terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A questão em jogo no Espírito Santo é essa: a vida do jovem negro não tem valor



Luiz Inácio Silva da Rocha, o Lula, militante dos direitos humanos e movimentos negros


Lívia Francez e Mariana Carvalho
Foto: Leonardo Sá/ Porã
  
Metade da vida de Luiz Inácio Silva da Rocha, o Lula, foi dedica aos movimentos sociais. Aos 15 anos fundou o grêmio estudantil de sua escola, no bairro de Santana, em Cariacica. Atualmente, perto de completar 30 anos, é presidente do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve-ES) e coordenador do Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes). 
Nesta entrevista a Século Diário, Lula lamenta a ausência de políticas públicas para a juventude no Espírito Santo e reforça a necessidade de ações que valorizem o jovem. Ele ainda fala da invisibilidade do negro na sociedade e da importância de se interromper o ciclo de desigualdade social e racismo no país.
Jovem e negro, Lula pôde sentir na pele o que é viver no segundo Estado do país onde mais se mata justamente esse segmento da população. O militante relembra o histórico de desrespeito aos direitos humanos nos governos de Paulo Hartung (2003 a 2010) e se preocupa com o futuro do Estado. Entretanto, Lula deixa um recado: os movimentos sociais se fortaleceram, e não vão permitir que as atrocidades do passado se repitam.

Século Diário - Nesta semana o Conselho Estadual de Juventude divulgou uma nota pedindo diálogo com o governo Paulo Hartung. Como tem sido a relação com o novo governo?
Lula - Não houve diálogo ainda. Nós tentamos uma abertura com a atual gestão, inclusive antes da posse, e até agora não conseguimos. Apesar já termos mandado um oficio ao governador e soltado uma nota, nos ainda não tivemos retorno. O que nos preocupa é que toda a equipe da Gerência Estadual de Juventude do Espírito Santo foi exonerada e isso nos deixou sem interlocução com o governo. Não sabemos nem a quem procurar para tratar das políticas públicas para juventude. Por isso essa nossa iniciativa de enviar um oficio para o próprio governador e também nos posicionar publicamente.
- Então até hoje a Gerência não foi realocada?
- Não, nós não temos informações sobre novas nomeações e não sabemos onde ela vai ficar, se é que ela ainda vai existir no atual governo.
- Essa Gerência foi instalada no ano passado?
- Foi em 2013. Apesar da implementação da Gerência ser um avanço para nós, ela tinha muitas limitações. Ela não foi criada com suporte técnico e financeiro. Acabava se resumindo ao gerente e a uma equipe mínima. Então, apesar da criação da gerencia ser um avanço, é um avanço muito tímido diante do desafio que é a criação de políticas públicas fortes para a juventude no Estado.
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- E o trabalho do Conselho Estadual de Juventude também está comprometido?
- O Conselho foi criado junto com a Gerência. Apesar da Lei que instituiu o Conselho ser de 2007, a primeira gestão só tomou posse em 2013. O Conselho é uma luta antiga da juventude aqui no Estado. A Lei foi proposta pelo deputado Cláudio Vereza (PT), foi aprovada na Assembleia Legislativa, maso então governador Paulo Hartung, no seu mandato anterior, vetou a lei. A Assembleia derrubou o veto do Executivo. Foi um dos primeiros e poucos vetos que a Assembleia conseguiu derrubar na gestão anterior do governador Paulo Hartung. Por isso, o Conselho Estadual de Juventude, desde a sua criação, já é um símbolo de luta e resistência. 
- O que existe de políticas públicas para a juventude hoje no Estado?
- De espaço institucional, o que existia era a Gerência e o Conselho. De políticas, ainda não se conseguiu fazer um mapeamento minucioso do governo anterior, mas são pouquíssimas iniciativas voltadas especificamente para o público juvenil. Existem outras políticas que acabam atendendo o jovem, mas as políticas públicas de juventude ainda são muito incipientes no Espírito Santo. Com esse diagnóstico, o Conselho elaborou um plano de ação para tentar dar conta desse desafio que é criar políticas públicas para atender a juventude. Um dos primeiros itens e a criação de um Plano Estadual de Políticas Públicas para a Juventude. Nesse plano, há uma série de ações específicas para atender o público juvenil nas mais diversas áreas, como saúde, educação, cultura, trabalho e lazer. Esse seria um primeiro instrumento para dar início a construção destas políticas no Espírito Santo. Para além do plano, o Conselho tem feito diversas ações. Lançamos no dia 12 de agosto a campanha “Ser jovem não é crime”, buscando dialogar com a sociedade sobre o que é ser jovem, sobretudo o que é ser jovem no Estado do Espírito Santo. Infelizmente, se veicula a imagem do jovem como problema, e quando se fala do jovem como problema se fala do jovem envolvido com o crime. Mas a juventude é mais ampla do que podemos imaginar, e a juventude do Espírito Santo vem desenvolvendo uma série de ações nas mais diversas áreas, que não ganham repercussão. Só ganha repercussão aquilo que o jovem faz que é negativo. A campanha “Ser jovem não é crime” tem como objetivo dialogar a respeito dessa condição juvenil e desconstruir essa imagem de 'jovem problema'. 
- Qual é a importância da presença do jovem na construção destas políticas públicas?
- Isso é muito importante e é uma preocupação muito grande do Conselho neste atual governo. A gente ouve o governador Paulo Hartung falar sobre juventude, destacando que o jovem terá outro papel prioritário nesta gestão, mas até agora nós não fomos procurados na condição de Conselho para discutir essas questões. O governo fala agora de várias ações para os jovens, mas sem ouvir a própria juventude. Trouxe órgãos de fora, especialistas [se referindo à implantação da Escola Viva], mas não conversou com o jovem do Estado para discutir quais são essas políticas. Por isso o Conselho faz esse esforço de diálogo, porque queremos participar dessa concepção de juventude. Fazer ações sociais sem ouvir os setores que serão atendidos não é fazer política pública, porque não vai atender as demandas reais dessas pessoas.
- Umas dessas ações para a juventude que o governo Hartung tem proposto é a Ocupação Social. Qual a sua expectativa sobre o projeto?
- A marca dos dois governos Paulo Hartung e até mesmo do governo Casagrande são marcas que não privilegiaram o diálogo social, sobretudo no campo da segurança pública. Acredito que esse tenha sido o grande equívoco do Programa Estado Presente, do governo Renato Casagrande, e possivelmente será o grande equívoco da Ocupação Social proposta por Hartung, se esse espaço de interação com a população não existir. Infelizmente, quando se fala de políticas públicas no Estado, a sociedade é vista apenas como delatora. Procura-se estimular a participação do cidadão apenas para que ele denuncie crimes, e não para que discuta os rumos da política. Queremos que a sociedade capixaba participe desse processo de construção de alternativas para o problema da violência no Estado. E não enxergamos a proposta da Ocupação Social cumprindo seu papel sem ouvir a sociedade civil e os movimentos sociais. 
- Na área de direitos humanos e da juventude houve algum avanço com relação as políticas públicas no governo Casagrande?
- Infelizmente não consideramos que houve avanços significativos e concretos. Tivemos algumas iniciativas, como a elaboração do Plano Estadual de Direitos Humanos, mas isso continuou muito periférico no governo anterior, o que para nós é um equívoco. Diante dos problemas estruturais que o Estado vive hoje, se não tivermos políticas que de fato tenham a profundida e a escala que mereçam ter, nós vamos continuar 'enxugando gelo' e não vamos superar essas desigualdades social.
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- Quando olhamos para os números do Mapa da Violência no Estado, vem logo a pergunta: por que tantos jovens negros morrem no Brasil e, especialmente, no Espírito Santo?
- Entendemos que a nossa vida, a do jovem negro, não tem tanto valor quanto a vida de jovens brancos. Fiquei bastante incomodado, por exemplo, a declaração da nova chefe da Polícia Civil, delegada Gracimeri Gaviorno, que disse que a prioridade da sua gestão será os crimes contra o patrimônio. Quando você tem um Estado que lidera os homicídios de mulheres e é vice no de homicídio de jovens, sobretudo negros, e você escuta uma declaração de que a prioridade da gestão de segurança pública será os crimes contra o patrimônio, é sintomático. Significa que as nossas vidas não têm tanto valor. Que é melhor seguir com a política de segurança pública patrimonialista em detrimento das vidas. Sentimos que a questão em jogo no Espírito Santo é essa: que as nossas vidas não têm valor. E também, infelizmente, há por parte da sociedade uma postura que legitima isso, muito influenciada pelos meios de comunicação, que não veem a nossa vida como dignas de proteção, e que acaba estigmatizando o jovem negro como bandido. Isso gera toda essa política da indiferença. Podem morrer vários jovens negros durante a semana, ocorrer várias chacinas durante o mês, e isso não gera comoção e revolta por parte da sociedade, que está anestesiada e é até mesmo incentivada a legitimar essas mortes por causa dessa propaganda dos meios de comunicação.

- E quais caminhos para reverter essa lógica perversa?
- Desde 2008, o Fejunes lançou a Campanha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra. Nela a gente vem dialogando com a sociedade a respeito desse problema da indiferença e da importância de superá-lo. Existem diversas ações que realizamos, como a Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, todo dia 20 de novembro. Mas é claro que, diante de toda essa máquina criada para legitimar as nossas mortes, essas ações ainda não surtem o efeito que gostaríamos. Mas é uma caminhada. A mobilização social e o engajamento do próprio jovem negro é fundamental para se contrapor a esse estado de invisibilidade. Além disso, é fundamental reivindicar políticas. Nós acreditamos que através de políticas públicas e ações afirmativas é possível dialogar a respeito da dimensão do valor da nossa vida. Nossa tarefa é dizer que o jovem negro é sim um sujeito de direito e tem direito à vida. 
- É possível perceber, durante a Marcha, que muitos alunos de escolas públicas participam. Você acha que o caminho é começar a discutir essa questão com o jovem mais cedo? Como fazer com que eles continuem perpetuando essa ideia?
- Esse é o investimento que fazemos desde o início, mobilizar os jovens onde eles estão, seja na escola, nos projetos sociais ou no bate-papo com a comunidade. A gente sempre tenta trazer esse jovem e despertar nele o interesse de reivindicar seus direitos. Na Marcha isso fica mais evidente. É um trabalho que fazemos ao longo do ano, nessa perspectiva de mostrar ao jovem que a mobilização é necessária e que é preciso que ele problematize essa relação no seu dia a dia. A Marcha acaba culminado esse trabalho árduo e permanente, que é discutir as relações raciais e a implicação delas na vida desses jovens.
- Isso também passa pelo resgate da identidade negra...
- Com certeza. O movimento negro já faz essa mobilização há algum tempo, mas de certa forma a gente conseguiu, com toda essa mobilização, fazer com que a discussão fosse aberta em outros espaços. Hoje já temos núcleos nas Universidades, grupos de estudo em diversos órgãos e a própria mídia tem aberto mais espaço. Então isso é fruto desse trabalho que o movimento negro já faz há décadas. Mas ainda é muito incipiente. Todo esse espaço que temos para discutir as relações raciais ainda é muito pequeno diante do desafio que é o racismo no Brasil.
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Na semana passada foi divulgado o Índice de Vulnerabilidade Juvenil, encomendado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Ele aponta que o jovem negro no Estado tem seis vezes mais chance de morrer do que os jovens brancos. E durante o período estudado, enquanto a morte de jovens brancos diminuía, a de negros aumentava. Por que não se dá a importância necessária a essas mortes?

- É ai que o racismo é escancarado na segurança pública. A gente ouve o governo anterior falando que o número de homicídios diminuiu, mas quando se faz a comparação, você vê que os jovens negros continuam morrendo muito mais do que os jovens brancos. Paralelo a isso, você não tem espaço para fazer essa discussão no campo da segurança pública. Seja o Estado Presente ou a Ocupação Social, eles não incorporaram a dimensão racial na sua importância. Então consideramos que o racismo está evidenciado tanto na invisibilidade dos números quanto na forma de lidar com esse problema. Porque se você tem uma diferença tão escancarada em número de mortes de brancos e negros e a o poder público não leva isso em consideração. É o racismo institucional vindo à tona.
- Não existe nenhuma tentativa do poder público em discutir a segurança pública nesse viés racial...
- Na política de segurança pública, infelizmente não. Temos uma tentativa agora com o Programa Juventude Viva, que foi lançado pelo governo federal e que o governo do Estado (Casagrande) aderiu. Mas que até agora também não conseguiu ganhar o grau de prioridade que deveria. E nessa transição não tivemos nenhum retorno do governo sobre a possibilidade do Programa ser mantido. Então essa é uma reivindicação do Conselho e de outros movimentos sociais. Esperamos que o Juventude Viva seja uma alternativa. Mas com relação à segurança pública, nós não temos nenhuma iniciativa nesse sentido.
- No Estado Presente e agora na Ocupação Social se fala muito no trabalho conjunto de vários setores do governo, mas o que se vê é uma atuação forte do aparato de segurança e uma atuação bem mais tímida dos outros setores, justamente os que seriam incumbidos de fazer o trabalho preventivo. Parece que há um descompasso  nessas ações?
- Essa intenção de se buscar ações de prevenção fica, na maioria das vezes, só na intenção. A gente não tem de fato um comprometimento institucional que privilegie o envolvimento de outros setores. O próprio Estado Presente deixou muito a desejar nisso, assim como outras políticas de segurança pelo Brasil. Apesar desse discurso da prevenção e integração, o que se destaca é o aparato repressor. E se você pegar o investimento vai ver isso. O quanto se gasta na compra de viaturas, com construção de presidio, e o quanto foi, por exemplo, destinado às políticas públicas de juventude. Nem dá para comparar porque, de fato, praticamente nada foi investido na juventude. Isso mostra que essa intenção fica mais no campo do discurso do que em uma diretriz política. E a gente espera que isso seja diferente nessa nova roupagem da Ocupação Social”. O conselho de juventude se coloca à disposição para discutir as políticas nesse sentido.
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- Mas não é isso que podemos esperar pelo histórico do governo Paulo Hartung. Nós temos o Cais das Artes, por exemplo, que voltou a ser muito falado pelo governo e está tendo um custo exorbitante para os cofres públicos. O governador agora quer dar uma roupagem social ao projeto, quando, na verdade, nós sabemos que ele não vai ser efetivo como espaço de inclusão social, sobretudo ao jovem negro da periferia. Até porque a obra foi concebida numa área nobre da cidade e bem longe dos problemas sociais fazem desses jovens as principais vítimas da violência. Quantos projetos sociais poderiam ser levados as comunidades mais vulneráveis com os recursos gastos no Cais das Artes?
- Para nós é uma grande incoerência o governo investir o que tem investido, e ainda vai investir, no Cais das Artes e ao mesmo tempo encerrar o programa Rede Cultura Jovem, que é um programa que visava o acesso a recursos e dava apoio aos jovens da periferia e aos jovens envolvidos com produção cultural no Estado, na difusão da produção cultural. É uma grande contradição investir tanto dinheiro na construção de um equipamento daquela magnitude, dizendo que é para atender a juventude da periferia, e cortar o programa Rede Cultura Jovem. Agora, em relação à nossa expectativa, de fato, pelo que temos de experiência nos dois mandatos anteriores do Hartung, não temos grandes esperanças de mudança. Mas a gente acredita que os movimentos sociais estão prontos para se contrapor a isso. A juventude do Espírito Santo tem construído diversos movimentos de resistência, através dos coletivos juvenis, através das manifestações, e até nos espaços institucionais. Então a esperança que temos é que os movimentos sociais vão se contrapor e não vão permitir que se repita o que aconteceu no passado. Apesar de não ter confiança no projeto político que está aí, eu tenho muita esperança nos movimentos sociais, que certamente vão reagir a qualquer tentativa de violação e ameaça aos direitos. Nós já temos uma juventude muito mais atuante, que se expressa das mais diversas formas e que já consegue fazer uma reflexão a partir da sua condição e a partir daquilo que acha que é interessante avançar no campo da política. 
- Quais são as ações do Conselho e do Fejunes planejadas para o próximo ano?
- No Conselho nós estamos com a elaboração do Plano de Políticas Públicas de Juventude, que deve ser entregue ao governador em abril. Também vamos desenvolver várias ações a partir da campanha “Ser jovem não é crime”. E temos outras atividades que o Conselho vem realizando, como o Cejuve Itinerante, em que vamos até o interior ouvir as demandas da juventude, e a Semana Estadual Contra o Extermínio da Juventude, que vai acontecer em setembro. No Fejunes, temos diversas iniciativas, mas o que vamos destacar para esse ano é o 'Segundo Encontro Nacional de Juventude Negra', que vai acontecer em setembro. É um encontro que reunirá jovens negros de todo o Brasil, e o Espírito Santo estará representado. Vamos continuar trabalhando na Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, que acontece sempre em novembro. Também seguiremos realizando oficinas, palestras, caravanas culturais durante todo o ano.



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

'Fórum de Debates com Sérgio Rosa

Sérgio Rosa 
Sem sombra de duvidas. Esse ao iniciei aqui no RS um projeto novo. 'Fórum de Debates, Um Sorriso Negro' estou passando por algumas instituições de ensino fundamental, médio e superior. Fomentando o debate, proporcionando um espaço onde todos presentes possam expor suas ideias, opiniões, posições e pontos de vista sobre temáticas relacionadas a negritude. Em três momentos já participaram mais de 1200 pessoas, entre estudantes e professores. Ainda terei mais dois momentos desses nessa semana.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Zumbi dos Palmares e o 20 de Novembro.

Para falar de Zumbi dos Palmares temos que fazer uma volta na linha do tempo e conceituar o período da escravidão.


História da Escravidão: Introdução 

Ao falarmos em escravidão, é difícil não pensar nos portugueses, espanhóis e ingleses que superlotavam os porões de seus navios de negros africanos, colocando-os a venda de forma desumana e cruel por toda a região da América. Sobre este tema, é difícil não nos lembrarmos dos capitães-de-mato que perseguiam os negros que haviam fugido no Brasil, dos Palmares, da Guerra de Secessão dos Estados Unidos, da dedicação e idéias defendidas pelos abolicionistas, e de muitos outros fatos ligados a este assunto. 
Apesar de todas estas citações, a escravidão é bem mais antiga do que o tráfico do povo africano. Ela vem desde os primórdios de nossa história, quando os povos vencidos em batalhas eram escravizados por seus conquistadores. Podemos citar como exemplo os hebreus, que foram vendidos como escravos desde os começos da História.   Muitas civilizações usaram e dependeram do trabalho escravo para a execução de tarefas mais pesadas e rudimentares. Grécia e Roma foi uma delas, estas detinham um grande número de escravos; contudo, muitos de seus escravos eram bem tratados e tiveram a chance de comprar sua liberdade.  

Escravidão no Brasil
No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África  para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de cana de açúcar do Nordeste.
Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos. O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar. Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.
Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.  As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia  . No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas. O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos.
O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi dos Palmares. 

Campanha Abolicionista e a Abolição da Escravatura
A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática. Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de QueirozSomente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel. 



que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.
  
A vida dos negros após a abolição da escravidão
Se a lei deu a liberdade jurídica aos escravos, a realidade foi cruel com muitos deles. Sem moradia, condições econômicas e assistência do Estado, muitos negros passaram por dificuldades após a liberdade. Muitos não conseguiam empregos e sofriam preconceito e discriminação racial. A grande maioria passou a viver em habitações de péssimas condições e a sobreviver de trabalhos informais e temporários.

Você sabia?
- 25 de marco é o Dia Internacional em memória da vítimas da escravidão e do tráfico transatlântico de escravos.

Quilombo dos Palmares

Durante todo o período em que a escravidão foi vigente, os cativos empreenderam formas diversas de escaparem daquela ordem marcada pela repressão e o controle. Dentre as várias manifestações de resistência, os quilombos, também conhecidos como mocambos, funcionavam como comunidades de negros fugidos que conseguiam escapar do controle de seus proprietários. Sendo local de refúgio, os escravos escolhiam localidades de difícil acesso que impedissem uma possível recaptura. Além disso, os quilombos também eram estrategicamente próximos de algumas estradas onde poderiam realizar pequenos assaltos que garantissem a sua sobrevivência. Não sendo abrigo apenas de escravos, os quilombos também abrigavam índios e fugitivos da justiça. Um dos quilombos mais conhecidos da história brasileira foi Palmares, instalado na serra da Barriga, atual região de Alagoas. Com o passar do tempo, Palmares se transformou em uma espécie de confederação, que abrigava os vários quilombos que existiam naquela localidade. Seu crescimento ocorreu principalmente entre as décadas de 1630 e 1650, quando a invasão dos holandeses prejudicou o controle sobre a população escrava. A prosperidade e a capacidade de organização desse imenso quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Não por acaso, vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição definitiva de Palmares. Contudo, os quilombolas resistiram de maneira eficaz e, ao longo de oitenta anos, conseguiram derrotar aproximadamente trinta expedições militares organizadas com este mesmo objetivo. Mediante a resistência daquela população quilombola e não mais suportando a exaustão das derrotas, o governador de Pernambuco, Aires Sousa e Castro, e Ganga Zumba, importante líder palmarino, assinaram o chamado “acordo de 1678” ou “acordo de Recife”. Por esse tratado, o governo pernambucano reconhecia a liberdade de todos os negros nascidos em Palmares e concedia a utilização dos terrenos localizados na região norte de Alagoas. Alguns membros do Quilombo não aceitaram o termo estabelecido por Ganga Zumba, que acabou sendo envenenado por seus opositores quilombolas. A partir de então, o controle de Palmares passou para as mãos de Zumbi, que não aceitava negociar com as autoridades e preferia sustentar a situação de conflito. Com essa opção, estava traçado o caminho que culminaria na destruição deste grande quilombo. Em 1694, sob a liderança do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, as forças oficiais começaram a impor a desarticulação de Palmares. Inicialmente, mesmo ocorrendo a destruição quase definitiva, Zumbi e alguns resistentes fugiram, se organizaram e continuaram lutando. No ano seguinte, Zumbi foi morto e degolado pelos bandeirantes, que enviaram a sua cabeça até Recife como símbolo maior da vitória contra os quilombolas palmarinos. Atualmente, as lideranças do movimento negro brasileiro reverenciam a ação heróica dos palmarinos e prestigiam Zumbi como um símbolo de resistência. No dia 20 de novembro, mesma data em que Zumbi foi morto, é comemorado o Dia da Consciência Negra. Certamente, Palmares demonstra que a hegemonia da ordem escravocrata foi colocada em dúvida por aqueles indivíduos que negaram se subordinar ao status  da época.

O Dia da Consciência Negra

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi o principal representante da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viv Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue ao padre jesuíta católico Antônio Melo, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa, latim, álgebra e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, fugiu de Porto Calvo para viver no quilombo dos Palmares. Na comunidade, deixou de ser Franciso para ser chamado de Zumbi (que significa aquele que estava morto e reviveu, no dialeto de tribo imbagala de Angola). No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.
O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695. 

Importância de Zumbi para a História do Brasil 
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Oficina de Performance Negra exibe curtas

Eduarda Uzêda

Temas como estética, identidade, candomblé e relacionamento homo afetivo integram, entre outros, os cinco curtas-metragens produzidos pelos alunos da II Oficina de Performance Negra, coordenada pelo Bando de Teatro Olodum. Eles serão exibidos, nesta segunda-feira, 13, no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha, às 19 horas.  A entrada é franca. Os vídeos são resultantes do curso de produção audiovisual ministrado pela cineasta e produtora Maise Xavier e contaram com a participação de 34 alunos  da oficina.
"Os alunos  se apropriaram de todas as etapas de produção de um filme, como a criação do roteiro, produção, gravação - captação de imagens, operação de câmera, de som, microfone, de luz - e edição", informa a cineasta, que participou da  equipe fotográfica da série televisiva Ó, Paí, Ó, exibida em 2009 e 2010, na Rede Globo.      
Resultado satisfatório

"Fiquei feliz com o resultado, pois muitos alunos não tinham nenhuma experiência com o audiovisual" afirma Maise, que   assina a direção geral dos curtas-metragens e a organização da mostra baiana.

Maise, que atua há 25 anos na área, informa que os vídeos  têm, cada um,  cinco a seis minutos de duração. A Herança de Nitorê   conta a história de vida de uma das integrantes do grupo, Antonieta Ribeiro da Silva Neta,  e sua relação com candomblé.  A Espera  aborda um relacionamento homo afetivo entre duas mulheres.

Estética e identidade
Já o vídeo  Invisível mostra um dia na vida de um morador de rua.  A discussão sobre estética e identidade negras é o tema de  Que Cabelo é Esse?. Reciprocidade expõe divergências entre um jovem casal durante o namoro.
Uma das participantes da produção audiovisual   A Herança de Nitorê,  a mineira Taimara Liz, achou muito rico o processo. "Não tinha idéia, por exemplo, de quanto uma gravação visual era trabalhosa", afirma.
Sulivã Bispo, que integrou a equipe de Que Cabelo é Esse?, afirmou que o vídeo parte de uma interrogação (preconceituosa) de muitas pessoas sobre o cabelo de estética afro. 
Programe-se
O quê: II Oficina de Performance Negra
Quando: Segunda feira, 13,  às 19h
Onde: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha (Av. Sete de Setembro, Passeio Público)
Quanto: Grátis

Informações: (71) 3086-4600

sábado, 23 de agosto de 2014

II ª MARCHA NACIONAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO

Essa Marcha é por nós e para nós mesmos. É para celebrar a luta dos nossos antepassados que lutaram contra a escravidão. É para as mulheres que perderam seus ­lhos. É para o irmão que volta do trabalho, da escola ou do role, mas pelo fato de ser negro, tem que provar que é trabalhador muitas vezes para não morrer. É para os irmãos e irmãs presos na cela fria, sem advogados, humilhados pela justiça e torturados pelos agentes penitenciários. É para todas as crianças e jovens que são discriminadas na escola pela cor da sua pele, seu nariz ou pelo seu cabelo. Essa Marcha é para denunciar que o Estado Brasileiro é racista e genocida. Você sabe o que é genocídio? A palavra genocídio significa extinção física de uma raça ou etnia, (como ocorreu com o povo indígena no Brasil e

com o que vêm ocorrendo com o povo palestino. Em outras palavras, é uma política de Estado que promove o extermínio de um povo. Genocídio também é a submissão de um grupo a condições de existência que podem ocasionar a sua destruição total ou parcial. 
No Brasil, as mortes causadas pelo aparato do Estado como as chacinas ocorridas nas periferias, as péssimas condições de vida e as mortes por falta de atendimento médico (parto mal sucedido, por enfarto, mioma ou câncer, dependente químico sem tratamento adequado), e­m, a cada corpo negro estendido no chão, temos aí, o genocídio. Nos últimos 10 anos quase 500 mil jovens negros foram assassinados por armas de fogo. O extermínio em massa da nossa juventude é marca mais perversa do genocídio do povo negro no Brasil. Não podemos mais nos calar. 
O povo negro exige mais que respeito, exige futuro!Essa Marcha é por nós e para nós mesmos. É para celebrar a luta dos nossos antepassados que lutaram contra a escravidão. É para as mulheres que perderam seus ­lhos. É para o irmão que volta do trabalho, da escola ou do role mas pelo fato de ser negro, tem que provar que é trabalhador muitas vezes para não morrer. É para os irmãos e irmãs presos na cela fria, sem advogados, humilhados pela justiça e torturados pelos agentes penitenciários. É para todas as crianças e jovens que são discriminadas na escola pela cor da sua pele, seu nariz ou pelo seu cabelo. 
Essa Marcha é para denunciar que o Estado Brasileiro é racista e genocida. Você sabe o que é genocídio? A palavra genocídio significa extinção física de uma raça ou etnia, (como ocorreu com o povo indígena no Brasil e com o que vêm ocorrendo com o povo palestino. Em outras palavras, é uma política de Estado que promove o extermínio de um povo. Genocídio também é a submissão de um grupo a condições de existência que podem ocasionar a sua destruição total ou parcial. No Brasil, as mortes causadas pelo aparato do Estado como as chacinas ocorridas nas periferias, as péssimas condições de vida e as mortes por falta de atendimento médico (parto mal sucedido, por enfarto, mioma ou câncer, dependente químico sem tratamento adequado), em, a cada corpo negro estendido no chão, temos aí, o genocídio. Nos últimos 10 anos quase 500 mil jovens negros foram assassinados por armas de fogo. O extermínio em massa da nossa juventude é marca mais perversa do genocídio do povo negro no Brasil. Não podemos mais nos calar. O povo negro exige mais que respeito, exige futuro!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Declaração do Encontro Nacional de Mulheres da UNEGRO - Carta de Vitória


Reunidas no Encontro Nacional de Mulheres da UNEGRO, realizado de 25 a 27 de julho, em Vitória/ES, dando continuidade à efetiva inserção nas lutas das mulheres negras, cujas diretrizes foram aprovadas no “I Colóquio Internacional de Mulheres Negras na Geopolítica” realizado em novembro de 2008 na cidade de Salvador/BA, declaramos que o evento ocorre num ano eleitoral carregado de simbolismo, pois o povo brasileiro avaliará a primeira experiência de um mandato presidencial encabeçado por uma mulher. Não se trata de qualquer mulher, mas uma Presidenta que teve apoio da UNEGRO e da maioria do Movimento Negro Brasileiro por representar a continuidade do Governo Lula, guardar profundas convicções progressistas, sensibilidade e determinação em combater, com os meios de que dispõe, a desigualdade sociopolítica entre homens e mulheres. Diante disso, além do necessário debate sobre políticas públicas de enfrentamento á violência, desigualdade salarial, mortalidade materna, inobservância de direitos sexuais e reprodutivos, tráfico de mulheres e escravidão sexual, dentre outros agravos decorrentes do patriarcado, do machismo e do racismo, faz-se necessário avaliar as condições em que estão inseridas e propor medidas que contribuam com a ascensão de mulheres, em especial as negras, em espaços de poder e supere a sub-representação nos parlamentos, executivos e nas altas instâncias judiciárias.
Sempre quando se refere à base socioeconômica da população brasileira está se falando em maioria de negras e negros; por isso, as políticas sociais empreendidas pelo Governo Federal estão beneficiando diretamente as mulheres negras, exemplos como o Programa Bolsa Família e o Programa de Habitação Popular Minha Casa, Minha Vida, em que o cartão do banco vai direto às mãos das beneficiárias e a habitação registrada no nome da mulher, têm influenciado as relações de gênero nos estratos mais pobres da população, na medida em que fortalecem as titulares dos benefícios livrando-as da dependência que a submete na relação. Outra iniciativa importante que impactou positivamente sobre as condições materiais e simbólicas das mulheres negras foi a PEC das Empregadas Domesticas, pois resgatou 



direitos trabalhistas universalizados e consolidados aos trabalhadores desde o governo de Getúlio Vargas na primeira metade do século passado. Além de permitir o exercício da cidadania negada desde 13 de maio de 1888. Setores reacionários da classe média brasileira estão indignados com a nova Lei, após a PEC ser sancionada as trabalhadoras domésticas adquiriram um poder inimaginável para as mentalidades reacionárias, ou seja, o poder de negociar as condições que venderá sua força de trabalho – Para os racistas, tal possibilidade significa um atrevimento inaceitável, quanto que para o Movimento Negro trata-se de mais um resquício da escravidão enterrado a partir da luta protagonizada por mulheres negras. As políticas de ações afirmativas voltadas a população negra, mais destacadamente as políticas de inclusão no Ensino Superior, têm beneficiado assertivamente as mulheres negras. Dados indicam evolução da presença de jovens negras no Ensino Superior, de 15% a 21%, entre 2003 e 2009. Na educação é possível encontrar os mais alvissareiros registros do sucesso das políticas de igualdade racial do atual governo e da efetiva incorporação de mulheres negras. As políticas, programas e projetos sociais que atendem a prioridade de Lula e Dilma e as políticas focadas na população negra são emblemáticas na diferença de governos comprometidos com o povo e os que governam segundo os interesses dos mais ricos, por isso considerarmos que o Governo Dilma foi positivo ao país, para as mulheres negras e ao povo, no entanto, há muito que ser feito no sentido de criar condições para emancipar da pobreza, do machismo, do racismo, da discriminação e do preconceito as 50 milhões de mulheres negras, correspondentes a mais de um quarto da população brasileira.
Nas questões estruturantes que definem as condições e qualidade de vida, apesar dos vários esforços, governos e sociedade não têm se empenhado o suficiente para criar caminhos capazes de dar às mulheres negras oportunidades de saírem das margens, elas acumulam desvantagens de várias ordens em relação aos homens brancos, mulheres brancas e homens negros. A expectativa de vida das negras é mais reduzida, dados indicam que 10,3% das mulheres negras atingem 60 anos, enquanto as brancas são 14%. Sabemos que acesso a saúde, saneamento básico, educação, trabalho digno, alimentação adequada, dentre outras, são condicionantes de longevidade. Das famílias chefiadas por mulheres, 51,1% são negras, apenas 4,5% delas vivem sozinhas, a maioria é mulher com filho e casal sem filho (55,2% e 52,4% respectivamente), dessas 69% sobrevivem com renda familiar até um salário mínimo, esses fatores são indicadores de maior concentração de pobreza e fragilidades, que se retroalimentam. Somente com medidas de fortalecimento educacional e econômico será possível que essas famílias saiam do círculo vicioso da marginalidade.As assimetrias se agudizam quando se trata da participação na renda e riqueza nacional, e no mercado de trabalho; apesar do aumento médio em suas rendas as mulheres negras continuam na base socioeconômica da população brasileira, recebem, de acordo om o IPEA, 51% da média salarial das mulheres brancas mesmo em atividades iguais. Nas questões de violações de direitos pela violência os dados também confirmam a maior vulnerabilidade das mulheres negras. No Brasil, no período de 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil homicídios de mulheres, o que equivale a quase 5.000 mortes por ano, parte destes óbitos foram decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que um terço deles tiveram o domicílio como local de ocorrência. Cerca de 61% dos óbitos foram de mulheres negras, que foram as principais vítimas em todas as regiões, à exceção da Sul. O Brasil assiste em silêncio um hediondo feminicídio. Nesse período as mulheres jovens foram também as principais vítimas: 31% estavam na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos. Mais da metade dos óbitos (54%) foram de mulheres de 20 a 39 anos. As principais vítimas da violência homofóbica/lesbofóbica/transfóbica são adolescentes e jovens de 15 a 29 anos de idade (47,1%), sendo 16% adolescentes entre 15 e 18 anos, e 31,1% jovens de 19 a 29 anos de idade. No critério raça/cor, a população negra e parda também aparece no topo da lista das vítimas: 51,1% das vítimas são negras e 44,5% brancas. Conforme dados da OMS/OPAS.Na atenção a saúde das mulheres negras o racismo institucional acentua a precarização do atendimento, estereótipos racistas orientam posturas profissionais, por isso, as mulheres negras recebem atenção desigual no sistema de saúde, são as menos examinadas nas consultas médicas, menos anestesiadas e as maiores vítimas de morte por causas evitáveis (90% das mortes). Em relação ao campo da representação política o racismo se explicita sem nenhuma cerimônia, a população brasileira é composta de 50,6% de negras e negros, entretanto, nos parlamentos (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Distritais) é de apenas 8,9%, conforme Balanço do Voto Étnico Negrorealizado pela UNEGRO nas eleições de 2006 a 2010. Nos 40 Ministérios apenas o da Igualdade Racial a titular é negra; dentre as 50 maiores estatais nenhuma é presidida por mulher ou homem negro. Apesar de Dilma ter aumentado a presença de mulheres nos altos escalões da República, mas não incorporou, nessa correta medida as mulheres negras. Há apenas uma Senadora negra num universo de 81 senadores, 1,2% do total; dos 513 Deputados Federais apenas 04 são mulheres negras, ou seja, 0,8% da Câmara dos Deputados.Para UNEGRO, a maior distorção da democracia brasileira se dá no campo da representação política, daí a necessidade de reformas no sistema político, mais destacadamente a reforma política. Defendemos uma reforma que democratize a nação, incorpore o povo, fortaleça as instituições partidárias, garanta a presença de mulheres e negras nas listas partidárias. Para isso somaremos aos esforços dos movimentos sociais que crescentemente têm pautado a reforma política. Além da reforma política será necessário um processo de convencimento da população negra visando maior participação política e consciência que a responsabilidade inicial de ascender negras e negros no poder não pode ser delegada a segundos.Consideramos que as forças políticas que atualmente governam o país são as únicas com condições de assumir novos compromissos com a população negra com vista a superar a dívida histórica que a nação tem com as mulheres negras. Por isso, defendemos a continuidade de Dilma Rousseff na Presidência da República com a certeza que aprofundará a mudança.Apoiamos Dilma por: - Ampliar as políticas públicas, aprofundando as transformações na educação brasileira, utilizando os 10% do PIB e executando as metas previstas no PNE visando garantir educação de qualidade a todas as brasileiras e brasileiros, com professoras bem formadas e bem pagas, políticas efetivas de permanência com universalização das bolsas, ambiente saudável nas escolas bem equipadas, reconhecimento dos estudantes como sujeitos do processo de aprendizagem, revolução curricular e efetiva implementação da lei 10.639/03 e uma educação libertadora que supere e desconstrua os estereótipos de gênero, raciais, geracionais e de orientação sexual;
- Implementar uma Política de Trabalho Decente voltada às mulheres negras, buscando enfrentar estereótipos racistas persistentes no mundo do trabalho, garantir salário igual para trabalho igual, enfrentar o desemprego, subemprego e precarização das condições de trabalho das mulheres negras, permitir condições de conciliação trabalho-estudo-vida familiar;- Pela imediata regulamentação do trabalho doméstico no Brasil, reconhecendo os direitos dessas trabalhadoras, qualificando a Justiça do Trabalho a conscientizar a população e combater quaisquer desrespeitos aos seus direitos; 
- Aprovação da Reforma Política que combata o financiamento privado das campanhas, incorpore as demandas populares, fortaleça as instituições partidárias, garanta a presença de mulheres e negras nas listas partidárias;
- Universalização das creches públicas, sobretudo nas periferias de todas as cidades brasileiras, e ampliação da educação em tempo integral visando oportunizar às crianças e jovens negras e negros maior qualidade e oportunidades de qualificação educacional;
- Promoção de políticas públicas voltadas à qualificação das mulheres negras nas áreas de tecnologia de ponta e de produção científica estratégicas ao país;
- Ampliação das campanhas de combate à violência doméstica intrafamiliar, assédio moral e sexual e das ações do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de modo que ela proteja a vida das mulheres negras e eduquem a nossa sociedade outra forma de relação com as mulheres;
- Pela ampliação das políticas voltadas à garantia da vida e à promoção de seus direitos por meio do acesso às políticas de desenvolvimento, autonomia e emancipação de jovens homens e mulheres negras, vitimados pelo genocídio da juventude negra;
- Pelo fortalecimento do SUS, implantação da política integral da população negra, combate ao racismo institucional na saúde, humanização no atendimento, implantação do quesito cor em todos os documentos e sistema de informação do SUS.
- Pela reformas democráticas: meios de comunicação, urbana, rural, judiciária e tributária;
- Pelo enfrentamento e superação de toda forma de racismo e sexismo institucionais;
- Por financiamento a políticas públicas voltadas a cultura e comunicação que contribuam para a desconstrução de esterótipos racistas, sexistas e lesbofóbicos, e que tenham nas mulheres negras as protagonistas dessas ações.
Por fim queremos convocar todas as Uunegrinas a fortalecer as articulações e protagonismo político do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e suas seções estaduais, pois acreditamos que este é um espaço privilegiado de debate e articulações políticas visando a organização coletiva e a incidência política das mulheres negras nos temas da agenda nacional. Nesse esteio consideramos que ao lado da participação no processo eleitoral também seja uma prioridade para as mulheres unegrinas a construção da I Marcha Nacional das Mulheres Negras contra o racismo e a violência e pelo bem viver a ser realizada em 13 de maio de 2015 em Brasília e que já estão sendo montados e articulados Comitês em todo o Brasil.
Vitória/ES de 25 a 27 de julho de 2014
UNEGRO- União de Negros Pela Igualdade
www.unegro.org.br

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Segundo a Justiça Brasileira, Candomblé e Umbanda não são religiões.

E A HISTÓRIA CONTINUA
O fato é sabido. Segundo a Justiça Brasileira, Candomblé e Umbanda não são religiões. O que são? Bom... São alguma coisa, mas não religião. Religião não.  A Justiça Federal poderia ter dado grande contribuição na luta por cidadania e respeito, além de diversidade religiosa. Não o fez. Ao invés disso, expôs uma herança escravocrata e altamente preconceituosa, injusta como toda atitude preconceituosa, ao negar que os cultos afro-brasileiros sejam verdadeiras religiões. A decisão pela não classificação e enquadramento dos mesmos, só fortalece a violência, a perseguição e o fomento a intolerância, mas bem do jeitinho brasileiro.

Segundo N. Birbaum, referido no Dicionário de Ciências Sociais publicado pela Fundação Getúlio Vargas, em 1986, a religião é definida como: um conjunto de crença, prática e organização sistematizadas, compreendendo uma ideia que se manifesta no comportamento dos seguidores. Dessa conceituação decorre aferirmos que toda religião se define, em princípio, por um culto prestado a uma ou mais divindades; pela crença no poder desses seres ou forças cultuados; uma liturgia, expressa no comportamento ritual; e finalmente pela existência de uma hierarquia sacerdotal.

O Candomblé e a Umbanda são religiões, e muito mais do que isso. Numa perspectiva mais abrangente, podemos afirmar, inclusive, que a história do Brasil passa pelos terreiros, pela riqueza de suas narrativas coloridas e musicais, por seus batuques, pela luta contra o racismo e pela resistência de milhões de africanos, e de seus filhos e filhas de santo.

Não é o monoteísmo que caracteriza uma religião. Se assim fosse, as religiões orientais como o hinduísmo, o taoísmo e etc., não seriam como tal consideradas. E se o monoteísmo não é critério, muito menos ainda, a exigência pífia de as práticas religiosas serem ou não baseadas em textos escritos, serem religiões de livros. A esse propósito, inclusive, o historiador nigeriano I.A. Akinjogbin, em artigo na coletânea Le concept de pouvoir em Afrique (Paris, Unesco, 1981), assim se manifestou: “O conhecimento livresco tem um valor formal e importado, enquanto o saber informal é adquirido pela experiência direta ou indireta. Os conhecimentos livrescos não conferem sabedoria (…) O ensinamento tradicional deve estar unido à experiência e integrado à vida, até porque há coisas que não podem ser explicadas, apenas experimentadas e vividas”. Qualquer pessoa sensata entenderia, lendo apenas isso, que, embora enquanto instituição se exijam estatutos e regras de qualquer pessoa jurídica, no nível da vivência, fundamental é a experiência, e nada a substitui ou exime.

Há pouco tempo, a polícia invadia os espaços sagrados afro-brasileiros, destruía, agredia e prendia seus adeptos, mas o povo de santo resistiu. A caça às bruxas, porém, não terminou. Antes, foi reinventada em tracejados modernos, repintura de um passado que não podemos deixar abandonado no silêncio omisso de um pacifismo covarde. Hoje, nos deparamos com uma sentença judicial escandalosa, que dá fôlego a discursos de ódio e ao fundamentalismo religioso, sempre imperioso, silenciosamente voraz, como um câncer que não se cura, na sociedade dita, da pluralidade. Mas o povo de santo resistirá, porque a história dos terreiros é a história da resistência. Aliás, estamos acostumados à guerra, inclusive psicológica.

Onde esta a proteção constitucional da carta maior deste estado-nação Brasil, que assim enuncia: “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”? Acaso o artigo 215, parágrafo 1º da Constituição caiu em desuso? Sentencia uma conhecida máxima: livros e papeis aceitam tudo. É fato. Quem o pode duvidar? Ao menos no Brasil, algumas leis têm força enquanto literatura jurídica. Não passam de objeto de estudo de juristas, gurus iluminados, que decidem tudo do alto de sua sabedoria abstrativa e, muitas vezes, dissociada da concretude da realidade, onde a vida, de fato, se dá.

Para entender uma religião afro-brasileira, deve-se primeiramente entender todo um processo de alteridade e um sistema cultural próprio, para saber que para o africano a oralidade está acima da escrita, mas isso não nega ou desqualifica a condição religiosa do negro ou do afrodescendente. O Estado brasileiro, cada vez mais sufocado pelo poder judiciário, que ameaça engolir os demais poderes, teria competência prática para determinar aos brasileiros, o que eles podem ou não acreditar, no nível da vivência e convicção pessoal? Parece acreditar poder. Disseram para uma parcela considerável de filhos desta Nação: vocês não são o que pensam que são. Então o que somos? Será se ousam responder, ou sabem?

O Professor e Hipnólogo Wallace Sousa

Formado em Filosofia, Teologia, Hipnose Clínica e Graduando em Ciências da Religião. Trabalha como professor no projeto UNIAFRO da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES, com o curso de Formação Continuada para Professores da Educação Básica sobre as Relações Étnico-raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

domingo, 1 de junho de 2014

A Argélia está localizada no litoral norte da África.

Capital: Argel Extensão Territorial: 2.381.741 Km2 Clima: Árido Subtropical 
População (2009): 34.895.470 habitantes Densidade demográfica: 14,6 hab/Km2
Idioma: Árabe e berbere (oficiais), francês Religião: Islamismo 96,7%, sem religião 3%, cristianismo 0,3% Moeda: Dinar argelino IDH: 0,677Total do PIB (2007): 132.452 milhões de US$ Esperança de vida ao nascer: 72 anos.
A Argélia está localizada no litoral norte da África, é banhada pelo Mediterrâneo. Faz fronteira com a Tunísia, Líbia, Níger, Mali, Mauritânia, Saara Ocidental e Marrocos. É o segundo maior país em extensão territorial do continente africano, atrás apenas do Sudão.
O território foi habitado primeiramente pelos berberes, em seguida foi ocupado e incorporado por diversos povos e impérios, entre eles se destacam os fenícios, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos e árabes.  Em 1830 a França invadiu a Argélia, com a intenção de dominar o seu litoral. Em 1857 ocorreu a dominação definitiva dos franceses no território argelino. A luta pela independência se intensificou principalmente após a II Guerra Mundial, com o levante popular de 1945, porém eles foram reprimidos com muita violência por parte dos franceses. 
A FLN (Frente de Libertação Nacional) foi organizada em 1954, e deu início a uma luta armada contra a dominação da França. Somente em 1962 os franceses reconheceram a independência da Argélia. Cerca de 1 milhão de franceses deixaram o país em direção à França. A Argélia passou a ser governada no mesmo ano por Ahmed Bem Bella, representante da Frente de Libertação Nacional, único partido político do país. 
Somente em 1989 foi aceito o multipartidarismo, esse fato ocorreu devido aos protestos da população, que resultou numa reforma constitucional que acabou com o regime de partido único. Criou-se a FIS (Frente de Libertação Islâmica), principal organização oposicionista da Frente de Libertação Nacional. A eleição presidencial de 1991 foi vencida pelo representante da Frente de Libertação Islâmica, Bendjedid. No entanto, em 1992 ocorreu um golpe militar que forçou Bendjedid a renunciar o cargo. 
Em 2009, Abdelaziz Bouteflika foi eleito presidente da Argélia pela terceira vez, acusações de irregularidades na disputa eleitoral foram feitas pela mídia e oposição.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Costa do Marfim.

Localizada na porção oeste do continente africano, a Costa do Marfim faz limites com Mali e Burkina Faso a norte; Gana a leste; Libéria e Guiné a oeste, e é banhado pelo Oceano Atlântico ao sul. O nome da Costa do Marfim foi dado pelos portugueses, sendo uma referência ao grande número de elefantes que existia na região na época colonial.
O país obteve sua independência no dia 7 de agosto de 1960. A Costa do Marfim é uma das nações mais prósperas do oeste africano, isso se deve ao desenvolvimento agrícola, principalmente a produção de café e cacau (o país é o maior produtor de cacau do mundo). Também se destaca a indústria alimentícia, têxtil, a exploração de petróleo e gás natural, além da extração de diamantes. Atualmente, convivem no território marfinense mais de 60 grupos étnicos, esse fato contribui bastante para a diversidade cultural do país, no entanto, gera conflitos entre os diferentes grupos étnicos.
Dados da Costa do Marfim: Extensão territorial: 322.463 km².Localização: África.
Capital: Abidjan.Clima: Subequatorial de floresta ao sul, tropical úmido a noroeste, tropical seco a nordeste. Governo: República presidencialista.Presidente: Laurent Gbagbo. Divisão administrativa: 19 regiões subdivididas em departamentos.
Idioma: Francês.Religião: Crenças tradicionais 37,6%, cristianismo 31,8% (católicos 14,8%, independentes 9,3%, outros 7,7%), islamismo 30,1%, sem religião 0,2%, outras 0,3%.População: 21.075.010 habitantes. (Homens: 10.733.376; Mulheres: 10.341.634).
Composição Étnica: Bauleses 23%, betes 18%, senufos 15%, mandingas 11%, outros 33%.Densidade demográfica: 58 hab/km².Taxa média anual de crescimento populacional: 1,73%.População residente em área urbana: 49,49%.População residente em área rural: 50,51%.População subnutrida: 14%.Esperança de vida ao nascer: 47,7 anos. Domicílios com acesso a água potável: 81%.Domicílios com acesso a rede sanitária: 24%.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,397 (baixo).
Moeda: Franco CFA.Produto Interno Bruto (PIB): 20.650 milhões de US$.PIB per capita: 1.072 de US$.Relações exteriores: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, UA.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Um pouco sobre Camarões.

Localizada na costa oeste da África e banhada pelo golfo da Guiné, a República de Camarões é uma das nações que apresenta maior diversidade cultural do continente africano, esse fato ocorre em razão da presença de diferentes grupos étnicos no território camaronês (são aproximadamente 230 grupos étnicos, que falam 250 línguas e dialetos nativos). A nomenclatura do país, Camarões, foi criada pelo navegador Fernando Pó, no século XV, em virtude do Rio dos Camarões. A independência de Camarões só foi obtida em 1° de janeiro de 1960, após o país ter sido colônia da França e Inglaterra ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Mais de 40% do território é coberto por floretas tropicais. No norte, onde predominam as savanas, o clima tropical é seco, tornando-se árido nas proximidades do lago Chade. No oeste, há formações montanhosas de origem vulcânica, cujo ápice é o monte Camarões (4,1 mil metros), um dos mais altos da África Central. A disputa territorial com a Nigéria pela península de Bakassi provoca conflitos de fronteira desde os anos de 1990.
Dados de Camarões: Extensão territorial: 475.442 km². Localização: África.Capital: Laundê. Clima: Tropical (ao norte) e Equatorial (ao sul).Governo: República presidencialista. Divisão administrativa: 10 províncias. Idiomas: Francês e inglês (oficiais), principais línguas regionais: fang, balimequê, duala. Religião: Cristianismo 54,2% (católicos 26,5%, protestantes 20,7%, outros 7%), crenças tradicionais 23,7%, Islamismo 21,2%, sem religião e ateísmo 0,4%, Bahaísmo 0,4%. População: 19.521.645 habitantes. (Homens: 9.758.751; Mulheres: 9.762.894). Composição Étnica: Camarões 31%, bantos 19%, quirdis 11%, fulanis 10%, outros grupos étnicos autóctones 29%.Densidade demográfica: 37 hab/km². Taxa média anual de crescimento populacional: 2,3%. População residente em área urbana: 57,6%. População residente em área rural: 42,4%. População subnutrida: 23%. Esperança de vida ao nascer: 50 anos. Domicílios com acesso a água potável: 70%. Domicílios com acesso a rede sanitária: 51%. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,460 (baixo).
Moeda: Franco CFA. Produto Interno Bruto (PIB): 20.606 milhões de US$. 
PIB per capita: 1.111 de US$. 
Relações exteriores: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU, UA.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola