quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Documentário inédito, que tenta captar o debate sobre a identidade racial do país, terá sua primeira exibição na Première Brasil – Hors Concours

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Documentário inédito, que tenta captar o debate sobre a identidade racial do país, terá sua primeira exibição na Première Brasil – Hors Concours



O cineasta brasileiro Joel Zito Araújo e a documentarista norte-americana Megan Mylan – vencedora do Oscar com o filme Smile Pinki (2008) – se tornaram amigos em meados da década de 1990, mas foi em 2004 que surgiu a ideia de dirigirem um longa-metragem juntos. Fruto dessa parceria, o documentário “Raça”, coprodução entre Brasil e Estados Unidos, será exibido pela primeira vez na Mostra Première Brasil– Hors Concours, no Festival do Rio.
Para captar o debate racial que se tornou constante na mídia desde o início do século XXI, os diretores decidiram acompanhar de perto, durante cindo anos, três personalidades negras que estão – cada uma a sua maneira – na linha de frente dessa batalha pela igualdade: Paulo Paim, único negro no Senado Federal; Netinho de Paula, cantor, apresentador de TV e empresário; e Miúda dos Santos, neta de escravos e ativista quilombola. Joel e Megan fecharam uma parceria com o Fundo Baobá. Quando o filme for lançado no circuito no primeiro semestre de 2013, parte da renda obtida pela bilheteria nacional será revertida para a entidade voltada à promoção da equidade racial da população negra brasileira.
O documentário foi filmado entre 2005 e 2011. A preocupação dos diretores em examinar o tema de forma ampla se revela por meio de personagens de diferentes regiões do país – Brasília, São Paulo e Espírito Santo – envolvidos em projetos díspares que têm em comum a busca pela superação da desigualdade racial. “A ideia por trás da escolha dos personagens foi mostrar histórias que contemplassem a diversidade de renda e gênero no universo específico da população negra brasileira”, diz Joel Zito. “Foi um privilégio acompanhar este momento histórico de transformação social no Brasil. Queremos utilizar o poder de cinema, de uma história bem contada, para discutir como um Brasil moderno pode ser um país que valoriza a diversidade e a inclusão”, explica Megan Mylan.
Foram dedicados cerca de três anos para cada personagem. O filme acompanhou os esforços do senador Paulo Paim para sancionar a lei do “Estatuto da Igualdade Racial” no Congresso Nacional, em Brasília. Autor do projeto original que demorou quase uma década para ser aprovado, Paim se emociona ao discursar no Supremo Tribunal Federal, em um debate tenso: “Eu não quero nada. Só dêem oportunidade para um povo que foi sempre excluído. Só quem é negro sabe o quanto que é difícil essa caminhada”. O senador ressalta que, apesar de o Brasil ter a segunda maior população negra do mundo e de ter areputação de harmonia racial, os negros permanecem praticamente ausentes da mídia e da política brasileira.
O documentário apresenta a luta de Miúda dos Santos – neta de africanos escravizados e ativista quilombola – pela posse das terras e pelo respeito às suas tradições ancestrais da Comunidade Quilombola de Linharinho, no Espírito Santo. Junto com os moradores da região, Miúda briga contra um gigante do ramo da celulose, a empresa Aracruz. “Desde a década de 70 que uma grande plantação de eucalipto tomou todos os territórios. Os quilombolas são povos tradicionais que têm sua cultura, sua religião de matriz africana, danças e comidas típicas. Ficamos confinados”, conta Miúda durante o protesto organizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), em Brasília.
“Raça” mostra também os bastidores da trajetória do cantor, apresentador e empresário Netinho de Paula durante todo o processo de criação e tentativa de consolidar o seu canal TV da Gente. Fundada em 2005, no interior de São Paulo, a emissora formada majoritariamente por profissionais negros foi idealizada por Netinho, que explica, durante uma entrevista, que “a democracia racial no Brasil não existe no campo das comunicações. O país está caminhando para uma mudança e a TV faz parte de uma mudança”, diz o artista.


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sandro josé da silva

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