segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sociedade brasileira é 'racista', afirma futuro presidente negro do TST

Para Carlos Alberto Reis de Paula, discriminação é 'uma questão cultural'.
 
Ministro assumirá em 5 de março o comando da Justiça Trabalhista.

Primeiro negro eleito para presidir o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o ministro Carlos Alberto Reis de Paula qualifica a sociedade brasileira como "racista e discriminatória".
"É racista, discriminatória e usa de discriminação por um motivo muito simples: uma questão cultural", disse em entrevista ao G1.
Reis de Paula assumirá o comando da Justiça trabalhista no próximo dia 5 de março, em um momento em que, também pela primeira vez, outro negro, Joaquim Barbosa, chefia a mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro Carlos Alberto Reis de Paula, durante entrevista ao G1 em seu gabinete no TST (Foto: Fabiano Costa / G1) 


O ministro Carlos Alberto Reis de Paula, durante entrevista ao G1 em seu gabinete no TST (Foto: Fabiano Costa / G1)
Aos 68 anos – ele completa 69 anos em 26 de fevereiro –, o magistrado eleito por unanimidade para a presidência do TST revela que já foi alvo de racismo ao longo da vida, mas nunca foi discriminado no Judiciário. "Isso acontece, isso é o Brasil", disse.
O ministro se diz um defensor das políticas de cotas para o ingresso de negros nas universidades federais. Ele, no entanto, ressalta que é contra a implantação do sistema para o acesso ao serviço público. "O problema de cota não pode ser uma esmola. Cota é uma questão de justiça social", avalia.
Natural de Pedro Leopoldo (MG), município da regi ão metropolitana de Belo Horizonte, Reis de Paula foi o primeiro negro a ser indicado para um tribunal superior do país (o TST), em 1998. Mestre e doutor em direito constitucional pela Universidade Federal deMinas Gerais (UFMG), ele ingressou na magistratura, em 1979, como juiz do trabalho da 3ª Região (MG).

Casado pela segunda vez, Reis de Paula tem três filhas e cinco netos e é torcedor fanático do América mineiro. Atualmente, concilia as atribuições no tribunal trabalhista com o mandato de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro, porém, diz que deixará a vaga no CNJ assim que assumir a presidência do TST.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
G1 – Há um simbolismo no fato de um negro assumir pela primeira vez o comando do Tribunal Superior do Trabalho no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal também é presidido por um magistrado negro?
Carlos Alberto Reis de Paula
 – É uma coincidência da história, mas é lógico que é um fato simbólico. Só se as pessoas não quiserem ler os fatos. Posso fazer várias leituras. Primeiro, posso olhar para os negros e dizer: é possível chegar lá à custa de trabalho individual, muito empenho e dedicação. Sempre que vou a algum lugar elegante, fico pensando: o negro é exceção. Quantos empresários negros existem no Brasil? Quantos homens de dinheiro e poder existem no país?
O fundamental é as pessoas tomarem consciência de que são racistas porque os fatos mostram isso. Espero que a minha gestão e a do Joaquim [Barbosa] mostrem que somos iguais aos demais e temos nossos valores."
Ministro Carlos Alberto Reis de Paula, do TST
G1 – O sr. acredita que os negros estão conseguindo conquistar mais espaço?
Reis de Paula
 – O Brasil ainda não teve um presidente da República negro. Tenho quase certeza de que vão cobrar muito mais do Joaquim [Barbosa, presidente do Supremo] e de mim do que dos outros. Terão muito menos benevolência nas críticas conosco. Não me assusto com isso. Vou viver minha vida com normalidade. Não quero fazer nada de extraordinário. Quero apenas fazer as coisas ordinárias de forma extraordinária.

G1 – O sr. já foi alvo de racismo?
Reis de Paula 
– Na minha carreira, não, mas na minha vida, sim. Isso acontece, isso é o Brasil. Mas aí você ascende ao cargo de ministro e ninguém mais o discrimina. Mas eu já fui sujeito de racismo.

G1 – Apesar da ascensão de negros a cargos importantes na estrutura da República, a sociedade brasileira ainda é racista?
Reis de Paula 
– É racista, discriminatória e usa de discriminação por um motivo muito simples: uma questão cultural. E o pior é que a sociedade não toma consciência porque isso está no seu subconsciente. A sociedade é racista. O fundamental é as pessoas tomarem consciência de que são racistas porque os fatos mostram isso. Espero que a minha gestão e a do Joaquim [Barbosa] mostrem que somos iguais aos demais e temos nossos valores.

G1 – Mesmo defensor das cotas raciais para acesso ao ensino superior, o sr. é contra as cotas para ingresso no serviço público. Por quê?
Reis de Paula
 – Sustento que devemos habilitar todos, sobretudo os negros, para que possam entrar na universidade, se qualificar e concorrer em igualdade com os outros. Mas essa visão não é apenas para negros, e sim para todos os que são discriminados. Pode ser também para índios e portadores de deficiências físicas. A partir do momento em que eu busco isso, não preciso mais reservar cotas. Não posso admitir cota para magistrado, por exemplo. A meu ver, essa é uma visão simplista. O problema de cota não pode ser uma esmola. Cota é uma questão de justiça social, é uma forma de reparar, mas não fazendo doações.
Pergunto: 44 horas semanais é uma jornada de trabalho pesada? São discursos, temas de passeata de rua. Não está nesse ponto a solução das questões trabalhistas, isso eu lhe garanto categoricamente. Acho razoável a jornada de 44 horas semanais. Eu, por exemplo, trabalho muito mais do que isso."
Ministro Carlos Alberto Reis de Paula, do TST
G1 – Empresários reclamam do suposto excesso de benefícios dos trabalhadores brasileiros. Segundo eles, esses direitos encarecem a mão de obra e, consequentemente, os produtos fabricados no país. Na sua avaliação, há exageros nas leis trabalhistas no Brasil?
Reis de Paula
 – Há um exagero na leitura dos fatos. Em cima do salário dos empregados, há várias incidências de tributos postas pelo governo. O empregado é que sai caro ou o governo é que faz o empregado sair caro? A primeira pergunta que temos de responder é essa. Um empregado brasileiro não é mais caro do que um empregado estrangeiro. O estrangeiro custa muito mais caro em poder de compra. Eu não trabalho com valores nominais. Quero saber é o que ele [empregado] compra com um salário mínimo de R$ 678. Esse é o raciocínio.

G1 – Durante seu mandato, a presidente Dilma Rousseff implementou políticas pontuais de desoneração da folha de pagamentos, que beneficiaram cerca de 40 segmentos da economia. Na sua avaliação, o governo federal deveria promover uma desoneração mais ampla nos encargos trabalhistas para estimular a economia?
Reis de Paula 
– Não sou eu que vou pensar sobre administração macroeconômica. Todas essas alterações tiveram uma conotação econômica, não foi trabalhista. Acho que as questões trabalhistas teriam de ser analisadas em primeiro lugar pelos governos. Essas questões pontuais resolvem conjuntura, não resolvem estrutura.
G1 – Justiça do Trabalho, Ministério Público e governo federal deveriam trabalhar articulados para tentar erradicar os trabalhos escravo e infantil?
Reis de Paula
 – Esse é um dos vexames do país. O índice [de trabalho escravo e infantil] reduziu por causa da influência da OIT [Organização Internacional do Trabalho], mas o patamar ainda é alto. Não sou eu quem fala. Consulte o Ministério do Trabalho. A OIT trabalha com um termo que eu considero muito digno, que é o de "trabalho decente". Esse termo envolve não só a segurança no trabalho, mas também o trabalho valorizado, devidamente remunerado, e em condições dignas e humanas, o que afasta o trabalho escravo e infantil. Devemos despertar a nossa consciência.
O ministro Carlos Alberto Reis de Paula, em seu gabinete no TST (Foto: Fabiano Costa / G1)O ministro Carlos Alberto Reis de Paula, em seu
gabinete no TST (Foto: Fabiano Costa / G1)
G1 – O sr. é a favor da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição de salário, bandeira histórica do movimento sindical?
Reis de Paula
 – Os sindicatos fazem muito charme com isso [a redução da jornada de trabalho], mas acho difícil passar no Congresso. Pergunto: 44 horas semanais é uma jornada de trabalho pesada? São discursos, temas de passeata de rua. Não está nesse ponto a solução das questões trabalhistas, isso eu lhe garanto categoricamente. Acho razoável a jornada de 44 horas semanais. Eu, por exemplo, trabalho muito mais do que isso.
G1 – O sr. pretende tomar alguma medida para acelerar a tramitação dos processos na Justiça trabalhista?
Reis de Paula
 – No Poder Judiciário, trabalhamos em cima de leis que não foram feitas por nós. Não sou legislador, não posso fazer nada contra a lei. Posso interpretá-la, de forma criativa, mas respeitando-a. Aí você me pergunta: demora? Demora. E por que demora? Porque a lei permite que demore. Eu sempre questiono: a quem interessa uma Justiça rápida no Brasil? Aos que não têm voz, costumo responder.
G1 – O sr. defende a regulamentação do direito de greve no serviço público?
Reis de Paula
 – A Constituição é de 5 de outubro de 1988. Ela já tem 24 anos. Direito de greve, para mim, decorre do trabalho. Vira e mexe, dizem: vamos regulamentar. Mas não passam de mobilizações. A vantagem de um direito sem regulamentação é que você faz o que quer. O problema é esse. A forma de descumprir a Constituição é se omitir.
G1 – Há carreiras públicas que estão extrapolando o direito de greve?
Reis de Paula
 – Os professores, por exemplo, têm direito de fazer greve, mas depois têm de compensar as aulas que não foram dadas. Por outro lado, o servidor público entra em greve e não compensa. Me conte um dia no Brasil que o Executivo tenha cortado o ponto de algum grevista ou servidor público.

G1 – O senhor vê restrições no meio jurídico aos magistrados da Justiça do Trabalho?
Reis de Paula
 – Quando eu estava na Faculdade de Direito da UFMG, dizia-se que a Justiça do Trabalho era uma justiça menor, de balcão de negócios. A verdade é que há maus olhares para a Justiça do Trabalho. O problema é que a Justiça do Trabalho não é conhecida. A sociedade não valoriza o trabalho. Se valorizasse, a Justiça do Trabalho seria extremamente valorizada no país. É um problema cultural.
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Qual é a cor da família brasileira?



É sabido que a construção da sociedade brasileira deu-se de modo extremamente violento e abrupto. Iniciou-se com a chegada dos portugueses em 1500, em que estes, num processo “civilizatório”, colonial e escravista roubou, aniquilou e expropriou milhares de indígenas que aqui viviam, a fim de lançar luzes à nova terra, então pagã.

Anos mais tarde, ainda no século XVI, negros africanos foram sequestrados de suas terras e jogados aqui, também para dar continuidade a esse maldito processo “civilizatório” e atender as demandas da economia mercantil.

Séculos se passaram, índios e africanos colonizados, e europeus colonizadores constituíram o que temos hoje, a nação brasileira.
Foi essa a ideia que Gilberto Freyre, em sua obra Casa-Grande & Senzala, incutiu no imaginário popular ao dizer que: “Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil – a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro”.

Ao apreciar esse grande “clássico” da historiografia nacional, pode-se perceber o quanto índios, negros e brancos construíram “harmonicamente” o Brasil. A visão romanesca presente na obra, de fato, nos remete à ideia fictícia de paraíso racial existente aqui.

Os conflitos existentes em todo o processo colonizador e “civilizatório” foram ignorados diante essa afirmação e a imagem que temos é a de que três matrizes ajudaram voluntariamente a construir a sociedade brasileira, essa nação mestiça.

Mais adiante, no século XIX, após a abolição da escravatura os projetos de branqueamento do país passaram a constituir ações que ajudaram a implantar novas teorias racialistas, que projetavam em curto prazo a extinção da raça negra no Brasil. Isso porque o advento da libertação dos escravizados, com a assinatura da Lei Áurea em 1888, gerou uma série de problemas à sociedade da época. Negros libertos agora ganharam às ruas. Sem moradia, emprego, educação, saúde ou qualquer outro direito social que lhes assistissem, muitos viviam na mendicância, e com isso o governo tratou logo de fazer a limpeza etnossocial das cidades, a fim que essa “massa podre” fosse banida de uma vez.

E daí, eis que surge mais um ideal que afrontava a população negra excluída, e que objetivava mantê-la o mais longe possível de qualquer sinal remanescente, mas próspero, de civilização. O princípio da eugenia apostou na imigração europeia para compor a nova mão de obra trabalhista das lavouras, antes exercidas por negros africanos. Entretanto, devemos ressaltar que os imigrantes europeus trazidos para o Brasil no pós-abolição não se espalharam por todo o país. Eles e elas se fixaram nas regiões mais dinâmicas da economia nacional e de clima mais próximo do clima da Europa (regiões sudeste e sul, respectivamente). O nordeste, que no passado colonial foi a região mais rica do país, entrou em franca decadência depois da abolição da escravatura, e por isso pouquíssimos foram os brancos europeus que vieram para cá.

Mário Theodoro, em seu artigo A formação do mercado de trabalho e a questão racial no Brasil, nos disse que:
O trabalho escravo, núcleo do sistema produtivo do Brasil Colônia, vai sendo gradativamente substituído pelo trabalho livre no decorrer dos anos 1800. Essa substituição, no entanto, dá-se de uma forma particularmente excludente. Mecanismos legais, como a Lei de Terras, de 1850, a Lei da Abolição, em 1888, e mesmo o processo de estímulo à imigração, forjaram um cenário no qual a mão-de-obra negra passa a uma condição de força de trabalho excedente, sobrevivendo, em sua maioria, dos pequenos serviços ou da agricultura de subsistência.
Nesse contexto, a consolidação da visão de cunho racista, de que progresso do país só se daria com o “branqueamento”, suscitou a adoção de medidas e ações governamentais que findaram por desenhar a exclusão, a desigualdade e a pobreza que se reproduzem no país até os dias atuais.[1]

Ou seja, a composição etnogeográfica do Brasil foi estrategicamente pensada.
Chegado até aqui, adentro essa discussão com a proposta de explorar o que há por trás do imaginário popular quando se trata do pertencimento étnico de algumas famílias brasileiras. De antemão, julguei necessário fazer esse apanhado histórico acerca da formação e composição étnica brasileira, a fim de que pudesse constatar as abordagens que virão a seguir.
* * *
Para tratar cautelosamente do assunto que pretendo abordar, faço uso da empiria inebriante que é viver em Salvador, cidade situada na região nordeste do país, majoritariamente negra, mas que carrega a esquizofrenia do ideal de brancura no imaginário de algumas pessoas que por aqui vivem. Tão logo me remeto a pensar que tipo de sociedade se faz representar pelas pessoas que habitam Salvador, senão a negação de sua identidade. Seria um retrato idealizado de brancura que hostiliza a possível ideia de se ver como negro (a)?

Como estudante de Pedagogia, tive a oportunidade de conhecer algumas instituições escolares. Vale salientar que todas são públicas e situadas em bairros periféricos de Salvador, cujo público frequentador é composto por crianças e jovens negros e negras em situação de vulnerabilidade social. Sei que é uma redundância dizer que negro é pobre, tendo em vista que pobreza no Brasil tem cor, como bem disse Luiza Bairro. O economista Marcelo Paixão, em palestra proferida no Instituto Cultural Steve Biko no dia 14 de junho de 2012, complementa muito bem essa informação ao dizer que, no Brasil, raça e classe são fatores altamente imbricados. A possibilidade de uma pessoa pobre ser preta é muito maior do que uma pessoa branca. Por sua vez, a possibilidade de uma pessoa rica ser branca é muito maior do que uma pessoa preta. Além disso, vale destacar que as pessoas mais ricas no Brasil são brancas e do sexo masculino. Em suma, raça, classe e gênero são critérios fortemente entrelaçados.

É por isso que o combate ao racismo também tem de ser feito contra o machismo, o preconceito de classe e a homofobia, pois o racismo não age sozinho. Todas essas ideologias unem forças para manter o macho branco e rico no controle de todas as engrenagens de comando no Brasil, como bem disse o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa.

Nas visitas às escolas, me deparei com situações que eu poderia dizer serem esquisitas. Confesso que busquei entender o contexto, a originalidade da ideia, o objetivo de quem pensou em desenvolver a obra, e de fato, entendi. Tanto que o resultado é esse texto.

Numa escola específica, tive o desagrado de ir ao momento de comemoração ao Dia das Mães. Não vejo muito sentido, a não ser o capitalista, para essa data, e o meu descontentamento começou por aí.

Ao chegar lá, estudantes reunidos por turma haviam produzido cartazes em homenagem às suas mães e fixado-os na área que correspondia à quadra esportiva. Lembro bem, era uma área grande em que muitas mães foram recebidas pelas professoras e direção da escola, afinal de contas, era um momento festivo. Estavam todas lisonjeadas com as produções dos seus filhos.O que me causou espanto foi o fato desta escola estar situada num bairro paupérrimo de Salvador, onde só havia crianças negras e as produções dos estudantes só continham fotos de famílias europeias. Isso mesmo! Europeias. O que vi estava muito longe de ser um espectro de família brasileira, muito menos soteropolitana. Não estou aqui para definir qual a cor de cada um, mas creio que seja necessário criar um senso de identidade e pertencimento étnico nos estudantes desde cedo. Projetar no inconsciente infantil um ideal de brancura no qual ele não se enquadra sob nenhuma hipótese é demasiadamente violento. Pois meninas quando crianças sonham com a boneca Barbie, em ter seus cabelos loiros, esvoaçantes e a pele alva. Coisa que elas não terão nem sob pena de morte.

Não suponho que caiba a mim esse papel, que, do alto da minha prepotência, direi a partir de então quem é preto e quem é branco no país, ou melhor, estipularei o mesmo padrão de negritude adotado nos Estados Unidos, o da última gota de sangue. Não é isso! Só penso que os e as profissionais docentes devem ter o máximo de cuidado quando abordam padrões étnicos. Eu não posso, nem vou aqui tentar impor um novo conceito de identificação étnica para cada um, mas ainda acredito na necessidade de repensar com imensa destreza o modo como lidamos com a nossa prática docente, e como se dão os impactos de uma educação racialista no Brasil. Tentar desconstruir estereótipos  e ressignificar o sentido de identidade é um bom caminho a ser seguido, pois seguindo o modelo atual, estaremos mais do nunca fadadas ao fracasso escolar.

Pois no Brasil, ser negro é tornar-se negro. Perceber os aspectos imbricados nessa temática é dever das profissionais da educação. Uma escola que almeja executar uma prática cidadã deve incluir a questão racial tanto no currículo escolar, como na prática pedagógica. As bases legais por si só não garantirão o pleno desempenho e a execução das atividades que doravante irão tratar do respeito à diversidade. Sabemos que é necessário muito mais do que isso para que as ações se concretizem.

A escola precisa, de fato, rever os enunciados e o modo como o segmento negro vem sendo tratado e retratado nos cartazes, nas exposições, nos livros didáticos, nas celebrações e nos auditórios. Tudo isso representa desvelar o silenciamento pertinente sobre a questão racial na escola.
 
  • GOMES, Nilma Lino. Educação cidadã, etnia e raça: o trato pedagógico da diversidade. In: CAVALLEIRO, Eliane (org.) Racismo e anti-racismo na escola: repensando nossa escola. São Paulo:Selo Negro, 2001.
  • FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 51ª ed. rev. São Paulo:Global, 2006.
  • SILVA, Ana Célia da. A discriminação do negro no livro didático. 2ª ed.. Salvador:EDUFBA, 2004.
  • SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. Rio de Janeiro:Graal, 1983.
  • THEODORO, Mario. A formação do mercado de trabalho e a questão racial no Brasil. In: THEODORO, Mário. As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição. 2ª ed. Brasília:IPEA, 2008.

[1] THEODORO, Mario. A formação do mercado de trabalho e a questão racial no Brasil. In: THEODORO, Mário. As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição. 2ª ed. Brasília:IPEA, 2008. p 19.

Conselheiros da Igualdade Racial aprovam regimento da III Conapir


Conferência Nacional acontece no final do mês de outubro de 2013, em Brasília. Etapas estaduais podem ser realizadas até 18 de Agosto
Conselheiros da Igualdade Racial aprovam regimento da III Conapir

Conselheiros escolheram também integrantes da Comissão Organizadora da etapa nacional da CONAPIR
A 38ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) aprovou o regimento interno da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir), que acontecerá em Brasília (DF), no final do mês de outubro. O regimento normatiza os procedimentos relativos ao evento, que reunirá representantes de todo o país ligados à temática. Na reunião, também foram aprovados os nomes dos membros do CNPIR que integrarão a comissão organizadora da etapa nacional da conferência.

A reunião contou com a presença de 24 gestores estaduais e do Distrito Federal, que foram convidados para discutir a minuta do regimento, numa estratégia de integrar os estados na realização do evento. “Os estados têm papel muito importante na mobilização local e regional e foram convidados a participar, através de seus gestores, pela ministra Luiza Bairros”, explica o secretário Executivo do CNPIR, Sérgio Pedro. O prazo para a realização das conferências estaduais e do DF é até 18 de agosto.

Representantes da sociedade civil na comissão organizadora da III CONAPIR:

- Central Única dos Trabalhadores – CUT: Maria Júlia Reis Nogueira
- Centro de Africanidade e Resistência Afro-brasileira –CENARAB: Valkiria Silva
- Coletivo Nacional de Juventude Negra: Clédisson Geraldo dos Santos Junior
- Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas: Arilson Ventura
- Fórum Nacional de Mulheres Negras –FNMN: Estela Maris Cardoso
- Notório Conhecimento nas Questões Raciais: falta indicar;
- União de Negros pela Igualdade – UNEGRO: Manoel Vieira
Coordenação de Comunicação da SEPPIR

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Morre, em Salvador, o historiador Ubiratan Castro



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Morre, em Salvador, o historiador Ubiratan Castro
Faleceu nesta quinta-feira, 3 de janeiro, o historiador e diretor-geral da Fundação Pedro Calmon (BA), Ubiratan Castro de Araújo. Um dos maiores especialistas sobre a história da Bahia e a dinâmica da escravidão no Brasil, o professor sofria de um problema renal crônico e estava internado no Hospital Espanhol, em Salvador, desde o último mês de novembro.
Ex- diretor da Fundação Cultural Palmares (entre 2003 e 2006), Castro foi responsável por projetos que colocaram o Brasil no cenário internacional no que diz respeito ao debate sobre a diáspora africana, como a realização de encontros históricos como o II Conferência de Intelectuais da África e Diáspora (CIAD) e por suas viagens junto a comitiva oficial do presidente Lula ao continente africano que marcaram uma guinada na política internacional brasileira em relação aos povos africanos.
Aos 64 anos, Castro era considerado um dos maiores historiadores baianos da atualidade
O seu trabalho era conhecido tanto pelo meio acadêmico quanto por setores populares, o que o fazia ser considerado um "intelectual orgânico", sendo bastante requisitado para entrevistas e palestras públicas em escolas e comunidades. Em virtude de sua dedicação pela comunidade negra, Castro recebeu, em 2012, a Comenda da Ordem Rio Branco. A medalha, criada em 1963, é a maior condecoração oferecida pelo país oferecida pelo Itamaraty.
Ubiratan Castro era doutor em história pela Université Paris IV-Sorbonne. Além disso, era licenciado na mesma area pela Universidade Católica do Salvador e Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia. Atuou também como um dos diretores do Centro de Estados Orientais da Bahia – CEAO e era membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupava a cadeira 33, cujo patrono é o poeta abolicionista Castro Alves. Ainda não há informações sobre o sepultamento, que deve ocorrer em Salvador


Em seu blog ainda é possível acompanhar os últimos textos publicados pelo
escritor

Carlos Moore desconstrói senso comum sobre o racismo


Um dos mais importantes intelectuais negros da atualidade 
veio à Curitiba e concedeu entrevista ao Portal da APP
Carlos Moore, um dos mais importantes intelectuais negros da atualidade, 
veio à Curitiba no último dia 11 de dezembro para relançar ...
Velha guarda da Portela - O MISTÉRIO DO SAMBA

Velha guarda da Portela - O MISTÉRIO DO SAMBA

Na ocasião do trabalho de pesquisa de campo realizado por 
Marisa Monte nos idos de 1998 junto aos sambistas da Portela 
no bairro de Oswaldo Cruz, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), 
para o repertório de seu CD "Tudo Azul", 
a cantora percebeu que algo mais estava ali, naquele lugar, 
além dos cancioneiros inéditos os quais pretendia resgatar. 
Assim, ...
ONU comprova 126 estupros e dois assassinatos
de civis cometidos pelas forças armadas da RDC

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A ONU confirmou ontem (18) que pelo menos 126 estupros 
e dois assassinatos de civis – um menor de idade – foram cometidos 
por soldados das Forças Armadas da República Democrática do Congo 
(RDC), durante a onda ...
“Munduruku e Tapajós:
Quem defende um, Luta pelo outro”

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Luta pelo outro”

Foto: Marquinho Mota Guarani Kaiowá Munduruku 
O Fórum da Amazônia Oriental, FAOR, em parceria com 
a Associação Indígena Pussuru (que representa os indígenas 
Munduruku do Alto Tapajós), Comitê Metropolitano Xingu Vivo e 
ASW (Ação Mundo Solidário) estão lançando a primeira série 
de banners eletrônicos da Campanha “Mundurukus e ...
Embaixador aposta na maior divulgação de
Angola no Brasil

Embaixador aposta na maior divulgação 

de Angola no Brasil

O embaixador Nelson Cosme apontou, em Brasília, 
como uma das prioridades da missão angolana no Brasil, 
para 2013, "fazer Angola acontecer" nesse país e noutros 
sob sua jurisdição na América do Sul.
A perspectiva de Nelson Cosme foi apresentada, 
sexta-feira (14/12), quando em reunião com diplomatas e outros ...
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

AFRICAS NOTÍCIA MINUTO A MINUTO


Seminário aponta caminhos para o combate 

à discriminação das tradições africanas

Articulação do segmento frente ao poder público,
 tratamento da questão como discriminação racial e
 novas propostas pedagógicas que atuem na 
desconstrução de imaginários maniqueístas 
foram algumas das estratégias apresentadas 
pelos participantes
 
Lideranças religiosas, parlamentares e representantes
 governamentais reuniram-se para debater estratégias ...


“Não aceitaremos mais promessas vazias”, 

declara assembleia Guarani e Kaiowá

Foto: Ruy Sposati/Cimi
Por Ruy Sposati, de Douradina (MS),
 para o Cimi
Mais de 300 Guarani e Kaiowá, 
reunidos no Aty Guasu – grande assembleia
 dos povos Guarani do Mato Grosso do Sul
 – concluíram o encontro declarando às autoridades brasileiras:
 “não aceitaremos mais promessas vazias”. Os indígenas ...

Cresce a mobilização contra a privatização do Maracanã

Foto: Rodrigo Otávio
A decisão sobre o futuro do antigo 
“maior do mundo” começa este mês.
 De um lado, o governo anunciou ter adiado a publicação 
do edital de concessão, mas a avaliação do movimento
 O Maraca é Nosso, integrante do
 Comitê Popular da Copa, é de que os planos ...

Lançamento - "Você conhece aquela?

 A piada, o riso e o racismo à brasileira"

 
A piada, cujo intuito é provocar o riso e dissimular conflitos, 
explicita com jeitinho a fragilidade da democracia racial
 e social brasileira, tornando ainda
 transparente a tentativa 
padronizadora perpetrada pelo branqueamento. 
Aqui, o autor analisa como as piadas sobre negros ...

Estudo mostra opinião do brasileiro sobre democracia, 

igualdade racial e de gênero

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
 apresenta o seminário Valores e Cidadania.
 Serão discutidos
 os resultados da pesquisa Valores e Estrutura Social no Brasil.
 O estudo aponta os valores da população relativos 
à democracia, participação, igualdade racial, 
igualdade de gênero e sustentabilidade.

 

 

A participação dos negros nos movimentos históricos

Programa também reflete sobre as políticas 
públicas voltadas para a questão racial
Na Semana da Consciência Negra, o 3 a 1 
discute a participação dos negros em 
movimentos históricos no Brasil, 
como a Revolta da Chibata, 
a Conjuração Baiana de 1798,
 o Zumbi dos Palmares, entre outros.
A importância desses movimentos para 
a história do país e para ...

Comunidade Kalunga, o maior quilombo remanescente do país

Os quilombos surgiram no século XVI 
com grupos de escravos que se refugiavam 
na mata para escapar dos trabalhos forçados.
 A estimativa atual é que existam 
aproximadamente 214 mil famílias de quilombolas no Brasil.
 Até o momento, 1,8 mil comunidades já foram certificadas
 pela Fundação Cultural Palmares.
 A maior concentração se encontra
 no Maranhão, Bahia e Minas Gerais.
 A equipe ...

Bambas de ontem..

No Dia do Samba, o ‘Tô Ligado’ resgata um pouco
 de sua história
 em Araraquara por meio de Salomão Alves,
 um de seus mais tradicionais representantes
Por Matheus Vieira
 

Os três mosqueteiros, Jorge, Márcio e Afonso

 
Por Cidinha da Silva Caríssimos 
autores de Lado a lado, Cláudia Lage e João Ximenes Braga,
 mui respeitosamente, quero perguntar-lhes 
por que Olavo, Vilmar e Elias,
 os três garotos negros de Lado a Lado,
 não frequentam a escola??? 
 Certa estou de que as 
competentes historiadoras que os assessoram ...

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