afro brasileira e teatro).(um instrutor e um monitor), participantes crianças adolescentes, jovens e adultos
Material permanente
30 agulhas grossas
30 peles
Um rolo de corda de seda fina nº5
30 cabaças
2 rolos de linha encerada para costura em couro
1 rolo de arame galvanizado
4 quilos de semente e miçangas
2 rolos de barbante
30 estiletes
4 martelos
1 arco de serra
4 alicates
15 jogos de furador de couro
3 quilos de cola de madeira
1 ferro de solda
2 baldes grandes
Por conta do contrate
Hospedagem
Alimentação
Transporte
Cachê - R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais)
* Para 5 integrantes.
Informações sobre o curso:
Carga horária 16 horas
Quinta a Domingo
Vagas para 60 alunos
2 turmas
Encerramento com show do grupo Prego de Linha

Identificação do proponente


Grupo Cultural Prego de Linha
Coordenador Geral
Augusto César Gonzaga

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

os 100 mais influentes brasileiros do ano.2010

Fonte:Portal Correio Nagô
]
A edição de 13 dezembro de 2010 da Revista Época trouxe como manchete uma análise sobre os 100 mais influentes brasileiros do ano. Com cinco opções de capa, a revista dá ao leitor a opção de comprar a versão com a presidente Dilma Rousseff; a do cineasta José Padilha, diretor dos filmes Tropa de Elite 1 e 2; com o empresário Eike Batista, considerado a 8ª pessoa mais rica do mundo e finalmente a capa com o jogador santista Neymar Júnior. Mas, o que de fato chama a atenção não é o recurso publicitário acima mencionado, e sim o fato de que praticamente não há negros nessa edição especial.


Com exceção da ex-ministra Marina Silva, fenômeno das últimas eleições presidenciais, e do jogador Neymar, que ocupa a tradicional parcela de negros no campo das celebridades futebolística, todos os outros 98 escolhidos pela equipe da revista são brancos. Como disse certa vez, em entrevista, o ator negro Milton Gonçalves, “nós não estamos na fotografia do poder”.




Pela lógica da revista , a população negra brasileira deve, portanto, contentar-se em ler histórias de sucesso de seus patrícios não-negros e ícones do Brasil que “deu certo”, como a de Eduardo Saverin, bilionário, co-fundador do Facebook, de apenas 28 anos; David Neeleman, que colocou a companhia Azul em terceiro lugar no mercado de aviação brasileiro; de Alexandre Behring, que comprou ações da empresa americana Burger King - reforçando a nova imagem do capitalismo brasileiro no mercado Global - além de tantos outros “euro-ascendentes” que contribuíram para o desenvolvimento do Brasil em 2010. Até na música, tradicional reduto negro na mídia, sobrou para Margareth Menezes e Carlinhos Brown apenas fazerem comentários elogiosos sobre Ivete Sangalo e a roqueira Pitty, respectivamente.



Como se vê, se tomarmos apenas essa reportagem como referencial, conclui-se que o Brasil termina a última década de século XX como se estivesse ainda no século XIX: sem negros nos espaços de poder, apesar da retórica conservadora de que somos uma democracia racial.



O mais curioso é que, ao que parece, de fato, não houve “grandes erros” de apuração dos jornalistas de Época, pois, de fato, nossa influência objetiva nas decisões políticas e econômicas do Brasil é quase nula. Quer uma prova, é só olhar para o ministério da nova presidente Dilma Rousseff.




Entretanto, há graves omissões que precisam ser ditas na reportagem, como a do cineasta Jefferson De, ganhador do 38º Festival de Cinema de Gramado com o filme Bróder, ou a professora Nilma Lino Gomes, conselheira nacional de educação e que deu um parecer contrário a publicação do livro Caçadas de Pedrinho do escritor Monteiro Lobato, acusado de racista, gerando um grande debate nacional sobre o racismo no ambiente escolar.



Ou seja, uma melhor apuração jornalística dentro da comunidade negra certamente podem apresentar outros nomes negros de destaque em matérias como essa. Apesar disso, de fato, a reportagem em questão é, literalmente, a fotografia da desigualdade racial brasileira nos campos da política, mídia e economia; Senão, vejamos.

Segundo o pesquisador Reinaldo Bulgarelli, que atuou na recente pesquisa do Instituto Ethos de Responsabilidade Social denominada "Perfil Social, Racial e de Gênero nas 500 maiores empresas do Brasil", se continuarmos nesse ritmo de inclusão social, na melhor das hipóteses, demoraremos 150 anos para que homens negros atinjam a mesma posição dos brancos no mercado corporativo. No caso das mulheres negras, essas demorariam muito mais - a pesquisa revelou que hoje elas são apenas 0,5% do topo da pirâmide empresarial do país.




Se os números da desigualdade assustam, não há conforto ao olharmos para ações de combate a discriminação racial nas empresas: 72% das companhias entrevistadas não adotam nenhum tipo de ação afirmativa, seja na contratação de funcionários ou nos planos de carreira.




Na África do Sul, símbolo do racismo mundial, uma das principais políticas do pós-aparthied foi a criação do programa Black Economic Empowerment (Empoderamento Econômico dos Negros), que, dentre outras coisas, dá vantagens em licitações públicas para empresas de propriedade ou gerenciadas por negros - o que no caso sulafricano inclui pretos, coloured (pardos) e indianos. Apesar das críticas, o programa tem criado, dentro dos limites do capitalismo, uma classe média negra minimamente capaz de influenciar importantes decisões da nação. Por aqui, setores conservadores da sociedade ainda discutem a legitimidade das cotas raciais nas universidades.




O Brasil, como se sabe, pretende se tornar, até 2025, a quinta maior economia global, ultrapassando a Alemanha, e finalmente atuar como um player de primeiro escalão no cenário internacional. Porém, para que isso realmente ocorra, serão necessárias mais do que ações para incrementar o Produto Interno Bruto (PIB). É preciso conter o sangramento demográfico de jovens - que já começam a fazer falta na economia - e investir em educação de qualidade. Segundo pesquisa do Observatório de Favelas, Secretaria Nacional de Direitos Humanos e UNICEF, cerca de 33 mil jovens devem ser mortos no Brasil até 2013.




Na cerimônia de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, o então presidente Lula disse que a dívida que o Brasil tem com negros "não pode ser paga em dinheiro, mas com solidariedade". Porém, o documento que possui 65 artigos ainda é tímido para enfrentar desigualdades tão latentes e não inclui marcos legais efetivos para mudança do status quo racista.


Em compensação, o que observamos no teatro de horrores das grandes metrópoles brasileiras é a punição severa de jovens negros com menos de 25 anos, vitimados ora pela guerra do tráfico de drogas ou pela ação genocida de grupos de extermínio - tudo isso sob a leniência governamental e com o álibi do chamado "auto de resistência" por parte das policias. Pelo visto, não há dúvidas sobre a opção feita pelo Estado Brasileiro, em vez de educar e unir, prefere segregar e punir. Essa é, portanto, a fotografia triste da nossa realidade.




Paulo Rogério Nunes
diretor-executivo do Instituto Mídia Étnica e co-editor do Portal Correio Nagô.

Grupo de pesquisa da Unimontes analisa acesso de quilombolas à saúde primária

Grupo de pesquisa da Unimontes analisa acesso de quilombolas à saúde primária


A comunidade de Buriti do Meio, na zona rural de São Francisco, no Norte de Minas, recebe neste mês um grupo de acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) para a sequência dos trabalhos da pesquisa sobre o atendimento em saúde primária para a população quilombola da região. A visita teve início no sábado (8), com previsão de retorno a Montes Claros no próximo dia 12.

Ao lado de professores e profissionais das áreas de Antropologia, Medicina, Enfermagem e Odontologia, os universitários fazem parte do grupo de pesquisa em “Atenção Primária e Saúde Materno-Infantil em Comunidades Quilombolas no Norte de Minas”. De caráter voluntário, o trabalho tem como objetivo analisar as condições de saúde da população, assim como o funcionamento da assistência oferecida pelas equipes do Programa em Saúde da Família (PSF).

“Em resumo, o trabalho pretende certificar se o serviço de saúde chega às comunidades quilombolas dentro das diretrizes sugeridas pelo Ministério da Saúde”, explica o professor Amaro Sérgio Marques, um dos coordenadores do grupo, juntamente com os professores Antônio Prates Caldeira, também coordenador do doutorado em Ciências da Saúde, e Daniel Antunes, além da enfermeira Cláudia Danyella Alves Leão.

Institucionalizada pela Unimontes, com o apoio do Hospital Universitário Clemente de Faria e do departamento de Saúde da Mulher e da Criança, a pesquisa teve início há um ano e esta será a segunda visita do grupo a Buriti do Meio. Em 2010, os oito acadêmicos de Medicina conheceram o local, assim como a comunidade de Bom Jardim da Prata, também quilombola, ambas a 40 quilômetros da sede urbana de São Francisco.

No primeiro contato, os pesquisadores puderam saber mais sobre os meios de vida da população de cerca de 600 pessoas, sendo quase um terço somente de crianças de até 10 anos, além de um número considerável de idosos. “As pessoas vivem basicamente da agricultura de subsistência e do artesanato local, uma das heranças da cultura negra”, acrescentou Amaro Marques. Ele lembra alguns problemas comuns à maioria das localidades rurais brasileiras como a falta de uma coleta de lixo adequada e de água tratada e encanada, serviços sanitários e acesso precário.

Etapas

Neste mês, serão aplicados questionários dirigidos junto aos moradores para que sejam apurados os reais indicadores sobre a saúde das mulheres e das crianças de Buriti do Meio.

Acadêmico do terceiro período de Medicina, Mateus Costa Lima é um dos voluntários na pesquisa e atesta a importância do trabalho diante da possibilidade de fusão dos temas sociais ligados à sua área de graduação. “Desde o primeiro período tenho interesse pela iniciação científica, principalmente em um projeto de cunho social, que reforça a proposta que a Unimontes defende para a humanização da Medicina”, analisou o estudante.

Para ele, que está conhecendo de perto uma realidade bastante diferente à de um grande centro como Montes Claros, a etapa de entrevistas dos moradores refletirá diretamente na academia, seja na compreensão das práticas do próprio curso, na organização de eventos científicos ou mesmo no entendimento das metodologias de uma pesquisa de saúde, mas com propósito social.

Mestre em Ciências da Saúde pela Unimontes, a enfermeira Cláudia Danyella Alves Leão atua no PSF em Montes Claros e integra a equipe de coordenação do grupo de pesquisa. O tema aplicado na comunidade quilombola foi objeto de estudo no próprio mestrado. “A pesquisa oferece condições de avaliar a questão primária da saúde em nossa região de trabalho”, explica a profissional, que responde diretamente pela orientação, análise e interpretação nas entrevistas e coletas de dados da pesquisa na comunidade de São Francisco.

FONTE : ABN NEWS

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Fonte:
Blogger

UM POUCO DE ANGOLA/AFRICA

Jornalista : Adebayo Vunje

Porque é que não há uma história geral de Angola? Qual é a dificuldade? Não há assim grandes obstáculos científicos. O nosso pais possui sobre todos os períodos da sua evolução histórica, materiais que permitam a redacção de sínteses aceitáveis. Temos pecas líticas, varias datações, directas ou indirectas, números vestígios cerâmicas, estudos de alguns contextos pré-históricos, hipóteses sobre o desenvolvimento proto-histórico, preciosas testemunhas “histor” do fim do século XV e inicio do século XVI que permitam compreender o surgimento e a constituição de algumas formações históricas integradas no actual território nacional. Depois, temos a fase propriamente histórica, no sentido heleno do termo, com documentos de comprovação ocular e escrita. Enfim, dispúnhamos de varias analises decisivas saídas das ciências auxiliares a história tais como a linguística e a antropologia. E então possível propor, com a necessária passagem pela critica histórica, recapitulações sobre o longo período das industrias líticas, a crucial fase da metalurgia que coincide, em Angola, no inicio da nossa era, com a chegada de grupos locutores de línguas e portadores de uma cultura bantu, a constituição de sólidas entidades politicas, sobretudo no noroeste do pais, os primeiros contactos com os Europeus, a viragem mercantilista, a formação da cancerosa Colónia de Angola, a consolidação e a expansão do sistema colonial de tipo capitalista e o período pós – independência. Bem que estendendo-se sobre cerca de três milhões de anos, do processo de hominização ate aos nosso dias, a composição sintética da HGA pode feita por iniciativa individual, como vimos com Joseph Ki-Zerbo, para a Historia Geral de África, o Padre Englebert Mveng para a Historia dos Camaroes ou Ndaywel-e-Nziem para a Historia da vizinha Congo-Kinshasa. A dificuldade, neste caso de figura, e humana, a de encontrar um historiador angolano aguerrido, especialmente encarregado desta árdua tarefa, livre de reuniões intermináveis e inúteis ou vítima permanente de intrigas anti-patrióticas, paralisantes, destrutoras e auto-destrutoras. Nas condições actuais, a opção que será, provavelmente, tomada e da realização de uma obra colectiva, resultado da mobilização de especialistas nacionais e estrangeiros. A dificuldade para esta opção e a do tempo. Com efeito, a HGA da UNESCO, com os seus intensos 8 volumes, levou quase 40 anos antes de ser concluída; a de Cambridge, com os 6 impressionantes volumes arrastou-se sobre 8 anos. Com as nossas condições de subdesenvolvimento e os nossos métodos de trabalho, francamente, ineficazes, a publicação de uma Historia Geral de Angola, substancial, não e para hoje. Porque é que a escravatura ainda é central no estudo da História de África? Este longo período e fundamental porque se consideramos o conceito “historia” na sua definição etimológica, grega, grande parte da evolução do nosso continente, sobretudo a África subsariana, estende-se somente sobre cinco séculos. E, por isso que os historiadores africanos defendem, para uma grande parte do nosso continente, o concepção de uma “Historia Geral”. Sobre esses cinco séculos, quase quatro séculos são sinónimos de dramático esvaziamento humano da África melano-africana. Foi imposta a esta região, uma verdadeira guerra que perdemos e que pagamos caro. Ai, não e o desenvolvimento das forcas produtivas que primava, o progresso económico que era a prioridade, o bem-estar social que era importante, o combate as graves epidemias que era necessário, a restrição do álcool que era indispensável, mas sim, as terríveis e infindáveis guerras de captura de escravos, as mortíferas caravanas e as animalizantes armazéns de escravos. Mais, a este período de esgotamento de recursos humanos sucedeu-se o aperto neo-esclavagista. E, a grande teoria mercantilista não se aplicava a nossa área. O pais ashanti, o bem nomeado Gold Coast, Costa de Ouro, não foi desenvolvido.As minas auríferas de Egoli, hoje Joanesburgo, descobertas em 1886, não beneficiaram, abundantemente, as populações negras de África do sul, consequência directa da persistência do espírito dos famosos Códigos Negros escravagistas. A luta que travou,
corajosamente, o nosso pais contra o apartheid foi um combate contra a neo-escravatura.
A situação actual de sintomático sub-povoamento e dramático subdesenvolvimento dos países ao sul do grande deserto africano resulta, indiscutivelmente, da devastação esclavagista. Foi um crime inqualificável; quase um terço dos deportados era constituído de menores! Sem a abordagem do inferno esclavagista, não há história de Afrikiya. O que acha das reparações? A coisa de que os países que sofreram mais com a escravatura devem receber dinheiro dos que mais ganharam com ela. Penso que as reparações deviam ser feitas por meio de um novo Plano Marshal, este, a favor do nosso continente. Considero esta via mais adequado a fim de corrigir o significativo atraso histórico que registou “Os Danos da Terra” por causa da castrante “Passage Captive”. Recordo, aqui, como exemplo, que algumas entidades históricas integradas, hoje, no actual território angolano, não eram muito longe da Alta Idade Media europeu. Mas, o fosso de desenvolvimento entre os dois mundos alargou-se devido o durável terror que se abateu sobre o continente niger. A gradual melhoria de armas de fogo na Europa, durante este período de negócio das madeiras de ébano e a Revolução Industrial ocorrida no século XIX estabeleceu, definitivamente, o enorme desequilíbrio de desenvolvimento entre os dois blocos continentais.E necessário um programa global de reparações. E uma obrigação moral para as antigas potencias escravistas. E, este novo Plano Marshall pode ser financiado facilmente pelas antigas potências escravistas europeias. Tem sido um dos grandes divulgadores da figura da Rainha Jinga. Ela foi há pouco tempo pateoanizada no Senegal. Porque é que não vinha uma referência à relação da rainha com a escravatura? Porque é que os historiadores africanos são muito sensíveis quando por exemplo uma figura ligada ao tráfico recebe uma honra qualquer, e depois não têm o mesmo tipo de escrutínio quando a figura é africana? Dois pesos duas medidas? A longa acção diplomática, politica, militar e religiosa da nossa Dizonda teve como pano de fundo a resistência contra a expansão da esclavagista Colónia de Angola. Este exemplo serve para ilustrar, a perfeição, a importância da redacção da Historia Geral de Angola. A reconstituição do passado de qualquer povo não e neutra. E por isso que este projecto e, e deve ser, para nos, eminentemente, de raiz nacional. Costumo, para efeito, apontar um ditado saído das savanas do Soyo que afirma: “ Enquanto os leões não terão historiadores, as narrações sobre as campanhas de caca serão sempre feitas pelos caçadores”. Quando os invasores europeus do continente africano iniciaram o tráfico de homens, tanto europeus como africanos tinham atrás de si uma secular experiência de escravatura… Sim, ate o próprio termo escravo tem a sua origem etimológica da Europa oriental, slavus, em latim, eslavo. E, as nossas sociedades geriram, igualmente, este estatuto, isso sob varias modalidades. O proto-bantu, o sistema de concordâncias das línguas de África central, Austral e oriental, atesta o radical evocando o servente, raiz que se cristalizou nos idiomas actuais em mbika, nsumbi, mbundu, etc. Mas, com os intensos e intermináveis comércios de mão-de-obra que foram organizados na África negra, não se trata de pessoal doméstico limitado. Tratou-se de um tráfico massivo, tal como as incansáveis caravanas transsarianas, ou de carácter industrial, tais como a deportação de bantu a partir da costa suaheli no intra e alem – Oceano Indico, em direcção da Ásia, do Golfo Pérsico, do Médio e Próximo Oriente e a espectacular migração forcada para o Novo Mundo, registada nas costas de África Ocidental. Foram verdadeiros crimes organizados contra África, com as suas centenas de milhares de mortos ocorridos durante as implacáveis campanhas de captura de escravos, o seu penoso encaminhamento para o litoral, o seu humilhante e penoso armazenamento, as frequentes revoltas que eclodiam durante o embarque nos navios, a viagem nos insalubres porões, na exploração artesanal e perigosa de minas de ouro e prata, nas extenuantes plantações da preciosa cana-de-açúcar, de algodão, tabaco, arroz, etc. Não há nenhuma linha de comparação entre as formas de servidão familiar praticadas tradicionalmente em África e os tráficos que acabamos de lembrar. Fomos, a unanimidade, na última reunião do Comité Científico Internacional do emblemático Projecto da UNESCO “A Rota do Escravo”, realizada, em Fevereiro passado, em Paris, bem claros a este respeito. Deve-se comparar factos históricos comparáveis; porque os diferentes tráficos de ser humanos registados em África afiguram-se piores que a “Shoah”. Em 1619 um barco holandês descarregou os primeiros 20 escravos africanos em Virgínia, uma das originais 13 colónias britânicas na América do Norte. Apesar de não existirem cifras exactas, sabe-se que entre o século XVII e meados dói século XIX centenas de milhares de seres humanos foram convertidos em mercadorias a serem vendidas como mão-de-obra escrava, particularmente para as grandes plantações de algodão no sul da América do Norte. O trabalho destes escravos contribuiu para a revolução Industrial na Inglaterra e no desenvolvimento económico dos Estados Unidos. Que comentários… Os cativos africanos instalados nas Américas e Caraíbas foram verdadeiros heróis. Com efeito, apesar da extrema adversidade social e laboral, feita de miséria desgostosa e de trabalho impiedoso, conseguiram sobreviver e produzir, como dissemos, varias culturas comerciais desde o tão rentável açúcar ao lucrativo café. Dos Benguelas aos Oelofes, passando pelos Carabalis, cativos africanos não desapareceram no duro Estado brasileiro das Minas Gerais, não desapareceram das minas de ouro do Peru… Conseguiram, com uma extraordinária coragem, estabilizar e aumentar a produção nas minas de prata de Zacatecas e Potosi, no México.. Na realidade, como o demonstrou muito bem, Eric Williams, o antigo Primeiro-ministro, naturalmente niger, de Trinidad e Tobago, no seu clássico “Capitalism and Slavery”, a acumulação primitiva do capital nas colónias inglesas da América do norte e na Europa ocidental, só foi possível, graças a exploração esclavagista. Uma cidade como Liverpool vivia, directa ou indirectamente, do tráfico negreiro transatlântico. Produzia, aí, os navios, as espingardas, as grilhetas, os pesos para imobilizar os escravos e os produtos de troca nas costas de África ocidental, o álcool, os tecidos e todas as farfalhadas que apareciam nas feitorias instaladas na baia de Cabinda ou na ilha de Gore. Outras cidades europeias, “atlânticas”, se amamentavam do movimento negreiro, Lisboa, Sevilha, Bordéus, Nantes, etc. Não e por acaso que a grande ruptura industrial adveio na primeira potencia económica do mundo dos séculos XVIII e XIX, a Inglaterra… Na verdade, o capitalismo teve como mãe, a escravatura. Desde o século XVI que a colonização e a exploração da terra americana se vinha processando sob o signo da escravatura, mas, no entanto, os primeiros escravos na América não foram Africanos… As primeiras vítimas da fúria esclavagista foram os ameríndios que subiram um dos genocídios mais terríveis registados durante a longa evolução da humanidade; mais de 40 milhões de mortos, directos ou indirectos. O debate sobre este extermínio ainda não surgiu na arena internacional. Mas, surgira! Hoje, já não se encontram, nas ilhas das Antilhas, os Karibes, antigos populações autóctones do conjunto insular. E aterrador! O Papa Paulo III teve que, em 1537, intervir, proibindo a escravização dos coitados ‘nativos” e propor de recorrer as robustas “pecas de Guine” e aos resistentes “mwangoles”. A prisão estadual da Louisiana, nos Estados Unidos, chama-se ANGOLA… Se não haver homofonia ou homografia, este cognome, oficial, deste famoso penitenciário e sintomático da ma fama que tinha a esclavagista Colónia de Angola. Este território não produziu nada, só produzia escravos, numa miséria inenarrável para os congos, mundongos, casanjes, etc. A “Cote de Angole” era o paraíso dos contrabandistas de seres humanos. Na verdade, esta possessão portuguesa era, para os ngolas, uma verdadeira comarca a céu aberto. E, naturalmente, a comparação foi feita e o nome imposto, repito, oficialmente. Revoltas dos escravos… Evidentemente, que este processo de desumanização não podia acontecer sem sedições. Isso acontecia, tanto em África que nas terras de instalação, a todas etapas do processo organizativo do trafico e sob varias formas. Notou-se, invariavelmente, sublevações armadas, suicídios, envenenamentos de mestres esclavagistas, fugas para os territórios livres, os chamados quilombos ou palenques, tentativas de tomada de poder político, como aconteceu, varias vezes no México. Uma das tentativas de controlo de um território esclavagista, vitoriosa, foi a ocorrida, durante 1791 e 1804, em Santo Domingo, hoje Haiti e Republica Dominicana. A frequência e a violência, cada vez mais ameaçadora, influenciaram, a nível das administrações coloniais, a tomada de medidas abolicionistas. Com efeito, a sociedade esclavagista tinha erguido parâmetros perigos, tanto os oprimidos que para os dominantes.. Porque razão escravos das mesmas tribos foram brutalmente separados e espalhados por locais distintos e muito distantes um dos outros? Nem sempre, se conseguia espalhar lotes de escravos, porque muitas das vezes, eram encomendas, resultados de contratos. Mesmo como a dispersão, involuntária, de cativos, havia sempre a reconstituição étnica; são as famosas “Naciones” ou “Sociedades”. Houve, igualmente, este tipo de recomposição através das conspiradoras “Confradias”. Como eram as condições de travessia nos chamados “navios negreiros”? Eram propriamente inumanas. Temos varias estampas, da época, sobre as condições sinistras de viagem dos prisioneiros nos porões: arrumação sardinhada, homens acorrentados, atmosfera insurreccional, despejo de rebeldes e de doentes, contagiosos, em pleno mar, ameaça permanente de surto de disenteria, etc. A situação dos transportadores era kafkiana. Com efeito, eles deviam cuidar da mercadoria, cansada por semanas de uma viagem mais que inconfortável, mais também, reprimir. Apesar de todas as precauções, havia, na média, “perdas” de 20% dos carregamentos. Mas, como este negócio era muito lucrativo, as baixas eram sempre superadas. Eugene Genovese, um especialista nesta matéria, na sua obra “ Economia Política da Escravatura” refere que muitos escravos se auto- amputavam com os instrumentos agrícolas. Quer comentar? A automutilação era praticada como forma de afsatamento ao trabalho penoso das minas ou das plantações. E um sinal trágico do trauma que vivia os escravizados. Razões dos escravos terem produzido uma música na América do Norte (Jazz) e na América do Sul (Samba), bastante diferentes umas das outras? Penso que isto esta ligado as influências de contextos civilizacionais diferentes tais como a utilização organologica distinta ou a adopção de vias de expressão religiosa diferenciada. Visivelmente, os afro-brasileiros conservaram, mais, instrumentos africanos e engajaram-se num sincretismo religioso com a permanência de uma forte raiz antropológica negra. A samba e música de exultação de tipo bem animista enquanto o jazz foi definitivamente marcado pela melancolia dos cantos das plantações, os famosos “work songs” e os das Igrejas. São duas escolhas diferentes, o ritmo carioca e uma verdadeira musicoterapia profana enquanto a nova musica da Nova Orleans, assimila-se a uma oração. Situação actual do estuda da escravatura na África oriental, que parece estar menos estudado? Consciente desta situação, a UNESCO colocou como Coordenador do seu significativo projecto “A Rota do Escravo”, um especialista originário da Somália.. Mais, temos no Comité Cientifico Internacional deste projecto, uma colega negra, originaria de Dubai. Os esforços para corrigir esta insuficiência de estudos já deram lugar a vários programas que permitiram conhecer melhor vários aspectos civilizacionais africanos no Golfo Pérsico, no Médio e Próximo Oriente, no intra – Oceano Indico e na Ásia. Graças a esses programas, já se estabeleceu ligações entre as reminiscências lexicais bantu dos Siddis da Índia com as línguas de origem, as da costa suaheli. Foi confirmado, por exemplo, que houve escravos angolanos instalados nos territórios portugueses da Ásia (Damão, Diu, Goa e Macau). Um deles, tornou-se Sultão nas ilhas Mascarenhas, sob o nome de Ali. Neste mesmo sentido, a UNESCO esta a concluir um documentário bem intitulada “Global Vision”, que deve permitir uma leitura mundial dos tráficos negreiros. Enfim, esta na forja o lançamento de um projecto sobre a edificação de um Museu Internacional da Escravatura em Moçambique, pais que sofreu, concomitantemente, as tratas oriental e atlântica. Acabo de ter uma concertação, a este respeito, em Maputo, com a minha colega moçambicana do Comité da UNESCO, a Dra. Begnina Zimba.. Europa, durante o Tráfico de escravos, recorria a uma série de explicações morais, éticas ou pseudo-cientí ficas para justificar uma empresa que pouco ou nada tinha ver com civilização, missão sagrada ou a suposta inferioridade da chamada raça negra… Na realidade, a principal causa do desenfreado tráfico de escravos transatlântica e, indiscutivelmente, económica. A grande teoria na Europa defendia que a riqueza dos Estados assenta nas minas, ouro e prata. Havia, então, necessidade de dispor de mão-de-obra, gratuita e abundante para a exploração mineira. A cultura da cana-de-açúcar, grande devorada de homens, completou as insaciáveis necessidades dos plantadores instalados no continente americano e no conjunto insular caribenho. O resto das explicações e ligado ao período que estava a Europa, feito de obscurantismo funesto e fanatismo religioso expansionista. As causas do tráfico negreiro transatlântico eram, essencialmente, económicas; prova disto, o pais mais abolicionista foi a Inglaterra, terra da Revolução Industrial. Não foi por acaso! Porque razão continua a haver tanta confusão entre tráfico de escravos e trabalho escravo e porque razão continua a haver tanta confusão entre trabalho forçado como imposição do capitalismo e escravatura ? O trabalho escravo no Novo Mundo era uma modalidade de exploração do homem, primitiva, brutal, típica do período da acumulação e consolidação do capital. E ligado com as origens, ferozes, do capitalismo. O trabalho forcado (?) resultou de uma cínica impostura terminológica; tratou-se na realidade, de continuar a explorar, severamente, os indígenas, pagando-lhes salários de miséria. E uma modalidade, profundamente racista, que pretendia que os negros eram, biologicamente, preguiçosos. Deviam, então, ser acurralados para trabalhar. Qual o papel dos reis, sobas, sobetas , em particular dos dembados no tráfico escravista e a sua articulação com os representantes do comércio longínquo , em particular portugueses e ingleses ? A questão deve ser analisada cientificamente. Trata-se, aqui, de articulação histórica. O trafico de escravos criou um contexto social muito complexo onde os próprios chefes, ou se sacrificavam, tentando, sem grande esperança, resistir ou experimentavam regulamentar este comercio atípico. Eram reféns do sistema. Quanto nobres africanos foram levados e vendidos? Mesmo sem eles, a circulação de cativos devia ser feita. O referido contexto pode ser assimilado a nossa incapacidade actual de fixar, no mercado internacional, o preço do nosso petróleo, diamante, café, madeira ou peixe. Estamos, bem amarrados a uma articulação histórica. qual a razão pela qual os agentes económicos do futuro - os agentes do capitalismo que eram os portugueses e os ingleses principalmente - , continuam a ser tratados como escravistas e invasores , enquanto os chefes das regiões , os Poderes regionais defensores da produção e troca de comunidades primitivas , escravistas e tributários são apontados como resistentes , libertadores e " progressistas " ? Genericamente é o que me ocorre repentinamente. Houve, na realidade, em África, muitas oposições lideradas por dirigentes das comunidades contra a “Travessia da Agua Salgada”. As reacções contra a ocupação de territórios africanos foram, em todo lado, vivas. Isso, obrigou os invasores a construir, tanto no litoral que no hinterland, fortalezas e fortes. Nestas resistências, houve centenas de sobas, corajosos, verdadeiros heróis. Quantos reis africanos foram decapitados quando tentavam opor-se a acção dos aventureiros europeus contratados em Sevilha? Centenas! Os nfumu, colaboradores, eram, apenas, vítimas do sistema, ora em vigor, o comércio triangular. E, como nos, vendemos o nosso petróleo ou diamante, mesmo sabendo muito bem, que os preços estão a baixar.
Fonte Blogger do Brejo dos Crioulos

Criançada do Brejo dos Crioulos - Caxambú I






Comunidade de Caxambú I










Brejo dos Crioulos está localizados nas margens do rio Arapuim, afluente da margem esquerda do rio Verde Grande, na divisa dos municípios de São João da Ponte e Varzelândia, no Norte de Minas Gerais, a história de Brejo dos Crioulos é uma história que ainda não consta da historiografia dos brancos que ocuparam o Norte de Minas desde dos primórdios da colonização portuguesa, nos idos do século XVI.

Conforme relatam moradores mais velhos, desde meados do Século XVII, negros fugidos da escravidão passaram a se fixar às margens da Lagoa Peroba, existente na vazante do médio ribeirão Araquém. A ocupação dessa área foi possibilitada pela existência de brejo na vazante do referido ribeirão, propícia à proliferação da maleita, que a tornava imprópria para brancos e indígenas.Com o passar do tempo, muitos outros negros fugidos se dirigiram para a área, aumentando a população que no final do Século XIX era de 38 troncos familiares.Nesse contexto, as famílias aqui localizadas desenvolveram um sistema peculiar de organização social, cultural e produtiva, baseada em heranças africanas, indígenas e portuguesas.