sábado, 23 de agosto de 2014

II ª MARCHA NACIONAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO

Essa Marcha é por nós e para nós mesmos. É para celebrar a luta dos nossos antepassados que lutaram contra a escravidão. É para as mulheres que perderam seus ­lhos. É para o irmão que volta do trabalho, da escola ou do role, mas pelo fato de ser negro, tem que provar que é trabalhador muitas vezes para não morrer. É para os irmãos e irmãs presos na cela fria, sem advogados, humilhados pela justiça e torturados pelos agentes penitenciários. É para todas as crianças e jovens que são discriminadas na escola pela cor da sua pele, seu nariz ou pelo seu cabelo. Essa Marcha é para denunciar que o Estado Brasileiro é racista e genocida. Você sabe o que é genocídio? A palavra genocídio significa extinção física de uma raça ou etnia, (como ocorreu com o povo indígena no Brasil e

com o que vêm ocorrendo com o povo palestino. Em outras palavras, é uma política de Estado que promove o extermínio de um povo. Genocídio também é a submissão de um grupo a condições de existência que podem ocasionar a sua destruição total ou parcial. 
No Brasil, as mortes causadas pelo aparato do Estado como as chacinas ocorridas nas periferias, as péssimas condições de vida e as mortes por falta de atendimento médico (parto mal sucedido, por enfarto, mioma ou câncer, dependente químico sem tratamento adequado), e­m, a cada corpo negro estendido no chão, temos aí, o genocídio. Nos últimos 10 anos quase 500 mil jovens negros foram assassinados por armas de fogo. O extermínio em massa da nossa juventude é marca mais perversa do genocídio do povo negro no Brasil. Não podemos mais nos calar. 
O povo negro exige mais que respeito, exige futuro!Essa Marcha é por nós e para nós mesmos. É para celebrar a luta dos nossos antepassados que lutaram contra a escravidão. É para as mulheres que perderam seus ­lhos. É para o irmão que volta do trabalho, da escola ou do role mas pelo fato de ser negro, tem que provar que é trabalhador muitas vezes para não morrer. É para os irmãos e irmãs presos na cela fria, sem advogados, humilhados pela justiça e torturados pelos agentes penitenciários. É para todas as crianças e jovens que são discriminadas na escola pela cor da sua pele, seu nariz ou pelo seu cabelo. 
Essa Marcha é para denunciar que o Estado Brasileiro é racista e genocida. Você sabe o que é genocídio? A palavra genocídio significa extinção física de uma raça ou etnia, (como ocorreu com o povo indígena no Brasil e com o que vêm ocorrendo com o povo palestino. Em outras palavras, é uma política de Estado que promove o extermínio de um povo. Genocídio também é a submissão de um grupo a condições de existência que podem ocasionar a sua destruição total ou parcial. No Brasil, as mortes causadas pelo aparato do Estado como as chacinas ocorridas nas periferias, as péssimas condições de vida e as mortes por falta de atendimento médico (parto mal sucedido, por enfarto, mioma ou câncer, dependente químico sem tratamento adequado), em, a cada corpo negro estendido no chão, temos aí, o genocídio. Nos últimos 10 anos quase 500 mil jovens negros foram assassinados por armas de fogo. O extermínio em massa da nossa juventude é marca mais perversa do genocídio do povo negro no Brasil. Não podemos mais nos calar. O povo negro exige mais que respeito, exige futuro!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Declaração do Encontro Nacional de Mulheres da UNEGRO - Carta de Vitória


Reunidas no Encontro Nacional de Mulheres da UNEGRO, realizado de 25 a 27 de julho, em Vitória/ES, dando continuidade à efetiva inserção nas lutas das mulheres negras, cujas diretrizes foram aprovadas no “I Colóquio Internacional de Mulheres Negras na Geopolítica” realizado em novembro de 2008 na cidade de Salvador/BA, declaramos que o evento ocorre num ano eleitoral carregado de simbolismo, pois o povo brasileiro avaliará a primeira experiência de um mandato presidencial encabeçado por uma mulher. Não se trata de qualquer mulher, mas uma Presidenta que teve apoio da UNEGRO e da maioria do Movimento Negro Brasileiro por representar a continuidade do Governo Lula, guardar profundas convicções progressistas, sensibilidade e determinação em combater, com os meios de que dispõe, a desigualdade sociopolítica entre homens e mulheres. Diante disso, além do necessário debate sobre políticas públicas de enfrentamento á violência, desigualdade salarial, mortalidade materna, inobservância de direitos sexuais e reprodutivos, tráfico de mulheres e escravidão sexual, dentre outros agravos decorrentes do patriarcado, do machismo e do racismo, faz-se necessário avaliar as condições em que estão inseridas e propor medidas que contribuam com a ascensão de mulheres, em especial as negras, em espaços de poder e supere a sub-representação nos parlamentos, executivos e nas altas instâncias judiciárias.
Sempre quando se refere à base socioeconômica da população brasileira está se falando em maioria de negras e negros; por isso, as políticas sociais empreendidas pelo Governo Federal estão beneficiando diretamente as mulheres negras, exemplos como o Programa Bolsa Família e o Programa de Habitação Popular Minha Casa, Minha Vida, em que o cartão do banco vai direto às mãos das beneficiárias e a habitação registrada no nome da mulher, têm influenciado as relações de gênero nos estratos mais pobres da população, na medida em que fortalecem as titulares dos benefícios livrando-as da dependência que a submete na relação. Outra iniciativa importante que impactou positivamente sobre as condições materiais e simbólicas das mulheres negras foi a PEC das Empregadas Domesticas, pois resgatou 



direitos trabalhistas universalizados e consolidados aos trabalhadores desde o governo de Getúlio Vargas na primeira metade do século passado. Além de permitir o exercício da cidadania negada desde 13 de maio de 1888. Setores reacionários da classe média brasileira estão indignados com a nova Lei, após a PEC ser sancionada as trabalhadoras domésticas adquiriram um poder inimaginável para as mentalidades reacionárias, ou seja, o poder de negociar as condições que venderá sua força de trabalho – Para os racistas, tal possibilidade significa um atrevimento inaceitável, quanto que para o Movimento Negro trata-se de mais um resquício da escravidão enterrado a partir da luta protagonizada por mulheres negras. As políticas de ações afirmativas voltadas a população negra, mais destacadamente as políticas de inclusão no Ensino Superior, têm beneficiado assertivamente as mulheres negras. Dados indicam evolução da presença de jovens negras no Ensino Superior, de 15% a 21%, entre 2003 e 2009. Na educação é possível encontrar os mais alvissareiros registros do sucesso das políticas de igualdade racial do atual governo e da efetiva incorporação de mulheres negras. As políticas, programas e projetos sociais que atendem a prioridade de Lula e Dilma e as políticas focadas na população negra são emblemáticas na diferença de governos comprometidos com o povo e os que governam segundo os interesses dos mais ricos, por isso considerarmos que o Governo Dilma foi positivo ao país, para as mulheres negras e ao povo, no entanto, há muito que ser feito no sentido de criar condições para emancipar da pobreza, do machismo, do racismo, da discriminação e do preconceito as 50 milhões de mulheres negras, correspondentes a mais de um quarto da população brasileira.
Nas questões estruturantes que definem as condições e qualidade de vida, apesar dos vários esforços, governos e sociedade não têm se empenhado o suficiente para criar caminhos capazes de dar às mulheres negras oportunidades de saírem das margens, elas acumulam desvantagens de várias ordens em relação aos homens brancos, mulheres brancas e homens negros. A expectativa de vida das negras é mais reduzida, dados indicam que 10,3% das mulheres negras atingem 60 anos, enquanto as brancas são 14%. Sabemos que acesso a saúde, saneamento básico, educação, trabalho digno, alimentação adequada, dentre outras, são condicionantes de longevidade. Das famílias chefiadas por mulheres, 51,1% são negras, apenas 4,5% delas vivem sozinhas, a maioria é mulher com filho e casal sem filho (55,2% e 52,4% respectivamente), dessas 69% sobrevivem com renda familiar até um salário mínimo, esses fatores são indicadores de maior concentração de pobreza e fragilidades, que se retroalimentam. Somente com medidas de fortalecimento educacional e econômico será possível que essas famílias saiam do círculo vicioso da marginalidade.As assimetrias se agudizam quando se trata da participação na renda e riqueza nacional, e no mercado de trabalho; apesar do aumento médio em suas rendas as mulheres negras continuam na base socioeconômica da população brasileira, recebem, de acordo om o IPEA, 51% da média salarial das mulheres brancas mesmo em atividades iguais. Nas questões de violações de direitos pela violência os dados também confirmam a maior vulnerabilidade das mulheres negras. No Brasil, no período de 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil homicídios de mulheres, o que equivale a quase 5.000 mortes por ano, parte destes óbitos foram decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que um terço deles tiveram o domicílio como local de ocorrência. Cerca de 61% dos óbitos foram de mulheres negras, que foram as principais vítimas em todas as regiões, à exceção da Sul. O Brasil assiste em silêncio um hediondo feminicídio. Nesse período as mulheres jovens foram também as principais vítimas: 31% estavam na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos. Mais da metade dos óbitos (54%) foram de mulheres de 20 a 39 anos. As principais vítimas da violência homofóbica/lesbofóbica/transfóbica são adolescentes e jovens de 15 a 29 anos de idade (47,1%), sendo 16% adolescentes entre 15 e 18 anos, e 31,1% jovens de 19 a 29 anos de idade. No critério raça/cor, a população negra e parda também aparece no topo da lista das vítimas: 51,1% das vítimas são negras e 44,5% brancas. Conforme dados da OMS/OPAS.Na atenção a saúde das mulheres negras o racismo institucional acentua a precarização do atendimento, estereótipos racistas orientam posturas profissionais, por isso, as mulheres negras recebem atenção desigual no sistema de saúde, são as menos examinadas nas consultas médicas, menos anestesiadas e as maiores vítimas de morte por causas evitáveis (90% das mortes). Em relação ao campo da representação política o racismo se explicita sem nenhuma cerimônia, a população brasileira é composta de 50,6% de negras e negros, entretanto, nos parlamentos (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Distritais) é de apenas 8,9%, conforme Balanço do Voto Étnico Negrorealizado pela UNEGRO nas eleições de 2006 a 2010. Nos 40 Ministérios apenas o da Igualdade Racial a titular é negra; dentre as 50 maiores estatais nenhuma é presidida por mulher ou homem negro. Apesar de Dilma ter aumentado a presença de mulheres nos altos escalões da República, mas não incorporou, nessa correta medida as mulheres negras. Há apenas uma Senadora negra num universo de 81 senadores, 1,2% do total; dos 513 Deputados Federais apenas 04 são mulheres negras, ou seja, 0,8% da Câmara dos Deputados.Para UNEGRO, a maior distorção da democracia brasileira se dá no campo da representação política, daí a necessidade de reformas no sistema político, mais destacadamente a reforma política. Defendemos uma reforma que democratize a nação, incorpore o povo, fortaleça as instituições partidárias, garanta a presença de mulheres e negras nas listas partidárias. Para isso somaremos aos esforços dos movimentos sociais que crescentemente têm pautado a reforma política. Além da reforma política será necessário um processo de convencimento da população negra visando maior participação política e consciência que a responsabilidade inicial de ascender negras e negros no poder não pode ser delegada a segundos.Consideramos que as forças políticas que atualmente governam o país são as únicas com condições de assumir novos compromissos com a população negra com vista a superar a dívida histórica que a nação tem com as mulheres negras. Por isso, defendemos a continuidade de Dilma Rousseff na Presidência da República com a certeza que aprofundará a mudança.Apoiamos Dilma por: - Ampliar as políticas públicas, aprofundando as transformações na educação brasileira, utilizando os 10% do PIB e executando as metas previstas no PNE visando garantir educação de qualidade a todas as brasileiras e brasileiros, com professoras bem formadas e bem pagas, políticas efetivas de permanência com universalização das bolsas, ambiente saudável nas escolas bem equipadas, reconhecimento dos estudantes como sujeitos do processo de aprendizagem, revolução curricular e efetiva implementação da lei 10.639/03 e uma educação libertadora que supere e desconstrua os estereótipos de gênero, raciais, geracionais e de orientação sexual;
- Implementar uma Política de Trabalho Decente voltada às mulheres negras, buscando enfrentar estereótipos racistas persistentes no mundo do trabalho, garantir salário igual para trabalho igual, enfrentar o desemprego, subemprego e precarização das condições de trabalho das mulheres negras, permitir condições de conciliação trabalho-estudo-vida familiar;- Pela imediata regulamentação do trabalho doméstico no Brasil, reconhecendo os direitos dessas trabalhadoras, qualificando a Justiça do Trabalho a conscientizar a população e combater quaisquer desrespeitos aos seus direitos; 
- Aprovação da Reforma Política que combata o financiamento privado das campanhas, incorpore as demandas populares, fortaleça as instituições partidárias, garanta a presença de mulheres e negras nas listas partidárias;
- Universalização das creches públicas, sobretudo nas periferias de todas as cidades brasileiras, e ampliação da educação em tempo integral visando oportunizar às crianças e jovens negras e negros maior qualidade e oportunidades de qualificação educacional;
- Promoção de políticas públicas voltadas à qualificação das mulheres negras nas áreas de tecnologia de ponta e de produção científica estratégicas ao país;
- Ampliação das campanhas de combate à violência doméstica intrafamiliar, assédio moral e sexual e das ações do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de modo que ela proteja a vida das mulheres negras e eduquem a nossa sociedade outra forma de relação com as mulheres;
- Pela ampliação das políticas voltadas à garantia da vida e à promoção de seus direitos por meio do acesso às políticas de desenvolvimento, autonomia e emancipação de jovens homens e mulheres negras, vitimados pelo genocídio da juventude negra;
- Pelo fortalecimento do SUS, implantação da política integral da população negra, combate ao racismo institucional na saúde, humanização no atendimento, implantação do quesito cor em todos os documentos e sistema de informação do SUS.
- Pela reformas democráticas: meios de comunicação, urbana, rural, judiciária e tributária;
- Pelo enfrentamento e superação de toda forma de racismo e sexismo institucionais;
- Por financiamento a políticas públicas voltadas a cultura e comunicação que contribuam para a desconstrução de esterótipos racistas, sexistas e lesbofóbicos, e que tenham nas mulheres negras as protagonistas dessas ações.
Por fim queremos convocar todas as Uunegrinas a fortalecer as articulações e protagonismo político do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e suas seções estaduais, pois acreditamos que este é um espaço privilegiado de debate e articulações políticas visando a organização coletiva e a incidência política das mulheres negras nos temas da agenda nacional. Nesse esteio consideramos que ao lado da participação no processo eleitoral também seja uma prioridade para as mulheres unegrinas a construção da I Marcha Nacional das Mulheres Negras contra o racismo e a violência e pelo bem viver a ser realizada em 13 de maio de 2015 em Brasília e que já estão sendo montados e articulados Comitês em todo o Brasil.
Vitória/ES de 25 a 27 de julho de 2014
UNEGRO- União de Negros Pela Igualdade
www.unegro.org.br

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Segundo a Justiça Brasileira, Candomblé e Umbanda não são religiões.

E A HISTÓRIA CONTINUA
O fato é sabido. Segundo a Justiça Brasileira, Candomblé e Umbanda não são religiões. O que são? Bom... São alguma coisa, mas não religião. Religião não.  A Justiça Federal poderia ter dado grande contribuição na luta por cidadania e respeito, além de diversidade religiosa. Não o fez. Ao invés disso, expôs uma herança escravocrata e altamente preconceituosa, injusta como toda atitude preconceituosa, ao negar que os cultos afro-brasileiros sejam verdadeiras religiões. A decisão pela não classificação e enquadramento dos mesmos, só fortalece a violência, a perseguição e o fomento a intolerância, mas bem do jeitinho brasileiro.

Segundo N. Birbaum, referido no Dicionário de Ciências Sociais publicado pela Fundação Getúlio Vargas, em 1986, a religião é definida como: um conjunto de crença, prática e organização sistematizadas, compreendendo uma ideia que se manifesta no comportamento dos seguidores. Dessa conceituação decorre aferirmos que toda religião se define, em princípio, por um culto prestado a uma ou mais divindades; pela crença no poder desses seres ou forças cultuados; uma liturgia, expressa no comportamento ritual; e finalmente pela existência de uma hierarquia sacerdotal.

O Candomblé e a Umbanda são religiões, e muito mais do que isso. Numa perspectiva mais abrangente, podemos afirmar, inclusive, que a história do Brasil passa pelos terreiros, pela riqueza de suas narrativas coloridas e musicais, por seus batuques, pela luta contra o racismo e pela resistência de milhões de africanos, e de seus filhos e filhas de santo.

Não é o monoteísmo que caracteriza uma religião. Se assim fosse, as religiões orientais como o hinduísmo, o taoísmo e etc., não seriam como tal consideradas. E se o monoteísmo não é critério, muito menos ainda, a exigência pífia de as práticas religiosas serem ou não baseadas em textos escritos, serem religiões de livros. A esse propósito, inclusive, o historiador nigeriano I.A. Akinjogbin, em artigo na coletânea Le concept de pouvoir em Afrique (Paris, Unesco, 1981), assim se manifestou: “O conhecimento livresco tem um valor formal e importado, enquanto o saber informal é adquirido pela experiência direta ou indireta. Os conhecimentos livrescos não conferem sabedoria (…) O ensinamento tradicional deve estar unido à experiência e integrado à vida, até porque há coisas que não podem ser explicadas, apenas experimentadas e vividas”. Qualquer pessoa sensata entenderia, lendo apenas isso, que, embora enquanto instituição se exijam estatutos e regras de qualquer pessoa jurídica, no nível da vivência, fundamental é a experiência, e nada a substitui ou exime.

Há pouco tempo, a polícia invadia os espaços sagrados afro-brasileiros, destruía, agredia e prendia seus adeptos, mas o povo de santo resistiu. A caça às bruxas, porém, não terminou. Antes, foi reinventada em tracejados modernos, repintura de um passado que não podemos deixar abandonado no silêncio omisso de um pacifismo covarde. Hoje, nos deparamos com uma sentença judicial escandalosa, que dá fôlego a discursos de ódio e ao fundamentalismo religioso, sempre imperioso, silenciosamente voraz, como um câncer que não se cura, na sociedade dita, da pluralidade. Mas o povo de santo resistirá, porque a história dos terreiros é a história da resistência. Aliás, estamos acostumados à guerra, inclusive psicológica.

Onde esta a proteção constitucional da carta maior deste estado-nação Brasil, que assim enuncia: “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”? Acaso o artigo 215, parágrafo 1º da Constituição caiu em desuso? Sentencia uma conhecida máxima: livros e papeis aceitam tudo. É fato. Quem o pode duvidar? Ao menos no Brasil, algumas leis têm força enquanto literatura jurídica. Não passam de objeto de estudo de juristas, gurus iluminados, que decidem tudo do alto de sua sabedoria abstrativa e, muitas vezes, dissociada da concretude da realidade, onde a vida, de fato, se dá.

Para entender uma religião afro-brasileira, deve-se primeiramente entender todo um processo de alteridade e um sistema cultural próprio, para saber que para o africano a oralidade está acima da escrita, mas isso não nega ou desqualifica a condição religiosa do negro ou do afrodescendente. O Estado brasileiro, cada vez mais sufocado pelo poder judiciário, que ameaça engolir os demais poderes, teria competência prática para determinar aos brasileiros, o que eles podem ou não acreditar, no nível da vivência e convicção pessoal? Parece acreditar poder. Disseram para uma parcela considerável de filhos desta Nação: vocês não são o que pensam que são. Então o que somos? Será se ousam responder, ou sabem?

O Professor e Hipnólogo Wallace Sousa

Formado em Filosofia, Teologia, Hipnose Clínica e Graduando em Ciências da Religião. Trabalha como professor no projeto UNIAFRO da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES, com o curso de Formação Continuada para Professores da Educação Básica sobre as Relações Étnico-raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

domingo, 1 de junho de 2014

A Argélia está localizada no litoral norte da África.

Capital: Argel Extensão Territorial: 2.381.741 Km2 Clima: Árido Subtropical 
População (2009): 34.895.470 habitantes Densidade demográfica: 14,6 hab/Km2
Idioma: Árabe e berbere (oficiais), francês Religião: Islamismo 96,7%, sem religião 3%, cristianismo 0,3% Moeda: Dinar argelino IDH: 0,677Total do PIB (2007): 132.452 milhões de US$ Esperança de vida ao nascer: 72 anos.
A Argélia está localizada no litoral norte da África, é banhada pelo Mediterrâneo. Faz fronteira com a Tunísia, Líbia, Níger, Mali, Mauritânia, Saara Ocidental e Marrocos. É o segundo maior país em extensão territorial do continente africano, atrás apenas do Sudão.
O território foi habitado primeiramente pelos berberes, em seguida foi ocupado e incorporado por diversos povos e impérios, entre eles se destacam os fenícios, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos e árabes.  Em 1830 a França invadiu a Argélia, com a intenção de dominar o seu litoral. Em 1857 ocorreu a dominação definitiva dos franceses no território argelino. A luta pela independência se intensificou principalmente após a II Guerra Mundial, com o levante popular de 1945, porém eles foram reprimidos com muita violência por parte dos franceses. 
A FLN (Frente de Libertação Nacional) foi organizada em 1954, e deu início a uma luta armada contra a dominação da França. Somente em 1962 os franceses reconheceram a independência da Argélia. Cerca de 1 milhão de franceses deixaram o país em direção à França. A Argélia passou a ser governada no mesmo ano por Ahmed Bem Bella, representante da Frente de Libertação Nacional, único partido político do país. 
Somente em 1989 foi aceito o multipartidarismo, esse fato ocorreu devido aos protestos da população, que resultou numa reforma constitucional que acabou com o regime de partido único. Criou-se a FIS (Frente de Libertação Islâmica), principal organização oposicionista da Frente de Libertação Nacional. A eleição presidencial de 1991 foi vencida pelo representante da Frente de Libertação Islâmica, Bendjedid. No entanto, em 1992 ocorreu um golpe militar que forçou Bendjedid a renunciar o cargo. 
Em 2009, Abdelaziz Bouteflika foi eleito presidente da Argélia pela terceira vez, acusações de irregularidades na disputa eleitoral foram feitas pela mídia e oposição.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Costa do Marfim.

Localizada na porção oeste do continente africano, a Costa do Marfim faz limites com Mali e Burkina Faso a norte; Gana a leste; Libéria e Guiné a oeste, e é banhado pelo Oceano Atlântico ao sul. O nome da Costa do Marfim foi dado pelos portugueses, sendo uma referência ao grande número de elefantes que existia na região na época colonial.
O país obteve sua independência no dia 7 de agosto de 1960. A Costa do Marfim é uma das nações mais prósperas do oeste africano, isso se deve ao desenvolvimento agrícola, principalmente a produção de café e cacau (o país é o maior produtor de cacau do mundo). Também se destaca a indústria alimentícia, têxtil, a exploração de petróleo e gás natural, além da extração de diamantes. Atualmente, convivem no território marfinense mais de 60 grupos étnicos, esse fato contribui bastante para a diversidade cultural do país, no entanto, gera conflitos entre os diferentes grupos étnicos.
Dados da Costa do Marfim: Extensão territorial: 322.463 km².Localização: África.
Capital: Abidjan.Clima: Subequatorial de floresta ao sul, tropical úmido a noroeste, tropical seco a nordeste. Governo: República presidencialista.Presidente: Laurent Gbagbo. Divisão administrativa: 19 regiões subdivididas em departamentos.
Idioma: Francês.Religião: Crenças tradicionais 37,6%, cristianismo 31,8% (católicos 14,8%, independentes 9,3%, outros 7,7%), islamismo 30,1%, sem religião 0,2%, outras 0,3%.População: 21.075.010 habitantes. (Homens: 10.733.376; Mulheres: 10.341.634).
Composição Étnica: Bauleses 23%, betes 18%, senufos 15%, mandingas 11%, outros 33%.Densidade demográfica: 58 hab/km².Taxa média anual de crescimento populacional: 1,73%.População residente em área urbana: 49,49%.População residente em área rural: 50,51%.População subnutrida: 14%.Esperança de vida ao nascer: 47,7 anos. Domicílios com acesso a água potável: 81%.Domicílios com acesso a rede sanitária: 24%.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,397 (baixo).
Moeda: Franco CFA.Produto Interno Bruto (PIB): 20.650 milhões de US$.PIB per capita: 1.072 de US$.Relações exteriores: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, UA.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Um pouco sobre Camarões.

Localizada na costa oeste da África e banhada pelo golfo da Guiné, a República de Camarões é uma das nações que apresenta maior diversidade cultural do continente africano, esse fato ocorre em razão da presença de diferentes grupos étnicos no território camaronês (são aproximadamente 230 grupos étnicos, que falam 250 línguas e dialetos nativos). A nomenclatura do país, Camarões, foi criada pelo navegador Fernando Pó, no século XV, em virtude do Rio dos Camarões. A independência de Camarões só foi obtida em 1° de janeiro de 1960, após o país ter sido colônia da França e Inglaterra ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Mais de 40% do território é coberto por floretas tropicais. No norte, onde predominam as savanas, o clima tropical é seco, tornando-se árido nas proximidades do lago Chade. No oeste, há formações montanhosas de origem vulcânica, cujo ápice é o monte Camarões (4,1 mil metros), um dos mais altos da África Central. A disputa territorial com a Nigéria pela península de Bakassi provoca conflitos de fronteira desde os anos de 1990.
Dados de Camarões: Extensão territorial: 475.442 km². Localização: África.Capital: Laundê. Clima: Tropical (ao norte) e Equatorial (ao sul).Governo: República presidencialista. Divisão administrativa: 10 províncias. Idiomas: Francês e inglês (oficiais), principais línguas regionais: fang, balimequê, duala. Religião: Cristianismo 54,2% (católicos 26,5%, protestantes 20,7%, outros 7%), crenças tradicionais 23,7%, Islamismo 21,2%, sem religião e ateísmo 0,4%, Bahaísmo 0,4%. População: 19.521.645 habitantes. (Homens: 9.758.751; Mulheres: 9.762.894). Composição Étnica: Camarões 31%, bantos 19%, quirdis 11%, fulanis 10%, outros grupos étnicos autóctones 29%.Densidade demográfica: 37 hab/km². Taxa média anual de crescimento populacional: 2,3%. População residente em área urbana: 57,6%. População residente em área rural: 42,4%. População subnutrida: 23%. Esperança de vida ao nascer: 50 anos. Domicílios com acesso a água potável: 70%. Domicílios com acesso a rede sanitária: 51%. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,460 (baixo).
Moeda: Franco CFA. Produto Interno Bruto (PIB): 20.606 milhões de US$. 
PIB per capita: 1.111 de US$. 
Relações exteriores: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU, UA.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Camarões é um país africano que apresenta grande diversidade étnica.


Camarões é um país africano que apresenta grande diversidade étnica – cerca de 230 grupos étnicos diferentes, os quais falam 250 dialetos. Seu território possui 475.442 quilômetros quadrados, limitando-se com a Guiné Equatorial e com o Gabão (ao sul), Congo (a sudeste), República Centro-Africana (a leste), Chade (a nordeste), Nigéria (a oeste) e com o Golfo da Guiné (a sudoeste). A capital nacional é a cidade de Laundê.

O território que atualmente corresponde a Camarões foi ocupado, em 1884, pelos alemães. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), tropas da França e da Inglaterra invadiram o país, sendo que os franceses se apropriaram de 75% do território camaronês, e os ingleses ficaram com os 25% restantes.
Os movimentos de independência prolongaram-se durante todo o século XX, e somente no dia 1° de janeiro de 1960 Camarões se tornou um país independente.
As florestas tropicais cobrem mais de 40% do território, sendo que na porção norte há o predomínio das savanas. O clima do país varia conforme a região: tropical (ao norte) e equatorial (ao sul). Camarões possui formações rochosas de origem vulcânicas, cujo ápice é o Monte Camarões (4,1 mil metros), um dos mais altos da África Central.
A população de Camarões totaliza 19.521.645 habitantes, considerado como um dos países mais populosos da África.
A densidade demográfica é de 40 habitantes por quilômetro quadrado e o crescimento demográfico é de 2,3% ao ano.
A população residente em área urbana corresponde a 57% e a população rural soma 43%. Os idiomas oficiais são representados pelo francês e o inglês.
Camarões, assim como outras nações da África Subsaariana, apresenta vários problemas socioeconômicos.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de apenas 0,460; a esperança de vida ao nascer é de 50 anos. A subnutrição atinge 23% dos habitantes; a taxa de mortalidade infantil é uma das mais altas do mundo: 85 óbitos a cada mil nascidos vivos.
O analfabetismo também apresenta índices elevados: 32%.
A economia camaronense é pouco desenvolvida.
A agricultura baseia-se no cultivo de algodão, café, mandioca, milho, cacau e sorgo.
A pecuária e a pesca são outras atividades importantes.
O petróleo e o calcário são as principais riquezas naturais.
A indústria, por sua vez, atua nos seguintes segmentos: alimentício, de bebidas, madeireiro e petrolífero.
O Produto Interno Bruto (PIB) do país atingiu a marca de 23,4 bilhões de dólares em 2009. 
A moeda é o Franco CFA.


A República Federal da Nigéria

Nigéria
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia (Equipe Brasil Escola)

A República Federal da Nigéria está localizada no continente africano e possui uma grande riqueza em recursos naturais. Essa nação possui o maior contingente populacional do continente. Debaixo do subsolo nigeriano existe uma enorme reserva de petróleo, no entanto, isso de nada favorece a população que enfrenta uma série de mazelas sociais. Muitas vezes, o dinheiro tem destinos ilícitos, como o desvio de verbas e a prática da corrupção, dessa forma, os habitantes não são beneficiados com a arrecadação da receita. A configuração da cidade de Lagos, uma das maiores da Nigéria, é caracterizada por uma grande aglomeração de pessoas que convivem com o desprovimento de serviços públicos de infraestrutura (moradia, alimentação, saúde, educação, renda, entre muitos outros), e isso tende só a piorar, uma vez que existem altos índices de crescimento demográfico. Lagos ocupa um lugar de destaque entre as cidades da Nigéria, embora tenha perdido, em 1991, a condição de capital do país para a cidade de Abuja. Estima-se que a população da Nigéria totaliza, aproximadamente, 154,7 milhões de habitantes, no subsolo nacional encontra-se uma das maiores reservas de minério fóssil do mundo, são cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados. Parece que essa imensa riqueza não consegue atingir a pobreza com a qual seus habitantes convivem, o país está entre os piores em qualidade de vida e um dos primeiros em níveis de pobreza.

Características climáticas da Nigéria
O clima predominante no território nigeriano sofre influências diretas dos efeitos provocados pela maritimidade. Nas áreas próximas ao litoral sul a temperatura máxima é de 32ºC, composta por uma alta umidade relativa do ar e índices pluviométricos relativamente elevados e bem distribuídos durante todo o ano. No centro do país o período chuvoso ocorre de abril a outubro, já a época da seca desenvolve de novembro a março, nessa as temperaturas são elevadas e podem superar os 38ºC. Ao norte, a seca permanece por um período maior, cerca de oito meses, fenômeno provocado pela influência dos ventos secos e quentes originados no Deserto do Saara.

Economia da Nigéria
A economia nigeriana era baseada na produção agropecuária, principalmente no cultivo de cacau, café, amendoim, banana e azeite de dendê, todos com finalidade de exportação. A produção de alimentos não acompanhou o crescimento populacional, então o país recorreu à importação para suprir as necessidades internas. O país possui jazidas de diversos minérios, mas o principal é o petróleo, esse recurso mineral responde, atualmente, por 20% do Produto Interno Bruto, 95% das exportações e 80% da receita nacional. O setor industrial ainda é discreto, mas as empresas já existentes e atuam, principalmente, no segmento de bebidas, fumo, equipamentos de transporte e automóveis, produtos químicos, têxteis e alimentos, o parque industrial nigeriano está localizado nas cidades litorâneas.

Informações gerais sobre a Nigéria: 
Área: 923.768 km2. Capital: Abuja.
Idioma: Inglês como oficial, além de outros praticados, como haussá, ibo e ioruba.
 
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,423 (baixo).
Religião: 40% cristianismo, 50% Islamismo, 10% religiões diversas.
Moeda: Naira.


domingo, 11 de maio de 2014

‘Consumo étnico’ aquece negócios entre empreendedores negros.

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Especializada em penteados
afro,
Chris tem público masculino
forte que curte dreads e tranças
Cris Olivette
A fundadora da Cia. das Tranças,
Chris Oliveira, era produtora de moda antes de criar um salão especializado em cabelo de pessoas negras. “Não gostava do atendimento que recebia nos salões e passei a cuidar sozinha de meu cabelo.”
O resultado foi tão bom que as pessoas começaram a elogiar e a perguntar quem cuidava de seus cachos. “No início, fiz alguns cabelos por hobby. Nesse processo, vi que muitas pessoas tinham a mesma infelicidade que eu, por não encontrar bons salões. Usei as críticas a meu favor e criei um salão como sempre sonhei encontrar.”
Após 12 anos, Chris comanda uma equipe com 13 profissionais. “Há dois anos cuido só da gestão da empresa, e tem sido ótimo porque nesse período o negócio cresceu 50%.” Ela diz que 80% de seu público é de mulheres. “Em relação a dreads e tranças, tenho um público masculino forte.” Chris diz que não são só negros que buscam penteados afro. “Recebemos japonesas, loiras, mas é claro que negros representam 80%.”
A atividade de Chris, engrossa o estudo que aponta crescimento de 29% no empreendedorismo entre negros, ocorrido em uma década. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considerou o período entre 2001 a 2011. Segundo o estudo, o empreendedorismo entre negros passou de 43% para 49%.
O consultor de marketing do Sebrae-SP Marcelo Sinelli pondera, entretanto, que o que cresceu muito, na verdade, foi o número de pessoas que se declaram negras. “Para o IBGE, o critério que define se uma pessoa é negra ou não é a autodeclaração. É provável, que muitos já fossem empreendedores, mas não se declaravam negros.”
altSinelli diz que as transformações ocorridas na sociedade brasileira nos últimos 20 anos contribuíram para a mudança de postura. “Está tudo atrelado. O crescimento do orgulho de ser negro, a ascensão social das classes C e D, e o aumento do acesso à informação abriram uma série de oportunidades, estimulando negócios específicos, que podemos chamar de consumo étnico.”

Ana Paula (à esq.) e Cristina investem na cultura africana
A sócia da Xongani, Ana Paula Xongani (foto na capa), está entre os que privilegiam
o consumo étnico. “Assim como outros negócios voltados ao público negro, a Xongani nasceu para cobrir uma lacuna. Não havia no mercado acessórios que valorizassem a cultura africana.”
Cristina, sócia e mãe de Ana Paula, afirma que a profissionalização da marca veio a partir da demanda. “Tudo foi concebido para atender as necessidades das mulheres da família. Com o tempo, recebemos encomendas e o negócio cresceu.”
Hoje, após quatro anos de mercado, a Xongani produz 26 itens como sapatilhas, brincos, pulseiras e turbantes. “No ano passado, lançamos nosso primeiro modelo de vestido de noiva afro-brasileira. Nosso principal diferencial está nos tecidos, importados da África”, diz Ana.
Além de vender pelo e-commerce, a marca vai aonde o publico está. “Participamos de grandes eventos realizados em todo o País como o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, Feira Preta, Afrolatinidades, Rua do Samba, Festa de São Benedito e Feijoada da Mãe Preta. Também visitamos eventos na periferia de São Paulo.”
altUma das precursoras desse movimento de valorização de produtos específicos para a população negra foi a fundadora da Muene Cosméticos, Maria do Carmo Valério, de 81 anos. “Foi muito difícil ajustar as fórmulas porque o Ph da pele negra é diferente. Tive de mudar várias vezes de químico.” No mercado há 25 anos, a Muene comercializa 121 itens, tendo como carro-chefe o pancake, com nove tonalidades.

Araújo (centro), criou agência especializada em modelos negros há 14 anos.
Hoje, seu book tem 200 nomes
Antes de fundar a agência HDA Model, Helder Dias Araújo era professor de passarela e coreógrafo na Bahia. “Vim para São Paulo praticamente sem dinheiro. Trabalhei três anos em uma agência. Quando ela fechou, vi que não havia na cidade uma agência especializada em modelos negros. Agarrei essa oportunidade. Hoje, 14 anos depois, capacito e formo profissionais. Nosso book contém mais de 200 modelos.”
Ele conta que o curso de modelo tem 33 matérias como etiqueta, teatro, passarela, nutrição, maquiagem e postura. “Na metade do curso, que dura seis meses, eles participam de uma banca que avalia quem está tendo um bom aproveitamento e deve concluir a formação.”
Helder afirma que os aspirantes a modelo passam por avaliação e são indagados sobre os estudos. “É fundamental que o modelo continue estudando. Essa carreira é efêmera e muitas vezes ingrata. Eles precisam ter os pés no chão.”
altO empresário diz que o mercado para modelos negros está crescendo. “Mas acredito que não foi o mercado que se abriu e sim, foi o negro que se conscientizou e está buscando seu espaço. Os negros perceberam, enfim, que a grande ferramenta é a educação, com ela é possível ir aonde quiser.”


Adriana, fundadora da Feira Preta
Militância empreendedora impulsiona negócios
Formada em gestão de eventos e com especialização em arte e cultura, Adriana Barbosa é uma empreendedora engajada. Desde 2002, realiza anualmente a Feira Preta. “Criei a feira pela necessidade de haver um evento com esse recorte racial de segmentação, levando em conta não apenas o viés da militância mas sobretudo pela oportunidade de negócio. Não existia nenhuma feira com essa abordagem que reunisse produtos e cultura”, afirma.
Adriana conta que o evento começou com 40 expositores e hoje são 100 participantes de todo o País. “Em 2005, criei o Instituto Feira Preta que organiza ações culturais, festival de música, seminário de boas práticas em economia criativa e o curso Preta Qualifica, que capacita empreendedores que participam da feira, em áreas como formulação de preços e atendimento ao público.”
O treinamento é feito em parceria com o Sebrae. Mas o instituto também organiza capacitação ligada à área de cultura, que aborda assuntos como elaboração de projetos, captação de recursos e estratégia de comunicação. “O objetivo é dar aos artistas um olhar de gestão sobre sua própria obra.”
Segundo Adriana, existe um potencial grande a ser explorado nesse nicho.
“A preocupação é saber se quem produz compreende as particularidades desse público, cada vez mais exigente, e se tem escala para atender a demanda crescente.”
A empresária conta que a terceirização de algumas etapas de seus negócios é feita por meio de redes que agrupam profissionais negros. “Uma delas é a Kultafro. Hoje, 70% das minhas produções são feitas por profissionais e empreendedores negros. Adotamos o conceito americano Black Money, para fazer circular dinheiro dentro da comunidade negra.”
A diretora comercial da loja de bonecas Preta Pretinha, Joyce Venâncio, se inspirou em um sonho de infância para criar o negócio. “Quando minhas irmãs e eu éramos pequenas, queríamos ter bonecas negras e nossa avó fez bonecas com tecido marrom para nós”, diz Joyce. Em 2000, as irmãs se uniram para criar a loja que oferece, além de bonecas, brinquedos educativos, fantoches e bonecos de madeira.
“Não quisemos segregar produzindo só bonecas negras, elas são maioria, mas também temos orientais, muçulmanas, russas etc.” Joyce afirma que, com o tempo, viu que era necessário criar bonecas com enfoque na inclusão. “Hoje, temos bonecas cadeirantes, albinas e obesas, entre outras, que são muito usadas em aulas sobre inclusão.” Em 2010, elas também fundaram o Instituto Preta Pretinha, que promove oficinas e inclusão de pessoas carentes.

terça-feira, 6 de maio de 2014

8ª edição do Festival de Cultura e Arte Negra 2014

Informação adicional do Projeto

A Realização do Festival de cultura e arte negra surgiu com objetivo de dar visibilidade o artista que trabalha com a diversidade cultura na perspectiva de gênero é raça foi com esse objetivo que surge o  evento e com muita lutar é organização vamos realizar a 8ª edição do Festival de cultura e arte negra. É chegada a hora de perdermos o medo, e hoje através do Festival de cultura e arte negra, temos certeza, este objetivo cultural que faz parte da vida dos homens será alcançado e também pela importância do próprio tema motivar o artista no desenvolvimento de Seu potencial.

Programação

PROGRAMAÇÃO DAS MESAS DE DEBATES CCH UNIMONTES PRÉDIO 02 AUDITÓRIO DE 19.30H as 21.30 H

13 DE MAIO DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA O PRECONCEITO RACIAL

Dia 13 de Maio horário 19.30H as 21.30 H

Mesa de debate com Papiõn Cris Santos
A Lei 11.645/08 e Intolerância a Espiritualidade Indígena e Oficina de Reutilização e Grafismos Indígenas das 16.00h às 18.00h.


Dia 14 de Maio horário 19.30H as 21.30 H

Mesa sobre a lei 10639 ,Com Maria Du Carmo Costa ( Madu Costa) Professora de Arte e Literatura na empresa Escola Municipal Belo Horizonte
Contando  estória,Slogan.:Já falei 10639 vezes que racismo é crime.

Dia 15 de Maio horário 19.30H as 21.30 H

Mesa: Autoestima e imagem corporal, com a Prof.ª Luciana de Almeida Moreira.
Pesquisadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Narrativas Formativas – GEPENAF e  Crime cibernético, com a Advogada Lucélia Saraiva Aguiar -

Programação das oficinas

Local das Oficinas ( Núcleo de Dança Luciano de Jesus ) AV Amperes 365 Bairro de Lurdes Próximo a Igreja Católica. 

Sexta Feira dia 16 Oficina de grafite com Wender Miranda - Montes Claros,  das 9H às 12H /Capoeira Angola com Jean Cigano – Montes Claros,  das 9H às 11h/ de Break com Dário Adam -Montes Claros, das 15H às 17H/ de Mascaras Africana Mascaras Africana com Olívio Cerqueira - Montes Claros, das 18H às 21H

Sábado 17 Oficina de Mascaras Africana Mascaras Africana com Olívio Cerqueira - Montes Claros, das 8H às 14h /Trança e Penteado com Ednéa Rubim - RJ e Claudia Santiago - RJ das 8H às 12.H / de Turbante e Amarras com Neguinha Moura -RJ das 13.H às 17.00H

Domingo dia 18 Oficina de Dança Afro com Evandro Passos - Belo Horizonte das 8H às 10H/ Percussão com Luciano de Jesus - Montes Claros das 10H às 12H 

Programação cultural no Quintal Cel Prates 92 Centro

Apresentações Culturais, Culinária Africana, Moda e Beleza Negra com Desfile de Turbantes e Amarras,Lançamento de Livro, Dança Afro, Capoeira e Comida di Preto.
Contatos: 38 91044369 TIM /38 88460040 OI/ 38 97409883 VIVO


Objetivos das oficinas do FECAN

Oficina de Grafite

GERAL

Contribuição e capacitação na compreensão do desenho e da pintura como meios expressivos, com valores históricos – culturais de importante papel social, assim como utilizar diferentes formas de procedimentos através do uso de materiais próprios do campo plástico a partir da análise da produção artística de rua e seus aspectos semânticos.

ESPECÍFICOS



Promover a utilização e pesquisa de materiais artísticos; desenvolver a sensibilidade e a criatividade dos alunos; Possibilitar uma reflexão crítica dos alunos em busca da construção de um conceito de  Cidadania; Compreender o uso dos elementos básicos da linguagem visual; Identificar os significados expressivos e comunicativos das formas plásticas; Apontar as transformações corridas na sociedade de acordo com sua evolução
Industrial; Enfocar em linhas gerais as diferenças entre graffiti e pichação; Estudar as principais intervenções estéticas de caráter urbano e ambiental; proporcionar, um estudo de desenho, onde será abordado todos os elementos necessários para se chegar a técnica do graffite (estudo de cores e formas por exemplo). Também estará trabalhando o olhar dos participantes da oficina para o seu cotidiano, procurando fazer da oficina um observatório do espaço onde você esteja inserido, a fim de valorizar a identidade local e ajudando na formação de cidadãos participativos.


Oficina de Dança de Rua


Esta oficina visa, não só a difusão da história da dança e seus movimentos, mais também a prática da dança de rua, analisando o processo evolutivo da mesma, realizando vivências paralelas, comparando a dança "contemporânea" com a "primeira" dança a ser praticada. Proporcionando o conhecimento do próprio corpo, ajudando num desenvolvimento motor melhor, possibilitando o aluno obter respostas fisiológicas, psicológicas, que resultarão num melhor desempenho em vida pessoal e profissional. Trabalhando principalmente o respeito mútuo, convivência em grupo, socialização e a formação como cidadão.


Oficina de Turbante

Os turbantes têm origem na África, e os turbantes são usados como e para proteção de ORI (cabeça). Na África a forma de adornar (amarrar) a cabeça tem significados.
Jovens e adolescente utiliza turbantes menores e sem ornamentos, bem discretos, e assim conforme o seu poder maior o seu turbante.
No Brasil é uma resistência do nosso povo para com nossos irmãos africanos e ancestrais. Usados no ILE ASE (casa de candomblé),Blocos afros, afro descendentes Afoxés, E por pessoas iniciadas na Religião de MATRIZ AFRICANA.
Hoje é uma tendência na moda que tem influência em África, e temos visto o uso dos turbantes em diferentes regiões, significando como a estampa africana e seus costumes estão nós influenciando ainda hoje.

Oficina de penteados africanos

Objetivo a valorização e preservação da cultura afro-brasileira, proporcionando através do fazer e do saber, poderemos compreender a identidade cultural de matriz africana no Brasil. O fortalecimento da cultura de matriz africana será desenvolvido não só no período das oficinas, mas durante o ano de 2014 com várias iniciativas nascidas nas edições anteriores do FECAN, que sempre pautou pelo resgate e fortalecimento das manifestações culturais de matriz africana.

Oficina de Mascaras Africana

As Máscaras Africanas foram às protagonistas da arte africana. A máscara representava um disfarce místico com o qual os africanos poderiam absorver forças mágicas dos espíritos e assim utilizá-las em benefício da comunidade: na cura de doenças, em rituais fúnebres, cerimônias de iniciação, casamentos e nascimentos. O trabalho com as máscaras africanas também contribui para o reconhecimento da identidade afro brasileira integrando a memória cultural do nosso país, a oficina visa também oportunizar ao público interessado um encontro com as máscaras africanas, concebidas nas suas dimensões técnicas e representativas desde os princípios fundamentais de concepção até sua utilização como um potente elemento para o trabalho criativo do ator, a oficina não pressupõe nenhum conhecimento prévio ou específico de escultura, mas procura uma flexibilidade nas exigências de pré-requisitos de modo a fomentar um trabalho sério de divulgação de uma técnica pouco explorada e uma troca mútua de experiências.                       

Oficina de Reutilização e Grafismos Indígenas


A intenção desta oficina é propagar a cultura Indígena e seu grafismo, acreditando que seja de grande importância para todos, este conhecimento milenar existente me nosso país. Os indígenas buscam referencias visuais nos elementos da natureza, para a construção dos desenhos nas pinturas corporais. Por tanto, utilizam-se de pigmentos oriundos de vegetais e minerais geralmente encontrados nas regiões onde habitam.
As técnicas decorativas, bem como as suas simbologias encontram no corpo humano um dos seus suportes para a representação estética da arte plástica, que alem de uma manifestação artística, é também um resgistro etnocultural. Essas mesmas observações valem para os padrões encontrados nas pinturas dos utensílios cotidianos, nas indumentárias e nos desenhos do espaço habitacional.
Os aspectos visuais, obtidos através da semiótica apresentada na decoração corporal, remetem-nos à identidade de cada etnia, onde são relatadas as mudanças sociais básicas decorrentes do processo etário, hierarquia, gênero, entre outros. Para estabelecermos relações entre esses diferentes grupos humanos promovendo a interculturalidade, necessitamos de maiores estudos pela gama de informações que eles nos oferecem.
A arte Indígena constitui-se um referencial importante, para os professores que pretendem desenvolver projetos interculturais constituindo-se uma porta de entrada a outras questões, pois nas sociedades Indígenas, a arte está relacionada a todos os outros aspectos da vida social, diferentemente do conceito de arte na nossa sociedade. Assim as pesquisas relacionadas a estética considera as tradições e o contexto histórico-social de cada etnia, desbancando a idéia generalizadora, difundida inclusive nos livros didáticos. A pintura e as manifestações gráficas dos grupos Indígenas brasileiros foram objetos de atenção desde o primeiro século da colonização. Os estudiosos nunca deixaram de registrar-las e de admirá-las, estejam elas presentes nos corpos, nos utensílios, e atualmente também nos papeis, que se apresentam como um novo campo de expressão para os artistas Indígenas.

Oficina de Percussão

Objetivo da oficina é a  interação e resgate da musicalidade ancestral africana promover vivências sonoras com os participantes, possibilitando novas descobertas através dos instrumentos construídos e tocados por eles mesmos, partindo da abordagem eco-sustentável dos recursos existentes na região circundante (bambuzal, bananeiras) e dos materiais específicos fornecidos pelo facilitador; Construir e tocar instrumentos de percussão, experimentando diferentes combinações de timbres e afinações, tendo como repertório tanto improvisações estruturadas como motivos melódicos de inspiração étnica e canções de temáticas voltadas para o dia a dia do aprendiz da percussão.

Oficina de capoeira angola


Os objetivos da oficina de Capoeira Angola é a ampliação do universo cultural acerca da capoeira, valorizando seus aspectos herdados da cultura africana em sua pluralidade de formas adquiridas durante seu processo histórico de criação e recriação na África e no Brasil, traduzindo-se assim, como um importante elemento de resistência da cultura negra. Além disso, a Capoeira Angola contempla os indicativos educacionais no que tange a valorização da diversidade, a formação de identidade e o repúdio a qualquer forma de discriminação.
Sem medo de ser feliz a capoeira angola também contribui com o conhecimento do corpo do praticante, construindo assim a consciência corporal, ela é uma terapia para o corpo e alma