quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Carta Referência - COMFESMAN

Carta Referência - COMFESMAN
Comitê Mineiro do Festival Mundial de Artes Negras


“(...) Trata-se, essencialmente, de criar oportunidades às comunidades negras do mundo inteiro para que se unam, a fim de revitalizarem sua cultura, sua criatividade. A fim de assegurarem o equilíbrio e o desenvolvimento harmonioso da sociedade internacional, pois também cabe aos nossos povos, juntos com todos os outros povos, a responsabilidade de gerir o mundo, que constitui um bem comum.”
Alioune Diop
Discurso oficial de abertura do primeiro FESMAN
Senegal, 1966.

Apresentação

O Senegal organizou, com sucesso, o primeiro Festival Mundial de Artes Negras (FESMAN), em 1966. O evento teve o objetivo de promover encontros entre as representações mundiais da Diáspora Africana e de ser um espaço para celebrar a diversidade de expressões culturais negras. Mais que um espaço de convívio entre correntes artísticas, o FESMAN assumiu o propósito de instigar uma reflexão essencial sobre o papel da África e de sua diáspora no mundo contemporâneo. Não se tratava só de unir, fazer se expressar e/ou revitalizar a cultura negra, mas de despertar a importância de abrir um espaço e garanti-lo junto aos outros povos no processo de governança global. Isto porque, dentro das novas configurações planetárias, faz-se presente o entendimento de que a gestão do mundo em que vivemos transcende as dicotomias que dividem Norte/Sul, dirigindo-se rumo ao equilíbrio entre as diversas esferas de representação da humanidade.


Em 1977, o segundo FESMAN aconteceu na Nigéria, país de maior população negra do mundo. Depois desses anos todos, a terceira edição do FESMAN volta a ocorrer, de 1º a 14 de dezembro de 2010, no Senegal, tendo como tema o "Renascimento Africano" e o Brasil como País Convidado de Honra e co-realizador. Isto porque os laços sociais, históricos e culturais entre o Brasil e a África são evidentes. Efetivamente, a população brasileira possui uma imensa concentração de afro-descendentes, apresentando a segunda maior população negra no mundo.

Agrega-se a isto o desastre histórico da violência étnico-racial do período colonial e escravista, por meio do qual o tráfico transatlântico de escravos transplantou para o Brasil mais de quatro milhões de africanos, ligando, intrinsecamente, as duas pontas dessa rota que o FESMAN pretende, agora, inverter, em sua forma e conteúdo: levando para a África, desta vez, uma comitiva de artistas, intelectuais, cientistas e profissionais de diversas áreas do Brasil, com o intuito de promover o respeito e a cooperação entre os povos.

Minas têm uma forte ligação com a África, porque, além de ser o Estado brasileiro com a segunda maior densidade populacional negra do país, aqui o conhecimento e a tecnologia da mineração foram implantados pelas civilizações africanas que construíram as cidades, fundaram a história e falaram através do Barroco. Ou, ainda, pode-se perceber a herança das culturas Bantu vivenciada pelas comunidades religiosas irmanadas nos Congados de Minas (Congo Moçambique e Angola).

Minas dialoga com a África há muito tempo. Em 1977, o idealizador do FESMAN, fundador do Movimento da Negritude e primeiro presidente do Senegal independente, Léopold Sédar Senghor, visitou Minas Gerais, tendo como principal objetivo um encontro com o barroco em Ouro Preto. Em 1984, por exemplo, foi realizado o Curso de Extensão "Africa-Brasil: História, Política e Economia", pelo Núcleo de Relações Internacionais da Fundação João Pinheiro, com a participação da UFMG, da PUC Minas e da Fundação Cultural de Belo Horizonte, do Movimento Social Negro e da comunidade mineira interessada na reconstrução da memória do povo negro, bem como na prospecção comercial da África pelas empresas voltadas para a formação de pessoal especializado em planejamento e desenvolvimento social e econômico dos países africanos.

Com a realização do FESMAN em dezembro de 2010 no Senegal, sob o tema Renascimento Africano, artistas, grupos culturais e lideranças dos movimentos sociais negros debateram sobre a participação brasileira no Festival. Por essa razão foi criado o COMFESMAN – Comitê Mineiro do Festival Mundial de Artes Negras, com a finalidade de viabilizar parcerias entre a organização do FESMAN, os Ministérios da Cultura do Brasil e do Senegal, o Governo do Estado e as Prefeituras Municipais, para que o Brasil, como país homenageado, tenha uma representação forte e expressiva no Festival, incluindo os traços fundamentais das identidades étnico-raciais e socioculturais negro-africanas de Minas Gerais. De todo modo, o Brasil e Minas querem ser partícipes ativas do renascimento africano, conceito que estrutura o Festival.

Portanto, entre aos desafios do Comitê está o da construção da Agenda com as instituições Governamentais, Empresarias e Educativas; de mobilização da sociedade civil no campo da matriz cultural negro-africana e o da elaboração do Projeto FESMAN em Minas considerando nossa importância na organização de 4 edições do FAN – Festival Internacional da Arte Negra de Belo Horizonte, o primeiro em 1995 dentro das comemorações dos 300 anos de Zumbi dos Palmares, cujo conceito foi inspirado no FESMAN de 1966 no Senegal e de 1977 na Nigéria. Vale destacar que a quarta edição do FAN em Belo Horizonte (2007) homenageou os países da África do Oeste – território do FESMAN de 2009 - e contou com a participação dos organizadores internacionais do FESMAN de 2009 e da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

Enfim, cabe ressaltar a organização do Seminário Internacional Brasil-África, promovido pela PUC Minas em 2004 e 2006, bem como a terceira Semana Cultural do Senegal, realizada pelo Centro Cultural Casa África na capital mineira, entre outros eventos dedicados à celebração da nossa memória coletiva e ao patrimônio cultural africano.


Objetivos e Propostas do COMFESMAM

1. Estabelecer a interlocução institucional com os Governos Federal, Estadual e as com as Prefeituras Municipais, com a finalidade de viabilizar a participação de uma delegação mineira constituída por artistas, intelectuais, pesquisadores grupos e produtores culturais e lideranças negras no Festival Mundial de Artes Negras, em Dacar/Senegal, em dezembro de 2009.

2. Mobilizar esforços para que as iniciativas como o FAN – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte, o Seminário Internacional Brasil-África e a Semana Cultural do Senegal integrem a programação do Festival Mundial de Artes Negras como cooperação do Estado de Minas Gerais - FESMAN em Minas.

3. Realizar a Mostra Cultural Afro-Mineira no Fesman cuja programação traduza a diversidade e pluralidade das expressões artístico-culturais de Minas Gerais, fundadas na tradição e na contemporaneidade das matrizes culturais negro-africanas e afro-mineiras, a ser realizada aqui, no Senegal e/ou nos países lusófonos que também abrigarão o Festival.

4. Transmissão de 5 (cinco) minutos diários na TV FESMAN das manifestações artístico-culturais da região metropolitana de Belo Horizonte.

5. Ampliar os canais de articulação com a sociedade civil, relativamente aos movimentos sociais negros e à área cultural: artistas, intelectuais, produtores culturais, grupos, pesquisadores, gestores públicos, imprensa e comunidade.

6. Propiciar que a comunidade afro-mineira e a sociedade em geral acessem as reflexões sobre o pensamento africano contemporâneo e a Diáspora, em especial o conhecimento filosófico, histórico e político, sobre o significado do Renascimento Africano.

7. Assentar as bases de um processo contínuo e permanente de cooperação e intercâmbio cultural, educativo, econômico, social, científico e tecnológico entre os países da África do Oeste, os países africanos da Comunidade de Língua Portuguesa e a Diáspora com o Estado de Minas Gerais.

8. Fortalecer as relações com a África e a Diáspora compartilhando experiências nas diversas as áreas e campos da atividade humana.

9. Publicar um Folder de Apresentação do FESMAN, visando impulsionar a mobilização das entidades e grupos culturais de Minas Gerais.

10. Produzir e disponibilizar o site do Comitê Mineiro do FESMAN, linkado ao Portal do evento.

11. Contribuir com o processo de articulação e mobilização do FESMAN nos países da América Latina e do Caribe, constituídos de presença significativa da população negro-africana.

12. Cooperar com o processo de curadoria para a escolha da(s) representações das culturas de matriz afro-mineira no FESMAN.


13. Mapear o conjunto de artistas negros, grupos e entidades culturais, associações religiosas de matrizes africanas, bem como lideranças e entidades do movimento social negro.

14. Participar do Comitê Nacional do FESMAN.


Estrutura do Comitê

O Comitê é um Fórum aberto de reflexões, discussões e debates de representantes da sociedade civil, entre os quais se destacam a participação de lideranças das entidades do movimento social negro, de grupos e associações culturais, artistas, intelectuais e pesquisadores, lideranças religiosas de matrizes africanas, das comunidades negras tradicionais e de instituições educativas e culturais, que desenvolvam projetos vinculados à temática da cultura negro-africana e à promoção da igualdade racial na sociedade brasileira.

No dia 26 de dezembro de 2008, o Comitê elegeu uma Coordenação Executiva, constituída por 11 membros.

Coordenação Executiva do COM FESMAN

Marcos Cardoso, Ibrahima Gaye, Iris Amâncio, Adyr Assumpção, George Cardoso, Cleide Hilda de Lima, Rui Moreira, Mestre João, Mestre Primo, DJ Coisa, Evandro Nunes



O Comitê é constituído por Grupos Temáticos com um coordenador para cada área: Música, Dança, Audiovisual, Teatro, Literatura, Artes Visuais, Educação, Moda e Design, Gastronomia, Arquitetura, Sociedade Civil, Manifestações culturais tradicionais e religiosas de matriz africana, Artesanato, Comunicação e Multimeios.




Integrantes do Comitê Mineiro do Festival Mundial de Artes Negras

Marcos Antônio Cardoso – Pesquisador da Fundação Centro de Referência da Cultura Negra, da Coordenação Nacional de Entidades Negras, do Projeto Cantando a História do Samba e Professor do Curso de Pós Graduação em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da PUC Minas.
Ibrahima Gaye – Fundador e Coordenador do Centro Cultural Casa África
Iris Maria da Costa Amâncio – Professora, Pesquisadora, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e Curadora do Seminário Internacional Brasil-África da PUC Minas.
Adyr Assumpção – Ator e Diretor. Curador e Diretor Artístico do Festival Internacional da Arte Negra de Belo Horizonte e Coordenador Geral da Mostra Internacional Imagem dos Povos.
George Cardoso – diretor fundador da Bebop Comunicação e cultura Jornalista Cultural
Cleide Hilda de Lima – Presidente da Fundação Centro de Referencia da Cultura Negra e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial
Rui Moreira – Bailarino e Coreografo, Curador e diretor Artístico do Festival de Arte Negra e Diretor da Companhia Será Quê?
Mestre João – Companhia Primitiva de Arte Negra e Mestre de Capoeira Angola
Mestre Primo - Grupo Iuna de Capoeira Angola
Paulo da Silva Soares ( DJ Coisa)– Dj e Produtor Musical Integrante da Banda Berimbrown e coordenador do Centro Popular de Cultura de Betim
Evandro Nunes – Ator e Coordenador do Teatro Negro e Atitude e Membro do Negraria – Coletivo de Artistas Negros
Mauricio Tizumba – Músico, ator, Projeto Tambor Mineiro.
Elzelina Dóris – Cantora, Educadora e Coordenadora do Projeto Cantando a História do Samba.
Dudu Nicácio – Músico, Produtor Cultural
Celso Moretti – Músico
Santone Lobato – Músico do Grupo Tambolelê
Geovane Sassá – Músico do Grupo Tambolelê
Evandro Passos – Coreógrafo, Diretor da Companhia Bataka
Célia Gonçalves – Cenarab – Centro Nacional de Resistência e Africanidade Brasileira
Bernardo – Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros
Rosália Diogo – Professora da Rede Municipal de Ensino, Jornalista e Psicóloga Social.
Mestre Conga – Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte
Gil Amâncio –Musico ,ator , compositor e idealizador do FAN
Miss Black – Grupo Estilo Feminil
Companhia Alma Del arte
Ary Elton – Músico
Jorge Dissonância – Músico
Junia Bertolino – Bailarina e Diretora da Companhia Baobá
Hudson Carlos – Hip Hop


Informações: casaafrica@casaafrica.com
Marcos Cardoso – (55 - 31) 91414868
Email: macardoso1109@yahoo.com.br

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